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Nos braços da burocracia

Por Claudio Baptista Jr.

Pessoal, primeiramente gostaria de agradecer a
grande participação nos comentários do post da última semana.

Como disse por lá, nada como a mídia
segmentada para nos proporcionar debates de maior interesse, conteúdo e
confiabilidade.

No assunto de hoje vamos tentar abrir
discussões sobre os impactos da burocrática fase de aprovação da nossa Arena.

Sabemos que desde a apresentação do acordo
entre Palmeiras e WTorre em dezembro de 2007, até agora nossa Arena não
conseguiu sua aprovação junto aos órgão competentes.

Está certo que houve a necessidade de diversos
ajustes no projeto, revalidação do projeto existente anteriormente, processo de
retificação de área entre muitas outras ações que não permitiram ainda a
conclusão da fase de aprovação.

O que quero chamar a atenção hoje não é para o
momento exato de onde a fase burocrática começou, até porque segundo o ponto de
vista pode variar bastante. Pode ser a partir do momento em que começaram as
revisões de projeto ou na última apresentação do mesmo. Não é essa a questão.

A questão é: Quem dentro do Consórcio
Palmeiras/WTorre está perdendo dinheiro ou deixando de ganhar em função de todo
esse entrave burocrático?

Separando-se os membros do Consórcio, vamos
dar uma olhada em WTorre e Palmeiras.

O investidor, WTorre, ao mesmo tempo que não
tem segurança para realizar venda de espaços, naming rigths entre outros que
lhe proporcionariam receitas, não tem tido um desembolso enorme, porém
certamente existe um gasto. Poderíamos dizer que hoje seu fluxo de caixa no
projeto é negativo.

Vejam abaixo um exemplo simples e genérico de
evolução de um empreendimento destas características.

 

O gráfico representa a evolução do
empreendimento ao longo do tempo. Nele estão contidas todas as fases, desde a
engenharia (fase inicial e menos inclinada da curva), passando pela parte de
aquisições, mobilização da mão de obra direta, construção (fase mais inclinada
da curva), até a fase final da mesma através das desmobilizações, testes e
entrada em operação (parte final e menos inclinada da curva). A curva “S” pode
representar tanto o avanço físico como o nível de investimento acumulados.

O ideal seria que o fluxo de caixa
acompanhasse essa curva, porém devidas as características de todo o projeto,
possivelmente as receitas superarão os custos somente ao longo da operação da
Arena (a fase de operações continuadas, não representada nessa curva “S”). Não
é a toa que a vida do contrato é longa

Enfim, podemos perceber que a WTorre deve
estar na fase bem inicial da curva, pouco avanço físico e algum desembolso.

E o Palmeiras?

De certa forma também teve seus gastos (ex:
elaboração e execução de partes do antigo projeto que permitiram o avanço do
atual, aquisição de alguns imóveis atrás do Palestra Itália e a mobilização de
alguns recursos para essa fase atual em conjunto com a WTorre), porém não
poderemos compará-los aos desembolsos do parceiro durante o empreendimento.

Entretanto, chamo a atenção para o fato de
também não ter a oportunidade de obter receitas. A WTorre não vende, não aluga,
o Palmeiras não recebe segundo sua participação no Consórcio e pior, a cada dia
que a Arena não entra em operação, o clube não tem receita de bilheteria em um
equipamento que certamente irá incrementá-la.

Tudo bem. Alguns podem dizer que se a Arena
não entra em operação agora, também escorrega a fase de término do acordo onde
o Palmeiras assumirá todos os custos do equipamento.

Só que eu rebato esse questionamento da
seguinte forma. Qual será o cenário do futebol brasileiro nestes próximos 5, 10
anos? E qual será daqui 30, 35 anos?

Muito mais fácil saber no curto prazo, até
porque para o longo pode-se planejar e revisar a rota.

No curto prazo o clube que conseguir maiores
oportunidades de gerar e incrementar receitas em um patrimônio novo, moderno,
ganhará uma enorme vantagem competitiva perante os rivais. Quem acompanha os
posts do amigo e colunista Luis Fernando Tredinnick sabe disso e pode exercitar
o raciocínio em cima das receitas da nossa Arena consultando alguns posts de
sua autoria no link http://www.3vv.com.br/3vv/InformativoLista.aspx?SECAO=FUTEBOL+NUMEROS&p0=5
(posts UM BILHÃO DE REAIS! e Ainda sobre as receitas da Arena).

Pois é, meus amigos, essa burocracia está
amarrando nosso Palmeiras, em todos os meios.

Abraço e até a próxima semana.

Claudio Baptista Jr. – ansioso pela aprovação
da nossa Arena junto a Prefeitura.


10 respostas em “Nos braços da burocracia”

Se o nosso querido governador pé-frio desse uma força, aposto que a coisa andaria mais depressa.

Obrigado Claudio.

Espero sinceramente que nossa Arena tenha espaço para um bicicletário, vai ser bem legal sair de casa e ir ver um jogo do Verdão de bike, sem me preocupar onde estaciona-la com segurança.

Raul, lembro desse seu questionamento no post da última semana.

Só digo uma coisa. Da forma como nossa Arena quer se apresentar, o mínimo é um bicicletário seguro. Ainda mais em uma cidade de difícil locomoção onde as bicicletas estão ganhando cada vez mais espaço e respeito.

Se os projetistas da nossa Arena ainda não chegaram a esse nível de detalhamento, essa é uma sugestão muito boa. Espaço existirá para este fim.

Claudio uma dúvida.

Vou trabalhar todos os dias de bicicleta, sou um ciclista e viver e trabalhar aqui em São Paulo de bicicleta e sem ciclovias é muito perigoso, então te pergunto, se em nossa futura Arena teremos algum espaço(realmente seguro) para estacionar bicicletas, ou vou ter que continuar a ir aos jogos de carona???

Existe no projeto previsão para este espaço??Penso que não será necessário um local muito grande, mas que seja realmente seguro!!

Abraços!!

João, não tenho o contrato em mãos para dizer como serão esses detalhes sobre manutenção.

O Palmeiras pagará uma taxa para dispesas diversas (água, luz, etc…). Pode ser que dentro destes valores provisionados pelo parceiro referentes a manutenção esteja incluso algo para estes atos de vandalismo.

Danilo, aos inimigos… a lei.

Abraço.

João, não tenho o contrato em mãos para dizer como serão esses detalhes sobre manutenção.

O Palmeiras pagará uma taxa para dispesas diversas (água, luz, etc…). Pode ser que dentro destes valores provisionados pelo parceiro referentes a manutenção estejam inclusos destes atos de vandalismo.

Danilo, os inimigos… a lei.

Abraço.

Off topic:

Claudio, gostaria de saber como será tratada a manutenção da arena, não a manutenção trivial, me refiro a eventuais atos de vandalismo da nossa torcida e/ou da torcida visitante, se isto ocorrer há algum tipo de seguro previsto para minimizar os prejuizos? Talvez seja assunto para outro post, o que você acha?

Eu tb acho que essa história da CET é desculpa pra boi dormir…tem alguém mais forte travando o processo…

Cláudio, excelente artigo! Rumo a mais um recorde de comentarios merecedores!!!

É o tal negócio: se o Morumbi for escolhido para a Copa, as aprovações saem todas em 1 mês, tudo na canetada.

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