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Foi gol! Mas o cabelo do Tão…

POR
JOTA CHRISTIANINI

Desde os tempos
de Rio Claro, onde nasceu, Sebastião era palestrino. Não tinha nada de
italiano, aliás como se verá a seguir nem Sebastião ele era.

Quando
apresentou-se ao exército descobriu que chamava-se Farid. O pai falava em
Sebastião Cassab, nos registros escolares constava esse nome, mas na
verdade isso só valia para aplacar os fervores religiosos da família, porque
no cartório falou mais alto as tradições do Líbano e os contos
das 1001 noites; mandou registrar Farid Elias Cassab.

O apelido Tão…
esse vinha de Sebastião e permaneceu.

Quem nos conta
esta história é seu orgulhosos neto, Luis Mousinho

Tão era
goleiro dos bons. Jogou no Velo Clube , um pouco no Noroeste e logo transferiu-se
para o XV de Piracicaba.

Tão tinha um
sonho e uma característica.

O sonho: enfrentar
o Palmeiras e conhecer Oberdan. A característica: a vaidade imensa. Sempre de cabelo
arrumado, sapato engraxado, ternos bem cortados, enfim “chic nu
úrtimo” se esta expressão, digo agressão ao idioma,  já
tivesse sido inventada.

A vaidade era
constante,  o sonho tinha que acontecer.

Aconteceu!

Dia 15 de
Novembro de 1945 o Palmeiras chegou a Piracicaba para enfrentar o XV.

Jogo amistoso
para os palmeirenses e dia de gala para os piracicabanos, já que o
Nho Quim  apenas participava do certame interiorano.

Tão conheceu
Oberdan; até foto tirou com o goleiro. Uma só não, tirou duas; uma com a
lenda palestrina e seu reserva, Tarzan e outra incluindo
o Tulio.

Era muita
emoção para o goleiro do XV a quem também  chamavam de Gato, tal a sua agilidade.

Para não
desmanchar o penteado, durante os 90 minutos, usava um gorrinho – verde e
branco.

Começou o
jogo. Na verdade para o Palmeiras, preparando-se para conquistar o paulista do
ano seguinte, era apenas um treino, mas para os quinzistas era  o jogo da
vida.

Defenderam-se
o tempo todo e Tão estava firme na meta, mas com certeza  embevecido ao
ver o sonho desenrolando-se à sua frente.

E assim
caminhava a humanidade,

A cada bola
defendida Tão ajeitava o gorrinho, afinal após o jogo, haveria um jantar
com os palmeirenses e ele queria estar bonito na festa.

Segundo tempo.
O Palmeiras trocando passes e arriscando um ataque aqui outro ali. Algumas
substituições aconteceram e Valdemar de Brito entrou no finzinho e de
repente, não mais que de repente, é derrubado. Pênalti!!

Valdemar “Rei
do Penalty” iria chutar. Seria muito para Tâo, mas o treinador Oswaldo
Brandão mandou o Gengo chutar a penalidade. Afinal era apenas um jogo
treino e precisavam testar o lateral.

Tão ajeitou o
gorrinho mais uma vez. Gengo correu para bola, bateu forte no alto.

Tão deu um
salto espetacular,  próprio de um Gato conseguindo agarrar a bola.

Um delírio! Apenas
um pequeno contratempo, o salto fora tão acrobático que o gorrinho escapou
da cabeça do goleiro foi parar dentro do gol.

Era emoção de
mais! Tão começou a levantar-se, coração batendo forte,   agachado,
desvencilhou-se dos abraços dos amigos e ainda com a bola entre os braços foi
 recolher  o gorrinho.

Ao árbitro não
restou alternativa.

Tá na regra:

Bola
ultrapassou a risca entre as traves é Gol !

Bola no
centro, nova saída.

Crédito para as imagens: família de Tão  

17 respostas em “Foi gol! Mas o cabelo do Tão…”

Jota,

Parabens pelo texto!
Sua narrativa emociona até a mim, que já conhecia a história.

Um grande abraço

HAHAHA
muito boa J
O gorrinho era verde e branco – haha

valeu Jota!!!!! fico no aguardo dos próximos causos!!!!!
ah, manda um abraço pro pessoal aqui de botucatu s.p tem muita gente aqui q adora suas histórias

Luciano # 13
nisso voce esta coberto de razão, qualquer dia publico um causo só com fotografias de jogadores daquela epoca. parecem-se com as mulheres vitorianas, cujas virtudes estavam na opulencia.
…….JOTA

desculpe não soube me expressar …..estava falando da parte fisica, era muito diferente

Renata #10 entra em contato comigo, o neto do Tão tem um album com pelo menos 60 fotos do futebol de Piracicaba, nos anos 40
Luciano # 7
O tarzan foi um goleiro multi campeão pelo Inter de Porto Alegre antes de vir para o Palmeiras
Tulio foi campeão do mundo pelo Palmeiras
Tão – foi o primeiro goleiro a marcar um gol diretamente de sua area.
Daniel # 6 a historia que voce conta é uma lenda atribuidaa a um juiz meio maluco no nordeste ;. receberam a visita de um time carioca que tinha um craque (falam em Heleno, Tim, Zizinho e outros tantos) e devido ao nevoeiro o juiz marcou um gol sem que ninguem visse se a bola entrou ou não. Ai ele deu essa desculpa. O craque jamais perderia um gol desses portanto foi gol

kkkkkkkkkkkkkkkk ótima!!!
hahaha

O que a vaidade não faz, hahahahahaha

hahahaha, que legal!
Mayara me enviou o link e disse “essa é para você”. Pensei que fosse pela “bagunça” de tantos nomes, com o que me identifico. Mas não. Era Piracicaba, o XV jogando contra o Palmeiras, que beleza! Confesso que as fotos me deixaram com “zói briano”, como dizem os verdadeiros quinzistas de Piracicaba. Essa eu vou mostrar até para o meu pai, nunca vi ninguém gostar tanto de lembrar que o XV já jogou contra o Palmeiras. Obrigada pela história, Jota!

Muito boa a história! …rsrsrsrs

É, clube que tem história é outra coisa!

não adianta querer comparar mesmo, futebol era outra coisa!!!!!!!! tirando o Oberdan os outros da foto seriam muito fracos pro futebol moderno, perigoso até se machucar rsrs

Digno de videocassetada…hahaha…

Ouvi uma história uma vez sobre o Pelé que acho que é lenda…vamos ver se o Jota sabe: diz a lenda que o Pelé estava jogando um amistoso e perdeu um gol feito, acertando a trave; o juiz, no entanto, validou o gol e foi, obviamente, questionado…a resposta do juiz: “o Pelé não perde um gol desses, deve ter sido o vento ou qualquer coisa do além que desviou essa bola para a trave”…

Honestamente, nunca verifiquei se essa história é real…a escutei uns 15 anos atrás, no colégio, de um professor santista…

“….Para não desmanchar o penteado, durante os 90 minutos, usava um gorrinho – verde e branco. ……”

pela cor do gorrinho, fica tudo explicado…..

hehehehe

Valeu JOTA

JOTA, COM TODO O RESPEITO, O TÃO LEMBRA O MAZAROPPI. AQUI EM ITAPIRA, TÍNHAMOS UM CASO PARECIDO. SÓ QUE O RAPAZ JOGAVA DE CENTRAL, E TODA VEZ QUE CABECEAVA A BOLA, ELE TIRAVA UM PENTINHO DA MEIA (QUE TAMBÉM SERVIA COMO CANELEIRA, APESAR DE SER PEQUENO) PARA ARRUMAR O CABELO. E TINHA MAIS, A QUANTIDADE DE “TRIM” QUE O HOMEM PASSAVA NA CABEÇA, FAZIA COM QUE SEU CABELO FICASSE “ARRUMADO” POR UM MÊS. O ÚNICO INCOMODO, É QUE PARA CHEGAR AOS CAMPOS DE FUTEBOL AS ESTRADAS NÃO ERAM ASFALTADAS. IMAGINE A POEIRA QUE FICAVA NO CABELO, PARECIA UM TIJOLO. UM GRANDE ABRAÇO PALESTRINO.

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