Small Talk e uma proposta de pauta para 2010

POR VICENTE CRISCIO

SMALL TALK !

É uma expressão da língua ínglesa que significa “conversa informal”, ou “papo de menor valor”.

Foi dito por um grande amigo numa mesa de um bar da Vila Magdalena, sábado retrasado. Estávamos na mesa em quatro palmeirenses ainda inconformados com o passado recente e projetando 2010. “Conca ou Valdívia?”. “Por que não fomos atrás de Henrique?”. “Libera o Love pro Flamengo?”. “Culpa da torcida ou do jogador, que já negou o Palmeiras no passado?”.

E esse palestrino, que em 1993 estava em Londres e ouviu a prorrogação da final do Paulista pelo telefone, em época que a internet ainda engatinhava, disse entre vários copos de chopp: Small Talk.

Olhamos para ele esperando a continuação…

Ele não nos decepcionou: “Conversa fiada Vicente. Qualquer mudança de mentalidade começa na mudança do modelo de gestão”.

E emendou: “Por que apenas 300 conselheiros devem definir os destinos do Palmeiras, que tem 14 milhões de torcedores? Por que sócios – que podem chegar a 3 mil – votam para esse mesmo conselho se 90% deles devem morar nas imediações da Turiassu e, – de acordo com o data3VV – 30 % deles nem palmeirenses são?”,

O modelo está errado! O modelo de gestão. Um Presidente refém de conselheiros e sócios, dos quais muitos conhecem bem as piscinas ou a quadra de bocha, mas não conhecem a sala de trofeus.

Enquanto isso víamos na TV do bar chamado São Cristovão, gols do Arsenal pela Premier League. E o amigo palestrino fuzilava:

“Meu modelo é aquele” apontando para o estádio lotado do time inglês.

Entre mais uma pedida de chopp e o olhar triste deste colunista para o último pastel na mesa, a discussão derivava se o modelo inglês era melhor que o modelo do Barcelona. Ou seja, modelo de capital aberto e 100% profissional dos times da Liga Inglesa versus o modelo igualmente profissional mas com Presidente eleito pelos mais de 100 mil sócios do clube catalão. O mesmo clube que minutos antes tinha vencido o Mundial sobre o Estudiantes com 9 jogadores saídos das suas categorias de base.

Small talk! Conversa fiada. Love não merece a discussão do palestrino tanto quanto não merece a camisa que vestiu sem muita honra neste segundo semestre. Da mesma forma que os mais de 100 diretores – muitos deles nomeador por Belluzzo e ao mesmo tempo infieis ao seu direcionamento – não merecem a carteirinha tão desejada de “Diretor”. 

A pauta para 2010 deve ser mais do que política. Deve ser de modelo de gestão. Mais do que discutir se o vice-presidente quer a cadeira de Cipullo ou se o filho de sei lá quem tem competência para ser Presidente de um clube sem ter sido gestor de algum negócio minimamente comparável ao Palmeiras.

A pauta para 2010 precisa subir de nível. Passa pela escolha do Presidente pelo voto dos sócios – ainda é o processo menos perverso para nós, apesar de boa parte destes mesmos sócios não serem nem mesmo palmeirenses. Passa por abandonarmos essa herança maldita de que conselheiro que teve pai, tio ou avô ilustre no passado é competente para qualquer cargo do Palmeiras. Isso é pensamento provinciano.

A pauta para 2010 passa por um projeto de governo do novo Presidente que não apenas priorize a transformação das estruturas de poder do clube – carcomidas por interesses mesquinhos ou muitas vezes por interesses honestos mas com pessoas sem capacidade para o cargo – priorizando a competência e o profissionalismo e separando claramente o futebol – negócio, “business”, mas também paixão, amor, 14 milhões de clientes cativos e loucos para consumirem novamente um produto vencedor.

A pauta para 2010 passa pela separação de verdade do futebol em relação ao clube. Com um executivo remunerado e com metas claras de desenvolvimento esportivo e com orçamento sustentável. Passa pela escolha de um comitê de gestão – uma mesa de conselheiros ou do inglês “board management” – com pessoas competentes e sem interesses mesquinhos para serem de fato os “conselheiros” do “Palmeiras Futebol”. E não 300. Nem 30! Com Governança (isso mesmo, com G maiúsculo).

Sugiro 8, no máximo 10, com pessoas de mercado, com gente experiente e competente para o cargo, e com um – não mais do que isso – representante dos tais 300 conselheiros. Claro, e que esses 8 a 10 conselheiros sejam reconhecidamente palmeirenses. E não com os amigos dos amigos, e nem com vice-presidente que tem os votos do pessoal da hidroginástica.

Depois de largo debate, concordei com o amigo. Esse modelo não seria a salvação de 2010, talvez nem 2011, mas seguramente seria o novo processo de renascimento. Da mesma forma que renascemos em 1942.

E todos na mesa concordamos: se por um milagre isso fosse possível já em 2010, o palmeirense saberia esperar um, talvez dois anos sem título. Seria o preço a se pagar para termos novamente a instituição no lugar dos grandes clubes de futebol do Mundo.

***

E 2010? Bem, no curto prazo a pauta é simples de se definir, complexa para se executar. O Presidente Belluzzo tem que brigar com os inimigos internos – o pedido de impedimento pelo estouro do orçamento – e lutar ao lado dos amigos leais – são poucos, mas existem.

Deverá se manter no poder mas às custas de muita dor de cabeça. E com isso terá que esquecer o futebol e deixar nas mãos de Cipullo.

Esse tem a obrigação de concluir seu quadriênio à frente do futebol com uma campanha vitoriosa. Não tem escolha. Terá que montar um time para entrar em campo daqui a 20 dias pelo Campeonato Paulista. E ter esse time começando a se entrosar daqui a mais ou menos 45 dias, quando enfrenta o Flamengo do Piauí pela Copa do Brasil.

Metas? Alguns não gostam disso lá dentro, mas eu sugiro pelo menos dois objetivos claros: o título da Copa do Brasil e da Sul-Americana. O Palmeiras, com um time razoavelmente bem montado, é favorito aos dois. Na Copa do Brasil terá apenas o Grêmio – tradicionalmente copeiro – como adversário. Na Sul Americana, se tiver sorte, fará uma final contra Boca ou River, e poderá ofuscar inclusive o brilho da Libertadores – o que seria mais impactante: uma final Palmeiars x River ou uma final LDU x Estudiantes?

Seria nossa remissão por conta de 2009.

Mas quase escuto as palavras do palestrino: “small talks Vicente… nosso projeto tem que ser de longo prazo”.

Será! Mas sonhar não custa, e se um ano novo está chegando, não custa nada a gente ter sonhos.

Palmeirense amigo, que nos acompanhou nesse 2009 com muito carinho, com alegria, mas também com algumas frustrações. Em nome do 3VV agradeço a paciência de todos vocês com nossos erros (sempre maiores do que queríamos) e também acertos (menos do que planejamos, tenham certeza). E pedimos desculpas pelos momentos em que perdemos a cabeça e escrevemos com o fígado. 

Bom final de ano e principalmente um excelente 2010. Com saúde, paz, e sucesso, no campo pessoal e profissional. E que o Verdão seja AQUELE Verdão, para nos dar AQUELE 2010.

Mas antes disso deixe aqui sua opinião: é possível um modelo de gestão como o projetado acima no longo prazo? e no curto prazo, podemos esperar títulos em 2010?

Não custa sonhar… e torcer!

Saudações Alviverdes, e fiquem conosco na nossa
programação especial semana que vem.
E AQUELE 2010!

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