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Dona Luzia, eterna palestrina

POR JOTA CHRISTIANINI

Quem transita pelas célebres alamedas do Palestra Itália conhece a dona Luzia.

Passa boa parte de seu tempo por ali; isso quando
não está em algum hospital visitando um sócio, dirigente ou ex-jogador. Não perde uma! Normalmente além do conforto moral leva ajuda, indica
médicos, hospitais, enfim tenta ajudar…

Vive, respira e fala PALMEIRAS.
Não saberia viver não fosse a existência do Verdão.
Sempre foi assim, nos bons tempos formava com a
dona Yolanda, Duda e mais duas amigas o quinteto de torcedoras padrão
do Palmeiras. Não era comum a presença feminina nas arquibancadas. Isso
até a Dona Luzia e sua turma frequentá-las.

Fatos marcantes, um monte, mas sobressaem-se três que ela conta, às gargalhadas. Todos envolvendo o Santos, o time que na época era escalado  – cada decêndio tem um – para tentar enfrentar o Palmeiras.
Jogo na Vila Belmiro, festivo, comemorava-se alguma efeméride com o Pepe, ponta esquerda deles.

Bandeiras hasteadas a do Palmeiras ficou pendente junto à cabeça dos torcedores peixeiros. Um deles irracionalmente botou fogo na bandeira do Verdão.

Dona Luzia saltou para o gramado e dedo em riste a Athie Jorge Curi, célebre presidente santista.

— Ou colocam outra bandeira ou o Palmeiras não entra em campo .
Dito isto colocou-se em frente aos vestiários. Athie mandou colocar outra bandeira e ofereceu desculpas à delegação palmeirense.
Outra história: jogo no Palestra contra o Santos. Na semana anterior o Palmeiras havia quebrado um tabu de 7 anos em
campeonato paulista e humilhado o leal adversairo, 4×0, noite do
Julinho e do Paulinho.

Naquela tarde de muito calor contra o  time de
Pelé o jogo estava equilibrado, mas às folhas
tantas quando todos olhavam para a bola, que vinha alta do escanteio,
Pelé enfiou a cabeça propositalmente nos braços de Carabina e
começou a gritar. Esteban Marino, juiz uruguaio célebre por prejudicar o Palmeiras, não teve dúvidas. Pênalti!

Hélio cobrou e marcou para os santistas.
Fim de jogo, Dona Luzia foi esperar o árbitro. Não
deu tempo para o pessoal da Força Pública agir. Esteban saiu e levou um
solene e ruidoso tapa na cara. João Gaveta, torcedor símbolo palmeirense, não chegou perto, só conseguiu arremessar uma pedra, certeira, na testa do árbitro.
Outro jogo, também na Vila Belmiro. Dona Luzia conhecia
o General Osman vice presidente de futebol do Santos. Poucos lugares disponíveis,
e o General em ato de reciprocidade – sempre fora muito bem recebido no
Palestra – convidou dona Luzia a sentar-se ao seu lado na tribuna dos
dirigentes praianos.
Eis que o Copeu manda a bomba e… gol do Palmeiras.
Dona Luzia, para espanto dos demais, gritou  gol e comemorou à moda palestrina. Todos vieram para cima. Eis que o general Osman impôs-se  e com autoridade, berrou.

— Ninguém mexe com ela, é minha convidada. Se sair outro gol vai gritar à vontade.
 
Fim
de jogo, mantida a vitória, General Osman não podendo acompanhá-la até
a saída, por cautela, mandou dona Dona Luzia sair da Vila, de braços dados
com dois soldados.

8 respostas em “Dona Luzia, eterna palestrina”

Pois é, #5 Giélamo, além deles eu queria também ver este sangue em muitos dirigentes de uniformizadas que se dizem palmeirenses e só brigam pelos seus interesses.

Muito legal, J !
Essa é uma Palestrina de respeito!

Que bela historia, tivessem os nossos dirigentes metade do sangue verde e branco dessa senhora e nosso time nao estaria passando por esses percalços…. Ainda bem que podemos desfrutar dessas belas passagens da epopéia alviverde.
Parabens pelo texto.

“Dona Luzia, para espanto dos demais, gritou gol e comemorou à moda palestrina”. Adorei esta parte.

Minha esposa reclama quando comemoro gol do palmeiras, ela diz: “Não vejo nenhum torcedor comemorar, gritar e assistir jogo deste jeito”. Eu falo: “Este é o jeito genuíno de um palestrino comemorar”.

PALESTRA!!!

Jota,

Dona Luzia acima de tudo, ama nosso Palestra.
Devemos sempre nos lembrar de nossos queridos simbolos vivos de dedicação ao Palmeiras.

Obrigado Jota, por nos trazer este exemplo vivo.

Abraços.

Pois é Jota,

Dona Luzia representa muito da alma Palestrina.

Obrigado por dividir conosco mais essa História!

Abraços,

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