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Prometeu e cumpriu: Zequinha

POR JOTA CHRISTIANINI

O menino José Ferreira Franco queria duas coisas na vida: ajudar a mãe a melhorar de vida e ser um bom mecânico.

Empregou-se na oficinas da Folha da Manhã de Recife, como auxiliar de mecânico, e nunca esqueceu o primeiro salário; 400 cruzeiros entregues integralmente na mão da mãe.

Nas horas de folga jogava bola. Era bom, baixinho, logo José virou Zequinha, mas daqueles moleques atarracadas, tinhosos, compensava a pouca estatura com a força de vontade.

No campo fazia o mesmo que na vida, lutava!

Buscava a bola com tamanha vontade como buscava aprender mais na profissão para melhorar a vida da família.

Destacou-se como mecânico, foi promovido e até chamado para outra empresa, com salário maior, mas destacou-se mais ainda nos campinhos pernambucanos. Foi levado ao juvenil do Santa Cruz. Lá ficou e melhorou, jogou nos aspirantes e, já profissional, depois de campeão pernambucano, largou seu sonho da mecânica e começou a construir o sonho da fama no futebol.

Era bom, o Palmeiras o contratou, mas não esquecia os sonhos.
Chegou e na primeira entrevista revelou:
“Quero ser campeão, ajudar minha família e no futuro voltar para minha terra onde montarei uma mecânica ou um comércio.”

Zequinha lutou e venceu. Médio volante duro na marcação, com imensa facilidade de sair jogando e de arrematar, no Palmeiras marcou mais de 40 gols.

Conquistou pelo Palmeiras: campeonato paulista de 59, 63 e 66; Taça Brasil de 60 e 67; vice da libertadores em 61; formou na primeira Academia, campeã do Rio-SP 65, e foi campeão do Robertão de 67.

Pelo verdão Zequinha jogou 417 partidas. Jogou na seleção brasileira; campeão do mundo em 62 no Chile, além de ter vencido a Copa Oswaldo Cruz diante dos paraguaios e a Copa Rocca contra os hermanos argentinos; firmou seu nome, foi elogiado por todos, até pelos adversários; Pelé disse que era difícil ser marcado pelo Zequinha.

Depois de praticamente uma década de Palmeiras, foi embora. Ainda passou dois anos no Atlético do Paraná, mas enfim retornou à sua terra, encerrando a carreira no Náutico.

O tempo passou, em julho de 2009 veio a notícia: Zequinha nos deixara.
Tinha filhos e netos a quem contava os muitos títulos de campeão que houvera obtido na carreira. Ajudara e muito a familia e tinha um comércio em Recife.

Zequinha cumpriu tudo o que prometeu.



Fotos do acervo pessoal do autor.
Todos os direitos reservados.




12 respostas em “Prometeu e cumpriu: Zequinha”

Emocionei-me com essa história tão bonita desse jogador que deu seu suor e sangue pelo Palmeiras. Muito legal conhecer esse lado, pois sinto ainda mais orgulho desses jogadores do passado. Que tenha paz no plano em que está.

Parabéns, Jota!

Obrigado por tudo Zequinha, fica aqui a homenagem da coletividade alviverde.

Poxa, belos materiais. Parabéns, Jota!
Não o vi jogar, mas pela história do Palmeiras tem muita fama. Obrigada pela luta, Zequinha. Que Deus o tenha.

Jota, você é fantástico. É tocar e correr na frente pra receber. Parece Tupã e Servilho.

depois de muitos anos, mais de 30 resolveram fazer um torneio dividido em dois turnos, os vencedores fariam a final. Fariam! mas não fizeram o Palmeiras venceu os dois turnos do Rio-SP/ 65 com folga. e de gozação a proposta era um jogo contra os aspirantes , lotando o pacaembu, para a entrega das faixas.
nr/ acresca-se nas goleadas, 4×1 no Vasco (gol mais rapido do Gildo) e 4×1 no Flamengo, ambos jogos no Maracanã……………………………JOTA

O pessoal de casa percebeu que eu poderia me tornar um torcedor fanático do Verdão no Rio-São Paulo de 1965.
Afinal foi nesse torneio que o Palmeiras emplacou uma série de goleadas, entre elas um fantástico 5 x 3 no Botafogo em pleno Maraca; 7 x 1 no Santos que me fez ficar trancado em casa alguns dias para não apanhar na rua – Afinal eu era um Palmeirense em Santos. E também um inesquecível 5 x 0 no spfw. Naquele ano, o Palmeiras ganhou os dois turnos com um pé nas costas e dispensou o jogo final. Fomos campeões com uns 10 pontos de vantagem sobre o 2º lugar, o Vasco. Numa época em que vitória valia 2 pontos. Tinha tudo isso anotado num caderno brochura que sumiu. Sinceramente só me lembro do Zequinha nesse torneio.

Jota, parabéns por nos trazer um pouco mais desse craque fez história no Verdão.

Bonita a historia do zeguinha sem duvidas de mecanico ha um grande jogador do verdão.

QUE DEUS O TENHA EM SUA INFINITA BONDADE. É POR ISSO QUE SOMOS DIFERENTES DE TODOS. AQUI É VERDÃO.

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