OPINIÃO DO CRISCIO: hora de definir

POR VICENTE CRISCIO

A semana palmeirense foi marcada por um extenso e doloroso processo de lamber as feridas. E enquanto o torcedor apaixonado se remoía e tentava explicar aos filhos porque perdemos o título mais ganho dos últimos tempos, outros que se denominam “grandes palmeirenses” brigavam nos bastidores pelo poder e atrapalhavam o processo de decisão.

Anunciou-se o pedido de demissão do vice-presidente Gilberto Cipullo. Informações internas e da própria mídia davam conta de que o motivo era incompatibilidade com o treinador Muricy Ramalho. Cipullo retrocedeu e surgiu nos bastidores que Dorival Junior estava negociado.

Na paralela Paulo Serdan, ex-Mancha Verde, anunciava o apoio ao filho de um vice da atual Diretoria para ser Presidente do Palmeiras. Independente se as eleições acontecerem daqui a um ano e mesmo se o potencial candidato tem os requisitos estatutários exigidos.

Enquanto isso a turma de Mustafá Contursi continua agitando. Um pediu pela internet o IMPEACHEMENT (assim mesmo, com E) do Presidente Belluzzo.

Nesse ínterim, Corinthians e São Paulo anunciavam reforços e o Santos elegia um novo Presidente acabando com a era Marcelo Teixeira.

Mas um fato novo surgiu no horizonte e deixou o palmeirense mais otimista com o futuro imediato: Jota Hawilla, o Presidente da Traffic, veio a público e se posicionou. Falou que queria Muricy no comando do time e exigiu uma estrutura profissional para cuidar do futebol. E prometeu apoio.

A BOA NOTÍCIA

Se tudo isso que está acima procede (e deve ser isso mesmo) a boa notícia é que o principal investidor e mentor do fundo que prioriza investimentos no Palmeiras (e que é muito palmeirense, diga-se de passagem) deu um virtual “tapa na mesa” quase que exigindo com suas palavras que todos se entendessem.

Isso deve apressar uma decisão. E nesse momento, uma decisão, mesmo que ruim, ainda é melhor que uma “não decisão”.

A MÁ NOTÍCIA

A má notícia é que me parece que não haverá mudança de mentalidade com a manutenção da atual estrutura do futebol, ainda que parte dela. O grande problema do Palmeiras nos últimos anos têm sido uma péssima estratégia e execução para formação dos elencos, ao mesmo tempo que Toninho Cecílio (se MIlly Lacombe estiver certa) foi nesse período menos Gerente de Futebol e mais uma “ferramenta” para Vanderlei Luxemburgo saber o que se passava nos vestiários quando ele, digamos, estava ausente cuidado de assuntos mais importantes; para ele, claro.

A OPORTUNIDADE

O Palmeiras jogará quatro campeonatos em 2010. Uma Copa do Brasil em que, para chegar a uma semi-final, precisará passar um time da chave do Botafogo carioca. Para chegar na final terá que superar apenas o vencedor das chaves de Atlético MG e Santos. Ou seja, a Copa do Brasil é algo prá lá de possível.

Além disso, um título na Copa do Brasil daria tranquilidade para o time disputar um Sul-Americano e reeditar 1998, quando o Palmeiras venceu a mesma Copa do Brasil e a Mercoul.

Dois títulos desse naipe, mesmo sem vencer o Brasileirão 2010, dariam a remissão ao torcedor palmeirense. E um embalo para 2011, tanto na esfera esportiva quanto na política.

O RISCO

Continuar nessa situação, sem fazer nem desocupar a moita. Manter Cecílio, que defendia que a Libertadores não era obrigação; e provavelmente defenderá que chegar numa final da Copa do Brasil também não seja. Manter Muricy (atitude correta) mas não dar o devido suporte que o treinador precisa (aparentemente exatamente o que ocorreu na reta final desse Brasileiro).

Nesse show de horrores teremos um dos postulantes da oposição (declarada ou escondida nas costas do Presidente) se realinhando com Mustafá Contursi e seu grupo. E alguém deles assumindo o comando do clube.

Aí meus caros, podem esquecer. Teremos 2011 e 2012 (e se o know how do ex-Presidente prevalecer, 2013 e 2014) onde o Palmeiras atingirá o fundo do poço, pior do 2002.

A não ser que surja uma terceira via. Dá prá apostar nisso? 

O QUE FAZER?

Rapidamente: o Presidente precisa decidir e implementar a decisão. Qualquer que seja a decisão é melhor que não decidir. E ele é o Presidente e está no pleno direito de tomá-la.

Em seguida preparar um time forte e competitivo que dispute para ganhar tudo em 2010. E não apenas no discurso. Precisa colocar na mesa os planos de contratações e fazê-las acontecer.

Ainda: aproveitar que está no último ano de seu mandato e que não será candidato à reeleição e quebrar os pratos com “supostos” aliados mas que atiram facas pelas costas. Chute a todos de lado. Traga os que querem o bem do Palmeiras e têm competência para isso. Nomes existem. É só todas as partes deixarem a vaidade de lado.

Estruturar o departamento de futebol com profissionais do ramo, que combinem com a história de sucesso do Palmeiras. Exigir resultados mensuráveis e cobrar esses resultados ao longo da temporada.

E dar uma banana para a política do clube.

Não há mais tempo a perder. Se fizer isso e tiver sorte, saíremos mais fortes no final de 2010.

Se não fizer isso, eu não quero nem pensar…

De acordo? Ou estou exagerando?

Deixe sua opinião.

Saudações Alviverdes!

Esclarecimento: as fontes de informação para este post foram extraídas da mídia na
última semana. Algum nível de checagem e confirmação foi feito. Os fatos publicados
permitiram a formação da opinião aqui expressada.

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