OPINIÃO DO CRISCIO: fãs de Harry Potter

POR VICENTE CRISCIO

Enquanto aguardamos as 16 horas deste domingo, fingimos que o tempo não existe e paro prá escrever algumas bobagens prá passar o tempo.

O blog Olhar Crônico Esportivo, de Emerson Gonçalves (aliás, muito bom o blog), traz umas análise sobre as novas cotas do PPV. O link é http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2009/08/29/a-bola-pune-e-premia/.

Prá quem não sabe, dentro do pacote que a Globo paga ao Clube dos 13 pela transmissão do Brasileiro, existe uma parcela variável que se trata da remuneração do pay per view. Essa remuneração é definida todo primeiro semestre de cada ano e remunera o clube para os 12 meses referentes a jul-jun.

E Emerson Gonçalves mostra que o Palmeiras e Corinthians cresceram no PPV enquanto Flamengo e São Paulo caíram.

O Palmeiras cresceu sua participação em 9% (passou a receber 11,1 milhões de reais e tem a terceira maior cota) enquanto o São Paulo ficou com R$ 9,9 milhões (caiu 13%).

Corinthians com R$ 14,7 milhões e Flamengo com R$ 15,6 milhões estão à frente no ranking.

A metodologia usada pelo Clube dos 13 e pela Globo para definir esses valores é uma pesquisa aplicada a torcedores que respondem se assinam ou não o ppv do período e para qual time torcem.

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Tive oportunidade de analisar os números do PPV dos anos de 2008 e 2007 no detalhe. Esses números – não estou autorizado a publicar – apontam a compra do PPV à la carte. Nos dois anos o Palmeiras ficava à frente do SPFC em venda de jogos individuais até meados do segundo turno. Quando um dos times chegava às vésperas de decidir o título a venda do “à la carte” disparava e ele ultrapassava (lembrando que as análises não se referiam ao pacote anual, uma vez que lá não há a declaração do time para qual torce o assinante).

Ou seja, a torcida palmeirense comprava PPV. Com Caio Jr, com Luxemburgo e agora como está se provando, com Muricy Ramalho. Comprava PPV quando não se classificava para as semi-finais do Paulista, terminando em 4o no Brasileiro e na liderança.

Mas claro, vencer era importante, porque atraía aquele torcedor que na empolgação gastava um pouquinho a mais de seu orçamento para ver o jogo em casa.

Minha conclusão à época – muito bem compartilhada com a Diretoria palmeirense – era a mesma do colunista do blog citado: “vencer faz a diferença”.

Outras variáveis também mexem com a venda do “à la carte”. Seguramente o jogo de logo mais à tarde, que irá passar na tv aberta, não terá vendas no ppv. 

Mas seguramente VENCER importa sim. Vencer e manter a imagem de um time vitorioso.

Mas há outro fator a se considerar!

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Paixão!

Há outra variável pouco mencionada e de difícil mensuração: a paixão do torcedor. Há muito tempo (em 2003) uma consultoria americana de alta gestão – ATKearney – publicou um estudo sobre os novos consumidores do esporte. Neste estudo a consultoria definia segmentos de torcida e as estratégias para aumentar o número de fanáticos versus os seguidores leais versus os consumidores emergentes.

Era mais ou menos o seguinte:

O que fica fora do círculo central são considerados consumidores emergentes. Essa categoria não pode ser considerada ainda como torcedores. São “indiferentes”, “oportunísticos” (ou seja, torcem quando o time está ganhando), fãs de “jogadores” (por exemplo se dizem torcedores de um certo time mas afirmam que vão torcer pro Ronaldo em uma semi-final de Paulista) e torcedores “sociais” (já que todo mundo fala que torce prá alguém, eu também vou falar prá não ficar fora da conversa).

Dentro do círculo o que podemos considerar de TORCEDORES? Os leais e os fanáticos!

É dentro desse círculo que concentra-se o grosso do dinheiro que movimenta o futebol. É nesse círculo que compra-se camisas, gasta-se em merchandising, vai-se ao jogo em seu estádio, e paga-se pelo PPV. Claro, tudo isso ajustado ao poder aquisitivo da massa de torcedores, fanáticos ou leais.

E é disso que se trata esse longo artigo na minha tensão pré clássico.

Palmeiras, Corinthians, Flamengo, Vasco, Atlético MG, Inter, Grêmio, alguns times do Nordeste, e outros que talvez minha memória tenha esquecido, apresentam maior concentração de torcedores dentro desse círculo.

Outros, têm fãs (de uma marca ou de um jogador), ou espectadores sociais.

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Prá concluir: recentemente o atacante Ronaldo em entrevista ao Programa Bem Amigos deixou a imprensa atônita quando ele declarou que o Flamengo não tinha o 30 e tantos milhões de torcedores, que aquilo era uma espécie de erro de pesquisa, pois um torcedor se dizia fã do Flamengo, mas era seu segundo clube.

Consciente ou inconscientemente, mas naturalmente usando de sua enorme experiência como profissional do esporte em países mais desenvolvidos do ponto de vista de “futebol e negócios” Ronaldo mandou uma mensagem muito precisa.

No Brasil, fala-se muita bobagem sobre tamanho de torcida, mas o que importa é a paixão dela. E quanto ela gasta com seu time. O resto, é tudo fã de Harry Potter!

Mas claro, essa é só minha opinião. E qual a sua? Deixe aí seu comentário, sempre seguindo as regras do 3VV, ok?

E vamos aguardar o jogo! Giba, o Barbaresco já está resfriando. E o Isordil reservado.

Saudações Alviverdes!

A OPINIÃO DO CRISCIO é a nova coluna dominical do 3VV.
Substitui a antiga série Planejo Logo Existo e tem o objetivo de trazer
sempre um tema que provoque a reflexão do amigo do 3VV principalmente
sobre futebol; mas não ficará só nisso.

Sempre assinada por V. Criscio: ex-consultor, ex-marketeiro, ex-reestruturador,
e atualmente … deixa prá lá. mas SEMPRE palmeirense e editor do 3VV.

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