Superação: a hora da arrancada para o título


POR VICENTE CRISCIO

A paixão nos faz passar sentimentos contraditórios. Na maioria das vezes pouco compreendido pelas pessoas.

Essa semana foi assim. Após a terceira derrota consecutiva do Palmeiras muitos jogaram a toalha. O colunista inclusive.

Dentre os mais de 300 comentários do pós jogo, um deles sugeria que eu vestisse uma roupa cor de rosa. Ofensa prá lá de séria; pode xingar minha falecida mãe – que Deus a tenha – que eu até entendo mas não me confunda com “fãs do futebol”. Sou palmeirense, e ponto.

Mas basta uma noite de sono, um dia ocupado no trabalho, atenção aos detalhes e às explicações dos palmeirenses e chega-se ao estado de puro palestrinismo: vamos lá, nossa missão não é torcer, é acreditar. Ser palmeirense é uma profissão de fé. Senão, vejamos:

  • 1999, Palestra Itália lotado. Libertadores, decisão por pênaltis. Zinho bate o primeiro, para fora. O Deportivo Cali bateu três pênaltis consecutivos e converteu todos. Mas errou os dois últimos. Palmeiras campeão!
  • Ainda em 1999; semi-final da Copa do Brasil. Palmeiras perdia por 2×0 para o Flamengo no Maracanã. No final do jogo consegue um gol achado; assim precisava vencer apenas por 2 gols de diferença no Palestra. Na segunda partida, metade do 2o tempo, o Flamengo ganha por 2×1 aos 35 minutos do 2o tempo. Galvão Bueno, narrando a partida, já dá o jogo por encerrado. O Palmeiras vira: 4×2 (nota; quem tiver o endereço dessa partida no Youtube passa prá nós).
  • Libertadores, 2000: Palmeiras e Corinthians fazem um grande jogo, quando o Corinthians vence a primeira partida com um gol “mandrake” de Vampeta. A imprensa alvinegra delira. Felipão entra em crise. Gravam sua conversa com os jogadores no treino seguinte. Felipão aos berros cobra empenho do time. “Como é que ninguem dá uma catarrada na cara desse Marcelinho? Como é que ninguém enfia o dedo ….. nele?”
    • O Palmeiras venceu a partida 2. Galeano é o herói. Pênaltis. Dida do outro lado era enorme. Tomou 5 gols em 5 chutes. Último pênalti, Marcelinho na cobrança: Marcos pegou!

São várias histórias. 270 minutos de jogos extras para vencer o Santos em 1959; invicto em 72 contra o São Paulo, isso só para ficar nas histórias de dentro de campo.

E qual a situação agora? dependemos da derrota dos adversários? Não! Dependemos de uma combinação de resultados? Não!! Dependemos da ajuda do Sobrenatural de Almeida? Não!!!

O Palmeiras – elenco, comissão técnica, diretoria e torcida – dependem de si mesmos. De mais ninguém. Tem 7 jogos para fazer. Em condições normais poderia contabilizar 7 vitórias. Não precisará de tanto. Basta vencer o adversário certo – Atlético MG  em casa na R37 – e ganhar os pontos necessários contra os demais adversários.

E quem é responsável por essa arrancada? Todos nós!! Repito, todos nós! Elenco, comissão técnica, diretoria e torcida. O Palmeirense precisa fazer uma corrente positiva. Precisa pensar no título não como algo que está escapando pelos dedos, mas como uma conquista que – se confirmada – será mais valorizada pelas dificuldades que estão se apresentando. Temos a oportunidade de fazermos uma arrancada épica! Goiás, Corinthians, Fluminense, Sport, Grêmio, Atlético MG, Botafogo. Deus do céu, quem tem medo do lobo mal? Qual desses times pode se impor ao Palmeiras? Com ou sem todos os titulares?

CONFIANÇA

Essa coisa de confiança está intimamente associada ao nosso modelo mental. No tênis, é comum grandes tenistas principalmente em partidas decisivas terem um problema de desconcentração e perderem games e sets importantes. Mas o verdadeiro campeão passa por esse processo e se recupera rapidamente. Vamos esperar que é exatamente isso que aconteceu com o Palmeiras. A desconcentração do campeão. A gordura perdida no momento certo. E vamos juntar todas as forças – emocionais, exotéricas, racionais – para empurrar esse elenco a um merecido título.

Ontem, sábado, vi vários palmeirenses de diferentes condição social vestindo a camisa. Agora cedo, domingo, em um evento perto de casa, conheci um garoto de 12 anos, palestrino, vestino nossa camisa azzurra. Seus ídolos? Marcos, Diego Souza e Love. Perguntei: vamos ser campeões? Vamos!

Nos últimos dias: Cocão, Pasqualini, Cunio e colunistas, amigos próximos, sabe o que passa na cabeça deles? Vamos ser campeões!! Esqueçam as últimas rodadas. Olhem prá frente. O campeonato começou agora, são sete jogos, e o Palmeiras larga com a vantagem de um ponto.

Cazzo! Isso é ser palmeirense.

Por isso conclamo: palmeirense vamos lotar o Palestra Itália na próxima quinta-feira. Vamos apoiar cada batalha desta corrida. Que seja vitória por 1×0, tomando bola na trave, com ou sem sufoco. Não me importa. Vamos faturar os 3 pontos e partir para o nosso maior rival (e freguesão em Brasileiros). Lá vamos buscar mais três pontos. E de três pontos em três pontos vamos construir a conquista mais importante do Palmeiras nesta década.

E que a imprensa, os adversários, a torcida alegre, que vão ao inferno. Aqui é Palmeiras!!

OFF TOPIC: SUPERAÇÃO

Por falar em superação, o leitor Sergio Mauro fez uma brilhante alusão do momento atual do Palmeiras ao automobilismo. Releiam!

Sérgio de Mauro
23/10/2009

Um corredor de F-1 tem 4s de vantagem sobre quem vem atrás, faltam 07 voltas para o fim da prova. Confortável, até, hein?
Aí o cara erra a troca de marcha, faz qualquer besteira, a vantagem cai para 1s. O que ele faz?
a) Fica com medo de perder a prova e erra mais ainda?
b) Fica com dó de si mesmo, lamentando o azar?
c) Pára nos boxes para discutir com a equipe o que aconteceu?
d) Promete para si mesmo e todo mundo que na próxima prova estará mais concentrado?
e)
Não pensa em nada (não tem tempo para isso), continua com o pé na
tábua, olhando para a frente e fechando a porta para o segundo colocado?

Assim lembrei de uma vitória de superação. De um piloto que era gênio nas pistas mas também passava pelos seus momentos de dificuldade, quando até a vitória que estava no papo corria perigo.

Leiam sobre a vitória de Ayrton Senna no GP Brasil de 1991 (a fonte é http://www.ayrtonsenna.kit.net/interlagos.html).

Senna
já era bicampeão mundial (1988 e 1990), e ainda não havia vencido em casa. A
vitória era um objetivo fixo do campeão. As Williams, pilotadas por Nigel
Mansell e Ricardo Patrese eram mais rápidas, impulsionadas pelos motores
Renault, que começavam a despontar como concorrentes sérios aos até então
imbatíveis Honda que equipavam a McLaren de Senna. A disputa pela pole
position foi um prenúncio do que seria a prova. Senna conseguiu a pole na
última volta, marcando 1m16s392, contra 1m16s775 de Patrese. A corrida
começou com Senna na liderança e Mansell em segundo. Os pit-stops seriam
determinantes. O da McLaren foi perfeito, assim como o da Williams. Mas
Mansell com um pneu avariado teve que fazer uma segunda parada, o que deu a
Senna alguns segundos de vantagem sobre Patrese, que assumiu a segunda
colocação. Neste momento, os problemas mecânicos começaram a aparecer no
carro do brasileiro. Primeiro
Senna perdeu a quarta marcha, tendo assim, que passar da terceira direto para
a quinta. Depois, nenhuma marcha funcionava sem que o piloto brasileiro
tivesse que segurar a alavanca de marchas para que ela permanecesse engatada.
Senna teve que segurar a alavanca de câmbio com a mão direita e pilotar com a
esquerda. Respirou fundo e aí rezou
“vai dar, vai dar”. Percorreu mais duas voltas e quando viu a placa
a notícia não era boa + 4-L3. Tinha perdido três segundos para Patresse. Com
isso Senna não olhou mas para a placa e desligou o radio.
Mas,
subitamente, a sete voltas do final, Senna  passou a perder sete segundos por volta, já
que nenhuma marcha mais entrava. O brasileiro, desesperado, tentou engatar a
sexta marcha e, por pura sorte, ela entrou. Foi aí que Senna percebeu que
teria que terminar o GP Brasil de 1991 com apenas uma marcha, a sexta,
enquanto a Williams de Patrese se aproximava velozmente. O italiano,
informado que Senna tinha problemas, tentou aproximar-se, mas seu carro
também não estava em condições ideais. Ele tirava de dois a três segundos por
volta, mas isso não era o suficiente para chegar em condições de ultrapassar
Senna. Faltando duas voltas para o final, começou a chover em Interlagos, o
que acabou decidindo a corrida. Patrese preferiu não se arriscar e tratou de
garantir o segundo lugar. Mas Senna não sabia disso, e, com um esforço
imenso, levou o carro à bandeirada de chegada. Após cruzar a linha final,
Senna permaneceu no carro, sem forças para sair. Depois, auxiliado, entrou em
um carro da organização e foi para os boxes. No pódio ficou evidente seu
esforço para obter a vitória. Ele mal conseguiu levantar a taça(FOTO),
precisando da ajuda de Ron Dennis, para delírio da torcida.

“Se esse era o preço de ganhar no Brasil, foi barato. Valeu”  Ayrton Senna

Do alto da minha insignificância vou repetir Ayrton Senna: se esse for o preço para o Palmeiras ganhar esse título, vai ser barato!

Vamos Palmeiras, vamos buscar esse título!!!

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