A Corneta do Cunio: Aparando as arestas

Por Alberto Cunio

Vara alviverde, depois de uma semana de amargar, resta-nos a reflexão. Já discutimos e até brigamos esta semana sobre todos os problemas que o nosso querido Palmeiras está enfrentando, mas creio que chegamos a um impasse.

Sabemos que temos um elenco que ostenta bons jogadores, mas também alguns que sequer merecem a honra de vestir nossa camisa. Ao mesmo tempo, temos um técnico polêmico, que levanta suspeitas, paixões e compaixões, simultaneamente. Porém, a realidade é que alguma coisa não está “encaixando” ao longo desta temporada.

Vamos por partes: temos um elenco que foi formado no início deste ano, o qual utilizou como base o grupo do ano passado, quando saíamos da fila após oito angustiantes anos. Alguns jogadores importantes como Henrique e Valdivia abandonaram o elenco prematuramente e deixaram saudades. O primeiro, que era o sustentáculo de nossa defesa, parece insubstituível. O segundo, cérebro de toda nossa criação, deixou espaço para o remanescente Diego Souza aparecer e para Clayton Xavier recém-chegado assumir, mas ambos parecem ainda tímidos em comparação ao chileno. K9 surgiu como o maior artilheiro desde Vágner Love, mas começa a despertar desconfiança de ser apenas artilheiro contra times pequenos.

Pois bem: a realidade que nos cerca deve ser vista com mais profundidade do que esta simples análise. O Palmeiras é um clube que não forma jogadores (exceção feita a sua escola de goleiros, que mesmo assim anda em risco); não possui um “desenvolvimento sustentável” de seu elenco, ou seja, não há garantias de renovação a médio e longo prazos; continua dependente de parceiros que enriqueçam o elenco com craques, em geral com contratos de curtíssimo prazo e com os quais não podemos contar para grandes planejamentos; não decide terminar com sua política interna nefasta, onde primam os interesses pessoais de dirigentes, conselheiros e amigos que se julgam os mais palmeirenses de todos e na verdade são chacais que se alimentam de restos em decomposição.

Poderia aqui falar de inúmeras razões que nos conduzem a esta situação instável, onde parecemos bem no Campeonato Paulista, pífios na Libertadores, e que ao mesmo tempo em que somos confiantes, somos desconfiados. Creio que precisamos aparar algumas arestas. Arestas estas que parecem profundas, não superficiais como gostaríamos. Leiam estas palavras com preocupação, não como crítica. Precisamos mesmo refletir.

Neste final de semana, passamos de coadjuvantes a protagonistas de uma apresentação contra o Botafogo-RP, graças a uma medíocre apresentação contra o fraco Oeste de Itápolis. Outra vez dependemos de uma vitória em nossos domínios na última rodada, o que nos faz tremer à lembrança do biênio 2007-2008. Para mim, fica a pergunta: por que sempre conseguimos complicar aquilo que parece tão simples?

Após muitas sugestões que chegaram a mim esta semana, deixo aqui amistosamente minha CORNETA na orelha dos que defenderam com veemência nosso grande PROFEXÔ, o mesmo que tem a pachorra de colocar três zagueiros e dois volantes defensivos para enfrentar o fantástico Oeste de Itápolis. Por que razão, meu Deus?

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