OPINIÃO DO CRISCIO: esclarecimentos gerais

POR VICENTE CRISCIO

Sem ressentimentos: satisfazendo a curiosidade de alguns, saí da Diretoria de Planejamento da SE Palmeiras por dois motivos:

1. acho que torna-se muito difícil acumular o papel de Diretor do Palmeiras com um blog www.3vv.com.br – que tem uma relevância muito grande com a comunidade de torcedores do Palmeiras. Esse papel traz – às vezes involuntariamente – constrangimentos para o Presidente, para a Diretoria e também para mim.

2. por diversos motivos, nos últimos meses eu me sentia pouco produtivo na Diretoria, com pouca capacidade de ajudar nos temas que eu julgava mais importantes.

Ou seja, pelo constrangimento do blog, amplificado pela pouca capacidade de influenciar os temas mais relevantes do clube, julguei que não fazia mais sentido essa caminhada.

Lembrando o seguinte: entrei como sócio em 2002, dezembro (não foi coincidência). Conheci Belluzzo, Cipullo e Seraphim em 2003. Ajudei em campanhas e ações políticas nos anos de 2003, 2004, 2005 e 2006. Em 2007 me juntei ao grupo, mas informalmente (não tinha cargo). Fiz parte do grupo que viabilizou o Setor Visa, que trabalhou no projeto Arena, que trouxe a Suvinil, que organizou as principais concorrências dos últimos dois anos – contratos de operação de ingressos no Palestra (Outplan), site e loja virtual (ESM) e fornecimento de material esportivo (Adidas).

Ou seja, não caí de para-quedas no cargo.

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Há grandes palmeirenses na Diretoria. O Professor Belluzzo expressa a síntese de quase todos eles. Culto, financeiramente independente, apaixonado, de pensamento moderno e ao mesmo tempo experiente. O homem certo, para o lugar certo. Apesar das lambanças dos últimos tempos.

Há outro palmeirense lá dentro que tenho profundo respeito. Chama-se Gilberto Cipullo. Um advogado de sucesso, palestrino apaixonado e que dedica ao Palmeiras boa parte do tempo em que deveria estar trabalhando. Apesar da minha discordância dos rumos do fuebol nos últimos tempos, é disparado o que mais entende sobre a estrutura do futebol.

Há outros. Cito diretamente Marcelo Fonseca, Rogério Dezembro e Valeriano Vicari, dos quais me tornei amigo. Mas há outros, muitos outros.

Mas também há os “malas”… fazer o quê?

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Sobre o problema do sócio-torcedor: não saí da Diretoria por conta desse pequeno problema. Saí também por causa disso.

Como falei no início, aqui no blog nos últimos três anos temos causado alguns constrangimentos. Recentemente publicamos algo sobre um vice-presidente que estaria trabalhando contra o Belluzzo (ou contra Cipullo?, já não sei mais…); depois fizemos críticas mais duras à Diretoria de Futebol; anteriormente fizemos críticas a José Cyrillo (o titular da Diretoria de Planejamento) e o “grande Zé” soube ler a crítica de maneira adulta e construtiva.

E justiça seja feita, nem Belluzzo, nem Cipullo, jamais, em tempo algum, fizeram alguma crítica ou censura ao 3VV ou ao seu conteúdo. Jamais! E isso deve-se à altura moral e ética destes dois dirigentes.

Agora, quando a coisa bate no “middle management”, aí a coisa é diferente.

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Mas ainda sobre o sócio-torcedor, tenho um pensamento muito simplista. O programa chama-se “sócio-torcedor” correto? Ele não é chamado de “sócio-colaborador”, “sócio-ajudador”, “sócio-investidor-em-jogador”.

Logo ele tem que priorizar aquilo que o torcedor quer. O torcedor apaixonado precisa ser recompensado pela: frequência com que vai aos estádios, “recência” com que se relaciona com a marca (ou seja, quem se relacionou mais recentemente deve ser priorizado) e pelo valor que ele gasta com o clube.

A recompensa básica, que está na base da pirâmide das necessidades do torcedor, está no binômio prioridade-desconto na compra de ingresso. Tudo a partir daí é perfumaria. Ou poderia ser tratado como diferencial competitivo.

O que o clube ganha? capital de giro (ou seja, antecipa a grana do ingresso). Mas não é só isso.

Um programa bem feito pode trazer ganhos muito maiores. Um deles, quase intangível, é a capacidade que o clube terá de acompanhar o ciclo de vida desse torcedor. Por exemplo, olhando ao longo do tempo eu vou perceber que o palestrino Rodrigo Peres, que acabou de casar, terá filhos. Então eu tentarei monetizar a relação com o Rodrigo. Vendendo produtos ligados ao exato ciclo de vida em que o Rodrigo se encontra.

Ou ainda: eu poderia oferecer a um grupo de sócios que apresentam maiores propensões a gastar mais que comprem um ticket diferenciado para assistir ao jogo do Palmeiras no La Bombonera. Poderia aí sim termos pacotes com assento no avião, hotel, ingressos. Seria uma oferta exclusiva, dirigida aos palmeirenses do programa que apresentam alta frequência de “consumo” da marca Palmeiras, que fizeram isso mais recentemente e que são os que mais gastam em ingressos e produtos do clube.

Eles ganham, e o Palmeiras ganha.

Mas seguramente há outras, muitas outras. Basta pensar naquele palmeirense que está fora de São Paulo ou mesmo fora do Brasil.

E mais recentemente há a demanda de que o torcedor que se associa quer influenciar a vida política do clube. Pleito mais que natural. Mas só aí teríamos tema para mais uma coluna.

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Mas tem que haver uma conta econômica. O clube não pode perder. Então tem que fazer a seguinte conta. Qual o ponto de equilíbrio entre custo do programa e “renúncia” de receita por conta dos descontos? Aí sim é necessário uma calculadora “científica” (na verdade o pessoal usa mais a HP-12C para esse fim) para se chegar numa conta ganha-ganha.

E há que se pensar que o estádio tem capacidade limitada (hoje, 27 mil lugares, em 2011, 45 mil).


Sempre tendo em perspectiva que o Programa pode gerar outras receitas. Muitas outras…

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E prá encerrar, o torcedor precisa ser justo. Não pode condenar o Marketing se um programa foi lançado errado, se tem um conceito diferente do que era esperado e se apresenta problemas operacionais que devem ser ajustados.

Olhando em retrospectiva o Marketing palmeirense apresentou nos últimos anos mais acertos do que erros. Mas costumo dizer para as equipem que eu lidero: mais importante do que errar e acertar é termos a atitude certa quando erramos e somos criticados por isso.

Aí eu acho que o Marketing se machucou…

Saudações Alviverdes!

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