OPINIÃO DO CRISCIO: joga o sofá na rua


POR VICENTE CRISCIO

Meus compromissos profissionais me impedem de ser mais ativo no 3VV durante a semana. Então a partir de hoje terei um espaço fixo aqui no 3VV. Aos domingos, vou conversar diretamente com o amigo palestrino e amante do futebol, substituindo a série Planejo Logo Existo, cujo tema é muito mais exaustivo e bem explorado por Luis Fernando Tredinnick às sextas-feiras aqui no 3VV.

Então vamos começar falando sobre a tal “janela de transferência”.

O futebol brasileiro depende exclusivamente da venda de jogadores para pagar suas contas. Essa é a realidade atual. Como o já citado colunista Tredinnick explicou em sua seção FUTEBOL COM NÚMEROS, os poucos clubes que conseguem fechar suas contas no final do ano o fazem através da venda dos direitos federativos de seus atletas.

Entretanto temos alguns problemas sérios com essa prática:

1. o clube de futebol passa a ser um “drogado” pela janela de transferência; contando com o ovo no orifício do resultado do ovo, “vende” o atleta e continua num modelo econômico perverso, fazendo que no ano seguinte precise vender mais atletas para bancar a conta; a venda de Valdívia explica isso;
2. os direitos federativos já não são mais 100% dos clubes; empresários, parceiros e assemelhados faturam tanto ou mais do que os clubes, fazendo com que o item 1 aí de cima comece a ter menos efeitos;
3. “vender” jogadores enfraquece o time tecnicamente mas também mercadologicamente; se Pierre sair, a camisa 5 – uma das 3 mais vendidas do Palmeiras – precisará de um novo dono.

Ou seja, estamos vendendo o Mickey Mouse e mantentdo a infra-estrutura da Disneyland.

Mas o que a janela de transferência tem a ver com isso? Muito pouco, na verdade eu diria que é semelhante à história do marido que depois que encontra sua mulher o traindo com o vizinho no sofá da sala, decide botar o sofá prá fora de casa.

A culpa não é da janela, mas sim do modelo do futebol brasileiro, que está de cabeça para baixo.

Uma coisa é você perder um jogador por propostas milionárias: guardadas as devidas proporções, Kaká e Ibra no Real, não significam que Milan e Inter sejam incompetentes para segurar suas estrelas.

Mas vender jogadores por 2 milhões de euros, ou mesmo 4, ou mesmo 8, para mercados pouco atraentes é uma prática que no logno prazo destrói valor para o clube.

E quem são os responsáveis? empresários (não todos, há exceções) que veem em uma transação a chance de mudar de vida; jogadores, que se iludem com a possibilidade de jogarem na Europa ou em outros rincões, sem pensar nas diferenças (e dificuldades) culturais que encontrarão; e os dirigentes, que no limite são passivos neste imbróglio todo e se dizem “de mãos amarradas”.

E de novo: culpar a janela de transferência é fácil; difícil é querer discutir e propor um modelo inteligente da indústria do futebol e seus principais atores – clubes, torcidas, jogadores, mídia, empresas patrocinadoras e por que não, empresários/investidores.

Mas essa é só minha opinião: e a sua?

Saudações Alviverdes!

A OPINIÃO DO CRISCIO é a nova coluna dominical do 3VV.
Substitui a antiga série Planejo Logo Existo e tem o objetivo de trazer
sempre um tema que provoque a reflexão do amigo do 3VV principalmente
sobre futebol; mas não ficará só nisso.

Sempre assinada por V. Criscio: ex-consultor, ex-marketeiro, ex-reestruturador,
e atualmente: trabalhando no comércio eletrônico, adjunto do Planejamento da
SE Palmeiras; mas SEMPRE palmeirense e editor do 3VV.

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