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Guichê Zero

Por Claudio Baptista Jr.

Pessoal, todos vocês conhecem aquela expressão
“tolerância zero”.

Hoje gostaria de adaptá-la e trazê-la para o
sistema de venda de ingressos falando de “guichê zero”.

Mesmo sem a construção de uma Arena moderna,
hoje existe a possibilidade técnica de se adaptar o sistema de venda de
ingressos a fim de minimizar a quantidade dos mesmos presentes na bilheteria.
Honestamente, eu não gostaria apenas de minimizar e sim de zerar os ingressos
físicos nos guichês.

Alguns clubes, Palmeiras incluso, têm feito
contratos com empresas que prometem colocar a disposição um grande número de bilheterias,
postos de vendas descentralizados e antecedência nas vendas. Particularmente
não vejo solução nestas propostas. Basta o ingresso estar presente fisicamente
em um guichê para abrir-se a oportunidade de fraudes, trabalho de cambistas e
confusão nas vendas por demanda reprimida em caso de boa campanha da equipe. 

Seguem abaixo apenas algumas alternativas.

  • Ingressos no cartão de crédito: o exemplo que
    nos vem em mente é o aquele adotado no setor Visa. Também existe aquele cujo
    gestor do cartão patrocina um setor do estádio e oferece descontos àqueles que
    possuem seu cartão.
  • Setores patrocinados: como no exemplo do
    cartão de crédito, empresas podem patrocinar setores do estádio e oferecerem
    vantagens aos seus consumidores. O ingresso é adquirido eletronicamente ou nos
    postos de venda da empresa.
  • Ingressos “carregáveis”: têm se falado na
    idéia de adoção de cartão individual de ingresso que seria carregado e
    utilizado no jogo em que o torcedor quiser. Aqui cabe um comentário, uma
    crítica talvez até por desconhecimento meu. Como se estabelece a compra?
    Eletronicamente e antecipada através de um portal web ou presencial? Se for
    presencial para retirada de ingresso volta-se o problema de potencial de
    confusão no guichê. Se for por passagem na catraca sem reserva antecipada
    através de um portal citado anteriormente, pior ainda, como controlar a demanda
    na hora do jogo?
  • Smartcards atrelados a sistemas de base de
    dados:
    solução de venda eletrônica de ingresso aliada a informações sobre o
    perfil de consumo dos fãs no interior do estádio ou de produtos relacionados ao
    clube que podem ser utilizadas como ferramenta para os programas de
    relacionamento junto aos torcedores.
  • Sócio torcedor: o que ele quer são ingressos
    para ver seu time, preferência na aquisição. Nada mais justo visto que o mesmo
    antecipa e incrementa receita do clube. Portanto, não o obrigue a “brigar” por
    um ingresso em um guichê específico.

Enfim, existem alternativas. Algumas mais
completas e melhores, mas na minha concepção não pode mais existir bilheteria
vendendo ingresso e mesmo aqueles que patrocinariam setores e venderiam
ingressos em seus postos de venda, deveriam realizar a venda de forma
eletrônica e não presencial.

Tudo bem que cabe aquele questionamento. E os
ingressos não vendidos antecipadamente por qualquer que seja a solução adotada,
não deveriam ser disponibilizados a torcida nas bilheterias a fim de que o
clube complemente a receita do jogo? Claro que deveriam ser disponibilizados,
só que não na forma presencial e sim em um sistema on-line (incontáveis postos
de venda virtual). Repito, a presença para retirada de ingresso é potencial
para confusão, fraude e cambistas.

Também tem aquela crítica. “Vocês querem
elitizar o futebol, acabar com sua alma popular”. Para isso tenho uma resposta.
O povo é inteligente, adapta-se às necessidades. Ingresso eletrônico não é
sinônimo de ingresso caro. Você que diz isso prefere perder tempo do trabalho,
com sua família para enfrentar filas e confusão de bilheteria?

Para finalizar, podem-se adotar vários
sistemas sem que o estádio seja uma Arena Moderna, porém se o estádio for
concebido com esse propósito, somente o será se possuir um sistema de venda não
presencial. A solução “Guichê Zero”.

Essa é minha opinião. Qual é a sua?

Abraço e até a próxima semana.

Claudio Baptista Jr.


13 respostas em “Guichê Zero”

Excelente idéia… Ingresso em bilheteria entre muitos problemas praticamente torna inviável a presença do torcedor de fora da capital nos grandes jogos… Apesar de muita gente reclamar do Setor Visa, eu considero a melhor iniciativa que tivemos no Palestra Itália… e tem sido a solução para nós torcedores do Interior acompanharmos no estádio o Verdão..

#6 Claudião, como mesmo vc exemplificou, também já comprei ingressos aqui para ver shows e espetáculos no exterior, mesmo não sendo esportivos. Funciona e muito bem.

Concordo com você Claudio.Acho que guichê só deveria existir para emergências.

No estágio que a tecnologia está nos dias de hoje,não há o menor sentido em se vender ingresso em bilheteria ainda hoje.
Pra mim isso só reflete atraso no clube,ou então que alguém ganha com isso.

Qual das duas o Palmeiras se enquadra?

Assim como não vejo sentido em ver aquele monte de vendedores ambulantes vendendo e passando na frente de todo mundo na hora do jogo.

Por que não se faz lojas em baixo da arquibancada?Quem quiser vai lá e compra no intervalo.Depois sobe e come no seu lugar se quiser.

Também não entendo o sentido de um hot dog,frio e com uma salsicha custar 3 reais.Na rua se paga 1,50 em um completo.Ou um sorvete que custa 0,70 centavos ser vendido no estádio por 3 reais.

Tenho um conhecido que me disse que esse esquema de vendas era controlado por um conselheiro.

Espero que seja mentira.Essa receita deveria ser do clube.Se fosse cobrado um preço justo,o Palmeiras ganharia uma bela grana na venda em volume destes produtos.

Sds.

Com uma taxa compatível eu também sou a favor Claudio.

Abraço

Rodrigo, alguns exemplos citados no texto por mim prevêem certos descontos no ingresso (ex: sócio torcedor, setores patrocinados).

Atualmente pagamos algo em torno de R$30 para uma arquibancada. Tome como exemplo o atual setor VISA onde o ingresso é caro, mas a taxa cobrada é compatível. Traga-o para setores do estádio, futura Arena, mais populares e teríamos ingressos mais baratos, com taxas compatíveis, aliados a comodidade de aquisição.

Torço muito para que o pioneirismo histórico do nosso clube seja demonstrado também nesta questão.

Abraço.

Claudio, por isso eu acho que é importante ter a opção tanto para aquele torcedor que pode e prefere pagar mais caro, como também para a parcela da torcida que não pode pagar tanto pela comodidade, e por isso acaba comprando à moda antiga.

hehe como disse @4 – Alberto Cunio
Morte aos cambistas e demissão aos safados !!
Guichê Zero parece ser uma boa solução mesmo.

Não sei se vocês lembram de um texto que fiz falando de um jogo de futebol americando que fui em NY entre Giants vs 49rs.

Comprei o ingresso aqui no Brasil, pela internet, e recebi em casa (tambem tinha opção de retirar em um local em NY). Tinha até opção de compra de lugar para o carro no estacionamento.

Legal. O único problema foram as taxas que aumentaram muito o valor total do ingresso.

Abraço.

Eu concordo com o Ricado (#1), acho que o ingresso impresso na hora juntamente com um cadastro diminuiria ou acabaria com a ação de cambistas. Acho que não precisaria acabar com a venda no estádio por exemplo, até pelo que foi citado no seu texto Claudio, no caso do cara que resolve que vai ao jogo já na data do jogo. Esse torcedor de última hora pode preferir ir direto pro estádio, comprar o ingresso na porta do Palestra e já entrar.

Recentemente eu comprei ingresso para um show, e a empresa que está comercializando tem um esquema interessante. Dá pra comprar o ingresso através do site da empresa ou em diversos pontos espalhados pela cidade, a pessoa escolhe a forma que prefere. Para quem compra no site tem a opção de receber o ingresso pelo correio ou retirar em um desses pontos, ou mesmo no local do show. O interessante é que eu fiz o cadastro no site, mas depois preferi comprar o ingresso pessoalmente em um dos postos de venda. Chegando lá o funcionário perguntou se eu tinha cadastro, acessou meus dados pelo CPF e registrou a compra. Chegando em casa, verifiquei no site da empresa só por curiosidade, e a compra estava registrada. O ingresso, que foi impresso na hora da compra, veio com meu nome e RG, e cada pessoa cadastrada tem um limite de ingressos que pode adquirir, neste caso são 8. O único ponto negativo é que todos os ingressos, comprados tanto pelo site como nos postos de venda tem uma “pequena” taxa de serviços dessa empresa, que é 30 reais.
Algo desse tipo poderia ser estudado no caso do Palmeiras, como desenvolver um sistema próprio, semelhante a este. Ou mesmo contratar uma empresa que faça este serviço, mas neste caso o ingresso provavelmente teria algum custo adicional, então não sei se seria vantajoso.

Chega de filas, morte aos cambistas e DEMISSÃO aos bilheteiros CORRUPTOS E SAFADOS do Palestra Itália que existem há décadas! Acorda, Diretoria!

Valeu, Ricardo.

Essa questão de se eliminar os guichês é uma visão bem particular em função de considerar esse ato uma perda de tempo, fora as outras citadas no texto.

Contudo, sua proposta é bacana e pode realmente funcionar.

No final das contas o que queremos é o fim das fraudes, das confusões e comodidade nas aquisições.

Abraço.

Claudio, excelente texto!
Por pouco não concordo 100% com você.

Porém, minha visão é um pouco diferente da sua com relação aos guichês.
Pra mim, o problema não está em si neles, e sim no famoso ticket impresso.
Deveria ser implantado um sistema informatizado para sua retirada, e o mesmo ser impresso na hora. E claro, o clube deveria cadastrar seus torcedores, até na locadora da esquina de casa existe um sistema com senha para completar a locação. Lá estão meus dados tais como endereço, RG, CPF, etc.. e um que acho interessante: pessoas que autorizo locar em meu nome (uma solução para a disfunção burocrática da Meia-entrada).

Tal cadastro poderia ser feito pela internet ou aliado aos cadastros das demais alternativas que você pontuou. E concordando com você sobre a questão da distorição que fazem do termo “elitização” (no qual desambigua em setorização, adaptação, etc..), hoje em dia, qlq um pode acessar internet. Disse qualquer um: lan houses, mobile, notebooks, trabalho, universidade e por ai vai.

Concluindo, sou a favor das alternativas apresentadas: cartão de crédito e smartcards.
Para o sócio-torcedor é apenas consequência.
Porém, não se deve acabar por completo com os guichês (somente, então somente, quando forem informatizados).

Abs

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