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Série Arenas Esportivas – Iluminação (4/6)

Da Série Arenas Esportivas
Recomendações e Exigências Técnicas FIFA
Por Claudio Baptista Jr.*

Pessoal,

Começou realmente o jogo para as definições do
estádio da cidade de São Paulo.

Brotam na mídia matérias a respeito das
declarações da FIFA sobre o fraco projeto do Morumbi e em contrapartida o SPFC
está acionando todos os seus meios para defender seu projeto. Reuniões com
ministros, carta de diretor em página importante de jornal, etc…

Vale tudo, e
como não poderia ficar de fora, a rádio Jovem Pan entrou na dança e fez uma
demorada entrevista com o engenheiro Daniel Gispert, sócio da empresa Lock
Engenharia responsável por obras de parte do projeto do Morumbi. Neste último
caso fiquei curioso, pois envolveu gente mais técnica e poderiam ser fornecidos
maiores detalhes daquele projeto que talvez até justificassem os tais 84% de
adequação atual do Morumbi aos requisitos da FIFA. Quem tiver curiosidade, o link é http://jovempan.uol.com.br/media/online/index.php?view=30171&categoria=147.

Notem que ao lado da entrevista, a Jovem Pan
coloca alguns questionamentos os quais reproduzo aqui. 

O Morumbi está em condições de receber jogos
da Copa?

Minha resposta: Não.

Quais são as principais mudanças do projeto
de Ruy Ohtake para o estádio do Morumbi?

Rebato: mudanças para o estádio ou mudanças do
projeto já questionado pela FIFA?

O Morumbi é um modelo para outros estados
não construírem verdadeiros elefantes brancos?

Modelo, modelo, estrutura, estrutura,…,
mantras repetidos de forma insistente pela imprensa.

Minha resposta: Modelo, não. Existem vários
projetos lastreados por planos de negócios diferentes inseridos em cenários
diferentes. Alguns podem realmente se tornar elefantes brancos, mas até aí
querer alçar o Morumbi como sendo o modelo, a distância é enorme.

Da entrevista destaco alguns pontos:

  • A empresa tem como escopo reformas do anel
    inferior do Morumbi como áreas comuns, sanitários e camarotes.
  • Seu escopo ainda não compreende as reformas
    do anel intermediário, arquibancadas, cobertura, outras áreas e ainda não tem
    como dizer quais seriam os valores necessários para as reformas totais do
    estádio.
  • Admite, de forma honesta, que intervenções
    significativas em estádios existentes são por vezes muito complicadas.

Vou defender um pouco a classe. O engenheiro
Daniel Gispert fez uma entrevista clara, falou bem sobre o trabalho que estava
sendo realizado, sobre passos em cima de planejamento e cronograma da sua empresa,
etc,…

Só que tem um detalhe nisso tudo. O projeto
aparentemente é inadequado sob a luz dos requisitos da FIFA. Não tenho dúvidas
que as reformas naquela parte do estádio ficarão bem acabadas, bem realizadas
no aspecto visual, camarotes confortáveis, mas o problema lá, como dito
inúmeras vezes, é estrutural. Aquele anel inferior, principalmente atrás dos
gols e na parte atrás dos bancos de reserva, ou seja, ¾ do anel, não se vê o
jogo de forma clara e a parte ¼ restante também não é muito diferente.

Na revisão do projeto, o SPFC, diz que a
imprensa originalmente prevista para ser instalada naquele anel será deslocada
para o anel intermediário. Então, quem ficará naquele péssimo anel? O torcedor
comum que comprará o seu nada barato ingresso para a Copa? Convidados VIP?
Parceiros comerciais da FIFA?

Como disse um amigo meu, os camarotes do
Morumbi são excelentes… para fazer um social, trocar uns cartões, mas para
assistir jogo de futebol…

Também para informação, foi dito que a empresa
Lock realizou algumas reformas em camarotes e algumas áreas no Palestra Itália
e que estas áreas não farão parte do projeto da Arena. Até aí normal, pois o
projeto da Arena prevê uma reconstrução do estádio quase na sua totalidade,
porém disse algo que me desagradou em muito.

Falou que o projeto da Arena
Palestra se encontraria em stand-by em função da crise e tra-lá-lá.  Como alguém que trabalhou em algumas poucas
áreas do atual Palestra Itália, que aparentemente não faz parte do projeto da
Arena, não é interlocutor da S. E Palmeiras, fala isso? Com a palavra, meu
amigo Vicente.

Agora voltamos ao documento da FIFA. Segue em
negrito o posicionamento dos temas desta publicação perante o conteúdo total:

1
Decisões preliminares.
2 –
Segurança.
3 –
Orientação e estacionamentos.
4
Áreas de jogo.
5
Autoridades e jogadores.
6
Espectadores.
7
Hospitalidade.
8
Mídias.

9
Iluminação e alimentação elétrica.
9.1 – Alimentação Elétrica.
9.2
– Exigências de instalação.
9.3
– Especificações e tecnologia de iluminação.
9.4
– Impacto sobre o meio ambiente.

9.5
– Colocação em serviço da instalação.
9.6
– Glossário de iluminação.

10 – Telecomunicações e espaços
complementares.


9.4
– Impacto sobre o meio ambiente


A poluição luminosa e intrusão luminosa
indesejável se dividem em duas categorias: a iluminação por dispersão que é a
luz saindo do perímetro do estádio e que é mensurável, e de ofuscamento que é a
luminosidade excessiva dentro do campo de visão normal dos pedestres e dos
automóveis no exterior do estádio.

Este impacto sobre a vizinhança é crítico
para a segurança, para o projeto “Dark Sky” e para o bem estar nas regiões e
locais próximos aos estádios. Todos os esforços devem ser colocados em prática
a fim de limitar tanto a poluição luminosa como os ofuscamentos no interior e
exterior do estádio. Novas especificações de construção incluíram refletores de
corte rápido e refletores de alta eficácia para as competições televisionadas.

A iluminação por dispersão pode ser calculada e
medida saindo-se do estádio. Estes valores são expressos em iluminação
horizontal e iluminação máxima vertical. Na ausência de diretivas locais, será
considerada a tabela seguinte.


Ângulo
de Projeção

Distância do perímentro do estádio

 

Dispersão
horizontal

50 m do perímetro do estádio

25
lux

Dispersão
horizontal

200
m mais longe

10
lux

Máximo
vertical

50 m do perímetro do estádio

40
lux

Máximo
vertical

200 m do perímetro do estádio

20
lux

Vejam na figura abaixo a representação gráfica destas distâncias e os limites de impacto sobre o meio ambiente:


25 lux horizontal e 40 lux vertical
10 lux horizontal e 20 lux vertical


Abraço e até a semana que vem.

Claudio Baptista Jr.


*Claudio Baptista escreve todas as 5as feiras; o post acima e as imagens foram baseados  em documento
da FIFA que fala sobre recomendações e exigências  técnicas para arenas esportivas e adaptado para a
realidade do nosso  mercado; reprodução permitida mediante  explícita divulgação do autor  do post, do
site da FIFA e do blog www.3vv.com.br.



3 respostas em “Série Arenas Esportivas – Iluminação (4/6)”

Vicente,
Repassei o que ele disse na entrevista para a JP.
Abs.

Giba, como diria na Moóca, que cazzo eu sei desse cara?

Claudio, da onde você tirou essa história? Não sei o que o sujeito falou, onde falou, e nem sei o que ele fez pelo Palmeiras ou pelo projeto da Arena.

Só sei o seguinte: ele não fala pelo Palmeiras…

Abs

Vicente

Fala alguma coisa, Vicente!
Que conversa mole é essa do cara?
Essa posição da FIFA sobre o que chamam de Arenas Verdes, ou sejam, construções ecologicamente corretas, são encargos ou meras sugestões?

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