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Você manda o Recado

A dor da decepção

Por Danilo Tezoto

Para todo Palmeirense que se preze, o simples fato de passar por uma das ruas que cercam o Parque Antártica faz com que o coração bata acima do normal. Pelo menos isso é o que deveria acontecer.

Os que moram em São Paulo e tem a benção de Deus para poder ir a todos (ou em grande parte) dos jogos do Palmeiras talvez não vão entender o que as linhas abaixo pretendem expressar.

Moro na cidade de Salto, interior do estado de São Paulo, aproximadamente 110 quilômetros do Palestra Itália. Devido a algumas dificuldades, dentre elas o fato de não ter um carro próprio e ter um pai santista, não tenho a oportunidade de ir ao estádio do Palmeiras muitas vezes.

Talvez, até por isso, sinto que a paixão que o torcedor do interior tem pelo Palmeiras é diferente do sentimento que os mais próximos demonstram.

Para nós “caipiras” (sem o interior São Paulo estaria morta), ir até o Palestra Itália é algo parecido com a peregrinação feita pelo caminho de Santiago de Compostela. A viagem é repleta de aventura e misticismo. A cada minuto que passa o coração bate mais forte, a ansiedade aumenta e, quando avistamos as torres da antiga cerâmica dos Matarazzo os batimentos cardíacos são dignos de uma pessoa a beira de um ataque cardíaco.

Como não temos a felicidade de ir a todas as partidas, a sensação acima descrita se repete a cada novo jogo ou a cada passagem pela região do estádio, mesmo em dias sem jogo.

Mas, logo após a derrota para o botafogo e a concretização de uma das maiores tristezas do palmeirense nos últimos anos, algo mudou.

Devido a compromissos particulares, tive de ir até São Paulo na semana pós-vexame. Cheguei, resolvi o que tinha de fazer, voltei para a Barra Funda, comprei minha passagem de volta e, enquanto esperava para tomar o caminho de volta percebi uma coisa que me deixou muito chateado. Havia chegado a São Paulo, passado muito próximo do Palestra Itália e nem tinha notado.

Fiquei triste ao perceber isso. Que um bando de jogadores sem dignidade e competência para vestir a camisa da Sociedade Esportiva Palmeiras foi capaz de fazer com que, ao menos por um instante, o sentimento ímpar que eu e mais 14 milhões de torcedores temos pelo clube foi diminuído.

Já dentro do ônibus, saindo da Barra Funda, no caminho de volta para casa, ao passar pelas ruas que dão visão à entrada e às torres de iluminação do estádio olhei bem e pensei. Nenhum jogador pode causar tamanha decepção a ponto de diminuir a paixão pelo Palmeiras.

Por tudo isso todo Palmeirense tem que acreditar. A dor causada pela decepção em 2009 foi grande, mas, o nosso amor é infinitamente maior que isso.

Vai Palmeiras. Minha vida é você.

Por Danilo Tezoto

9 respostas em “A dor da decepção”

Danilo, antes de mais nada, parabéns pelo texto, cheio de emoção e realismo.
Sou paulistano, nascido na Bela Vista, criado na Barra Funda e filho de pai italiano. Ou seja, não cuspi no meu sobrenome e só poderia ser PALMEIRENSE ATÉ A MORTE.
A sua declaração do que é ser palmeirense e morar longe do Palestra é o que imaginei quando tive propostas quase concretas para sair de São Paulo ou do Brasil. Uma vez passei um mês no exterior, justamente no ano em que estávamos na segundona e fomos goleados pelos gambás no Paulistão. Ouvi o jogo pelo rádio num Cybercafé desesperado a cada gol que tomávamos. Uma agonia que eu jamais imaginei. Porém, consegui uma proeza maior: estava dentro de um vôo Brasília-Manaus na semifinal da Libertadores 2001 contra o Boca. Na hora que eu entrei no avião, o jogo estava 1×2 e aquela besta invadiu o campo para bater no bandeirinha. Fiquei daquele momento até a 1h da madrugada, quando cheguei em Manaus, sem saber o que tinha acontecido. Foi a maior agonia que passei com o Palmeiras na minha vida. E olha que fui para Tóquio em 1999. Não foi pior.
Por estas e por outras razões, suas palavras caem como uma luva em tudo o que penso e sinto sobre o Palmeiras. Nada é maior do que este amor: nenhum ídolo, nenhum dirigente, nada. Somos apenas uma coisa: PALMEIRAS.

Parabéns mais uma vez e um abraço para Salto!

Vinícius Terra de Andrade

Caro Danilo:

Moro a 25 km do Palestra e também sinto o mesmo que você quando vou ao clube para um simples passeio ou jogo de campeonato. Minha esposa é da região de Marília, uma cidade pequena chamada Oscar Bressane. Dos 3 mil habitantes, 80% da cidade é Palmeirense, eu sei bem o que você sente em relação ao Palmeiras, pois meus amigos de Bressane sentem o mesmo, e olha que são 503 km da capital !!!

Um Grande Abraço do Palestrino aqui de S. Bernardo do Campo!!!!

Nosso amor não deve ser movido por titulo apenas… jamais devemos ‘desistir’ do Palmeiras!

Já ví o time na segunda,perder o mundial jogando muito,pipocar como em 89,08 e 09.
Mas a esperança se renova e 2010 está aí,vamo que vamo!!!!!!!

belissimo Danilo, embora muitos não saibam, mas
AQUI É PALMEIRAS !
enquanto houver Danilos nosso itme será grande…….JOTA

Belas palavras Danilo.

Moro em São Paulo desde que nasci em 1964 e portanto não tenho idéia do que seja gostar de futebol, torcer para o Palmeiras e estar a 110 kilometros de uma das minhas maiores paixões.

As vezes, nós daqui da capital não damos o devido valor ao Palmeiras e textos como seu, são necessários para dar mais valor a nosso time de coração.

Suas palavras de otimismo são muito bem vindas,nada como um dia após o outro para tudo se encaixar novamente, tenho certeza que teremos um 2010 muito melhor que foi o ano passado!!

Abraço!!

Danilo, nosso amor pelo verdão nunca vai morrer, por mais tristeza que temos, sempre temos a esperança que um dia vai ser melhor.

Pois é, Danilo. Também moro no interior e fiquei puto com os jogadores. Mas fiquei mais puto ainda com os gerentes/diretores que viram que a casa estava para cair e não souberam mantê-la em pé.

Parabéns pelo texto !
Também não sou da capital e é exatamente o que seu texto diz, quando passo perto do Palestra Itália.
Dá-lhe porco !

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