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Dema era lateral; médio era o Fiúme

POR JOTA CHRISTIANINI

Quem contou-me essa foi o Osni Ferrari, escritor. Fez o livro A Muralha contando a vida do Oberdan Cattani.

Numa festa os jogadores falavam da chegada dos palmeirenses voltando da conquista da Copa Rio.

Oberdan, Fábio e Richard contavam que a a viagem demorou dois dias. O povo e os prefeitos das cidades localizadas ao longo da estrada de ferro retiravam os jogadores do trem.

Cada parada era uma festa. Na capital paulista
havia mais de um milhão de pessoas às ruas. Só na estação Roosevelt, 150
mil pessoas acotovelavam-se para receber seus ídolos. Diz o Fábio que
era mais gente do que se viu, seis anos antes, para receber os
pracinhas que voltaram da guerra na Itália.

A conquista reanimou o povo e encheu a agenda dos jogadores. Todo dia e a toda hora, eram convidados para os programas de rádio e visita as redações dos jornais.

Os convites vinham de todos os cantos. Chegou
também um de um orfanato mantido pela comunidade espírita de São Paulo
– as crianças queriam ver os heróis e pra lá foram o Oberdan, o Dema, o
Fábio Cripa, o Lima e o Valdemar Fiúme. Os meninos ficaram encantados
com o tamanho das mãos do Oberdan. Colocavam suas mãozinhas de criança
confrontando com a mão gigante das defesas mágicas e ficavam
impressionados com a diferença.

O diretor do orfanato ficou conversando com o Dema e papo vai, papo
vem, passaram a falar sobre espiritismo. O Dema gostava muito de
ler sobre o assunto nas concentrações; enquanto os outros jogavam
uma sinuca, xadrez ou baralho, ele se prendia a um livro e cada dia
ampliava mais os seus conhecimentos.

O conhecimento era tanto que o
diretor ficou impressionado. Pensou que não era possível saber tanto
sobre o assunto sem estar diretamente ligado à religião. 

A curiosidade do diretor superou a timidez e acabou puxando a inevitável pergunta:

— Por acaso o senhor é médium?

Não  eu sou lateral esquerdo. O médio é aquele aí, o Valdemar Fiúme.
Ele é um bolão, os jornais e o rádio o chamam de “Pai da Bola”. Ele é
bom mesmo. Um médio de verdade.

Jota Christianini é jornalista, advogado, historiador e Diretor do
departamento de Acervo Histórico da SE Palmeiras. E palmeirense, claro.
Escreve todas as quintas no www.3vv.com.br.
Reprodução autorizada mediante os devidos créditos do autor e do blog.

11 respostas em “Dema era lateral; médio era o Fiúme”

SENSACIONAL!!!!!!!

hahah muito engraçado, Jota!

E que festa impressionante deve ter sido essa em 51!!!

boa ideia * Alvaro semana que vem será este o causo
as comemoraçoes de 51
a caninha 51 tem este nome por causa do mundial do Palmeiras………..JOTA

Jota …

COMO SEMPRE: SENSACIONAL !!!

Parabéns !!

* e ainda tem gnt q duvida do nosso Mundial de 51…

Jota, eu já li várias vezes essas descrições das comemorações pela Copa Rio. Você tem material da imprensa da época descrevendo essas comemorações? Se tiver, posta pra gente, tenho certeza que o pessoal vai adorar!

poxa vida sou um renegado qnd o assunto é livro
mas se vc lançar um livro eu faço questao de ler em 1 dia
faz um ae jota

Sensacional. E olha que ele era leitor de livros. Meu pai dizia que quando jogava na Itália, as concentrações tinham bibliotecas para os jogadores lerem e se instruírem. No Brasil, o que sempre tivemos? Sinuca, baralho… Um verdadeiro cassino. Hoje? Videogames, computadores para bate-papo, etc. Ou seja, cultura, esses caras não vêem mesmo. Por isso que na hora de raciocinar em campo fazem asneiras. Esta é a razão de pessoas como Raí, Sócrates, Leonardo, Kaká, que estudaram um pouco mais, terem se destacado tanto e hoje até dirigentes são. O que fazem os jogadores hoje quando param de jogar perto dos 40? Vão cuidar de fazendas para criar boi, os que tiveram juízo. O resto, gasta a grana em cerveja e mulheres, para depois morrer na miséria e doentes.

hahahaha… muito bom
Os boleiros e suas frases. Me lembrou daquela história de um jogador que foi o melhor em campo e ganhou um “motoradio”, quando o repórter perguntou o que ele ia fazer com o prêmio ele respondeu: “A moto eu vou vender, e o rádio vou dar para minha mãe” rsrs

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