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Entrevista de Muricy Ramalho na Revista IstoÉ

O leitor e comentarista do 3VV Marco Túlio Vasconcelos nos envia a entrevista de Muricy Ramalho na revista IstoÉ de 14 de outubro; ano 32 nº 2083.

Obrigado Túlio.

ISTO É ENTREVISTA – Muricy Ramalho!

Muricy Ramalho poderia ter entrado para a história como um jogador frustrado.
Aos 21 anos, no auge da forma e quase escalado para a Copa do Mundo de 1978,
torceu o joelho e ficou parado por um ano. “Foi a minha maior tristeza no
futebol”, diz. Mas Ramalho soube se reinventar.

Hoje, o tricampeão brasileiro pelo São Paulo (2006, 2007 e 2008) e atual
técnico do Palmeiras é cobiçado graças à sua competência e ao seu perfil de
boleiro clássico – aquela mistura pragmática de carisma, paternalismo e
sabedoria, tão respeitada por jogadores, dirigentes e torcidas. O paulistano de
53 anos recebeu ISTOÉ no centro de treinamento do Palmeiras. E enterrou sua
fama de mal-humorado

ISTOÉ – Dá para ser ético no futebol?
Ramalho – Quem é correto, sofre.
Sinto isso na pele. Às vezes querem te derrubar, mas não me importo. O futebol
é um grande negócio. E aí as pessoas dizem que eu não converso muito, não sou
social… Não sou mesmo! Mas é claro que tem muita gente boa no futebol, que
sofre muito com isso.

ISTOÉ – Como você analisa a CBF?
Ramalho
– O presidente Ricardo Teixeira dá as ordens e escolhe o treinador.
E eu respeito isso. Se o técnico precisa fazer lobby para chegar lá, eu não sou
esse cara. Se algum dia eu tiver o prazer de receber o convite de alguma
seleção, vai ser só pelo meu trabalho.

ISTOÉ – Você torceu para o Rio de
Janeiro na briga pela Olimpíada de 2016?
Ramalho
– Acompanhei, torci e achei muito legal. Só que o governo não
deveria esperar por um grande evento para melhorar a vida das pessoas.
Segurança, saúde e transporte são obrigações. Espero que os investimentos sejam
privados para que a gente não pague essa conta. E que seja transparente, não
aguentamos mais corrupção.

ISTOÉ – Em quem você votou na última
eleição para presidente?
Ramalho
– Acho que votei no Lula, não pelo partido, e sim pela pessoa. Ele
era uma esperança. Fiquei decepcionado com o PT. Quando eles chegaram fizeram o
contrário do que diziam. Eles eram os únicos éticos e o resto não servia para
nada. E a gente percebeu que não era bem assim.

ISTOÉ – Já tem candidato para 2010?
Ramalho
– As opções são boas, pessoas fortes e que sabem o que estão
fazendo. A disputa vai ser parelha e isso é bom para o País. Claro que tem o
apoio do Lula, que está fortíssimo, mas a Dilma (Rousseff) está no meio da
tabela…

ISTOÉ – Por que se fala tão pouco
sobre o uso de drogas que melhoram a performance
esportiva no futebol brasileiro?
Ramalho
– O americano faz qualquer coisa para ser o primeiro. No Brasil, o
atleta usa droga por diversão. As duas coisas são condenáveis. Se algum
baladeiro estiver prejudicando o meu time, sai na hora. Agora, não quero saber
se ele usa brinco e calça rasgada ou se gosta de homem ou de mulher. Tudo bem,
desde que cumpra seu dever.

ISTOÉ – E os técnicos, são
baladeiros?
Ramalho
– Claro que sim. Tem treinador que faz muita coisa errada e os
jogadores sabem disso. Se o técnico é um pouco chato e, dá um pulo, o atleta
aproveita para pegar no pé.

ISTOÉ – Um jogador brasileiro pode
assumir que é gay tranquilamente?
Ramalho
– Se o cara falar, está morto para o futebol. Ainda há muito
preconceito. Acredito que o cara tem de ter liberdade para escolher do que
gosta e o mais importante é que ele cumpra a sua obrigação. É triste ter de
conviver com o preconceito contra os homossexuais e os pobres. Isso sem falar
no racismo.

ISTOÉ – Como foi trabalhar com o Richarlyson,
um atleta cuja sexualidade vive sendo
questionada.
Ramalho – Ele trabalha muito mais
que qualquer outro jogador, é um puta cara. Eu não sei qual é a dele e nem
quero saber. Não me interessa o que ele faz ou deixa de fazer. Só sei que é um
grande caráter. Ele é homem pra caramba.

ISTOÉ – Como você lida com a pressão?
Ramalho
– Eu me dedico demais ao que faço. Não durmo, estudo demais os
times. Às vezes, pego meus cachorros e minha família e vou para Ibiúna
(interior de SP), onde faço um churrasco e dou comida para os passarinhos.
Tenho quase certeza de que o Telê (Santana) ficou doente por causa do futebol.
Ele vivia aquilo 24 horas por dia, acordava às seis da manhã para cuidar do
campo. Eu não quero ficar doente. Sei que a minha carreira não vai tão longe.

ISTOÉ – Você sabe quando vai parar?
Ramalho – Não sei ainda, mas vou
tentar outra coisa dentro do futebol quando ficar um pouco mais pesado, talvez
como diretor de base. Isso aqui é perigoso para quem quer estar sempre na
ponta: tem de se estressar e ir dormir só às 5 da manhã.

ISTOÉ – O mau humor de Muricy Ramalho
é um mito?
Ramalho
– Eu só sou muito sério no que faço. O problema é que me
entrevistam no momento em que estou trabalhando duro. Não dá para dar
risadinha.

6 respostas em “Entrevista de Muricy Ramalho na Revista IstoÉ”

O Muricy ta certo, mas ele tem que parar de ser mal educado com as pessoas isto não é legal, mas é uma grande pessoa com certeza.

4 – gilberto giangiulio Junior

Eu sei o que é Humpf … hehe Eu não tinha entendido o porquê do ‘humpf’, o ‘tom’ do comentário… agora entendi: vc nao gosta do muriçoca – hehe. Eu também não achei boa a entrevista não… mas nao por causa do Muricy…

3 – Denis Dias de Lima

Foi o que eu falei pro Vicente no e-mail: eles colocaram a toalha em cima AFF… e no texto fazem questão de lembra q o Muricy foi tricampeão pelo spfw (qdo é na imprença falada eles falam com BOCA CHEIA né… aff)

Humpf, Marco, pode ser entendido como prlft..
Uma onomatopéia usada depois de se ouvir mesmices, lugares comuns, coisas desinteressantes.
Para não sair do lugar comum, foi uma entrevista com o profeta do óbvio.

E fã do Richarlysson.

A direção de fotografia da revista se esforçou bastante para não deixar aparecer nenhum escudo do Palmeiras, né?

1 – gilberto giangiulio Junior

Não entendi esse seu comentário evasivo…

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