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As contradições do Clube Empresa

POR EMERSON PREBIANCHI

Por sugestão do amigo do 3VV Dorival Bertaglia (o DOBER), vamos falar um pouco sobre a previsão da existência do Clube Empresa.

A
Lei Pelé, muito criticada por muitos e defendida por outros tantos,
trouxe inovações que até hoje não foram bem entendidas ou trabalhadas
pelos clubes e pessoas envolvidas com o futebol. Dentre estas mudanças
surgiu a possibilidade da criação de Clubes de Futebol no formato de
empresa com a finalidade de profissionalização.

Essa
profissionalização em tese deveria trazer maior segurança para
investidores, atletas e para o Estado que passaria a poder cobrar de
forma efetiva as dividas de impostos dos clubes que no formato atual,
tendem a se acumular até se tornarem inexeqüíveis.

Assim,
a existência do clube empresa deveria ser tida como a resolução de boa
parte dos problemas para a profissionalização da gestão dos clubes de futebol. Entretanto não é isso que se tem visto.

Barueri e São Carlos desde sua fundação
são constituídos como Clube/Empresa e com gestão profissional e – dentre outros objetivos – voltados a auferir lucro.

E
justamente aí corre-se o risco de encontramos um conflito de interesses que merece atenção e
principalmente atuação da CBF. A busca do lucro
faz o clube deixar de atender as expectativas de seus
torcedores para passar a atender aos interesses econômicos dos seus
“proprietários”?.

Peguemos o exemplo do Barueri. Como foi amplamente noticiado o clube teve problemas com a Prefeitura que lhe cedia o Estádio. Sendo um Clube Empresa
optou por mudar sua sede, migrando para Presidente Prudente.

Este
tipo de mudança, ainda que para nós soe de forma estranha, nos EUA, é muito natural com os times da NBA mudando de cidade e até
de Estado em conformidade com os interesses financeiros dos
proprietários do time.

Um dos problemas que de cara surge é o da fidelização de torcedor/consumidor. Como fazer rapidamente o morador daquela região adotar o clube como seu preferido? e como fazê-lo “consumir” os produtos desse clube?

Outro
problema, mais sensível, é o fato de que sendo o clube uma empresa
voltada primordialmente para o lucro, é evidente que haverá contradições entre algumas decisões. A venda de um jovem e promissor jogador – que poderia gerar títulos no longo prazo e obter valorização – será realizada no curto prazo, minimizando risco e realizando caixa.

Da mesma forma poderá ocorrer a negociação de
mando de campo. Isso é um tanto comum para equipes como Barueri, Santo André e outros. Com jogos disputados fora dos domínios da equipe, o Clube/Empresa obtem uma compensação financeira, maximizando assim o lucro. Entretanto diminuindo a sua competitividade.

E outro tema, extremamente sensível e que já vems sendo abordado na Europa, é a propriedade de duas ou mais equipes pela mesma pessoa.

Hipoteticamente: assumam que Barueri e Santo André tivessem o mesmo proprietário ou acionistas comuns. Na última rodada do Brasileirão o Santo André precisaria de uma vitória para escapar do rebaixamento. E esta seria exatamente contra o Barueri. E apimentando mais: o Barueri, se vencesse, estaria qualificado para uma Copa Libertadores. Naturalmente que essa hipótese é improvável, mas não é impossível.

Então como seria essa partida? Como seria a decisão pela escalação de jogadores? Qual o tipo de pressão na comissão técnica? E como ficaria a torcida dos dois clubes?

Daí perguntamos: qual a sua opinião sobre o Clube/Empresa? Como evitar situações como a descrita acima?

Saudações Alviverdes em ano novo com as expectativas renovadas.

9 respostas em “As contradições do Clube Empresa”

Para mim, tanto faz se é usado o modelo do Barcelona ou se o clube vira empresa. O que conta é a vontade de quem está no comando. Ou alguém acha que o nosso ex-presidente Jabba “sacrificou” anos de sua vida pelo Palmeiras em troca de nada? O que não pode é o presidente de um clube continuar sendo eleito de forma indireta. Isso sim é um absurdo!

Para mim, tanto faz se é usado o modelo do Barcelona ou se o clube vira empresa. O que conta é a vontade de quem está no comando. Ou alguém acha que o nosso ex-presidente Jabba “sacrificou” anos de sua vida pelo Palmeiras em troca de nada? O que não pode é o presidente de um clube continuar sendo eleito de forma indireta. Isso sim é um absurdo!

Acho que isso não daria certo no Brasil, pelo menos em se tratando de futebol! O futebol aqui (não só aqui né…) envolve paixão, e como um time como o Barueri, por exemplo, que já não tinha torcida, vai conseguir torcedores e consumidores em PP? Isso na NBA acontece, mas não sei como é a questão dos torcedores. Como um time recém chegado a certa cidade conquista torcedores? Ainda mais no caso de times pequenos? É um caso complicado!
Acho que esse modelo de Clube Empresa só é bom para os investidores e empresários (claro, se for bem administrado e se obtiver sucesso!).

A idéia básica para a transformação de clubes em empresas, segundo me parece, pelo raciocínio cartesiano, era dar eficiência na gestão. Os clubes sempre foram um amontoado de aproveitadores eincompetentes geridos, ou por oportunistas ou pelos próprios incompetentes. Isso vale não só para os clubes, como para as federações e confederações, inclusive a FIFA.

Creio que a idéia de atualizar as estruturas, buscando importar o que de melhor existia no setor privado das corporações, em si, era boa. O problema é que a prática demonstrou que na realidade ficaram de fora da regulamentação aspectos importantes que existem regulamentadas para as empresas privadas e não foram copiadas para os clubes. O exemplo dado pelo amigo onde dois ou mais clubes der um mesmo grupo societário combinar resultados para classificar um dos seus clubes ou fazer pontos para outro que esteja em vias de rebaixamento poderia muito bem ser absorvida pela legislação que rege as corporações privadas. É a lei anti-truste, a fiscalização rigorosa a que se sujeitam empresas controladas ou coligadas e outras travas que a lei das sociedades anônimas e/ou as leis tributárias impõem a elas. É só copiar, adaptando ao esporte e especificamente aos clubes-empresas essa mesma legislação.

O que se impõe na tentativa de modernizar a gestão dos clubes é não perder de vista a essência da relação entre clubes e torcedores; o amor ao clube deve ser preservado. Quem vai torcer para um Barueri, que muda sede, nome e camisa de um ano para outro e pode fazer isso tantas vezes quantas interessar aos grupo de “proprietários”?

Como dizia meu velho professor de latim: “in médio virtus”. O mercado não pode prevalecer sobre o moral Que sejam instituídos e aplicados instrumentos legais para melhorar a gestão, mas que não se cometam, ou por ação ou por omissão, as barbaridades a que estamos assistindo. Casos como os do Barueri e do Santo André que jogam onde lhes derem mais dinheiro, não importando o resultado esportivo. Ou de clubes que vendem jogadores exatamente às vésperas de jogar contra os clubes compradores. Ou ainda clubes de aluguel que permitem que sua camisa seja usada para valorizar jogadores que podem ser vendidos poucas semanas após terem ingressado no clube, tudo para satisfazer a ganância dos empresários.

REGULAMENTAÇÃO JÁ! Para impedir esses e outros tipos de manobras que estão acontecendo e que distorcem os verdadeiros valores de uma disputa limpa. Como está sempre irão vencer não os melhores mas os mais espertos, mesmo que imorais.

Eu vejo para o Palmeiras a única solução ser clube empresa… O Palmeiras é o clube com os dirigentes e conselheiros mais mediocres que existe… Enqto esse estado de mediocridade permanecer , nós torcedores teremos muitos vexames pela frente… Essa turma que há décadas vive nos conselhos do Verdão se consideram donos do clube, e amam apenas seus cargos… é uma mediocridade passada de geração para geração…
Com relação ao Barcelona NUNCA poderemos comparar com o Palmeiras, lá o amor existe muito devido ao problema politico e a rivalidade Catalunha x Madrid.. como eles mesmo dizem : mais que um clube … o Palmeiras não representa ideal politico nenhum, já naum é mais o time da colonia.. a força do Palmeiras está na sua torcida do futebol… A solução é acabar o clube Palmeiras e virar a Empresa Palmeiras… com relação as marmeladas isso hoje em dia jnós já acreitamos que aconteça… somente o Palmeiras x Juventude em 95 é que bancou o bobô e não fez acerto… futebol é negócio, os fins justificam os meios…

Não sei se no Brasil dá certo transformar os principais clubes em empresa. Talvez esse modelo seja mais apropriado para times novos e pequenos como o Barueri. Um time desses não vai se importar em conquistar títulos. Desde que tenham lucro, ou pelo menos consigam se manter em atividade para eles já vai estar de bom tamanho. Tem que haver fiscalização forte para impedir que os seus interesses comerciais influenciem campeonatos importantes. Mudando mandos de campo a troco de bilheteria, ou mesmo com atitudes no mínimo suspeitas como o caso da mala branca no último brasileirão, um Barueri ou um Santo André podem acabar desequilibrando um campeonato.
Eu enxergava essa mudança com bons olhos, mas analisando com calma vemos que o buraco é mais embaixo.

Como citou o Marcos acima, para um time como o Palmeiras acho que o mais apropriado seria o modelo do Barcelona.

e ‘fracasso’ é com 2 S, não apenas com um. Perdoem o erro. Abraços

O clube-empresa está fadado ao fracaso. Possivelmente o maior lucrador entre os clubes-empresa tenha sido o desconhecido Desportivo Brasil, time da Traffic.

acredito no modelo do Barcelona: centenas de milhares de sócios votando e traçando os destinos do clube. E acredito que isso seja complementado pro uma legislação rigorosa, que coiba os endividamentos. O objetivo de um time não é o lucro, mas não pode haver dividas insloluveis com o fisco e com terceiros.

Abraços a todos,

Marcos

Eu acho interessante o conceito de clube-empresa, mas no caso do futebol brasileiro há uma particularidade que muda muita coisa: futebol é parte integrante da cultura do país, de uma forma muito forte.

Futebol é quase uma religião por aqui. Ou seja, não temos um público motivado e ver o futebol como mais um produto de entretenimento, o que faz os americanos chiarem pouco quando uma equipe muda de cidade. Até porque as mudanças acontecem mesmo quando o time vai mal das pernas ou têm pouca torcida local.

Voltando ao Brasil, vejo que a profissionalização dos clubes, moldando-se ao formato de clube empresa é a solução vivável.

Acredito que é preciso separar as entidades “clube sociedade civil” do “clube empresa”, passando a este segundo as modalidades a serem geridas no formato profissionalizado, até pq clubes, normalmente, são sociedades civis sem fins lucrativos, o que complica demais a situação.

Times como Barueri não têm grande futuro justamente pelo fato do futebol ser algo tão forte na cultura local: quem vai se motivar a torcer por um clube criado numa região saturada de fortes agremiações?

Talvez o formato seja viável em estados que não possuem grande representação nacional, mas com o mercado local de tamanho pequeno e já dominado pelos times do eixo Rio-SP.

Como dizem por aí, o BRasil não é para principiantes!

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