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Futebol com Números

Os balanços dos clubes brasileiros – 2

Por Luís Fernando Tredinnick

Divulgação autorizada mediante explícita citação
do autor e do blog Terceira Via Verdão

 

AlviVerdes, na semana passada começamos a explorar as finanças dos clubes e vimos que uma das formas que existe de se medir o grau de endividamento dos clubes é comparar o tamanho de suas dívidas com as receitas.

 

Nesse quesito o nosso Palmeiras é um dos clubes com melhor situação, porém ainda apresentamos prejuízo em 2008 e precisamos rapidamente reverter essa situação.

 

Como eu disse, precisamos sempre colocar em perspectiva o que acontece com os clubes brasileiros.  Temos uma relação dívida/receita de 0,55.

 

COMO OS CLUBES ESTRANGEIROS ESTÃO ENDIVIDADOS?

 

Observem no gráfico abaixo alguns exemplos para a temporada finalizada em 2008 (relação dívida / receita anual):

 

Então, temos que os clubes da primeira divisão inglesa tem em média uma dívida de 1,7 vezes a sua receita. O tão poderoso Manchester United tem uma dívida de 2,7 vezes a receita. O Real Madrid devia mais do que a sua receita anual (com os empréstimos feitos para a compra do Kaká e do C. Ronaldo, essa dívida deve ter ido a mais de duas vezes a receita)

 

SURPRESA?

 

Alguém aí teve alguma surpresa?  É por essas e outras que eu sempre brinco dizendo que vou ficar milionário dando aula de finanças para (alguns) jornalistas.  Eles simplesmente ignoram o fato que as finanças dos clubes brasileiros não são assim tão diferentes dos clubes estrangeiros.

 

ENTÃO?

 

Tudo bem que os europeus têm condições de financiamento muito melhores do que as nossas (os ingleses pagam em média 5,6% de juros anuais nas dívidas, enquanto nós pagamos muito mais), mas o modelo do futebol brasileiro é o mesmo que o dos chamados “países desenvolvidos”: o do endividamento!

 

Os clubes se endividam para investir em estádios e se endividam para comprar jogadores. Simples assim.

 

No Brasil fazemos a mesma coisa.

 

Então, olhem que interessante: um dos caminhos que o Palmeiras poderia seguir seria o de um maior endividamento, no estilo que os clubes europeu fazem. 

 

Quando o Palmeiras der lucro de maneira consistente, fazendo com que os credores (preferencialmente bancos) tenham certeza que seriam pagos, poderíamos ter uma taxa de juros baixa, o que nos permitiria administrar um empréstimo de, digamos, uns R$ 50 milhões.  Imaginem no mercado brasileiro o tamanho do estrago que um clube poderia fazer com esse volume de dinheiro para comprar jogadores?

 

Evidentemente que eu não defendo um aumento da dívida indiscriminada, uma vez que antes precisamos aumentar a receita e ter lucro de maneira consistente! 

 

Mas fica aqui a provocação! 

 

É divertido pensar que sempre que alguém disser que os clubes brasileiros precisam modernizar a administração, você pode perguntar de bate-pronto: “Ah, você sugere que o Palmeiras DOBRE o tamanho de sua dívida???”!!!

 

Saudações AlviVerdes!

 


*Luís Fernando Tredinnick escreve todas as sextas-feiras no 3VV, explicando a quem conhece e também a quem não conhece os números no futebol.

12 respostas em “Os balanços dos clubes brasileiros – 2”

Eduardo, te respondo amanhã em algum momento do dia. Conforme a data dos balanços os valores são distintos e, o clube diz uma coisa, enquanto a caixa publica valores um pouco diferentes.
Abs,

Luis
Parabéns pelo profissionalismo e seriedade em apresentar e mais importante desvendar os números do futebol mundial, brasileiro e do verdão.
Lendo sua última matéria fiquei com algumas dúvidas:
1) na dívida apresenta neste artigo foram considerados os valores refinanciados via Timemania?
2) em seus artigos existem valores do Palmeiras diferentes referentes a Timemania:
Balanço 2007 = 31,4M
06.out.2008 = 27M
07.nov.2008 = 31,4M
20.mar.2009 = 28M
Qual o valor correto?
3) Você poderia atualizar os números da Timemania até o mês de julho/2009 e projetar os possíveis benefícios deste processo para as contas do Verdão no futuro?
Abs, Eduardo Colli.
Obs.: segue meu email (educolli@gmail.com) para nos correspondermos diretamente.

Essa do empréstimo de 50 milhões eu gostei.
Tredinnick para presidente do Verdão!
Achamos um bom sucessor pro Beluzzo… rs
Parabéns por mais uma ótima coluna.

Mto legal. Parabéns. Mas antes temos q triplicar a receita. hehe

Impossível melhor explicação…

Muito didático!
Parabéns!

Rafael e Cunio, sem dúvida, acho que eu estou entre os oito ou nove melhores colunistas do 3VV ;-)) muito obrigado pelos elogios

Álvaro, como eu disse na semana passada, temos que usar a relação dívida/receita uma vez que o Ebitda da maioria dos clubes, inclusive o Palmeiras, é negativo. Como o Ebitda deveria ser mais ou menos proporcional à receita, quando os clubes são bem geridos, a métrica fica válida.

Cunio, em geral no Brasil dívidas são maus negócios, porque o custo é muito alto. POr outro lado, os clubes devem investir para poder gerar receitas e lucros. O caso do Valdívia é um bom exemplo, pois o clube fez uma dívida para comprá-lo e o investimento deve um alto retorno. ACho que antes de pensarmos em aumentar as dívidas, temos que estruturar e profissionalizar o clube.

Lucélia, nossa, muito bom ver mulheres opinando nesta coluna. No caso do Valência, as dívidas são da ordem de 550 milhões de Euros, conforme post do dia 17 de abril. As receitas estão na ordem de 160-180 milhões de euros, só que se eu não me engano (realmente não tenho esses números) o Valência dá prejuízo. Assim fica explicado que o porquê da situação tão complicada do clube.

Saudações AlviVerdes

“É divertido pensar que sempre que alguém disser que os clubes brasileiros precisam modernizar a administração, você pode perguntar de bate-pronto: “Ah, você sugere que o Palmeiras DOBRE o tamanho de sua dívida???”!!!”

Ótima colocação, rs.
Pois então, quer dizer que o famoso Chelsea tem uma dívida 3,3 vezes a receita? E como não decretaram falência? rs.
Interessante essa comparação. Você, Luis Fernando, que está mais por dentro do assunto, poderia mostrar os números da dívida do Valencia-ESP, que estava com sérios riscos de falência no final da temporada, tendo que vender até as estrelas do time, mas que acabou não vendendo.

Parabéns pela coluna!

Informações interessantes, cada vez aprendo mais sobre finanças no futebol.

Obrigado Luís.

Luís Fernando,
Se a renda ganha com as aulas para jornalistas não atingir as cifras que você pretende, pode incluir, entre seus “alunos”, os conselheiros do Palmeiras que adoram ir à imprensa para falar sobre a dívida do clube. Eles precisariam de aulas normais, de reforço, de cursos de verão,…

Luis, uma pergunta: nao seria melhor olhar divida/EBITDA ao inves de divida/receita? Meu ponto eh o seguinte: se um time tem uma estrutura de custos muito ruim (o que pode ser o caso do Palmeiras, que tem uma altissima folha salarial e possivelmente o clube social seja um ralo), a divida/receita posse ser meio enganadora…

Luis, concordo com o Raphael, esta é mesmo uma das melhores colunas do 3VV. Parabéns. Só não é melhor ainda do que aquela do cara da CORNETA…:-p

Brincadeiras à parte, como você vê este possível aumento (controlado e criterioso) de endividamento do Palmeiras (ou de qualquer clube brasileiro) se ainda temos uma estrutura pouco profissionalizada e, pior, uma inconsistência na geração de receitas? Posso estar enganado, mas a sensação que eu tenho é que a cada ano que passa, os clubes têm que correr que nem doidos para pagar as contas. Ou seja, estamos almoçando sem dinheiro para comprar o jantar. Arrumamos a aeronave em pleno voo. Os clubes europeus me parecem ter FONTES DE RENDA CONSISTENTES, ou seja, uma vaquinha leiteira bem holandesa e gorda que pinga (ou melhor, jorra) leite o tempo todo. Estou equivocado? Ou temos que aumentar e bem nossas fontes seguras de renda? Abração !

Luís, essa sem dúvida é uma das melhores colunas do #3VV, parabéns pelo trabalho.

Esse indicador, EBITDA/Endividamento, representa que para cada 1 real de receita, temos 0,55 de dívida, um nível perfeitamente administrável.

No Palmeiras, a impressão que tenho é que o grosso da dívida é salários e ordenados, pois nao vejo grandes contratações (próprias) ou reforma de estádio. O clube social também deve consumir uma boa parte da receita e fica complicado.

Infelizmente os dirigentes nao tem essa visão econômica, espero que o Beluzzo possa dar esse pontapé inicial e tratarmos o clube com a grandez que ele merece.

Abraço,

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