OPINIÃO DO CRISCIO: mudanças já

POR VICENTE CRISCIO

Estes caracteres mal digitados são escritos na manhã deste domingo. Logo não sabemos (ainda) o resultado final da R38. Mas com a vergonhosa atitude da diretoria do Grêmio – o time pode ser grande mas a atitude é de cabeça provinciana – em mandar apenas 3 jogadores titulares, inclusive tirando o excelente goleiro Victor da partida, o Flamengo deve se sagrar campeão brasileiro de 2009 (assim mesmo, com letras minúsculas).

Ah, e ia já esquecendo; se o Grêmio vai jogar hoje com time reserva facilitando as coisas ao Flamengo, o que diremos do “co-irmão” Corinthians e do badalado Ronalducho, que saiu mancando depois de sentir as caspas do joelho?

Ok, mas voltando ao tema: despeito meu? estou com dor de cotovelo pelo Palmeiras ter perdido um título mais do que ganho? estou “p” da vida porque faltou comando e foco aos jogadores? estou revoltado porque faltou elenco para suprir as ausências de Cleiton, Diego, Ramos e Pierre? estou ainda com insônia por conta da perda de pontos para Sport, Santo André, Avaí, Náutico e Fluminense?

Os meus amigos rubronegros podem dizer que sim. Mas nunca na história deste país um campeonato de pontos corridos foi parar em mãos tão erradas. O Flamengo é a antítese da gestão do futebol. Há anos se arrasta como um moribundo à procura de salvação da sua milionária dívida, não tem um centro de treinamento decente (perguntem ao Obina qual a fauna que prevalece na Gávea), usa do favor da CBF para treinar na Granja Comari, não tem estádio, e se beneficia de um STJD anacrônico, parcial, de torcedores com poder de dirigir o destino das partidas.

Seria mais justo que o campeão fosse o Internacional, que investiu em jogadores para vencer o torneio e tem um dos melhores modelos de administração do futebol do país. Mas errou em insistir muito tempo com Tite – que não tinha apoio de parte da Diretoria e nem mesmo da torcida.

Seria mais justo o Palmeiras, que se preparou para ser campeão mas demorou para tirar de cena um técnico egocêntrico e que pensa mais em seus negócios, ao mesmo tempo que apresenta uma estrutura de comando no futebol frágil, que não sabe contratar e sem história vencedora (a instabilidade na reta final, com jogadores se estapeando dentro de campo se deve a quem?).

Ou talvez – cuidado, amigo, não vá socar a tela do seu computador pensando em me atingir; uma placa de lcd custa caro – até mesmo o time do Jd. Leonor mereceria mais que o Flamengo, pois é um time que montou um elenco há três anos, trocou o treinador rapidamente quando viu que seu modelo não funcionava mais internamente, e tem o segundo melhor trabalho de bastidores do Brasil (perde apenas para o Flamengo, imbatível com a ajuda da Globo Futebol Clube e dos assessores de imprensa G. Bueno e Arnaldo Rabbit).

Mas o que fazer? Vamos conviver com o Flamengo campeão. Mas cuidado: nenhuma diretoria ou treinador mandaria os jogadores do Grêmio perderem em campo. E histórias de Maracanazo estão cheias por aí.

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Outro cuidado: não vamos matar a vaca por causa dos carrapatos que existem nela. Dizer que é mais justo um campeonato de mata-mata porque evitaria que cabeças provincianas entreguem o jogo é fazer o jogo da vênus platinada, que além de ter o seu queridinho campeão vai empurrar um modelo de campeonato que só interessa a ela.

O problema está na [ falta de ] moral do futebol brasileiro e seus principais interlocutores, que acham divertido, “uma questão de cultura”, ou até mesmo natural na última rodada um time grande do futebol brasileiro vir ao Maracanã sem os titulares.

Em um modelo de futebol sério, que respeita o torcedor, o investidor e os patrocinadores, o Grêmio, o Barueri, e eu me atreveria a dizer até o Corinthians, seriam punidos com severidade por conta dessa palhaçada que aprontaram na reta final.

Ou seja, não vamos matar a vaca por causa dos carrapatos que existem nela. Vamos dar remédio para ela. Mudanças já, na estrutura do futebol brasileiro.

Mas como fazer isso se as cabeças ainda são as mesmas?

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Mudando de assunto, mas não muito: por falar em mudanças já, o Santos FC mudou de Presidente. Saiu Marcelo Teixeira e entrou Luiz Álvaro de Oliveira. Marcelo Teixeira foi Presidente do Santos de 1999 a 2009.

Uma espécie de “déspota esclarecido” Teixeira agia como dono do clube. Dizem que colocou dinheiro do bolso (e ainda não foi totalmente restituído) e permaneceu mais de 10 anos no poder apesar das críticas dos oposicionistas. Na sua gestão o Santos foi Campeão Brasileiro e Paulista, e mais importante, investiu em categorias de base, infra-estrutura (CT Rei Pelé) e profissionalização das áreas mais importantes do futebol.

Bem diferente de outros déspostas, que mandaram “seus” clubes para a 2a Divisão do futebol brasileiro, não investiram na infra-estrutura do clube (talvez na infra pessoal, mas isso não se consegue provar) e permearam “seus” clubes com um legado tenebroso: uma “elite” de sanguessugas que ainda estão por aí, seja do lado de lá, seja do lado de cá.

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É isso aí: vamos torcer neste domingo para que pelo menos alguém lá em cima lembre que a ética é algo para prevalescer, mesmo que seja no tema mais importante dentre as coisas menos importantes, que é o futebol.

Bom domingo!
Saudações Alviverdes!

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