Os efeitos perversos da mudança de formato do Brasileirão

POR VICENTE CRISCIO

Ferve no Clube dos 13 uma discussão provocada pela Rede Globo sobre a mudança do formato do Brasileiro. Na onda da adequação do calendário do futebol brasileiro ao europeu – situação mais do que necessária – a Globo não perdeu a chance de tentar aquela “se colar colou”.

Como diria o filósofo, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Sobre a adequação do calendário, nenhuma dúvida. Esta semana tivemos um exemplo claro dos malefícios do nosso calendário. Nada mais nada menos que quatro clubes que estão no top 6 do campeonato brasileiro cederam jogadores: Diego Souza,  Adriano (Flamengo),  Tardelli (Atlético MG) e Miranda (SPFC). O Palmeiras sentiu a falta de Diego e não conseguiu vencer o Avaí em casa. O Flamengo fez três gols mas não venceu o Vitória em Salvador. O Atlético MG perdeu no Engenhão para o Botafogo por 3×1 e não teve a mesma força no ataque que Tardelli proporciona. E o São Paulo empatou com o Coritiba (bom, nesse caso alguns amigos diriam: bem feito).

Além da perda dos principais jogadores em datas FIFA não estar adequado ao calendário europeu nos impõe uma restrição financeira: não há possibilidade de datas para amistosos com clubes europeus inibindo a capacidade dos clubes brasileiros em gerar receitas e expandir suas marcas.

Simplesmente uma imposição amadora a um futebol cada vez mais profissional e de negócios.

E O QUE TEM A VER ACABAR COM PONTOS CORRIDOS?

Simplesmente nada! O que a Globo quer é inverter a ordem das coisas. Ela é mídia, transmite os jogos. Não é detentora do conteúdo. Pode sugerir melhorias? Pode, pois deveria ter interesse em um campeonato cada vez mais competitivo e que chamasse mais a atenção da audiência e patrocinadores. Mas daí a pedir um retrocesso, é demais.

Mas há um efeito mais perverso nessa solicitação. Consciente ou inconsciente a Globo, sugerindo que os clubes voltem ao formato de um Brasileiro com chaves e depois mata-mata, aniquila a possibilidade do crescimento da receita dos clubes em bilheteria. Hoje um clube faz 19 partidas em casa; são 19 finais com mando de campo. Se passar para outro formato os clubes terão apenas os jogos finais para encher o estádio.

Mas há mais: os pontos corridos impulsionam as receitas de bilheterias que impulsionam a venda de carnês, camarotes, cativas. Os pontos corridos implicam em maiores públicos nos jogos e assim impulsionam os programas de sócio-torcedor, que dão prioridade na compra dos ingressos.

Quer mais? Os pontos corridos permitem a venda de direitos de transmissão a outros mercados. “Cada jogo é uma final” e assim os asiáticos, europeus, americanos, não precisam entender formas mirabolantes de campeonatos. Apenas precisam saber quantos pontos tem o time A e o time B para entrarem no clima do jogo.

Então cabe a pergunta: quem ganha se os clubes diminuem a capacidade de geração de receitas de bilheterias e afins? A Globo, claro, porque o dinheiro da emissora passaria a ter mais importância para os clubes.

Portanto, minha opinião nesse tema: se a Vênus Platinada não gosta do formato atual do Brasileiro basta não renovar o contrato. E o Clube dos 13 que tenham a inteligência e frieza para não cairem nessa conversa. Afinal, o conteúdo é deles!

Claro, mas essa é a minha opinião. Agora quero ouvir a sua. Faz sentido mudar o formato do Brasileiro só porque a Globo quer?


A OPINIÃO DO CRISCIO é a nova coluna dominical do 3VV.
Substitui a antiga série Planejo Logo Existo e tem o objetivo de trazer
sempre um tema que provoque a reflexão do amigo do 3VV principalmente
sobre futebol; mas não ficará só nisso.

Sempre assinada por V. Criscio: ex-consultor, ex-marketeiro, ex-reestruturador,
e atualmente … deixa prá lá. mas SEMPRE palmeirense e editor do 3VV.

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