Categorias
Ser palmeirense é... Você manda o Recado

Finais dramáticos

POR LUCIANO PASQUALINI

 Ontem tive o privilégio e a “fortuna” de ir ao Credicard Hall assistir junto com minha esposa o show da soprano Sarah Brightman. Ela abriu o show pouco antes do Palestra entrar em campo, e ao contrário do deprimente [estádio] Bruno José Daniel, a iluminação estava perfeita, ela afinadíssima e com o apoio de uma orquestra de cordas, coral, tenores, teclados, bateria, guitarras e percussão encantou e emocionou o público em uma viagem por belíssimas árias italianas e hits próprios.
 
Após os 60 minutos iniciais houve um intervalo de 20 minutos para que os artistas tomassem fôlego para o tour final, enquanto a platéia formava fila nos toilettes – notadamente o feminino. Após hesitar por alguns instantes tomei a coragem – antes que minha esposa retornasse – e usei o celular para descobrir como andava a saga palestrina, que por concidência também estava no intervalo. Não deveria. Descobri o revés temporário, e começou a angústia e tentação de saber o desfecho do drama enquanto acompanhava o espetáculo.
 
Ela voltou cantando a belíssima “Nella Fantasia” do filme “A Missão” (!!) emendando com “Question Of Honour” cujo refrão diz exatamente:
 
    “… If you win or you lose, it’s a question of honour
    And the way that you choose, it’s a question of honour …”

Enquanto o Palestra escolhia seu caminho, Sarah nos brindava com a trilha épica de “Highlander”, em “Who wants to live forever”, cujo refrão inesquecível começa com …
 
    ” … There’s no chance for us
    It’s all decided for us … “
 
O encerramento do espetáculo, aplaudido de pé por vários minutos coincidiu com o encerramento da ópera bufa no “Bruno José Daniel”. O drama chegava ao final, mas para surpresa de muitos aquele ainda não era o ato final. Ao menos no Credicard Hall houve o inevitável retorno, aquele que sempre esperamos mas com o qual não se pode contar, e a frustração de algumas músicas não cantadas durante o show foi compensada com a linda e emblemática “Deliver Me” pedindo forças para seguir adiante …
 
Deliver me, out of my sadness.
Me Livre, da minha tristeza
Deliver me, from all of the madness.
Me Livre, de toda loucura
Deliver me, courage to guide me.
Dê-me, coragem para guiar-me
Deliver me, strength from inside me.
Dê-me, força de dentro de mim
 
Se a maioria das músicas anteriores tiveram significado claro para mim, restou a dúvida no “grand finale” com o maior sucesso dela cantando “Con Te Partiro” ou “Time to Say Goodbye” cuja letra permite dupla interpretação e somente nas próximas semanas saberei se a premonição da Sarah era a simples despedida ou o início da caminhada por “… Paesi che non ho mai, veduto e vissuto con te …” . Seria Dubai ? ou apenas a hora de sair de cena ?
 
Nossas origens exigem finais dramáticos, para o bem e para o mal. Neste momento o roteiro aponta para o fracasso do herói, mas receio que estejamos apenas flertando com o perigo, quase que desejando, ansiando, suicidamente precisando do momento dramático. A trama morna não nos apetece, e suplicamos por um confronto com o rival [falta pouco], aquele que nos dignifica, que nos honra, o momento onde toda a platéia fica paralizada aguardando o desfecho que define o “épico”, raiz da nossa essência.
 
 
PS: Sim, claro que é perigoso e ninguém em sã consciência gosta disso, mas serve o alento de que é assim que são construídos os momentos épicos como os feitos por nossos heróis Marcelinho e Zapata, ambos gerados pela ineficiência e vacilos no tempo normal.
 

17 respostas em “Finais dramáticos”

HEHE. Muito bom cara. Baixou o espirito do J em vc… hehe

Parabéns, Pasqualini. Palmeirenses como vc é que nos dão ainda motivos para torcer pelo Obina.

Pobre Marcos!!!no meio de um bando de vagabundos que não estão nem aí com a torcida!!!!!!eles são os verdadeiros CAVALOS PARAGUAIOS !!!!no meio de uma diretoria de BANANAS,que vários sites ou blogs palestrinos,insistem em dar uma de chapa -branca!!como o 3vv…………..

Grande Pasqulini,

fantástico depoimento. Estávamos precisando de um texto como esse.

Forte abraço

Luciano Albano

Texto à la Jota! Muito bom!

Quanto ao time, enquanto houver mais cabeças-de-bagre do que jogadores inteligentes (minimamente inteligentes) em campo, vai ser esse sufoco…

O futebol está em um momento onde a técnica e a habilidade não influenciam (ou influenciam muito pouco) o resultado de um jogo…O que conta é a inteligência do time…Provas disso: nossa derrota para o Flamengo e nossa vitória contra o Sport pela Libertadores (ok, nesse caso éramos superiores tecnicamente tb, mas não foi por isso que ganhamos o jogo)…

Que belo texto!
Se os jogadores não entendessem só de pagode, sertanejo e novela, talvez pudesse ser lido para eles e surtir algum efeito…

Perfeito! Lindo texto! Parabéns! Agora, resta acreditar.

pensando bem, vc tem razão André. não pode perder nunca de santo nenhum, muito menos do Náutico. Mas só tá td em dia em tem alguns jogadores de seleção pq tiramos o Mustafento daí…

matéria prima faltando………………..
tem jogador de seleção
tem jogador penta campeão
tem salário em dia
tem estrutura invejável
e perde pro sto andré e naútico…me desculpe falta atitude de homens….

a turma toda já fica brava acusando os jogadores,comissão, diretoria, e acho que esse é um dos grandes problemas do Palmeiras hj em dia. Não tem corpo mole, não, é evidente que todos lá como há muito não se via estão imbuídos em fazer diferente e melhor. o que está faltando é matéria-prima, mais jogadores bons e consistência. se já começarem a querem mandar Muricy embora, bater em jogadores, vamos sobrar abraçados ao Mustafá.

FALTA VERGONHA NA CARA DE NOSSOS JOGADORES. POBRE DE MEUS FILHOS QUE TEM O MESMO AMOR QUE EU PARA COM O VERDÃO.

texto maravilhoso..parabéns………..muitas vezes deixamos algo de lado pelo verdão……dia 12 deixei de sair com minhas pequenas pra ver o jogo……essa cambada de vagabundo estragaram meu dia.

a sara brightman é chatalhíssima, mas devo concordar com a verosimilhança da tragédia anunciada… ma che catso sucede con o Palmeiras, hein?

Parabéns.

Foi lindo, estou em lágrimas, O coração batendo forte, passei a acreditar 1000% na vitória final.

Mas poderia nos dar um embasamento que não fosse emotivo?

Os comentários estão desativados.