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Para ver se o tempo passa

POR
JOTA CHRISTIANINI

Tá chegando o fim de ano. Espero
que chegue logo e assim como não tivemos 2009, quem sabe haja 2010.

Para chegar logo o fim do ano
vamos prosear e recordar.

O Palestra era nitidamente
preterido pela imprensa pelo incômodo que representavam aqueles italianinhos
infiltrando-se nos esportes, nas indústrias, na sociedade.

 No primeiro quarto do
século,  os jogadores do Palestra eram chamados na imprensa, pelo apelido
ou pelo primeiro nome, isso quando a escalação palestrina era escrita. Muitas
das vezes só o adversário tinha o nome e sobrenome dos seus jogadores
anunciados.

Como cita o professor Campos
Arruda no Livro IMIGRAÇÃO – O CASO PALESTRA ITALIA,  em 1917
enfrentavam-se Palestra e Mackenzie.

O Palestra não teve seu time
anunciado e disputava a liderança do campeonato, enquanto o  Mackenzie
teve o time todo escalado pelo jornal O Estado de S. Paulo, mesmo estando na
lanterna do certame.

Mais do que palavras
reproduzimos ipsis literis o mesmo
jornal , quando o Palestra enfiou 5×1 no Corinthians,  na Fazendinha.

Lembramos que o leal adversário
costumava ser menosprezado também, mas nada se comparava aos italianinhos do
Palestra. Após uma goleada histórica leiam o comentário do jornal no
primeiro jogo do campeonato paulista de 1933

 Publicada por OESP em 9/537.
Os acréscimos estão sublinhados e são meus.

Vencido pelo Palestra Itália por 5 a 1:

“Contudo, a acção da linha de
avantes salvou o

club do Parque São Jorge de um
fracasso maior.”

Ou seja, o time apanha de 5×1 e o seu ataque é elogiado.

“Notámos porém uma falha:
morosidade e insegurança nos momentos que requeriam acção rápida. Por isso,
pouca foram as vezes que o excelletente guardião do Palestra teve que intervir (…)”

“O seu êxito [ do Palestra ] se deve mais aos remates
freqüentes da linha de avantes (…)”

 Ora bolas! O ataque é para chutar  a gol, o
que esperavam dos atacantes? Que  dançassem uma valsa
?

“remates de acções individuais,
porque os ataques foram, em sua maioria, pessimamente finalizados, conseqüência,
aliás da ausência de uma efficaz actuação de conjunto.”

5×1 num Derby no campo adversário e o ataque não foi eficaz!

 —

Percebe-se que o Palestra já era
preterido, teve que impor-se pela vontade de vencer e por ter vencido. Nada
mudou até os tempos atuais. Precisamos fazer muito mais que os outros e errar
muito menos.

Para desanuviar, mas ainda
dentro da forma de tratamento que se dá aos não escolhidos para serem
elogiados, lembro de um jogador que passou pelo Palmeiras  em 1963, Paulo
Leão. No começo dos anos 60 jogava pelo Guarani, mas era severamente criticado
pelo jornalista campineiro Paulo Rosky, já falecido.

Um tarde Paulo Leão ficou no
banco e  entrou no segundo tempo diante do Taubaté. Fez 5 gols em pouco
mais de 30 minutos. Toda torcida esperou  comentário de Rosky e ele veio
na medida.

“Paulo Leão, fez cinco gols
e nada mais, nota 2.”

Fechando, e com chave de ouro,
ouçam o comentário final de Armando Pamplona, como ele referia-se aos atacantes
num jogo internacional de 10 gols,  logo após o jogo Paulistas 6 x
Bolonha 4, em 1929 (a marcação de 1934 no titulo da gravação esta errada).

 Narração de Futebol pela PRA-E Educadora de Sao Paulo com Armando Pamplona – 1934

 Jota Christianini

Imagem: Gol de Romeu nos 5×1
contra o Corinthians em 1933

4 respostas em “Para ver se o tempo passa”

Boa J!
Imprença sempre contra a SEP né! Nojento isso!
Que povo mais ‘retógrado’ ! hehe

É brincadeira como estes caras nos odiavam e ainda continua tudo igual…
Mas é justamente por este sentimento que cada vez mais amo o Palmeiras e sua gente guereira que nunca entrega os pontos.

AVANTI PALESTRA!!

Acho que a última vez que o Palmeiras foi tratado com respeito (e olha lá) pela imprensa, foi quando tinha a Parmalat como parceira. Graças aos milhões gastos em propaganda, a imprensa tomava mais cuidado ao criticar o Palmeiras para não magoar a parceira. Depois disso – e é lógico que a administração de um certo ex-presidente contribuiu para que acontecesse -, voltamos a ser tratados como escória.

“6×4 e o jogo deixou a desejar…
ataques mal organizados.”.

uahuahau…” cada uma… e isso existe ate hj..
e tem torcedor que ainda cai nisso ate hj…

Otimo Jota…

abracos

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