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Retrospectiva 2/4 – segundo trimestre

O mês de Abril prometia para o palmeirense. Semi-finais do Paulistão 2009, onde lutaríamos pelo bi-campeonato. E a Libertadores.

Nesta a situação era dramática. Seriam 4 jogos com intervalo de uma semana entre cada um. Dois em casa e dois fora. E a necessidade de pelo menos 3 vitórias e um empate.

O primeiro desafio era o Sport Recife, na Ilha do Retiro, no dia 8 de abril. Em um esquema envolvendo grande aparato logístico e a interferência direta do Presidente L. G. Belluzzo, o Palmeiras chegou a Recife na mais alta segurança. O Palmeiras chegou e venceu o Sport e encheu o palestrino de orgulho e satisfação (veja o post do pós jogo no 3VV).

Essa partida nos deixou extremamente otimistas com a classificação para a próxima fase da competição. Afinal, bastariam mais duas vitórias em casa (contra Sport e LDU) e chegaríamos no Chile na rodada final talvez precisando apenas de um empate.

Mas na semana seguinte, frustração. O empate inesperado em casa contra o Sport nos deixou novamente com uma pulga do tamanho de um porco atrás da orelha: esse time vai passar dessa fase?

Uma vitória boa contra a LDU na semana seguinte e uma combinação de resultados deu o veredito: só a vitória nos interessava na última rodada da fase de grupos. Seria no dia 29 de abril a partida contra o Colo Colo, em Santiago do Chile.

Teve de tudo! Bola na trave, gols perdidos, chute de Williams com grande defesa do goleiro já nos minutos finais. E quando tudo parecia que terminaria em 0x0, Cleiton Xavier disparou um “petardo” de fora da área. No ângulo.

O vídeo no youtube reflete bem nossa emoção:

Mas abril também teve más notícias. No campeonato paulista, após uma campanha em que o Palmeiras terminou na liderança do turno, fomos derrotados pelo Santos duas vezes (2×1 na Vila e no Palestra). Em casa, após uma expulsão injusta, Diego Souza “passa o rodo” no zagueiro Domingos. E assim o Palmeiras dava adeus ao sonho do bi-campeonato.

Mas abril nos proporcionaria ainda mais uma surpresa. Com as contusões de Sandro Silva e Edmílson, o Palmeiras anunciou dia 25 de abril a contratação do volante Mozart, quehavia rescindido um mês antes seu contrato com o Spartak de Moscou.

Dizia assim Toninho Cecílio, publicado no globoesporte.com .

“É um atleta que vem para compor em uma posição
que perdemos dois: Sandro Silva e Edmílson por três meses. Isso
nos causou preocupação no setor e entendemos que o Mozart, com
experiência de nove anos de Europa, vai ajudar muito. Ele também
defendeu a seleção brasileira sub-23 na época em que o Vanderlei
(Luxemburgo) era o treinador.”

Mas estávamos interessados na Libertadores. E maio começaria com a partida Palmeiras e Sport (dia 5) no Palestra Itália.

E foi nesse Palestra mais uma vez lotado que o Verdão fez 1×0 no Sport. Mas poderia ter feito mais, o que daria a tranquilidade necessária para jogarmos na Ilha do Retiro sem pressão.

Enquanto isso, por conta da gripe aviária, os times do México (país com alta incidência de contaminados) saíam da competição e deixavam aberto o caminho para o SPFC e o Nacional de Montevidéu.

O Palmeiras no dia 12 de maio voltou a campo contra o Sport. E tínhamos o jogo caminhando no 0x0. No 2o tempo Luxemburgo resolveu fazer aquelas mudanças que deixavam o Palmeirense mais preocupado do que otimista. Keirrison e colocou Ortigoza. Tirou Diego Souza e colocou Williams. E tirou Souza e colocou Mozart. Claro, Luxa esqueceu que poderíamos ter uma disputa em pênaltis.

Na primeira bola de Mozart ele entrou no tornozelo do jogador do Sport. Amarelo.

Na segunda bola de Mozart ele tirou o pé, pois tomaria o vermelho. Nessa jogada o Sport fez seu gol. 0x1.

Tivemos ainda lances de sufoco. Marcos, que já salvara o Palmeiras em outros lances da partida, ainda teve tempo de mais um milagre. Fim de jogo, decisão por cobrança na marca de pênalti.

Talvez o leitor do 3VV não saiba, mas Luxemburgo não treinava pênaltis. Dizia que isso era besteira, porque na hora da decisão o jogador ficaria nervoso então não adiantaria o treino.

Foi nessa disputa que ele perguntou a Marcos se o Santo bateria um pênalti. Nosso goleiro disse: “professor, eu pego pênaltis, eu não bato”.

Pediu ainda a Armero bater. O colombiano bateu, e bem. Foi o primeiro gol pênalti convertido na carreira do atleta, que nunca tinha batido penais antes.

Mas nessas horas vemos como ter Marcos é mais do que um privilégio. Com três defesas nosso Santo nos garantiu nas quartas de final. Contra o Nacional, que se classificou sem jogar.

Nesse ínterim o Campeonato Brasileiro começava. O Palmeiras estreava contra o Coritiba no Palestra no dia 9 de maio com uma vitória de 2×1. Mas vacilava nas três partidas seguintes: no Beira-Rio contra o Internacional e seu time de reservas (0x2), depois empate no Palestra Itália num jogo muito feio (0x0) e depois um empate contra o Barueri em 2×2 quando o time vencia por 2×0.

A situação de Luxemburgo não era boa com a torcida que não perdoava a perda do título paulista, que achava que o desempenho do time era aquém do esperado, e acima de tudo não aceitava o bate-boca público que o treinador promovia.

A situação não era confortável para ele.

VOLTANDO À LIBERTADORES

Na fase seguinte o Palmeiras jogaria em casa contra o Naciona (dia 28 de maio) e três semanas depois faria a volta em Montevidéu.

Com dificuldades no ataque, três dias antes da primeira partida o Palmeiras surpreende e contrata Obina, do Flamengo. Diz a lenda que Alberto Cunio, colunista do 3VV, ligou para um ex-Diretor do clube e perguntou da forma mais direta: “fulano, diz que é mentira vai!”.

Não era. Obina, que estava encostado no Flamengo e acima do peso, viria para resolver o problema do ataque (Keirrison já dava mostras que não teria longa vida e Luxemburgo não aproveitava Ortigoza).

E veio o tão esperado jogo. Com 24.700 pagantes no Palestra e renda de quase, R$ 1,3 milhão o Palmeiras começou o jogo. E menos de 15 minutos Luxemburgo faz duas substituições: saiu Capixaba e entrou Marquinhos. E, pasmem, saiu Williams e entrou Obina.

Obina era um capítulo à parte. Jogador humilde, corria pela bola como corria pelo prato de comida. Logo caiu nas graças do torcedor. Mas convenhamos, num jogo decisivo fazer duas substituições com menos de 15 minutos, parecia algo fora do normal.

Não para nosso treinador.

Mas aos 10 minutos do 2o tempo Diego Souza explodiu a torcida. Palmeiras 1×0. E poderíamos ter feito mais. Até Keirrison criava chances.

Mas o treinador preferiu a defesa ao ataque, contrariando a sua história. E colocou Jumar no lugar de Keirrison. E o Nacional empatou numa jogada mais que besta aos 35 minutos do 2o tempo.

O Palmeiras deixava escapar a chance da vitória. E o palmeirense sofreria com aquela situação mais três semanas, quando teria o jogo da volta.

Junho começou com o Palmeiras vencendo o Vitória com um gol de Danilo aos 45 minutos do 2o tempo (2×1). Depois uma boa vitória sobre o Cruzeiro no Palestra, 3×1.

E lá ia o Palmeiras no dia 17 de junho levando a esperança de 14 milhões de corações para Montevidéu. Empate em 0x0 era do Nacional. Empate em 1×1 levava jogo para os pênaltis. Qualquer vitória do Verdão ou empate com dois gols ou mais era nosso.

Não deu! O Palmeiras correu, os jogadores tentaram, e a bola do jogo esteve na cabeça de Obina, em cruzamento de Ortigoza. Todos gritaram gol. Mas a bola foi fora.

O sonho da Libertadores acabava aí.

VOLTANDO AO BRASILEIRO

Luxemburgo continuava sendo criticado, principalmente por ter deixado escapar a chance de vitória contra o Nacional no Palestra Itália. Mas a Diretoria de Futebol e o Presidente Belluzzo se mantinham irredutíveis. Não demitiriam o técnico.

No SPFC, a Libertadores acabaria um dia depois, dia 18 de junho, com uma derrota para o Cruzeiro por 2×0 em pleno Morumbi. Dia 19, sexta-feira, Muricy Ramalho já não era mais o técnico.

Restava ao palmeirense agora apenas o Campeonato Brasileiro para salvar o ano. Apenas 6 rodadas tinham passado, e o Palmeiras era o 3o colocado, com 11 pontos ganhos, três a menos de Atlético MG e Internacional.

Dia 21 de junho o Palmeiras vai a Curitiba e – garfado – consegue um empate contra o Atlético PR.

Dia 26 de junho a surpresa: Keirrison era vendido ao Barcelona e não jogaria mais no Palmeiras. No meio de muita especulação sobre a sua saída o jogador foi comercializado com o clube catalão por R$ 44 milhões (relembre do caso no UOL Esporte).

Mas o palmeirense ficaria mais espantado ainda quando da sexta-feira para o sábado amanhece com a notícia de que Luxemburgo tinha sido demitido. A versão oficial: “quebra de hierarquia”.

A tal quebra de hierarquia seria pelo comentário de que o jogador Keirrison, que tinha ido um dia antes fechar contrato com o Barcelona na Espanha, não jogadria mais no Palmeiras.

Essa história poucos “compraram”. Abafa o caso!

No domingo, dia 28 de junho, o técnico das categorias de base Jorginho comanda o time no empate de 1×1 com o Santos.

E se o palmeirense achava que o trimestre de abril a junho tinha sido emocionante, não imaginava o que estava por vir.

Saudações Alviverdes!

3 respostas em “Retrospectiva 2/4 – segundo trimestre”

Acho que essa foi a melhor parte do ano: eu fui ao Palestra o/

Resumo do trimestre: a derrocada de Keirrison e Luxemburgo.

Péssimo início de Brasileiro – pouco lembrado por poucos que afirmam que ele seria campeão com esse time -, eliminação vergonhosa na Libertadores para um time MUITO fraco (ele teve uma semana pra treinar o time antes do primeiro jogo e entrou errado, pois admite isso alterando 2 jogadores com 15 minutos de jogo e mesmo assim viu o time fazer 1 x 0 e, para completar a mostra da sua covardia, sacou um centroavante para colocar um volante – atuando em casa, jogando melhor e vencendo o jogo!!!!) e duas derrotas lamentáveis para o Santos, em jogos nos quais não jogamos absolutamente nada. Quem não lembra porque Luxemburgo foi mandado embora, espero que passe por esse texto para refrescar a memória.

Keirrison, já louco pra sair devido ao seu início arrasador por aqui, não queria mais nada com nada e tava se lixando pro Palmeiras. Pelo menos foi essa a impressão que esse moleque passou.

O segundo pior trimestre do ano, só perdendo para o último!

Nunca fui contrário à contratação do Obina, muito pelo contrário. Ele foi defendido até pela Coluna em sua homenagem que o chamava de Zumbi do Palmeiras. Para mim, quem afundou o Palmeiras neste segundo trimestre, eliminando nosso time dos dois campeonatos, tem um nome: Keirrison. Que se fosse bom como acha estaria ao lado de Messi levantando a taça lá em Abu Dabi. Mas ele esqueceu que é só o Keirrison…

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