OPINIÃO DO CRISCIO: o dilema de Tostines

POR VICENTE CRISCIO
COLABOROU JOSÉ LUIS TORRES JR. 


Em um dos drops desta semana do 3VV falávamos do número de jogadores contratados pelo Palmeiras entre 2007 e 2009. O levantamento foi feito pelo palestrino José Luis Torres Jr. Pedi ao amigo Torres que fizesse um levantamento de outros clubes brasileiros, para sabermos se as mais de 50 contratações feitas neste período tinham algum paralelo com os principais competidores do Verdão.

Antes de continuar vale a pena relembrar o seguinte: não estamos aqui condenando os jogadores nem mudando nossa percepção por conta da virtual perda do título brasileiro. Nosso objetivo aqui é discutir o tema mais quente da semana – temos elenco ou não – e sabermos se o processo de identificação de talentos é adequado ou não.

Pois bem, evoluindo, o Torres apontou o seguinte número de contratados pelos principais clubes brasileiros, de 2007 até o final de 2009 (aqui não contamos jogadores contratados para time B ou o aproveitamento de atletas das categorias de base).


Pois bem, Torres Junior me lembra que a análise deve ser não apenas quantitativa, mas também qualitativa. Ele cita: 

“Mais do que uma análise quantitativa, vale uma qualitativa, especialmente no caso de Inter e Cruzeiro, que vem contratando muitas revelações (John do Náutico, Bambam do Fortaleza, Talles do Guarani) para o time B e empréstimos (Javier Reina, colombiano destaque no sulamericano sub 17 de 2 anos atrás), respectivamente [ … ]. Na quantitativa, apresentam números similares ao Palmeiras. Porém, vale lembrar que o Inter teve o centenário em 2008, que trouxe maiores investimentos, e um ano desastroso em 2007, com muita rotatividade de elenco.”

E Junior continua: “Como está claro, os bambis são os que menos contratam, lógico que a relação é de duas vias. Com os seguidos títulos brasileiros e menor pressão sobre os jogadores, há menor necessidade de reformulação. Porém, também devemos considerar que a maior efetividade que pode ser a responsável pelo baixa rotatividade.”


Dilema de Tostines: vende mais porque é fresquinho, é fresquinho porque vende mais. Qualquer semelhança com fresquinho é mera coincidência…


Mas em frente. Flamengo e Corinthians caracterizam-se como a antítese. O Corinthians caiu para a série B e teve que remontar um elenco. Entrou em 2009 e conseguiu um título Paulista (onde o Palmeiras tinha o favoritismo) e a Copa do Brasil (que não mede muito bem a competência técnica ou de planejamento dos times).


O Flamengo é uma aberração que deu certo. Com Andrade assumindo no meio do campeonato, tinha tudo para disputar uma vaga na Libertadores. Quando teve chances de ganhar o título, contou com a ajuda nos bastidores e cresceu. Na verdade não é o Flamengo que merece (e provavelmente será) campeão: os outros times foram incompetentes para vencer esse título.


E ENTÃO?


A conclusão é que times com estrutura de futebol um pouco mais equilibrada – leiam, SPFC – conseguem contratar menos e aproveitar melhor os jogadores das categorias de base. Times caóticos – Flamengo e Corinthians, este último principalmente pelo final da gestão Duailib – são os que mais contratam.


O Palmeiras? Apesar do discurso, as movimentações de jogadores parecem ser mais oportunistas do que planejadas. Mozart, Edmílson, Roque Junior, Robert, Gladstone, Jeci, Preá, P. Henrique e tantos outros, parece que vieram não porque alguém observou por um longo tempo e decidiu que traria esse talento, mas sim porque tiveram uma “oportunidade” ou tinham que repor alguma peça.


Sistemas de inteligência para busca de jogadores (como aquele que a Traffic tem e já citado por nós em outros artigos), bancos de dados exaustivos de atletas, e profissionais espalhados pelo Brasil olhando jogadores e alimentando esse sistema de informações são apenas poucos exemplos do que deve ser feito por um clube como o Palmeiras.


Aí está a questão: nos parece que o modelo que deveria ter sido implantado em 2007 e amadurecido ao longo dos anos seguintes, não vingou. Ou então deu errado…


MAS MUDANDO DE ASSUNTO… OU NEM TANTO…


Vale a pena a leitura da entrevista do Gerente de Futebol Toninho Cecílio ao site ge.net, ao jornalista Marcelo Belpiede (http://www.gazetaesportiva.net/nota/2009/11/21/610606.html).


Na entrevista Cecílio deixa a entender que o Palmeiras não tem a obrigação de ir à Libertadores: “Nós queremos sempre o título. Se não conseguimos é porque temos adversários de qualidade. Aí pensamos no melhor depois do título, que é a Libertadores. De qualquer forma, obrigação mesmo é fazer o melhor possível em campo”.


Com todo respeito que tenho a Cecílio, insisto num tema já abordado no 3VV por mim, por Tredinnick e outros colunistas: o Palmeiras tem sim a obrigação de jogar a Libertadores. Nenhum time grande brasileiro pode se dar ao luxo de ficar de fora do torneio continental. Quem pensa diferente disso, não entende a importância das receitas da competição ou não quer a responsabilidade deste objetivo.


Mas claro, como sempre digo, tudo isso é mera opinião deste indignado e inconformado palestrino. Posso estar errado, posso estar certo. Mas a bola está com você: estamos no caminho certo quando se trata de planejamento de elenco?


Saudações Alviverdes!

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