Categorias
Entrevistas

3VV Entrevista: Muricy Ramalho (parte 2)

… parte 2 da entrevista.

 

JOTA: [ quebrando o gelo ] Você é a favor do calendário europeu?

 

MR: Não, porque a nossa cultura, a nossa, nossas férias vai ser tudo diferente, você vai estar no inverno, mas eu acho muito difícil. Sabe o que eu acho? Por exemplo, o campeonato paulista, o tempo de pré temporada é pequeno.

 

HB: Quantos dias você acha que seriam necessários para a pré temporada?

 

MR: No mínimo uns 15/20 dias.

 

JOTA: Foi com você que na decisão do campeonato você colocou a mão na bola e foi expulso?

 

MR: Não, eu dei uma porrada naquele cara. [ risos ]

 

JOTA: Você não coloca a mão na bola?

 

MR: Não.

 

JOTA: A história era assim: ele [ contando prá nós e apontando ao Muricy ] foi expulso no tempo normal da decisão. Aí foi prá prorrogação e o São Paulo achou que ele podia jogar porque era uma nova partida. Eu era repórter esportivo, e eles trouxeram o Muricy para o campo, na prorrogação do jogo. No fim o São Paulo ganhou nos pênaltis.

 

MR: Sim.

 

JOTA: Foi o jogo da decisão com a Portuguesa. Ele foi expulso no primeiro tempo.

 

MR: Eu pensei que fosse a porrada que eu dei no Dicá.

 

JOTA: O Vicente ficou preocupado que eu fosse falar mais que você.

 

3VV: Se você deixar ele fala.

 

MR: Quando a gente conversa de futebol com pessoas, falar de futebol  não em fofoquinha, mas isso eu não suporto. Se você quiser conversar comigo até amanhã de futebol, o que você acha do futebol, se tem alguma coisa para mudar. Então conversa interessante eu fico até amanhã com qualquer um, mas o cara começar a falar, então eu estou cansado desse cara que é curioso, sequer saber se o cara usa trancinhas, se o cara é viado não sei o que, mas eu não quero saber disso? Então nós falamos de futebol para caramba, não falamos só do Palmeiras, mas nós falamos de futebol da parte psicológica nós falamos de tudo de futebol. Uma conversa  completa do e você aprende. Um exercício que você faz, então não agüento mais polêmica porque tudo que fala é declaração do outro ninguém pode falar nada. É verdade, não pode falar do outro. Então fica um negócio chato por isso…

 

JOTA: …ao vivo no campo, mas eu já tinha te visto pela televisão. A 1ª vez no ataque era você, Colonezzi e Vitor Hugo, o adversário era o Nacional 1×0 São Paulo parou.

 

MR: Estava lotado.

 

JOTA: A rádio nacional mandou a equipe completa.

 

MR: E foi transmitido pela Tupi.

 

JOTA: 1º Dente de Leite parou a cidade e vocês foram finalistas contra o Nacional.

 

MR: Verdade.

 

JOTA: agora o outro time só o goleiro.

 

MR: na salinha ali que era eu 8, o Mesquinha número 11, Muricy 10  o Vitor Hugo era número 11 a gente é amigo até hoje.

 

JOTA: A equipe toda se mantém? Você tinha quantos anos? 13/14 anos?

 

MR: 13 para 14 anos, mas a gente é amigo é até hoje, então era muito perto do bairro, então lá na Vila Madalena, Pinheiros. Porque eu nasci em Pinheiros, então a gente é amigo até hoje. Outro dia o Colonezzi foi me visitar.

 

Então a gente se vê sempre quando dá, mas de fim de semana não tem, mas a gente se encontra. Essa linha aí era muito famosa. Você sabe que todo lugar que eu vou, todo lugar do Brasil que eu vou eles lembram dessa linha. Todos sabem.

 

JOTA: Parava o Brasil cara. Meio sem querer.

 

MR: …foi de tal forma que pegou que era uma coisa impressionante.

 

JOTA: Essa era onde hoje é o shopping Iguatemi, lá no largo de Pinheiros tem um campeonato de dente de leite que era mirim, eles foram televisionado fizeram um campeonato. Tinha um time de várzea que chama Foguinho.

 

MR: Então vou contar uma historinha… Nesse campeonato eles tinham uma entrega de bicicleta, mas eu não tinha bicicleta porque meu pai não tinha condição, então eu não tinha bicicleta. Aí quem era o melhor de campo ganhava uma bicicleta, então caralho vou ganhar essa porra. A Caloi! E eu ganhei. Eu não parava, mas eu quase morri de tanto andar de bicicleta. Na seqüência eu ganhei cinco bicicletas. Putaquepariu, então dei uma para o meu irmão, daí o  meu pai vendeu a outra não sei para quem. Daí fui para o Nacional e ganhei 14 Motoradios. Meu pai vendeu todos… [ risos ]

 

JOTA: O campo era perto do Instituto Butantã não era?

 

MR: Sim, nasci ali na Cardeal Arcoverde onde é o shopping Eldorado. Eu nasci ali.

 

JOTA: Areião.

 

MR: Eu ia lá com o meu pai.

 

JOTA: O senhor Ramalho. Ele era dono do time, eu me lembro disso que eu era moleque o meu pai me levava para ver jogo de várzea, mas aí é antes.

 

MR: Eu jogava no São Paulo e o meu pai falava pros caras “tem que dar alguma coisa para ele, dar estudo ou pagar alguma coisa para ele”. Mas o São Paulo não queria. Aí ele falava: “então você vai para o Palmeiras”. Então eu vinha para o Palmeiras e joguei futebol do salão. Tinha o Serginho um carioca, era um inferno. Era o Falcão da época. Daí eu estava aqui no Palmeiras treinando para jogar o campeonato, mas meu pai vinha aqui no clube e dizia: “você vai para o São Paulo, eles vão pagar”. Daí começava treinar futebol de campo lá, mas aí eles não cumpriam o prometido, daí eu voltava. Ficamos um tempo assim, mas daí eu fiz o contrato com o São Paulo, porque o meu pai era palmeirense e não dava prá jogar lá sem receber.

 

JOTA: Era só o seu pai que era palmeirense?

 

MR: Eu também era. Na minha casa eu convivi com: Servílio, Seo Valdir, Djalma Santos, e o Carabina. O Carabina parecia irmão do meu pai. Então através do Carabina ele fazia churrasco na minha casa e o Carabina levava todos eles. E eu era pequeno ficava no meio dele. Eu conheço todas essas feras aí. Na época eram todos famosos, mas eles iam lá, claro que todos escondidos, mas ficava, na minha casa o meu pai fazia churrasco para eles.

 

O meu pai só que ele tinha aquele negócio de bairro na ele queria ficar em Pinheiros, mas não tinha aquele lance de jogar, mas ele queria ficar em Pinheiros, tocar o negócio dele e ficar lá. Mas ele não tinha esse espírito porque o cara tem que treinar, acordar cedo, era uma rotina um pouco chata, mas só que eles não treinavam tanto. Mas eles iam lá treinavam, mas toda a semana meu pai fazia churrasco para esses caras.

 

HB: Como foi a história do Ademir da Guia?

 

MR: Eu tinha 17 anos. Eu sempre me concentrava, mas eu nunca trabalhei, mas o Zé Carlos era titular daí ele se machucou. O Silva, que era o treinador, então ele falou que eu poderia jogar, mas daí ele nunca mais me tirou.

 

Eu fui convocado para seleção paulista de futebol, mas na época era como se fosse para a seleção brasileira, então tinha Luis Pereira, Leivinha, Ademir da Guia, só fera era uma seleção brasileira, puta time para caramba. E a gente ia se concentrar no Morumbi. Daí quando eu cheguei ao Morumbi eu tinha muita curiosidade, mas só que antigamente a relação com os jogadores era de muito respeito, então o Pelé, Rivelino, você jogava com esses caras tinha até medo.

 

Hoje não [ risos ].

 

Antigamente tinha muito respeito pelo cara. Aí cheguei lá começou chegar só fera, então Clodoaldo, aí fuilá ver o quarto com quem ia ficar.

 

HB: Que ano que foi isso?

 

MR: Foi em 74/75, alguma coisa assim.

 

JOTA: No Trofeu Médici

 

MR: Aí com quem eu estava no quarto? Com o Ademir da Guia! Sai correndo para o telefone.

 

Daí eu fui correndo peguei a lista e liguei, mas eu estava todo apavorado, todo nervoso daí eu falei pro meu pai – o senhor não sabe quem está no meu quarto! Quem está no seu quarto? Ademir da Guia!!

[ risos ]

 

MR: Ele falou: “Puta que pariu como é que pode!”. Meu pai ficou super emocionado.

 

Todos na sala riram. Muricy não deve ter percebido, mas os olhos estavam brilhando.

 

Sem mais. Acho que vocês podem tirar suas conclusões!

 

Na foto abaixo, Vicente Criscio, Muricy Ramalho e Jota Christianini.

 

Agradecemos à Assessoria de Imprensa  (Helder e Finelli) a enorme paciência conosco. 
E ao Marcelo Cazavia, também da assessoria e que fez as fotos.

 

Por favor, se reproduzir, reproduza apenas parcialmente essa entrevista, e coloque o link www.3vv.com.br e os devidos créditos. Obrigado,