Luiz Villa só debochou; e de pé

POR JOTA CHRISTIANINI 

Semana passada entrevistaram dois torcedores, veteranos do
DERBY, e lá veio a falácia:

— Sabe o “Curintias”? Tinha um atacante baixinho,
Luisinho que sentou na bola diante do Luiz Villa.

Quem são estes personagens que os velhos lembram a cada clássico?

Luiz Trujillo, Luisinho um bom jogador de futebol, que
atuou no leal adversário, mas como parece ser sina de alguns dos ídolos de lá, tinha
fama caseira,  restrita, municipal, talvez em alguns casos estadual.
Nada além disso.

Luiz Villa argentino jogou na seleção, veio em final de
carreira e brilhou no Palmeiras. Conquistou todas as 5 coroas culminando com
soberba atuação no Mundial de 51, também conhecida como Copa
Rio; caracterizava-se pelo cavalheirismo com que jogava embora atuasse
como médio à frente da zaga local que seria habitada, no futuro, por botinudos.

Ambos falecidos. Há muito tempo.

 Para  a TV Cultura Luisinho declarou:

— Jamais cometeria essa maldade com Luiz Villa, ele era um
cavalheiro, eu o driblava, mas muitas vezes ele me tomava bola, sem pontapés,
sem deslealdade.

Essa era a verdade, mas a imprensa
mais corintiana à época que hoje, não perdoava, adicionava e
apimentava a lenda.

Eis que os dois times terminam empatados o Rio-SP de 51,
era sem dúvida a principal competição entre clubes na época em que não se
cogitava sobre campeonato brasileiro.-

Determinaram três partidas para apurar o campeão.

Melhor de três como se dizia.

Os corintianos já comemoravam,  
— Fácil demais, Luisinho vai comandar a vitória.

Nem precisava ter tido jogo, era só entregar a taça aos
mosqueteiros tal a certeza da vitória.

Veio o primeiro jogo, Luiz Villa mandou e desmandou, ninguém
viu Luisinho no campo. 3×2 para o Palmeiras.

“Pura sorte , diziam  agora o Palmeiras perde os
outros dois jogos e a taça vai para o Parque São Jorge”.

Ledo engano.

No segundo jogo Luiz Villa foi soberbo, botou Luisinho
no bolso e sobrou bolso vazio para colocar mais uns 2 ou 3 atacante dos adversários.

 Aos sete minutos do segundo tempo o Palmeiras,
com Jair fuzilando Cabeção já marcava o terceiro gol, Luisinho vendo a
nau à deriva tentou a reação;  ciscou  de uma lado, de outro e
Luiz Villa com implacável categoria tomou-lhe a bola e voltando-se, enfiou-a
pelo meio das pernas do corintiano. 

 Chegou a irritar o capitão Claudio do time adversário que,
normalmente comedido, perdeu a cabeça e falou mal do médio palmeirense.

O riso de deboche veio na medida certa, mas  não
suficiente para impedir que saíssem mais cedo do jogo. 

O placar de 3×1 era a prova evidente que não precisariam do
terceiro jogo.

Campeão o Palmeiras;  taça na Rua Turiassu, acho que
nesse tempo  a taça entrava pela Avenida Água Branca, atual Francisco
Matarazzo.

Dia seguinte o chargista do O Esporte, jornal do corintiano Lídio
Piccinini, que imaginava desenhar Luisinho sentado na bola  foi obrigado a
desenhar a mesma bola com Luiz Villa , em pé, dominando-a, soberano.