OPINIÃO DO CRISCIO: você está otimista?

POR VICENTE CRISCIO

Palmeirense amigo: você está otimista com relação ao desempenho do nosso time para 2010? Responda a enquete ao lado.

Mas sugiro responder antes de ler essa opinião. E se você estiver otimista, recomendo nem mesmo ler o texto abaixo.

A função do 3VV chega a ser contraditória. Sua missão principal, razão de existir, era promover debates para que o Palmeiras pudesse retornar rapidamente ao posto de um dos grandes clubes do continente. Mas ao mesmo tempo, o 3VV defende de forma obsessiva a nossa tradição, nossa grandeza construída pelos Cervo, Giuliano, Delfino, e tantos outros. Aqui buscamos humildemente ajudar na valorização da nossa palestrinidade. Para isso que este espaço foi criado. Mas ultimamente cumprir essa segunda parte da missão, está difícil.

O 3VV foi criado em janeiro de 2007.

E três anos depois, infelizmente não avançamos no nosso (do Palmeiras, claro) principal “negócio”, na nossa principal razão de existir: o FUTEBOL.

Chego a dizer que este final de ano – onde damos espaço para nossas reflexões do ano que passou e reenergizamos nossas esperanças para o novo ciclo que virá – só não é mais deprimente do que o foi dezembro de 2002. Naquela época, bem lembra o palmeirense, um presidente inominável e seu bando conseguiram nos dar a nossa maior vergonha. E isso é incomparável no tempo e no espaço.

Mas resgatando aqui onde minha memória alcança, e volto no tempo nos últimos 17 anos, acho que esse é o final de ano onde o palmeirense tem menos esperança do que todos os outros – exceto claro por 2002. Por quê? Vejamos…

  • 1992, o Palmeiras estava saindo dos anos de chumbo, onde não ganhou absolutamente nada. 
    • O time que perdia o título paulista para o SPFC era César, Mazinho, Toninho (o Cecilio), Edinho Baiano e Dida; César Sampaio, Daniel Frasson (Maurílio), Cuca (Carlinhos) e Jean Carlo; Evair e Zinho.
    • Mas 1993 já era um sinal de esperança, pois tínhamos a tal Parmalat e as camisas listradas verde claro que nos enchia de esperança;
  • Final de 93 e 94, é covardia comentar: bi-campeão paulista e brasileiro;
  • 1995 fizemos alguns fiascos, perdemos uma final para o Corinthians no Paulistão e fomos desclassificados da Libertadores, mas mostrando um coração enorme num Palestra que pulsava na vitória por 5×1 contra o Grêmio;
  • 1996, um dos melhores times que já tivemos, nas mãos de Luxemburgo. Fomos campeões Paulista, mas perdemos um título da Copa do Brasil de forma amadora: o atacante Muller tinha contrato até dias antes da final. Terminou o contrato e foi jogar no outro lado do muro;
  • 1997, vice-campeão brasileiro e Felipão se preparando para ganhar o título mais importante de nossa história;
  • 1998, fomos campeões da Copa do Brasil e da Mercosul, e já avisávamos a todos que o ano seguinte seria de muita emoção;
  • 1999, vitória heróica contra Flamengo pela Copa do Brasil, e não fosse a incompetência de um certo ex-Presidente seríamos campeões deste torneio e do Paulista (roubados), o que daria mais brilho à Libertadores;
    • terminamos o ano perdendo para o Manchester e perdendo o bi da Mercosul, mas o palmeirense estava orgulhoso do seu time;
  • 2000, roubados nas semi-finais contra o Boca mas tínhamos assegurado nossa passagem à Libertadores; a Parmalat avisava que sairia, mas tínhamos caixa e a aura vencedora novamente; nada nos abateria;
  • 2001, um sinal de alerta; novamente roubados na Libertadores, apesar dos avisos de Felipão, e o técnico se encheu da incompetência e leniência daquele que nunca deveria ter sentado na cadeira de Presidente; foi embora. Mesmo assim, o Palmeirense olhava para 2002 e não era pessimista;
  • 2002 o desastre que conhecemos, sem precedentes;
  • 2003, com a vitória na Série B, projetávamos o renascimento para o ano seguinte;
  • 2004, fomos para a Libertadores e se aquele que me recuso a dizer o nome tivesse permitido, seríamos campeões brasileiro; mas projetávamos um 2005 mais promissor;
  • 2005, sob uma “nova-velha” direção, a dupla Della Monica-Palaia tenta resgatar a auto-estima do palmeirense. Faz contratações, leva o time à Libertadores num jogo emocionante contra o Fluminese no Palestra (4×2, eu estava lá); mesmo com o título do Corinthians (daquele jeito) o palmeirense vestia sua camisa com orgulho no Natal;
  • 2006, deu tudo errado: perdemos a Libertadores novamente de forma pífia; e quase caímos para a Série B;
    • mas tínhamos um chileno conhecido como El Mago no banco de reservas e em dezembro Belluzzo, Seraphim e Cipullo foram chamados para compor a aliança da eleição presidencial do início de 2007;
    • Cipullo receberia o Departamento de Futebol e Belluzzo seria o Diretor de Planejamento. Esperanças renovadas;
  • 2007, montamos um novo time – a crítica era que Palaia havia contratado mal e caro – mas não ganhamos nenhum título; ainda tivemos uma eliminação da Libertadores na última rodada jogando em casa; mas o final do ano tínhamos muitos anúncios e promessas.
    • no Depto. de Futebol um Gerente Profissional (Toninho Cecílio) havia assumido o lugar de Ilton da Costa (ex-árbitro);
    • o futebol profissional integrou as categorias de base e prometia uma nova vida a este importante departamento;
    • mas tínhamos mais: Arena, Traffic, Luxemburgo. Dizíamos: agora ninguém nos segura!
  • 2008, montamos um novo time e um título paulista. Parece que estávamos certos, tínhamos renascido; e quase levamos o título de campeão brasileiro – o time assumiu a liderança quase na metade do 2o turno;
    • mas “problemas internos” nos fez perder o título. Quase perdemos também a vaga na Libertadores; mas nossos adversários perderam mais do que nós na última rodada;
    • mas a grande esperança: Belluzzo seria candidato a Presidente em aliança com Della Monica;
  • 2009, iniciamos sem contratações mas com perspectiva de trazer Keirrison. O K9 chegou e virou ídolo e artilheiro; Belluzzo foi eleito Presidente; promessas de renovações não só na Diretoria, mas na mentalidade.
    • K9 foi vendido;
    • trouxemos Mozart, Edmílson e Obina na bacia das almas;
    • fomos eliminados pelo Nacional de Montevideu na Libertadores;
    • eliminados em casa pelo Santos no Paulistão;
    • mandamos embora Luxemburgo pelos motivos certos mas dando as explicações erradas. E com atraso! Tentamos Muricy mas não veio;
    • Jorginho assumiu e ia bem;
    • quando ninguém mais esperava, veio Muricy.
    • num esforço digno de nota, nossa Diretoria e Presidência bancaram a permanência de todo o elenco. Além disso trouxeram Vagner Love para o ataque;
    • o time liderou por 19 rodadas mas na reta final perdeu o título. Uns dizem que o culpado é Muricy, outros dizem que não tínhamos elenco. Outros atribuem à Gerência de Futebol, que não foi capaz de manter o grupo coeso e focado no título. Alguns, até um pouco mais maldosos, atribuem à incapacidade dessa gerência em demonstrar um perfil vencedor.

Mas sem conjecturas ou maldades, vamos aos fatos: o triênio de 2007, 2008 e 2009 tem em comum apenas o fato de que a Diretoria e Gerência de futebol eram as mesmas. No período, mais de 50 jogadores contratados. Além de algumas pérolas que vieram e foram (Mozart foi um deles; Henrique, lateral, que nem jogou; Thiago “Iraty” Cunha; e outros).

Esses fatos excitaram a oposição com cheiro de bolor além de outros da situação, que querem o cargo de Cipullo.

De fato, a Diretoria de Futebol não pode se eximir da responsabilidade (nem ela, nem o técnico, nem a comissão e nem os jogadores. Mas a Diretoria ficou com a maior parcela de culpa e foi massacrada pela torcida. Torcida mais que organizada na hora de “tocaiar” jogador.

Além disso, jogadores se estapearam no intervalo na frente das câmeras e quase repetiram a cena lamentável no Engenhão na última rodada. Sinal de que nem o técnico – que todo mundo sabia não é de paparicar jogador – e nem o Gerente de Futebol tinham comando no elenco.

O Presidente – cumprindo suspensão imposta por declarações contra o STJD e o (péssimo, para não usar outro adjetivo) árbitro Simon – virou astro do Youtube numa festa da quadra da escola de samba organizada. Foi flagrado falando aquilo que todo palmeirense fala (palmeirense, corintiano, santista e outros) mas que não combina com seu cargo e sua história. Ao lado dele, o Vice-Presidente (cujo filho lidera um grupo político que quer derrubar o Diretor de Futebol e alguns dias depois entrariam na concentração para dar “palestra motivacional” aos jogadores) e o ex-Presidente da Mancha Alviverde, que já espancou um técnico das categorias de base.

Na reta final do campeonato além do Palmeiras peder os pontos importantes para o título, perdeu a cabeça.

A crise política veio e – dizem – foi abafada, mas não foi embora. Muitos queriam a vaga de Diretor de Futebol. No final Cipullo foi mantido com toda a sua estrutura inalterada. Mas prometeram mais um Gerente de Futebol remunerado, aparentemente por imposição da Traffic.

Difícil entender: se a avaliação de Cecílio foi boa, por que mais um? Ou a avaliação não é positiva? Se é negativa, está ainda lá prá quê?

Enfim, segue a vida. As contratações – que deveriam ser planejadas em meados de 2009 e
executadas durante o 2o semestre – não aconteceram. Até o parceiro –
que não é só nosso, visto que todos os grandes clubes têm jogadores da
Traffic – vem na TV e fala que tá difícil colocar bons jogadores no
Verdão.

Terminamos 2009 perdendo Muriqui (ainda bem), prometendo Kléber mas com
o risco de perder Love. Falaram em Valdívia – que em tese estava
acertado – mas voltam depois e dizem que é muito difícil tirá-lo dos
árabes (mas até onde sabemos ninguém tomou um avião e foi lá perguntar ao Sheik se dá
negócio ou não).

Falaram em Marquinhos, do Avaí, mas também não veio. Thiago Humberto, excelente meia do Barueri, já está acertado com o Internacional. Esse nem comentaram. Falaram ainda em Leandro Euzébio, bom zagueiro do Goiás. Mas até agora, sem notícias. Macnelly Torres também foi ventilado. Até agora, nada!

Alguns diretores próximos ao futebol quase imploraram para buscar Henrique, no banco de um time espanhol. Disseram que era impossível, porque o Barcelona não o liberaria. No globoesporte.com de hoje o Corinthians continua insistindo. Se Henrique vier para o time da Marginal sem Número, será o presente digno de INIMIGO oculto para nossa torcida. 

Na prática, para 2010, contrataram apenas Léo, zagueiro do Grêmio, que vem em função de uma dívida com o clube gaucho. E Rodrigo, zagueiro do SPFC, é pretendido.

Jumar já foi. Parece que Ortigoza também vai, além de S. Silva, Marquinhos. Williams é pretendido pelo Flamengo, que também quer Love, que quer sair por conta da agressão sofrida. Mas também porque ainda tem esperança de ir para a Copa e quer jogar a Libertadores pelo Flamengo. Se Love for para lá ele sabe que o Galvão, ops, quer dizer Dunga, vai convocá-lo pelo menos para um amistoso.

Com tudo isso, pergunto ao meu caro amigo palestrino, que acompanha esse blog há tempos (ou não) e que sabe que queremos única e exclusivamente o bem do Palmeiras: tem condições de ficar otimista para 2010?

Espero na última coluna do ano estar mais otimista.

Saudações Alviverdes!
E votos de um Natal de muita luz, paz e saúde para todos aqueles que você ama.
Pois isso é o que mais importa!
Mas fiquem juntos. Nós não descansamos por aqui.

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