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Julinho, a hora da partida!

Por Jota Christianini
 

Chegou a hora de partir.
 
Julinho já não atuava em todos jogos. Aliás o peso da idade,
Julio Botelho tinha 38 anos, não permitia que o craque jogasse e
muito e muito menos que ainda pudesse desenvolver o futebol com que
encantara o mundo da bola.
 
Na época jogador com mais de 30 anos era olhado com desconfiança, imaginem 38.
Julinho resolveu parar.

O Palmeiras marcou amistoso contra Náutico, na época o time forte
do nordeste que havia projetado o futebol dos clubes de Pernambuco
além fronteiras, e que neste mesmo ano viria a decidir o título de campeão
brasileiro contra o próprio Palmeiras obrigando o Verdão a realizar uma
terceira partida desempate, no Maracanã, quando o Palmeiras conquistou
 a Taça do Brasil de 67.

Depois de ter sido considerado o melhor ponteiro do mundial de 54,
ter ganho uma dezena de títulos pelo Palmeiras, eleito em 1966 o melhor
jogador da história da Fiorentina e contrariando a lenda que se criou,
não silenciou o Maracanã, em 1959, quando foi escalado no lugar de
Garrincha (ao contrário, fez toda a torcida explodir em aplausos ao
desmontar o english team, na vitória brasileira).

Naquela tarde janeiro de 1967, Julinho tremeu. De emoção.
Era a hora da partida.

Antes do final do primeiro tempo o jogo parou. Julinho iniciou a
volta olímpica da despedida, depois descalçaria as chuteiras e
as entregaria a Djalma Santos.

Aplausos misturado com choro de torcedores, que viam, pela última vez como jogador, uma lenda do futebol.

O treinador Duque, do Náutico, invade o campo e coloca seus
jogadores em formação para aplaudirem Julinho em sua passagem. Um
deles, Ivan, declarou ter tido a honra de participar desse jogo.
Esse gesto, até hoje lembrado pelos velhos palestrinos, marcou em
muito a simpatia que persiste até hoje dos palmeirenses pelos timbus.
Final da volta olímpica, todos repórteres entrevistam Julinho, mas
ao chegar ao túnel dos vestiários, recuam, deixam que somente Geraldo
Blota o entreviste.
Julinho pediu que a Rádio Panamericana, na época a verdadeira
emissora dos esportes, e que havia sido a primeira a entrevistá-lo quando
ainda iniciante  no Juventus, fosse também a última.
Repórter e jogador descem a escadarias.
Jogo reinicia. Gallardo, substituto de Julinho, erra a primeira jogada.
A torcida berra, uníssona:
— Volta Julinho!

Nota do 3VV
Hoje é aniversário do palmeirense e historiador Luciano Pasqualini.
Pasqualini é antigo parceiro do 3VV.
Os colaboradores deste blog cumprimentam Pasqualini por esta data.

16 respostas em “Julinho, a hora da partida!”

Meu Pai era Primo do Ferrari lateral esquerdo,nascido em JAGUARIUNA meu Pai falava muito daquele jogo que ele calou o Maracanã……..Um dos maiores jogadores de futebol desse País……………….
Como bom corneta,hoje vejo o Lenny com nossa camisa.

Meu Pai era Primo do Ferrari lateral esquerdo,nascido em JAGUARIUNA meu Pai falava muito daquele jogo que ele calou o Maracanã……..Um dos maiores jogadores de futebol desse País……………….
Como bom corneta,hoje vejo o Lenny com nossa camisa.

Meu Pai era Primo do Ferrari lateral esquerdo,nascido em JAGUARIUNA meu Pai falava muito daquele jogo que ele calou o Maracanã……..Um dos maiores jogadores de futebol desse País……………….
Como bom corneta,hoje vejo o Lenny com nossa camisa.

hahahahah
muito bom, Giardini!

Queria ter nascido em outra época. Bom, quem sabe isso tudo não está no meu inconsciente? Vai ver eu tava lá, só não me recordo hehehehe.

Grande Jotinha.

Parabéns por mais uma linda história.

Certa vez aqui em SJ Rio Preto, no caldeirão do Diabo, antigo estádio do América/SP de nome Mário Alves Mendonça e em um dos inesquecíveis jogos, o marcador do Julinho, Ambrósio deu-lhe uma entrada violenta arremessando o ponta contra o alambrado que era muito perto da linha do gramado.

RSRSS, Julinho, levantou-se rapidamente bateu no calção um pouco cheio de terra e voltou para o jogo sem sequer ter olhado para o marcador ou o árbitro.

Mas, na sequeência, rsrss, coitado do Ambrósio levou tantos e tantos dribles que precisou de cuidados médicos para a sua ‘coluna’.

Áureos os tempos de Julinho e Cia, a academia ditava o ritmo de jogo.

Infelizmente eu era muito pequeno ainda e não me lembro (embora estivesse no estádio), mas o meu Pai sempre presente conta com muito orgulho esse episódio e tantos outros dos nossos eternos ídolos palestrinos.

Saudações Palestrinas!

ET> Jotinha dê um grande abraço no amigo Ezequiel.

Ah, Julinho! Quanto mais eu leio sobre esse esplêndido jogador, mais a minha admiração aumenta e uma alegria indefinível invade meu coração.

Muito interessante dizer que ele não calou o Maracanã, como sempre escutamos. Gostei muito dessa oportuna observação! Ele calou as vaias, mas todos perceberam que se tratava de um craque e o ovacionaram.

Recusou jogar na seleção por não se achar merecedor, já que jogava na Itália, nunca foi expulso, demonstrou em campo seu comprometimento com o time…e tem uma frase que me arrepia muito: “Se for preciso, eu quebro a perna para o Palmeiras ser campeão”. Deve ter sido uma grande pessoa, pelo menos é o que todos que o conheceram dizem.

Dá muito orgulho olhar para nosso passado e ver que muitos jogadores honraram nossa camisa de verdade. Isso não tem preço. Fico muito feliz em ver que atualmente também temos jogadores assim. Poucos, mas temos.

Obrigada por tudo, Julinho! Pelos gols decisivos, pela garra, comprometimetno e respeito pelo Verdão! Obrigada por ter vestido nossa camisa 7!

Jota, parabéns pelo belo texto!!! Sensacional!

Sensacional!

Eu só queria saber quem é o garotinho que está ao lado dele na foto? Está com o uniforme completo! Que foto bonita!

Esse foi gigante.
Em seu funeral se misturavam aos admirados palestrinos, penhenses os torcedores da Fiorentina, que vieram da terra da bota p. prestar a última homenagem ao ídolo.

Vai a dica, no colégio Julio Botelho, na Penha tem um memorial ao grande craque:

http://www.colegiojuliobotelho.com.br

Joselito vc esqueceu do Lenny e Mauricio Ramos e se procurar acha mais

E pensar que hoje temos Capixaba, Evandro, Jéci,Meu Deus!!!!

Jota, normalmente a gente lamenta por não ser mais jovem. Mas, quando se trata das coisas do Palestra, lamentamos por não sermos mais velhos e ter perdido a chance de testemunhar tantas passagens bonitas do nosso velho, mas eterno, Verde.

SIM E O JUAREZ, AO FUNDO DE GUARDA CHUIVA É O ZE PAULO DE ANDRADE DA RADIO BANDEIRANTES, ENTREVISTANDO O JULINHO É OTAVIO PIMENTEL , O CABOCLÃO DA DA RADIO TUPI E DE BRANCO O DIRIGENTE PALMEIRENSE ARNALDO TIRONE

Mais uma estória imperdível para a nossa história gloriosa, Jota. Meu saudoso padrinho tinha-o como o maior jogador que já vestira a nossa camisa, até o surgimento do meu (hoje) vizinho Divino. Parabéns!
PS: só por curiosidade: na foto maior, ao lado do garoto, por acaso é o Juarez Soares?

Sensacional, Jota! Cada vez mais você nos mostra que acima de tudo somos um clube que tem HISTÓRIA, coisa que muitos propalam ter mas não têm. Como sentimos faltas de Julinhos Botelhos honrando nossa camisa… Pena que este tempo já se foi para 99% dos jogadores.

Idolo!

Deveria ser sempre lembrado por tudo o que fez representou no Palmeiras!

Meu velho pai conheceu Julinho Botelho e os comentários dele sobre esse jogador impressiona. A pessoa, o jogador, o caráter e o futebol que dispensa comentários. No meu blog, eu dediquei uma página exclusiva para esse jogador, que foi um exemplo de atleta e de pessoa.
Saudações

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