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Falta de uniformidade de decisões ou jogada política?

POR EMERSON PREBIANCHI

É de
conhecimento geral, e muito foi comentado por aqui, o denominado “caso
madonna” em que o Presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco
Polo Del Nero, notificou a cúpula da CBF sobre uma possível
interferência da diretoria do SPFC na arbitragem da partida contra o
Goiás na última rodada do campeonato brasileiro do ano passado. O presidente da FPF teria sido notificado por sua secretária de que houveram
sido enviados presentes da diretoria da equipe do Jd. Leonor ao árbitro
designado para a partida.

Tal
notificação acabou por acarretar, de forma preventiva, na mudança da
arbitragem da partida, que foi a medida tida como mais adequada por
todos os envolvidos, incluindo-se aí o árbitro Wagner Tardelli, que em
entrevista à época concordou com a mudança para não haver dúvidas sobre
o resultado.

A partir
deste fato, desmentido com veemência pela diretoria do clube, houve um
rompimento notório da relação clube/federação e muitas acusações
partiram de lado a lado, acarretando na denúncia do presidente da
entidade administrativa ao STJD/SP como incurso no artigo 221 do CBJD.

A
Terceira Comissão Disciplinar, denominada pela mída como a “câmara do
gás”, designada para julgar o processo instaurado entendeu pela culpa do
dirigente na falsa denunciação e aplicou como medida punitiva, a
suspensão da atividade na presidência da FPF por 90 (noventa) dias e
multa a entidade.

Dessa
decisão, o mandatário apelou ao Pleno do STJD, que como sabemos, é o
segundo grau de jurisdição do órgão, e a decisão proferida pelo Pleno,
na última quinta feira, foi a de absolver o Presidente e a própria
Federação Paulista de Futebol por unanimidade das acusações impostas na
denúncia.

Importante
é que se ressalte que até a data do julgamento do recurso, se passou o
tempo de punição imposto pela condenação em primeiro grau de modo que o
mandatário cumpriu integralmente a punição pessoal imposta, já que a
multa aplicada não lhe afetaria pessoalmente, mas sim ao órgão
administrativo FPF.

Com base
nessa decisão tomada pelos pares dos auditores do próprio STJD que
entenderam por aplicar pena ao Presidente da FPF, surgiu uma séria
questão a ser analisada não só por nós palmeirenses, mas também por
todos os interessados no futebol.

Seria o
STJD um órgão político da CBF ou teria ele a necessária independência
para proceder o julgamento em conformidade com o Código Brasileiro de
Justiça Desportiva?

E esta
dúvida vem na esteira da falta de uniformidade das decisões dos
auditores que por vezes parecem imbuídos do espírito de justiça
necessário para o bom andamento das suas atividades, e por outras vezes
passam por cima das suas próprias decisões  para, ao menos aparentemente, atender as necessidades políticas de clubes e entidades.

Infelizmente
essa resposta não pode ser dada por nenhum de nós e a dúvida há de
persistir até que um dia se esclareça de forma definitiva a real função
de tão importante órgão de julgamento administrativo.

Mas cabe
a nós discutir e manter acesa a chama da busca pela justiça acima de
qualquer interesse político e por isso fica ao leitor o espaço aberto
para discutirmos o assunto.

Saudações Alviverdes!

3 respostas em “Falta de uniformidade de decisões ou jogada política?”

Émerson,
Ouço sempre comentarem (bem) sobre o modelo usado no futebol italiano. Você não poderia pesquisar e comentá-lo para nós?

O quê? O STJD um órgão político? Imagina… Nenhuma decisão deles é manipulada, nem envolta em nebulosidades… Impressão sua, querido Prebianchi…

Prebianchi, respondendo à pergunta do título desta coluna eu diria que são as duas coisas ao mesmo tempo. É a falta de uniformidade nas decisões atendendo à interesses políticos. Eu não sabia dessa absolvição do Pleno do STJD no caso do “Maddonão 08”. Puniram o Del Nero, que serviu como um tipo de bode espiatório, ficou como sendo “o errado” na história, abafaram o caso que seria um escândalo digno de tirar o título dos bambis, e na hora de mexer no bolso da FPF mudaram o veredito. Isso pode ser comparado, por exemplo, às denúncias feitas através de vídeos em lances polêmicos dos jogos, que claramente foram tendenciosas. Todo mundo se lembra do rigor tanto nas denúncias quanto nos julgamentos do Kléber e do Diego Souza, que foram julgados, absolvidos, julgados novamente e punidos. E da falta do mesmo rigor por exemplo ao Dagoberto, num lance em que ele pisou em um adversário, e foi absolvido (ou nem denunciado, agora me falhou a memória). Dois pesos, duas medidas.
Difícil é saber qual o motivo de alguns clubes, entidades, ou até pessoas serem beneficiadas nessas jogadas políticas do STJD. Imagino que devam acontecer muitas trocas de favore$ entre os que são sempre beneficiados nessas decisões.

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