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Sempre é Carnaval

Por Jota Christianini
*
Colaborou José Ezequiel

Filho

O Palmeiras, sempre pioneiro, às vezes exagerava. Não tinha, como todos, um bandinha para animar a torcida. Tinha duas. A antiga do Gino e nos anos 60 surgiu a outra; a do Minguinho.

Quem era o Minguinho? Domingos Ianacone, um lendário, perspicaz e notório torcedor e dirigente palmeirense.

Verdade seja dita que o cargo que ele ocupava era o de menos. Muito do que se vai contar dele aconteceu quando não ocupava cargos; outros acontecimentos encontraram-no diretor de futebol.

Dono da TV do Braz uma das maiores lojas da cidade e com certeza o maior revendedor de TV de toda região, Minguinho fazia de seu negócio uma espécie de hobbye, ou seja o comércio ocupava as suas horas vagas; na maioria do tempo cuidava do Palmeiras, sua vida, sua família, seu trabalho.

Pelo clube do coração era capaz de façanhas que hoje soam inacreditáveis.
Em 71 o Palmeiras foi jogar na Argentina, Libertadores, e num trabalho das emissoras de rádio as torcidas dos times adversários resolveram apoiar o representante brasileiro. Mas e a grana para a viagem? Minguinho resolveu essa e outras paradas, para ter o maior apoio possível ao seu querido Verdão. Aliás quando a imprensa tinha pudores ao escrever apelidos, foi dele que se ouviu a expressão: Verdão!

Tempos depois a Lusa não queria vender Leivinha, o Palmeiras queria comprar, mas não tinha dinheiro. Minguinho foi à luta.

Convenceu os lusos a vender, mas eles queriam à vista, nada que Minguinho não resolvesse. Negociou a não mais poder, e fechou o negócio. Mandou pegar o cheque no fim de fevereiro.

Iniciou campanha promovendo os bailes de carnaval do Palmeiras.

A receita do carnaval do Palmeiras, como já tinha acontecido com Djalma Santos e Servílio, pagou a compra de Leivinha. Outros tempos e outros carnavais.
Por acaso também era carnaval, sábado; o Palmeiras perdia o Derby, inconcebível para Minguinho. Invadiu os vestiários no intervalo e antes que treinador pensasse em impedir foi direto aos jogadores.

— Se virar o jogo segunda feira o time inteiro passa na loja e leva uma TV Colorado RQ – era o que havia de mais moderno em termos de TV.

Viraram, venceram, ganharam o presente. Assim era o Minguinho.

Dario era o terceiro ou quarto reserva da Academia de Filpo Nunes. Minguinho nem era da diretoria.Tupãzinho estava fora, Ademar quebrou a perna e Dario teve sua vez. Marcou um golaço, usou o bicho para comprar uma geladeira, na TV do Braz, para sua mãe em Minas. Domingos Ianacone quando soube, devolveu o cheque ao jogador. A geladeira ficou de brinde.

Os negócios ficaram de lado, talvez até demais, e a loja fechou. O dinheiro acabou, muitos amigos sumiram, Minguinho virou um triste.

Muito tempo depois, décadas, ele “tentou” voltar ao clube. Tempos obscuros, cinzentos. Foi interpelado pelo porteiro:

— Onde o senhor pensa que vai?

— Sou o Minguinho, fui diretor há muito tempo.

— Não o conheço, não entra!

Ao invés de um tapete verde encontrava a porta fechada, atravessou a rua entrou na sede de uma torcida recém criada; não reclamou, não brigou, contou históiras aos jovens. Apenas resignou-se!

Carnaval novamente, hora do Minguinho voltar ao Palestra Itália.

Com tapete verde, bateria, confete, serpentinas, rainhas e reis a esperá-lo.
Lugar de palestrino é no Palestra.

*Jota Christianini escreve todas as terças-feiras no 3VV,
sempre um causo que ele conta como o causo foi. 

Reprodução autorizada com expressa citação do autor e
da publicação do texto no blog Terceira Via Verdão

6 respostas em “Sempre é Carnaval”

P ironia do destino, anos depois meu pai o sr Domingos Ianacone conseguiu fik bem de vida novamente. É meus caros, agora entendo pq ele me falou q odiava o Palmeiras. Tão tendo o q merecem!!!!

Um clube que atualmente só sobrevive graças à sua incomparável história trata mal demais aqueles que construíram essa história.

Uma pena que as pessoas que amam o Palmeiras foram afastadas do clube.

É triste e lamentável esse descaso. Por que isso acontece? Por que não há uma tentativa de trazer de volta ao clube as grandes pessoas que já ajudaram o Palmeiras, tanto dentro quanto fora de campo? Parece que os torcedores respeitam mais o passado que o próprio Palmeiras. Não pode acontecer isso. Mas foi um bonito causo, Jota! Grande palestrino o Minguinho!!!

carácoles Jota!

e o Minguinho… cadê ele???? põe foto dele aí Jota!

bela história!
belo Palmeirense o Minguinho!

grande abraço verde.

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