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Apenas “a bola”

POR JOTA CHRISTIANINI

Noite fria, muito fria, de agosto, falávamos da história do
Palestra, falávamos do Palmeiras, falávamos de glórias.
Eu e o Pasqualini, enquanto falávamos, bebíamos o bom vinho chileno Valdivieso,
homenagem óbvia.

 Hora de ir embora, como de praxe passamos na sala de
troféus, ponto obrigatório, lá estavam o Thiago e o Julio. A conversa
continua; nisso o zelador da sala, Mané dos Troféus, interrompe e avisa que
tem  ”umas bolas aqui no depósito embaixo do Carranza, que fim que
dou (sic) nelas?”.

Uma de futebol de salão; outra de vôlei; as duas não
despertam curiosidade. A terceira ainda de capotão, tem a data um jogo amistoso
em 1946. Vale a pena guardá-la afinal ainda é de capotão com bigulim.

Aparece a quarta bola, marrom, antiqüíssima, descorada, com
alguns carimbos e algumas letras ilegíveis, outras legíveis; mas
chama atenção na hora. Tem um charme especial, parece que ela quer dizer que é
importante.

Olho e comento com o Pasqualini



— É Superball , era a bola dos anos 50, tem o carimbo CBD e
o nome do Mario Fruguelli (presidente do Palmeiras em 51). Tem outros nomes,
Bruno Giannoni, então responsável pela sala de troféus ; Higino Pelegrini
diretor e ex presidente do clube, e outras indecifráveis. Também tem uma
dedicatória de uma emissora carioca, a Radio Mauá. Não da para ler o resto.

—  Será ?
— Pode ser!
— Tem muita coisa coincidindo
— E agora, como vamos saber?

Dia seguinte o Ezequiel  fotografa a bola, aumenta,
zoom, e nada de revelar os escritos; falo com o Gama, ele aponta alguns amigos
que entendem de perícia.

Vou aos amigos, analisam, pesquisam, chamam outros amigos,
todos estudando a bola, fotografam, ampliam não sei quantas mil vezes.

Passa o tempo, um mês, quase dois, toca o telefone.

Estou em pé, escutando
—  Conseguimos ler o escrito: “a Radio Mauá, PRH 8, saúda o
PALMEIRAS, pela conquista do CAMPEONATO MUNDIAL de 51,  assinado José
Maria Scassa (posteriormente o professor Belluzzo identificaria o sobrenome
Scassa na assinatura; José Maria Scassa antigo locutor de futebol do Rio de Janeiro).

Estava em pé ouvindo, mas não continuei. À medida que
ouvia o que estava escrito na bola as pernas tremeram, arrastei-me até a
cadeira para ouvir ao final.

— Venha buscar a bola, ela efetivamente é da final do Mundial
do Rio em 51, Palmeiras 2 x Juventus 2.

Hoje ela está a na sala de troféus ao lado da Copa Rio 
perto do oficio da FIFA, dizendo que efetivamente o torneio dos clubes campeões
de 1951 foi o primeiro mundial.  Essa bola, soubemos depois,
ficou na casa do presidente da época e sua bisneta. Há alguns anos ele a trouxe
ao clube,  entregou-a ao Sr. Newton Lavieri, já falecido. Como depois
disso ela foi parar no depósito jamais saberemos, mas o importante e que
naquela noite fria o Mané perguntou primeiro, antes de agir.

Isso foi há poucos dias. Semana passada vasculhando fotos
antigas vejo a foto do presidente Fruguelli recebendo uma bola. Mando verificar
no arquivo da Gazeta Esportiva, qual a legenda. Era o árbitro da final,
Gabriel Tordjan  assinando e entregando a bola ao presidente do
Palmeiras .

Nota do Autor: Pasqualini, Thiago, Gama, Julio,
Ezequiel , e este que vos escreve, são sócios do clube e quando
perguntados sobre suas principais aptidões são simples e objetivos:
palmeirenses.





 

14 respostas em “Apenas “a bola””

NOSSO TIME TEM HISTÓRIA, E PARA JUDIAR MAIS DOS OUTROS, TEM AS PROVAS……….hehehe

o resto é ficção…….

NOSSO TIME TEM HISTÓRIA, E PARA JUDAIR MAIS DOS OUTROS, TEM AS PROVAS……….hehehe

o resto é ficção…….

Jotinha, mais uma pérola da história maravilhosa de nosso clube. E ela endossa algo que digo sempre: o mais importante é que se PARA NÓS o título de 1951 foi mesmo o primeiro Mundial de Clubes, é o que vale. O resto? Eu quero é que o resto se dane. História não se inventa. Ou se tem, ou não se tem. E nós temos. Muita.

é, e tem “prócer” no clube que tá mais preocupado com a piscina, não é verdade?

Mais uma vez, parabéns, Jota, belíssimo trabalho o de vocês.

Magnífico, Jota! Parabéns a vocês por resgatar este achado e por evitar que ele sumisse para sempre.

ESTOU ATRAS DESSA INFORMAÇÃO, HA QUEM DIGA QUE SO FOI PINTADA E OUTROS DIZEM QUE ESSA PAREDE FOI DERRUBADA.
SEJA COMO FOR E UM CASO DE LESA-PÁTRIA QUE DEVERIA SER APURADO E PUNIDO.,…………JOTA

Jota, esse achado é um dos mais iportantes que já tive conhecimento. Ainda mais com um pouco de acaso, ou seria descaso?

Falando em descaso, o que dizer da parede dos vestiários do Palestra que foi toda autografada logo após o encerramento da Libertadores de 99 pelos jogadores e comissão técnica quando retornavam do “campo da batalha”?

Algo que seria motivo de recordação eterna, que deveria ser preservado, foi alvo de uma mão de tinta por cima.

Quando visitei a exposição do julinho este ano conheci o Mané dos troféus, conversei bastante com ele, sabe tudo da nossa história.

E esta parece ser nossa sina um clube com uma belíssima história, mas, que não está construindo um presente que poderei contar para meus netos no futuro, pelo menos quando falarmos da década atual e da década de 80.

Jota: dizer que seu causo mais uma vez está excelente é chover no molhado. Parabéns por resgatar cada vez mais traços importantes da nossa história.

Que vergonha, que raiva, que decepção.
Ouvi dizer que a torcida gritava jorginho… só se fosse para ele jogar no meio de campo e armar as jogadas… time de safados, sem vergonha na cara.

jota …

concordo com o Marcelo (1) precisa fazer um tour com esse time de pipocas… pra eles saberem onde estao jogando..

vc Jota excelente como sempre…

abs

Jota e demais, parabéns pelo achado!! É um orgulho ter a historia que temos.

Parabéns pelo trabalho e pelo esforço de todos!

Jota, leva os jogadores do Palmeiras para dar uma voltinha lá na sala de troféus… quem sabe eles acham o futebol e a vontade que perderam…

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