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Futebol com Números

Os balanços dos clubes brasileiros – 8

POR LUIS FERNANDO TREDINNICK

Neste que é o penúltimo post da série sobre os balanços dos
clubes brasileiros, vamos falar sobre LUCRO, ou, na maioria dos casos, do prejuízo
que os clubes tiveram em 2007 e 2008.

OS CLUBES TIVERAM LUCRO OU PREJUÍZO?

Observem na tabela abaixo o resultado final publicado no
balanço dos clubes

É praticamente um show de horrores!

O Santos e o Flamengo conseguem perder dinheiro de forma
absurda! 

Grêmio e Inter não conseguem manter resultados consistentes:
estes dois clubes tiveram uma grande receita com a venda de Direitos
Federativos em 2007 e, com isso, conseguiram obter lucro.  Como essas
receitas diminuíram em 2008, os dois clubes apresentaram prejuízo.

O Palmeiras aumentou o seu prejuízo, reflexo da mudança de
patamar de time que tivemos.

O Cruzeiro mesmo aumentando muito a receita em 2008,
aumentou o prejuízo.

O Corinthians reverteu um grande prejuízo em 2008.  E o
São Paulo tem um lucro absolutamente ridículo em relação à receita: 1,4% da
receita bruta.

O QUE CHAMA A ATENÇÃO?

Como já discutimos várias vezes, chama a atenção a
dependência da venda dos Direitos Federativos.  Essa dependência está
aumentando ao longo dos anos.  Os melhores exemplos são do Grêmio e Inter,
que tiveram lucros bem razoáveis em 2007 e tiveram prejuízo em 2008.

O Santos é realmente uma máquina de perder dinheiro.  É
de se ressaltar que é a maior perda proporcional à receita. O clube teve receita
de R$ 65 milhões e um prejuízo de R$ 25 milhões.  É muita coisa. 

Outro fato que chama a atenção é o resultado do São
Paulo.  Ele tem sido o clube com as maiores receitas do país nos últimos
anos e tem um lucro modestíssimo.  O pior da situação é que ele
contabilizou como receitas R$ 13,7 milhões de dinheiro vindo da Lei de
Incentivo ao Esporte! É questionável se esse dinheiro deveria aparecer como
receita.  Mas o fato é que sem esse dinheiro o clube teria um prejuízo de
R$ 11,5 milhões, maior do que o do Palmeiras. 

ENTÃO?

Por enquanto, futebol no Brasil é uma maneira romântica de
se perder dinheiro!

Quem acompanha a coluna sabe que o mesmo ocorre na Espanha,
na Inglaterra e, até onde sei, na Itália (não possuo confirmações
oficiais).  Existem atitudes sendo tomadas em relação a isso na Europa,
que discutiremos no próximo post.

 

No fundo, o frustrante é que não existe mágica: o negócio é
lançar produtos para aumentar as receitas, desenvolver um trabalho consistente
nas divisões de base e ter um time vencedor!  O resto virá naturalmente!

Saudações Alviverdes

 —

 *Luís Fernando Tredinnick escreve todas as
sextas-feiras no 3VV, explicando a quem conhece e também a quem não conhece os
números no futebol.

Divulgação autorizada mediante explícita citação do autor e
do blog Terceira Via Verdão

 

9 respostas em “Os balanços dos clubes brasileiros – 8”

Mas esse prejuízo enorme (de alguns) e nem tanto (nosso caso) cai na conta de quem?? O Clube fica devendo esse dinheirão todo?? Mas deve pra quem ?? Que doidera esse futebol aqui no Brasil hein… Mas não é só aqui né: o Real Madrid deve horrores !! O Man UTD então, vish…
Temos que mudar isso ! Acho q a SEP está no caminho certo !!

Alviverde Cunio,
O modelo é o do Barcelona: lucro pequeno e constante, mas suficiente para pagar as dívidas e realizar os investimentos necessários para um grande plantel!

Veja a longa série que eu escrevi “Desvendando o Barcelona” .

Se no Brasil as coisas fossem sérias, provavelmente o futebol por lá já teria acabado…

Mas enfim, parece que o Palmeiras está encontrando o seu caminho e, pensando bem, temos vantagens competitivas que nenhum outro clube possuí: uma grande torcida, um estádio próprio, com uma história de glórias e ainda um grande potencial de receitas a ser explorado.

Todos os outros clubes do BRasil não possuem ao menos uma das características acima.

Enfim, foco no título deste ano!!!!!

Saudações Alvi-Verdes

Luís, francamente eu quero que se dane o balanço, maquiado ou não, dos Leonores. Penso apenas no Palmeiras e como poderíamos melhorar nossas contas. Mas uma coisa gostaria de seu comentário: já que o futebol é uma forma romântica de perder dinheiro, segundo sua avaliação, qual seria o perfil ideal de balanço de um clube de futebol? Talvez ideal seja exagero, mas não é possível que não exista um exemplo sequer no futebol mundial que alie boa administração, com contas equilibradas (preferencialmente positivas) e títulos. Isso porque, a meu ver, se os clubes ainda não são empresas efetivamente, com acionistas cobrando lucros, estes (se existirem) deveriam ir diretamente para benefício do clube. Porém, como não há ninguém “reclamando” no Conselho de Administração, pode dar prejuízo à vontade mesmo e que se lasquem os resultados. Ou seja, tudo passa pela profissionalização de um sistema já extremamente complexo e que gira milhões que é a gestão de um clube de futebol (no caso do Palmeiras, não só de futebol). Os números mostram as aberrações possíveis nesta seara. Os casos de Flamengo e Santos são de polícia, pelo menos por gestão fraudulenta.

Lucélia, sem dúvida o Profexô e sua turma tiveram um importante e decisivo peso nas contas…

Giba, bom te ver por aqui!
Concordo contingo. Pela frieza dos números o prejuízo do pessoal do Jr. Leonor é maior do que o nosso. Em 2009 nao sei ainda se teremos lucro, mas o provável é que os números sejam próximos de zero. a partir de 2010, com a vitória na Libertadores, o lucro será grande!

Saudações Alvi-Verdes

Incrível a diferença de numeros do prejuizo do Palemiras de 2007 pra 2008. Podemos dizer que um motivo importante para o aumento desse prejuízo foi a comissão técnica mais cara do Brasil?

Olá Luiz Fernando, tudo bem?
Tomando por base a veracidade dos números dos balanços, observo que o prejuízo do spfw é maior que o nosso, considerando que o aporte da lei de incentivo ao esporte é carimbado para determinado fim, ou seja, não serve para cobrir prejuízos.
Neste caso, não poderíamos nós incluir nas nossas receitas o valor do aporte da WTorre para construção da Arena?
Claro que não. Mas é o mesmíssimo caso.

O próprio Belluzzo falou em algumas entrevistas, logo depois de ser eleito, que clube de futebol não é banco! Se tiver lucro melhor é claro, mas, o importante é ter uma dívida administrável, o que ele considera que o Palmeiras tem, 0,55 da receita se não me engano. E complementou o que se diz há muito tempo no Palestra: deve-se separar o clube social do futebol, cada um deveria caminhar com as próprias pernas.

AGORA COM O BELUZZO NOSSO CASO VAI MUDAR DE FIGURA. ABRAÇOS.

e mas ja reparou q so da prejuizo pro clube…

os empresarios e empresas estao ai enchendo os cofres de grana com venda de jogadores…

e isso q tem q mudar.. aliado a marketing, licenciamentos e base

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