É hora dos dirigentes sérios fazerem alguma coisa


POR VICENTE CRISCIO

Chega! Não dá mais. Estão nos fazendo de palhaço. Torcedores, investidores do futebol, patrocinadores.

Chega! A hipocrisia e a cara lavada de alguns no futebol já ultrapassou qualquer limite aceitável.

Desta vez trata-se da não entrada em campo dos jogadores Renê e Val Baiano na partida São Paulo e Barueri.

Vocês conhecem a história: primeiro o São Paulo FC acerta a contratação de Fernandinho. No mesmo período do ano passado, quando o Palmeiras junto com a Traffic acertaram a vinda de Marquinhos para o clube, foi uma grita geral, inclusive do paladino da justiça esportiva – aquele mesmo – que colocava sob suspeita o jogo Palmeiras e Vitória (0x0, em Salvador).

Muito bem, Fernandinho – dizem – está machucado há algum tempo e não jogou a partida deste sábado (seria interessante confirmar desde quando ele está machucado). Depois veio a história da tal mala branca. Jogadores do Barueri receberam (ou receberiam) dinheiro do Cruzeiro (??) para vencerem o Flamengo. Val Baiano e Renê também foram afastados.

Curioso. Nenhuma mala branca é dirigida a um ou dois jogadores. É dirigida a um time. Então a questão que deve ser respondida é por que apenas Val Baiano e Renê foram tirados do jogo contra o São Paulo? Porque eles falaram? Pára!! Tira o tubo…

E o paladino da justiça – aquele mesmo – disse em sua coluna de hoje: Renê e Val Baiano não jogaram por serem “vítimas” da mala branca. Quando se trata de J. Hawilla, é trambicagem. Quando se trata de J. Juvêncio, os jogadores são vítimas. Entendi.

Ah sim, e antes do jogo São Paulo 1×0 Barueri acabar a mídia já veiculava que os dois podem retornar contra o Inter.

O Barueri perdeu por 1×0 mas finalizou 10 vezes. O São Paulo 8. E então: Val Baiano fez falta ou não?

E aí colorados, vão ficar calados?

QUAL O REAL PROBLEMA?

O time do SPFC – por competência ou “coincidência” – vem se fortalecendo há tempos nos poderes constituídos do futebol (mas não só eles, como veremos a seguir). O STJD está infestado de torcedores-juízes, torcedores-procuradores, torcedores-auditores. Quem frequenta o meio sabe disso.

Na arbitragem, o caso Madonna mostrou a ponta de um iceberg. Ninguém investigou. Abafa o caso.

Do lado do Quarto Poder, a imprensa paulista é adesista. Jornalisas mal pagos vivem de agradinhos. Depois reclamam que são ofendidos pela torcida palmeirense.

Se olharmos os dois principais periódicos da cidade então, teremos que chorar. De um lado os fundadores são tricolores. Do outro, a editoria esportiva, além de paupérrima, tem colunistas tendenciosos. O único jornal segmentado – Lance! – tem camarote no Morumbi e analisa os temas críticos com a profundidade de uma poça d’água.
Abafa o caso!

E só prá não ficar nisso: o dirigente esportivo – Marco Aurélio Cunha – tornou-se vereador nas últimas eleições. Qual a sua proposta para a cidade? Não sei. Mas no mínimo é muito estranho dirigente esportivo virar vereador em época de passar o chapéu ao poder
público para conseguir dinheiro do Estado em Estádio teoricamente privado.

QUAL A CONSEQUÊNCIA?

É isso aí que vemos na reta final dos campeonatos. Todo ano é a mesma coisa.
Na esfera jurídica, a mão pesada é sempre contra Palmeiras e outros clubes menos privilegiados. O STJD chamando jogador no Rio de Janeiro para prestar depoimento em lance às vezes nem punido com cartão. Já esquecemos quantas vezes Diego Souza e Kléber estiveram no tribunal em 2008? Ou já esquecemos que Valdívia foi arrancado dos jogos finais do Palmeiras em 2007?

Devemos reconhecer que essa mão pesada contra o Palmeiras diminuiu esse ano. Provavelmente muito mais por medo desses mesmos poderes em relação ao Presidente Luiz Gonzaga Belluzzo e seu bom trânsito em várias esferas de Governo.

Quem conhece o Prof. Belluzzo sabe que ele não é disso. Não leva vantagem sobre sua posição como economista e consultor. Fosse alguém com essa influência em outro time e aí sim estaríamos na lama.

O QUE EU SUGIRO?

A simples união dos principais dirigentes do futebol brasileiro e o isolamento do SPFC.

ISOLAMENTO! Isso mesmo.

Como?

Não se negocia, não se senta na mesa junto, não se respira o ar em que eles respirarem.

Eu por exemplo já não teria entrado em G4. Renunciaria às potenciais receitas – aliás, importantes para qualquer clube brasileiro – mas não me sentaria à mesa com dirigentes desse naipe.

Penso como o competentíssimo Andres Sanches, Presidente do Corinthians, nosso adversário hoje. Com eles, não tem conversa.

Claro, e lembrando o seguinte: houve invasão de campo na partida São Paulo x Inter, no Morumbi. A imprensa noticiou? Não!

Ano passado, o time campeão mudou o local do último jogo – contra o Goiás, do Serra Dourada em Goiânia para Brasília. Jogou como se estivesse em casa.

Pergunto novamente: e aí dirigentes de Palmeiras, Atlético, Inter, Flamengo. Vamos assistir passivamente nosso adversário pintar e bordar para levar mais um título?

Espero que não.

ENTÃO DIZ AÍ!

Mas, claro, pode ser que eu esteja à beira de um ataque de nervos por conta do Derby. TPD, Tensão Pré Derby.

Ou pode ser que eu seja um alucinado, com síndrome de perseguição. Será que está tudo bem? Será que estou (estamos) errados?

Deixe sua opinião. A catarse – desde que com respeito às pessoas – é permitida. Da mesma forma que a discordância.

Bom domingo. Saudações Alviverdes!

A OPINIÃO DO CRISCIO é a coluna dominical do 3VV.
Substitui a antiga série Planejo Logo Existo e tem o objetivo de trazer
sempre um tema que provoque a reflexão do amigo do 3VV principalmente
sobre futebol; mas não ficará só nisso.

Sempre assinada por V. Criscio: ex-consultor, ex-marketeiro, ex-blá blá blá,
e atualmente … deixa prá lá. SEMPRE palmeirense e editor do 3VV. 

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