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Futebol com Números

Categorias de Base: utopia ou mentira?

Pois é amigos, é difícil pensar em um tema interessante sabendo que no próximo domingo podemos contrariar as probabilidades e sermos campeões, mas enfim…

Semana passada vimos que entre os grandes clubes brasileiros, o clube que menos contratou, trouxe 11 novos jogadores por ano para o time: ou seja, um time inteiro.  Então, cabe a pergunta: essa história de categorias de base é utopia ou mentira?

Em uma resposta simples: utopia!

Não estou dizendo que elas não são importantes!  São! E muito!  Acontece apenas que elas estão longe de ser a solução para os problemas dos clubes ou suficientes para montar times campeões! 

QUAL A REAL IMPORTÂNCIA PARA O CLUBE DAS CATEGORIAS DE BASE?

Possivelmente, as categorias de base são a forma mais eficiente de se garantir receitas para os clubes.  Os grandes clubes investem oficialmente até R$ 9 milhões por ano em todas as categorias de base. Ou seja, com a venda de um bom jogador das categorias de base pode-se garantir todos os custos das categorias de base por quatro ou cinco anos. 

Cá entre nós, me parece difícil que com um trabalho sério, não se consiga revelar um bom jogador a cada quatro anos.

Outros fatores também podem entrar em consideração, como a identificação do jogador com o clube e com a torcida, a menor influência dos empresários (ainda que hoje eles já infestaram as categorias de base), etc.

Ainda que o Palmeiras não tenha exatamente tradição em revelar jogadores com consistência, se pensarmos um pouco, nos últimos anos temos vários nomes surgidos das categorias de base: Wilsinho (o fujão), Dayvid (o outro fujão), Maurício, Souza, Lovinho, etc.  Vocês se lembram de mais alguns nomes?

E POR QUE NÃO É SUFICIENTE?

Pensem um pouco, depois do Santos de Robinho e Diego que surgiu em 2002, quando existiu uma geração inteira suficiente para fazer um time campeão?   Se alguém se lembra, me avisa, pois eu não consegui lembrar de nenhum. 

Existem duas vertentes distintas que ajudam a explicar porque os times campeões acabam sendo times compostos na sua maioria por jogadores que não vieram da base!

Uma é estatística! Dado o número de times de futebol que existe por aí, no Brasil e no Exterior (no nosso caso, mais os países da América do Sul), que são provavelmente centenas, a possibilidade de um time revelar um jogador melhor do que o seu é muito grande.  Imagine o Palmeiras contra cem clubes no Brasil e América do Sul, qual vocês acham que é a possibilidade de UM desses times ter ao menos UM jogador melhor do que o do Palmeiras?

A outra vertente, acreditem se quiser, tem a ver com profissionalismo e tecnologia!  Vou explorar mais o assunto no próximo post, mas basta dizer que o desenvolvimento dos dois itens ajudou a mobilidade dos jogadores e facilitou tremendamente encontrar bons jogadores. (não que dizer que seja fácil contratar esses jogadores, que dizer apenas que é fácil encontrá-los).

ENTÃO?

Então, quer dizer que o Palmeiras tem que investir de duas maneiras distintas:

Primeiro: ter boas categorias de base que revelem jogadores e que consigam gerar uns quatro ou cinco titulares (e também gerem bons lucros para o clube).

Segundo: ter uma rede de “olheiros” e contatos eficiente e bem desenvolvida, que garanta ao clube acesso às principais revelações do futebol do Brasil e do exterior, preferencialmente a um preço acessível.

Não há outra solução, ter times campeões, implica necessariamente em revelar talentos e contar com jogadores formados em outros clubes!  Ou alguém acha que é possível, de forma consistente, montar equipes campeãs apenas  com jogadores da base?

Saudações Alvi-Verdes

 

Luís Fernando Tredinnick escreve às sextas-feiras no 3VV explicando a quem conhece, e a quem não conhece, os números do futebol

12 respostas em “Categorias de Base: utopia ou mentira?”

Ou seja, temos que melhorar MUITO as nossas categorias de Base!!

Luís Fernando;…

o palmeiras esta abrindo (ou criando parcerias) com clubes pequenos de futebol..

aqui na minha cidade um pequeno clube de futebol esta a 1 mes com uma placa dizendo que e uma escolinha oficial do Palmeiras..

foi criado algo assim?

Tenho a impressão de que a venda de jogadores da base não é capaz nem de sustentar todo o processo, magina então se daria lucro.

A grande vantagem, aparentemente, é diminuir a necessidade de contratações. Portanto, diminuir o número de negociações. Enfim, diminuir o gasto em leilões e aí sim gerar alguma economia. Sem contar que salario de jogador da base, teoricamente é mais baixo do que de jogador bom contratado de outro clube.

E… nos ultimos tempos, o PALMEIRAS parece ter revelado varios jogadores médios, principalmente que atuam na defesa. Na sua lista não estão Glauber (q sabe la Deus como foi parar no Manchester City) e Thiago Gomes (ou outro Thiago, nem lembro mais).

Excelente tema Tredinnick, eu sou ” do contra”, sempre fui a favor do fim das categorias de base no Palmeiras… Infelizmente tal categoria com rarissima exceção, produziu algo com a cara Palmeiras… Garotos que só usaram o clube para construir uma carreira ou simplesmente sobreviver no mundo do futebol… Fracassos e mais fracassos nas competições envolvendo tais ”atletas”… Com uma boa equipe de olheiros leais, o Palmeiras olheria pelo interior Paulista anulamente uma dezenas de boas promessas, faria contratos longos, emprestaria por um ano a times de medio porte, se fossem grandes jogadores viriam para o Verdão, se não fossem, o Palmeiras perderia muito pouco…
Abraço

O Palmeiras esta atrasado no que diz respeito ao aproveitamento de incentivos do governo federal para adequar as nossas categorias de base.
Tenho certeza que agora estamos no caminho certo, porque entendo que a base é de suma importância para a sustenção da equipe principal.
Luiz Fernando, vc esta correto quando fala destas duas frentes, ter boas categorias de base e uma rede de olheiros, pra mim a base é tudo, é a matéria prima de uma equipe de futebol.
Saiu uma matéria no JT de hoje mostrando a grana que alguns clubes brasileiros ganharam com a venda de jogadores.

Fábrica de jogadores

Estudo da Crowe Horwath RCS revela que o Inter foi o clube que mais exportou jogadores entre 2003 e 2008, com arrecadação de R$ 155,5 milhões. Ainda na lista: São Paulo (R$ 140,2 mi), Cruzeiro (R$ 116,6 mi) e Santos (R$ 96,3 mi).

Tredinnick, realmente essas são as duas frentes. de trabalho para encontro dos talentos.

Abraço.

E o Arsenal e o Ajax?
Esses clubes investem e revelam muitos jogadores nas categorias de base…

Cunio os filhotes tem que algo mais……hoje é assim…..

Tredinnick, artigo perfeito para quebrar paradigmas. As categorias de base são importantíssimas, mas com o elevado profissionalismo e competição acirrada hoje em dia, é difícil manter até os filhotes no ninho.

Bom, penso que no caso dos times brasileiros e de muitos outros, o fato do time profissional não ser composto por jogadores da categoria de base,é pq essas não são muito bem “preparadas”. O novo projeto que o Palmeiras está fazendo com as categorias de base é muito interessante, e acredito que será um grande avanço. Mas também há a falta de “confiança”, pq muitos bons jogadores da base são vendidos pro exterior e somem por lá.

Dentre essas razões que você desmontrou, Luis, se um jogador que fosse formado pela base, os custos não seriam menores? Por exemplo, não se ganharia com a venda de jogador, mas também não se gastaria com a compra do mesmo. Se não me engano, esse assunto já foi tratado aqui na sua coluna, onde uma das maiores rendas de um clube de futebol é a venda dos jogadores. Mas isso seria positivo? Não teríamos vantagens econômicas com a formação de jogadores da categoria de base, jogando no profissional do mesmo clube?

Eu tenho uma concepção de que as categorias de base deveriam ser o futuro do time profissional. Pois o atleta que foi formado nesse clube, sabe do peso da camisa e está acostumado com tudo o que se passa no clube. Mas, como diz o título do texto, é uma utopia. Mas sonhar não faz mal né, rsrs. Acredito que um longo trabalho muito próximo e muito bem feito pode mudar esse rumo.

quem disse que futebol de base é sério no Brasil….nunca foi…..eu quando garoto joguei um campeonato da SEME e fui convidado pra fazer teste na Lusa…pois bem fui 4 quintas-feira nem do portão passei…o técnico se chamava Kiko depois o ví na TV como técnico do Aspirante,aquelas partidas antes dos clássicos…..hoje então deve ser pior com tanta grana no futebol…………….jogo a mais de 20 anos na várzea da zona sul região de santo amaro nunca ví um olheiro por aqui………….

Nem o Barcelona, que usa muito bem suas categorias de base, consegue montar um time só com moleques. Ao menos metade do time vem de fora.
Por outro lado, o Barcelona é o melhor exemplo de como as categorias de base são importantes. O fato de possuir metade do jogadores titulares vindos da base faz com que o clube precise contratar menos jogadores, porém com alta qualidade.
Com relação ao Palmeiras, acho que o maior problema são os treinadores. Talvez até saibam ensinar tática aos moleques, mas acho que falta qualidade na hora de decidir se esses têm ou não futuro no futebol. Acho que esse julgamento deveria ser feito por craques antigos do clube e não pelos treinadores. Essa seleção mais “criteriosa” também faria com que os olheiros tivessem que trabalhar mais no garimpo de novos talentos. O Palmeiras não pode deixar que jogadores sem o mínimo de qualidade cheguem ao time profissional, como vem acontecendo.

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