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Demitido pela foto

Por Jota Christianini

Roberto Rivelino sempre foi bom de bola, desde menino.

Bom de bola e palmeirense, filho de palmeirenses, parente de outros tantos palmeirenses. Por isso quis jogar no Palmeiras.

Naquele tempo, anos 60, o Palmeiras treinava no
campo do Santa Marina , na Lapa de Baixo. Isso era muito longe do
Brooklyn, onde Rivelino morava.

Para chegar às oito, início do treino, precisava acordar às cinco da manhã. Mesmo assim treinou e aprovou. Mario Travaglini
gostou do jogador, mas ponderou que a distância era muito grande e que
não havia como ajudá-lo; por isso Rivelino não veio mais.
Passou o tempo, destacou-se no Banespa, ao lado da casa dele, e acabou indo jogar no leal adversário. Por lá ficou famoso, embora não tivesse ganho
absolutamente nada pelo clube, mas chegou ao selecionado
brasileiro, participou da seleção vencedora do mundial de 70.
Era, disparadamente,  o melhor jogador do time e um dos melhores do Brasil, mas havia quem o contestasse pela falta de títulos.

A grande chance apareceu em 22 de dezembro de
1974. O Palmeiras era imensamente superior, individual e
coletivamente, mas havia a crença que o time estava enfastiado de
vencer; outros imaginavam que o time do Parque S. Jorge era melhor; por
esse ou aquele motivo os corintianos lotaram o estádio do Jardim
Leonor na busca do fim da fila de 20 anos  que sofriam sem conquistar
nenhum título.
Como sempre Rivelino era a esperança .
Deu a lógica! Jogando com extraodinária categoria o Palmeiras venceu o jogo, gol de Ronaldo, e foi campeão.

Após o jogo todos queriam a cabeça do maior ídolo. Mais uma vez fracassara  no jogo mais importante. O presidente Matheus relutava, era amigo do pai do
jogador – reformavam os contratos jogando bochas. E apesar de simplório
nas palavras  era suficientemente esperto para saber que o time não
tinha condições de vencer e que Rivelino não podia ser
responsabilizado. Era um excelente jogador, mas não podia fazer muito
diante da Academia do Palestra Itália.

Dia seguinte a foto  do Jornal da Tarde, página dupla no meio do caderno de esportes mudou o rumo das coisas.

Último minuto de jogo, Domicio Pinheiro, premiado
repórter fotográfico do jornal, subiu a marquise e mandou ver uma foto
panorâmica. Retratou o momento final do campeonato.
 
O time de Rivelino precisando marcar o gol do
empate, momento do apito final. Ademir da Guia, pura rotina, vira
de costas e sai coçando a barriga campeã. Rivelino postado na posição
de quarto zagueiro na meia lua de sua defesa.

A foto demitiu o jogador.

Legenda: Rivelino, camisa 10, à direita da foto, ao lado da meia lua.

15 respostas em “Demitido pela foto”

Vic,
Como não dá para fazer Dry Martini, pois não tenho nem as taças corretas e nem aquele Vermuth que vc utiliza p/ fazer “el vero”, Hj vou de uisque com gelo de agua de côco…..Muito uisque…

Pois eh, imagina quanto jogador bom e craques ja perdemos na base, torço para que o nosso presidente Belluzzo monte uma estrutura que seja ideal para o nosso Verdão.

Giba o causista. Quando o Jota entrar de férias já sei a quem recorrer (rsrsrs).

O Rivelino não tinha um apelido ligado a curió?

Jota parabéns pelo causo, mostrei pro meu pai e ele realmente lembra desse fato.

hahaha, muito bom! Quando eu era criança meu pai falava do Palmeirense que foi idolo do rival, e eu dizia “mas que palmeirense feio e chato, papai”. Bom, agora o perdoo, há! E a foto é muito bonita….

Ainda bem que os gambas se f…. com o meu verdão que legal esta historia hein!!!

Ótimo texto, Jota!! Só pra variar!!!

Gostaria tanto que mais palmeirenses de berço jogassem no Verdão! Uma pena que o Riva tenha feito sua carreira no time da marginal sem número. Mas fica a lembrança e as alegrias que o timinho nos deu naquela época.

Zum zum zum é 21!!!

Jota, sensacional e oportuna lembrança. Para definitivamente acabar com toda esta polêmica, ontem no programa Bem, Amigos daquele cidadão que não gosto de mencionar o nome, o Riva confirmou que era palmeirense quando criança.

Ok, confissão à parte, o cara era um cracaço de bola. Meio cheio das mumunhas, mas de tirar o chapéu. Se jogou na Marginal S/N na época, foi um azar de vida. Mas foi melhor do que ter sido banco do Ademir. Apesar de que, os dois poderiam jogar juntos tranquilamente, assim como jogaram Pelé e Riva.

Giangiulio, muito legal sua história dos curiós, um “causo” dentro de um “causo”!

Abraços!

Gilberto,

Foi no Banespa que o Rivellino jogou, moro bem perto do clube que alguns anos depois da saída dele tive oportunidade de iniciar na escolinha de futebol de salão, depois fui federado ,disputei o Campeonato Paulista e Estadual por 10 anos e o Riva virou lenda lá, até hoje.

Ele tem uma escola de Futebol e alguns apartamentos na região, além de um posto de gasolina, que não sei se ainda é dele.

Belas lembranças Jota!!! Grande vitória do Verdão que na época tinha muito mais time, uma verdadeira seleção brasileira!!

Abraços!!

Uma grande vitoria , ao grande clube de coração do Rivelino , um dos maiores jogadores do futebol nacional , uma pena ele ter feito a sua história no time feio.

Jota, parabéns pelo resgate histórico da verdadeira cor do coração do Roberto Rivelino,. Apenas pergunto: era o Banespa ou era o Indiano?

Mas, ouve esta história: quando eu era criança pequena em Santos, gostava de ir aos sábados, cedinho no chalé (nome dado pelos santistas à casa de madeira erguida sobre pilotis) do Tio Nicola (Nicola Quinto Giangiulio – grande palestrino, formador de palestrinos) para ajudar a tratar dos passarinhos. Numa dessas ocasiões, baixou por lá um Aero Willys e dele saiu um cara perguntando pelo Tio. Era ninguém menos que o Sr. Nicola Rivelino, que sabia que o seu xará, como ele, era fã de curiós e que tinha alguns campeões da raça Ana Dias, que eu mesmo ajudei a caçar (na época podia).
Resumindo: depois de duas horas falando de curió e outras tantas de Palestra, seu Nicola levou um Curió do Tio Nicola, um dos melhores. Quando eu vi o pai daquele corinthiano levar o curió embora ameacei chorar, mas o tio falou, “não liga não, segunda feira nós estamos de Fusca novo.”

Putz, uma versão ampliada ajudava MUUUUITO… sinceramente, não dá pra ver quase nada nesse tamanhico.

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