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3VV Entrevista: Muricy Ramalho (parte 1)

POR VICENTE CRISCIO


Sexta-feira, final do dia. São Paulo chovia e o treino na Academia havia se encerrado alguns minutos atrás. O clima dentro da academia era tão cinza quanto fora. Anunciavam a saída de Deyvid Sacconi, que estava indo para o Nantes. 

 

Muricy Ramalho nos esperava na sua sala. Com ele Fabio Finelli e Helder Bertazzi. O 3VV, depois de algumas tentativas, conseguia entrevistar o treinador palmeirense.

 

À primeira vista Muricy parecia pouco à vontade. Eu e Jota Christianini nos esforçávamos para darmos tranquilidade ao entrevistado. Explicamos o que era o 3VV e qual o objetivo da entrevista – mostrar ao torcedor palmeirense quais os desafios do treinador para trazer um título ao Palmeiras.

 

Sentimos que o treinador relaxou um pouco mais quando avisamos com a pouca modéstia (que também caracteriza Muricy) que o 3VV não era o blog/site de maior audiência dentre a tal “mídia palestrina”. Mas seguramente tinha a audiência mais qualificada; como outras… 

 

Era uma entrevista de meia hora. Ficamos quase duas. Nela ouvimos coisas que há menos de um ano não achávamos que fossemos ouvir da boca do treinador. 

 

Sim, Muricy era palmeirense quando criança. 

 

Vibrou quando descobriu que dividiria o quarto com o ídolo Ademir da Guia, para alegria também de seu pai, o Sr. Ramalho.

 

Que precisou jogar muita bola para ganhar a primeira bicicleta, como o melhor em campo. 

 

Mas acima de tudo que Muricy é um apaixonado pelo futebol, que está montando um time do Palmeiras e apostando nas nossas categorias de base, e que quer muito, mas muito mesmo, ser campeão brasileiro pelo Verdão. E faz nesta entrevista revelações sobre o futebol brasileiro, como ele acredita que um treinador deva trabalhar, qual o perfil de jogador que a torcida gosta e que está fazendo uma profunda renovação no elenco palmeirense.

 

Apreciem sem moderação…

 

***

 

Vicente Criscio (3VV): Você jogou em que período?

 

Muricy Ramalho: Profissionalmente de 1972 a 1985.

 

3VV: E quando se tornou treinador?

 

MR: Sério mesmo em 1992, porque antes eu fiz um curso no México e lá eu treinava a garotada. Quando eu voltei para o Brasile eu fui treinar no São Paulo em 92. Aí no Brasil eu treinei o profissional do Guarani. Daí fui prá China.  

 

JOTA: Você no Guarani já era treinador do time principal?

 

MR: Sim, porque eu já era técnico do time principal do São Paulo porque o Telê [Santana] ficou doente, então eu tive que assumir. Mas aí eu não fui muito bem então fui para o Guarani. Do Guarani fui para China.

 

3VV: Como foi essa coisa de virar técnico? Era um objetivo seu ou foi acontecendo?

 

MR: A gente se interessava, mas o cara que vira técnico não faz isso da noite pro dia, entendeu? Não dá para parar de jogar e virar técnico. Ele tem que ser preparar! Então eu comecei a achar que estava no fim da carreira daí eu já comecei a pensar nisso. Então fui fazer curso, ouvir pessoas também, para ver se tinha jeito para isso mesmo.

 

Para ser técnico não basta só você ter jogado e essas coisas, mas você tem que ser um cara que observa as coisas. Você não pode chegar, parar de jogar, e falar “amanhã vou ser técnico”. Você não consegue.

 

Se você parar na frente de 30 caras você tem que ter um argumento, você tem que ter uma história para conversar com os caras [ jogadores ], então o cara tem que se preparar para isso. Então não é fácil. Eu comecei a sentir isso no final da minha carreira que eu estava com um pouco de tempo livre, principalmente no México que eu fiquei bastante tempo, então eu pensei bastante sobre isso e achei que dava. Então fui fazer o curso.

 

3VV: Você parou com que idade?

 

MR: Eu acho que tinha 31/32 anos. Aí eu comecei a não receber [ risos ] … o final da carreira é mais ou menos assim. Você começa a achar que pode jogar em qualquer lugar, mas assina contrato com esse e aquele time, aí você tem dificuldades, não tem estrutura, não recebe, então percebe que é hora mesmo de parar.

 

3VV: Quem te influenciou como técnico?

 

MR: O técnico que mais me chamou atenção foi o [ Rubens ] Minelli . Minelli começou a me dar ensinamentos na parte tática, no estudo do futebol.

 

O Minelli era economista um cara estudado demais. Porque os técnicos antigamente faziam muito o be-a-bá. Depois o futebol começou a evoluir e o Brasil ficou um pouco para trás. E o Minelli era um cara muito interessado em modificar isso, ainda mais quando foi para o sul do país porque lá há uma cultura maior do futebol. Quando ele veio para São Paulo ele trouxe essa coisa, então eu tive a chance de trabalhar com ele durante três anos. Eu aprendi muito com o Minelli, porque eu ficava observando o que ele fazia, eu gostava de conversar com ele…

 

3VV: Eu lembro do Minelli quando foi bicampeão brasileiro com o Inter (75/76) contando como é que ele treinava a linha do impedimento. Tinha todo um esquema armado que partia do Figueroa ou Marinho, que eram os zagueiros, então alguém gritava uma palavra chave. Lá já mostrava toda a disciplina que ele precisava ter de treinamento. Você puxou um tanto da disciplina dele?

 

MR: A disciplina tática sim, mas disciplina no futebol foi do Telê. Por exemplo, o Minelli taticamente era muito bom, ele inovou o futebol brasileiro em todos os sentidos. O Telê já era mais comandante. O forte do Telê era comando, dirigir cara famoso, porque não é fácil dirigir esses caras aí… eles são muito chatos, aquelas coisas. Então ele era um comandante muito forte e isso eu tentei aprender com ele.

 

Depois  veio o Parreira. Eu fui auxiliar dele por pouco tempo, porque ele ficou só seis meses no São Paulo, mas eu também aprendi muito porque o Parreira também é um cara estudioso, um cara que dá muita importância à parte teórica. E isso é muito importante porque hoje não basta só saber o tático e o técnico, tem que conhecer a parte teórica também. Então o Parreira nisso é o craque.

 

Esses caras foram os que me influenciaram bastante. Eu comecei a observá-los e toda vez que eu tinha essa oportunidade de trabalhar com eles eu agarrava. Tanto é que toda vez que o São Paulo mandava um técnico embora eu sempre assumia, e assumia bem, mas daí eles contratavam um técnico de fora. Foi daí que contrataram o Parreira. E nessa ocasião veio o Petraglia aqui, [ Presidente ] do Atlético Paranaense, eles estavam fazendo o Centro de Treinamento, O Petraglia me procurou e disse: “eu preciso de um cara como você, para assumir o Atlético”.

 

Mas daí eu falei “você vai me desculpar” e era um bom dinheiro na época, porque eu ganhava pouco aqui, mas falei “você vai me desculpar que não vou perder essa oportunidade de trabalhar com o Parreira; então eu vou investir na minha carreira, mas quem sabe outro dia, quem sabe eu possa ser treinador do Atlético”.

 

O Parreira era um cara que me ajudou muito, era fora de série também, que foi muito bom para mim. Então  eu investi muito na minha carreira no começo. E ganhava muito pouco porque eu queria ser um técnico bom, mas para ser um técnico bom não basta você pegar um time grande e sair treinando. Você pode até durar pouco tempo, mas você percebe se você não faz um estudo de futebol, os técnicos não duram muito.

 

Então começam com um time grande, daqui a pouco se transfere par aum menor, depois vai para a série B, série C e daí desaparece. Por quê? Porque não se preparam direito! Então no Brasil todos nós somos técnicos, [ apontando para nós ] você é ele é todos nós sabemos de futebol. Verdade! Nós sabemos um pouco de futebol mesmo, porque a gente joga bola, a gente vê futebol todos os dias, então você tem que saber um pouco. Só que o futebol não é só isso, o futebol você tem que se dedicar tem que ver televisão o tempo todo, tem que ver time, campeonato, tem que estar muito informado sobre o mundo. Então futebol não é só isso.  Por exemplo, você tem chegar ao clube e ver as categorias de base entendeu, ou ver se pode ajudar o clube a revelar alguém, se você pode contratar alguém para jogar, entendeu? Por exemplo agora, trazer um jogador da base que possa vir para o Palmeiras porque, além de todos os problemas, tem o problema econômico. Está difícil trazer jogadores, e as pessoas não entendem, as pessoas querem que traga e acabou, mas só que não é bem assim. É uma responsabilidade do Presidente, da Diretoria de não prejudicar financeiramente o clube. Então nisso entra o técnico. Mas entra o técnico por quê?

 

Porque tem conhecimento na Europa, tem conhecimento fora do país, e se eu posso trazer jogador de lá, se eu posso conversar com o jogador para ele diminuir um pouco as coisas. Então um técnico não é só no domingo e na 4ª feira, o técnico é durante a semana também. Agora para você fazer isso você tem que estudar, aprender, e você tem que ser dedicado, viciado em futebol.

 

3VV: Você vê muito futebol?

 

MR: Se eu vejo futebol? eu vejo futebol qualquer hora livre que eu tenho. Eu não posso permitir que um diretor de um clube ou uma pessoa da imprensa pergunte para mim se eu conheço um time tal no Japão e eu não conheço, ou um jogador de não sei onde. Por exemplo, no futebol é assim: tem um time que precisa contratar daí tem um monte de esperto que fala – aqui tem um jogador que é bom prá caramba – mas esse jogador tem um problema no “cruzado” [ problema de joelho ], jogou muito pouco por lá, ficou fora tantas partidas. Aí você pergunta: como é que você sabe? Eu vivo disso, eu tenho que acompanhar.

 

3VV: Você tem algum banco de dados?

 

MR: Não tenho, eu tenho tudo na cabeça.

 

3VV: É mesmo?

 

MR: Sim, porque eu vejo demais futebol. Eu vejo qualquer futebol,  então eu vejo A3/A2, vejo Japão, Inglaterra, vejo de tudo. Então, por exemplo, não se pode admitir um técnico de hoje, vem o Presidente do clube perguntar de tal jogador e ele falar “não sei”. Isso é um absurdo! Por quê? Porque você tem internet, você tem televisão, tem transmissão de campeonatos, então é um absurdo. E isso já ajuda um clube, então por isso que, por exemplo, alguns técnicos permanecem um pouco mais na ponta do que outros. Os técnicos que estão permanecendo na ponta são os caras que nunca param de estudar, nunca param de ver futebol são dedicados, são viciados em futebol.

 

3VV: Até pegando esse gancho que você está falando de montagem de elenco, você tem uma experiência grande na sua carreira, principalmente nesses últimos anos de montar elencos, vamos dizer assim, duradouros você mantém uma estrutura, uma raiz de time. Inclusive eu acho que nesse ano, pelo menos nos últimos 4/5 anos no Palmeiras a gente percebe um elenco titular que está mantendo a base do ano passado. Como é que um técnico, não é só ele eu sei que também tem toda a estrutura dele em volta disso, mas como é que um técnico monta esse elenco para ser um elenco mais constante ou pelo menos manter a principal base? Isso daí começa quando? Isso começa no meio do ano? Começa no último trimestre do ano? Como é isso?

 

MR: Não, tem que começar antes. Aqui a gente tem que começar antes e não quando acaba o campeonato. Mas o mais importante é você ter a informação de quem você vai trazer. Então por exemplo tem que saber: qual o perfil do clube? Os clubes não são iguais. Tem jogador que serve para o Palmeiras, mas não serve para outro time ou serve para outro time, mas não serve para o Palmeiras. Funciona assim, você precisa ver o perfil do clube.

 

Aqui por exemplo: o que a torcida gosta? Eu já vi que a torcida gosta do cara que se dedica ao máximo, vai lá dá a vida no campo, às vezes o cara nem é muito técnico, mas o torcedor do Palmeiras gosta de cara assim. Como o Pierre, que é “raçudo”, então isso chama atenção. Como é que você faz? Como você tem essa informação? Então é isso que eu falei agora que você tem que ter a informação. Você não pode fazer o contrato de um jogador importante que leva três anos mais ou menos, você pode trazer um jogador que você não sabe quem é o cara.

 

Por exemplo, aqui no Palmeiras o nosso ambiente é ótimo. Esse time que está aí [ apontava na direção dos vestiários ] é muito bom, de um nível alto de escolaridade, de cabeça, de tudo, então toda vez que oferecem um jogador para a gente vamos atrás de todas as informações do cara. A gente não quer sair do perfil nosso do time. Você vê muito pouco comentar que viu o jogador do Palmeiras não sei onde, na balada é difícil você ver.

 

Esse perfil é do grupo que está aí então a 1ª coisa que a gente faz é analisar o perfil do jogador. Daí vem a parte física. Por quê? Porque você encontra jogador que tem coisas escondidas tem problema muscular, tem problema de contusão, daí você pega o histórico do jogador, que hoje todo clube tem. Então você vai ali ao departamento médico do Palmeiras – eu quero saber como está o Diego Souza?  Quantas vezes o Diego Souza entrou aqui? Custo benefício dele você tem que ter.

 

Então, vou dar um exemplo quando fomos contratar no São Paulo, Jorge Wagner. Os caras não gostavam muito dele aí [ apontando com a cabeça em direção ao muro vizinho ]. Eu falei – traz, traz porque é jogador onde o custo benefício dele é muito bom – por quê? Porque é jogador que nunca entra em departamento médico, então ela joga muitos jogos. 

 

Então você não pode dizer que vai contratar determinado jogador, e você não sabe nem o histórico dele. Aí ele chega aqui tem uma contusão não joga mais. Então você vai ali ao computador do departamento médico vê quanto tempo ele ficou lá, vê quanto tempo ele jogou. Hoje isso é importante porque jogador é muito caro, muito caro, e o jogador não pode ficar parado. É como avião que tem que estar voando; se ele ficar na terra ele está dando prejuízo. Então jogador de futebol é igual. Eu trabalhei no Internacional fiquei 3 anos, no São Paulo fiquei 3 anos e meio e jogadores comigo quase 3 anos e pouco, todos com esse perfil. O perfil de atleta, perfil de homem, e claro, tem que saber jogar, não basta só ter isso. Mas essas informações são importantes. Às vezes o cara fala – esse jogador já passou não sei aonde – mas meu, pega o histórico do cara vê quanto que ele jogou durante um ano nesse time, vê quantos gols o cara fez. Hoje está tudo aí você acessa no computador vê o cara lá no Japão.

 

Tem empresário que nem oferece prá gente, ele oferece para a diretoria, mas a diretoria não tem tempo de analisar, de estudar. Mas eu tenho tempo porque estou fazendo a minha parte. Então o empresário fala com o diretor e diz que certo jogador é bom; mas quando era bom? Há uns dois anos atrás? Então eu quero ver hoje. Ele ficou quanto tempo em um time?  jogou pouco? quanto tempo está contundido? não faz gol?

 

Então essa é a obrigação do cara, mas agora tem técnico que não se interessa por isso. Então quer agradar o diretor fala “traz mesmo”, por quê? Porque o diretor tem essa vaidade de dizer “eu que trouxe o cara”. É verdade! Então o técnico tem que ter a obrigação de orientar, e dizer “não traz porque não vai servir”.

 

3VV: Você já foi obrigado a aceitar jogador?

 

MR: Sim, pelos amigos aí [ olhando para a direção do muro do vizinho; todos riem  ] .

 

3VV: Existe a lenda que você gosta de jogador com biotipo mais forte, mais alto.

 

MR: Isso é mentira! Olha o time que está jogando aí, pelo amor de deus isso é uma mentira grande! Acontece que as pessoas no futebol falam muita bobagem, mas eu vou te contar uma história. Em 91/92 teve um campeonato dente de leite onde o Palmeiras foi campeão foi lá em Limeira. Eu fui dar o pontapé inicial. E o  Palmeiras tinha um jogador chamado Ferrugem, lembra?

 

3VV: Lembro.

 

MR: Ferrugem era muito grande para a categoria que estava jogando em Limeira, então houve um barulho danado que o Palmeiras ganhou e ganhou fácil o campeonato.

 

JOTA: A taça chama-SE Taça Muricy Ramalho, e está lá na sala de troféus.

 

MR: Isso daí, e eu fui dar o pontapé inicial. Então o Palmeiras ganhou fácil o campeonato. Então estavam desconfiados do Ferrugem, achando que era “gato”. E os patrocinadores pediram um estudo na USP. Por que o cara era desse tamanho? [ risos ] Verdade.

 

E aí? Chegaram à conclusão que o povo brasileiro está crescendo. Quer ver outro exemplo. Eu sempre trago uma vez por semana os meninos das categorias de base para treinarem aqui. Vocês viram o treinamento hoje? Nós trouxemos o o Wellington. Ele tem 18 anos e 1 metro e 89!! Então não é que eu quero, eu não dei nada para ele crescer [ risos ]  mas é assim. Hoje os caras comem melhor, treinam melhor, não é que eu goste, mas os caras são assim.

 

JOTA: Ele jogou a Copa São Paulo…

 

MR: É isso mesmo. Jogou a Copa São Paulo, muito bom. Como o Gualberto que é grande também, mas tem que crescer mais a parte muscular. Mas eu gosto de jogador que fisicamente suporte o que é o futebol hoje. Hoje o futebol é muito forte tem muita pegada, correria. O jogador frágil hoje, até tem aqui, mas não joga. Por quê? Porque ele é frágil toma uma porrada vai para o médico. Então o jogador tem que ser bom, mas tem que ser fisicamente forte, não é porque eu gosto, mas o futebol hoje é assim. [ Resignado ] O futebol é assim, “cria coisas”… mas não é isso não, os jogadores são assim.

 

HB: Quais são os cuidados que você tem com a base? Porque a torcida vê a Copinha por exemplo e vê que tem 5 jogadores que pode jogar no time titular.

 

MR: Porque hoje é gostoso você falar da base, você não quer falar lá de cima, mas não é fácil jogar. Mas todo clube é assim…

 

HB: Como assim?

 

MR: Todo  lugar é igual!! Veja como é que é, as pessoas esquecem, mas eu não. Há 3 anos, a imprensa pressionou porque o time do Corinthians estava uma merda, e diziam “tem que pôr uns moleques lá”. Aquele cara do canal 11, como é que chama?

 

Todos: Chico Lang.

 

MR: Queimaram todo mundo.

 

HB: O que acontece?

 

MR: É que não pode cara! Não pode, tem que tomar todos os cuidados, tem que  preparar o cara. Essa camisa [ pega uma camisa do Palmeiras que estava na mesa ] é pesada. Você no pode simplesmente colocar o cara de uma vez. O moleque entrou agora 4ª feira, o Gabriel [ Silva ], porque ele já estava aqui. Ele treinou muito antes com os profissionais. Então ele já estava aqui. Então você não pode chegar simplesmente porque o jogador arrebentou na Copinha e colocar em campo. Não pode porque essa camisa é pesada, você não tem idéia.

 

HB: É o psicológico?

 

MR: Claro, a camisa é pesada, são jogadores de 18 anos. E ainda machucou porque além da parte física tem o estresse, então aquela contusão que ele tem é a conseqüência da copa São Paulo e também do estresse. Então você tem que tomar cuidado com a pressão. O pessoal fala: põe! Mas a gente só vê quem chega, mas o caminho é muito longo.

 

E sabe por quê? Porque  técnicos mal preparados, técnicos que aceitam pressão de dirigente – tira esse, põe aqui. Mas não é assim isso daqui é muito pesado. Então todo lugar que eu fui é assim. Com o Nilmar [ Inter ] foi assim, com todos eles.

 

[ De repente toca o celular e Muricy pede licença para atender. Ele diz: “ligação do Presidente, tenho que atender”. A conversa extremamente cordial e bem humorada dura alguns minutos e Muricy avisa que estava em entrevista para o 3VV e pede para ligar depois. ] .

 

JOTA: A gente acompanha futebol há tantos anos, você fez duas afirmações que eu nunca tinha ouvido de um técnico, pelo menos aqui que eu acompanho mais de perto. Você falou em custo benefício, nunca ouvi um técnico falar isso. Você identificou uma coisa que para quem como eu é historiador, uma  mudança radical que nós não estamos acostumados. Você falou que hoje a torcida quer um jogador raçudo. E você sabe muito bem do tempo que você jogava que a torcida exigia exatamente o contrário, então tinha que ter técnica.

 

MR: Claro.

 

JOTA: Aqui tinha que ser técnico para cair no gosto da torcida. Poderia ser quem fosse, se não fosse um jogador técnico, não virava ídolo. Então você identificou aí duas mudanças. Dentro da pergunta do jogador da base para quem é leigo como nós, somos metidos [ risos ] mas somos leigos. Para quem é leigo como é que você identifica? Porque para a gente vendo um jogo de juvenil você acha três caras iguais. Que cuidados que você tem? Como é que você identifica que esse vai ficar esse vai ficar no caminho e esse nem compensa investir?

 

MR: Não é uma matemática tão certa assim porque todo mundo erra. Quando às vezes você pensa em um juvenil que você aposta em um dá outro. Já aconteceu muito disso porque é um absurdo o que muda um jogador, o que ele oscila. Por exemplo, o Gualberto. O Gualberto é um jogador que era volante da base que estava quase para ser mandado embora. Ele  foi para Porto Alegre [ disputar um torneio entre categorias de base ] e o colocaram de zagueiro. Aqui ele já tinha treinado de zagueiro com a gente. Eu conheci aquele time que treinou aqui foi para lá, mas a expectativa maior foi em cima do João. Eu me interessei só prá ver  aquele campeonato – porque o time não era bom – não dava para ver direito, mas foi por causa do Gualberto só. Por quê?

 

3VV: Você já tinha essa impressão dele?

 

MR: Eu fui ver o jogador. Ele treinava aqui comigo, mas eu queria ver como é que ele iria se portar porque aqui no treino não tem estresse, não tem torcida, não tem adversário. Então eu queria ver noutra situação. Por quê? Porque ele tem um biotipo que chama atenção. Um jogador comprido, rápido, técnico, ele é muito técnico. Então você não pode simplesmente desistir de um cara desses, você não pode desistir e estavam quase desistindo dele.

 

JOTA: No jogo com o Mogi Mirim ele parecia um veterano. A camisa não pesou nele?

 

MR: Aquele negócio da expulsão [ contra o Ituano ] foi coisa de novato. Ele também escorregou por causa do gramado, o juiz também foi rigoroso. Mas isso é coisa se novato qualquer um pode ter. Mas o que ele jogou nos primeiros 45 minutos é brincadeira! Um jogador que eu chamei no dia e falei “você vai jogar”, o Leo estava em dúvida foi fazer um teste e não dava.

 

Então o que acontece? é o que eu falo ser viciado em futebol. Estava de férias estava com a cabeça desse tamanho porque tinha perdido um campeonato que era importante para o clube, para mim para todo mundo [ Brasileirão 2009 ]. Então eu até podia dizer, “não vou ver porra nenhuma porque estou de saco cheio de futebol”, mas eu fui ver.

 

E assim, o técnico tem que ser viciado. Tem que ver tudo. Acompanhar tudo, saber o que acontece nas bases. Por quê? Porque o técnico tem que ter o pensamento dele. Nesse caso, me mandaram outro para Atibaia [ referindo-se ao início do ano, na pré-temporada, quando mandaram um outro garoto para treinar com os titulares ].

 

Me mandaram outro, mas eu falei [ agora se entusiasma ] “eu quero o Gualberto manda ele para cá, não me interessa me manda o Gualberto para cá”. Aí falaram, “tá acabando o contrato”. Porra não interessa. Manda o Gualberto. Pode ser que eu esteja aí tendo um jogador importante para o futuro. Então é uma coisa que não é se você acha que vai dar certo ou não, mas é você ver e ser persistente! Não é só ouvir os outros, mas ir lá acompanhar, ver, porque cada um tem a sua paixão. É assim que funciona.

 

Então o que é que faz um técnico. Eu vi aquele campeonato que o nosso time que [ marcando nos dedos da mão ] 1. não era bom e 2. não chamava atenção para a gente; mas não me interessava se o time era bom ou não. Mas tinha um jogador interessante pro Palmeiras. Se eu não vejo o torneio lá no Sul eu não trago o Gualberto. Se eu não trago o Gualberto, amanhã ou depois o garoto tem o passe livre, e o Palmeiras perde um jogador que pode ganhar título, render pro clube. Pode até ser que ele não seja tudo isso que vimos também, mas a 1ª amostra dele foi muito forte! Em um time grande no Parque Antártica com a torcida exigente para caramba, dura, um zagueiro que não pode nunca errar, no primeiro jogo! Ele foi bem demais.

 

JOTA: Ele tem 40 dias com o zagueiro, quem mudou ele?

 

MR: Ele que mudou. Quando nós fomos para Atibaia, por isso que é importante. Eu faço isso desde que fui para o Internacional. Toda semana no treino vem ou o juvenil ou infantil ou Junior treinar com a gente aqui. Então eu faço toda semana isso, mas não chama atenção porque eu não faço barulho para nada. O que acontece? Já conhecia mais ou menos os jogadores, mas só que aqui na nossa salinha que fomos para Atibaia eu conversei com o Parraga aqui (Jorge Porto Iparraguirre, das categorias de base). – Parraga, e aí?

 

Ele falou: – eu tenho um jogador que eu vou preparar para ser um baita jogador. Eu falei: – eu já sei quem é, é o Gualberto.

 

– É o Gualberto mesmo.

 

– Você não vai preparar eu que vou preparar porque vou levar ele.

 

Acontece que as pessoas veem as coisas diferentes. Não é que você conhece mais do que ninguém, mas você se interessa pelas coisas, você se interessa que o Palmeiras está precisando. Esse foi o argumento da diretoria, eu não posso chegar aqui e exigir da Diretoria– eu quero seis, sete jogadores – porque saiu um monte [ e fazendo ar sério ] e vai sair mais. Isso foi o que nós conversamos. A reformulação vai ser grande.  Então o Palmeiras não tem como trazer cinco, seis, não tem, então o que foi conversado na diretoria? Nós fizemos várias reuniões que nós temos que revelar jogadores. O Palmeiras tem que ter jogador do Palmeiras.

 

A parceria é super importante [ referindo-se à Traffic ] mas o Palmeiras tem que ter jogador nosso [ apontando o dedo para o chão da Academia ] , está certo? Precisa ter jogador do Palmeiras.

 

JOTA: Mas isso é tranqüilo? A revelação demora um pouco, mas a curto você está tranqüilo que a gente possa…

 

MR: [ interrompendo ] … eu acho que essa safra que está aí e muito boa! A gente tem que ter paciência com ela, a gente não pode queimar essa safra. Outro dia nessa semana eu trouxe o Juninho, que é o técnico da Copa São Paulo.

 

JOTA: Que, aliás, fez um belo trabalho.

 

MR: Está fazendo um bom trabalho faz tempo, então eu fiquei conversando com ele quase uma hora ali [ apontando no sofá da sala ] porque tenho a idéia de trazer alguns moleques, mas queria saber o que ele acha, porque não estou lá no dia a dia. Quem manda é o técnico do dia a dia. Então eu falei para ele que tenho a visão desse, desse e desse, o que você acha? Então ele falou que eu tinha razão desse e desse. 

 

3VV: Você tem ascendência sobre as categorias de base?

 

MR: Não, aqui não é assim, mas eu acompanho muito as categorias de base e respeito muito o que os treinadores pensam e fazem.

 

3VV: Por exemplo, o [ Carlos ] Bianchi, quando era treinador no Boca fazia questão de ter  no contrato que ele mandava desde as categorias de base até o time profissional. Ele queria muito acompanhar o jogador mais ou menos nessa linha até chegar ao ponto de querer influenciar no padrão tático que deveria ser o mesmo para as categorias de base até o profissional. Você gosta desse modelo? Você acredita nesse modelo? Você acha que faz sentido?

 

MR: Primeiro que acho que técnico não precisa disso. Já me falaram várias vezes se eu queria isso e eu não quis. Mas lancei vários jogadores, vários. E é obrigação do técnico, mas eu acho meio esquisito porque alguns técnicos ganham com isso…

 

3VV: [ interrompendo ] o Bianchi tinha parte da remuneração pela venda dos jogadores.

 

MR: É eu sei. Mas isso daí é meio esquisito. Ele pode querer lançar o seu, mas não lançar o outro jogador, uma puta confusão. Aí aparece um garoto bom que não veio da base e ele não vai querer lançar… Agora eu acho obrigação do técnico acompanhar as categorias de base. Então ele não tem que ter isso no contrato, mas tem que acompanhar.

 

Eu não tenho no contrato, mas eu acompanho a base, eu trago o cara  para treinar comigo. Isso é uma coisa minha, não me pediram para fazer, ninguém pediu para eu fazer, mas eu faço porque eu acho que é interessante para o clube porque é só assim que se descobre jogador. Eu conversei com o Juninho aqui um tempão, e perguntei de alguns jogadores. Tem jogador [ do time da Copinha ] que está no ponto, mas tem jogador que não. O Ramos por exemplo que é um jogador interessante. Mas ele às vezes participa pouco do jogo. Repara que o cara na televisão às vezes fica 5 minutos sem falar o nome dele. Isso não pode. Então só pega a bola, dribla e chuta?

 

Então o jogador tem que ser orientado, tem que treinar, porque não pode um jogador ser só de uma jogada. O treinador adversário assiste o jogo e fala – está vendo aquele número 10? Ele só tem uma jogada que ele arruma com o pé esquerdo e solta a porrada, então marca essa jogada.

 

Então ele tem que ser orientado, treinar jogada em profundidade, treinar jogada em diagonal,  aprender a vir buscar mais a bola.

 

JOTA: E consegue mudar isso?

 

MR: Sim, o Juninho está fazendo o trabalho com ele. E ele faz assim: – eu vou te pôr aqui [ faz a cena com as mãos como se estivesse orientando em campo colocando o jogador na ponta esquerda ]– você faz o cara jogar a bola e ir às costas do lateral, vai lá sofrer um pouco. Por quê? Porque vai dar profundidade.  Isso daí treinador preguiçoso não faz. Mas aqui a gente faz. O Juninho está orientando o menino.  

 

3VV: Na categoria de base você consegue formar jogadores para uma determinada posição? No ano passado ouvi que o Internacional ia começar a desenvolver nas categorias de base lateral direito, porque no Brasil a gente tinha dificuldade de achar jogador dessa posição. Então na  categoria de base ele iria pegar o bom jogador e ia treinar como lateral direito. Isso funciona?

 

MR: É o seguinte: há algum tempo começou a acabar os laterais no Brasil. Na Argentina têm lateral, volante, meias. Mas no Brasil não. Começou a acabar já nas categorias de base. O que acontece? É o seguinte: o dirigente que está embaixo quer ganhar títulos para um dia chegar lá em cima. Por quê? Porque ele é vaidoso, ele quer ter uma carreira no clube, é um direito dele. E o que acontece? Ele pressiona às vezes um técnico para ganhar. Quando eu voltei aqui para o São Paulo fui ver o infantil jogar. Pô, o cara jogava lá com três zagueiros, três volantes, três não sei o que, tudo gigante. Um dia me chamaram para dar uma palestra e eu falei – você está de brincadeira cara! Encheu de tática e sei lá o que, mas nessa categoria em primeiro lugar é o passe. O garoto tem que ser livre, tem que jogar como se joga normalmente, com volante, lateral, meias, número 11, 10, essas coisas de antigamente. Mas por que eles fazem assim? Porque eles precisam ganhar! Se o treinador das categorias de base não ganha, o cara está na rua.

 

JOTA: Ele perde o emprego.

 

MR: Pois é… e olha, todo mundo quer ganhar. Eu também quero ganhar! Mas só que nas categorias de base não tem só que ganhar! Ele tem que formar jogadores. Não adianta encher uma sala cheia de troféus, mas não revelar jogadores. Está certo? Não adianta nada. Igual à Copinha, que o Palmeiras não ganhou, mas teve um puta trabalho. Mostrou bons jogadores, o lateral também é bom, até tem time que já quer ele. Agora o Palmeiras está fazendo laterais, o número 10 é número 10. O Ramos, pode ser que ele tenha que melhorar, mas ele é 10! Os volantes são volantes, os dois laterais do Palmeiras são laterais. Por quê? Porque o Palmeiras está jogando assim e porque tem que ser assim. Não importa se ganhou ou não, mas pô, tem um puta trabalho, essa safra é muito boa!

 

Agora, você vê muitos clubes que falam “puta treinador de merda, não ganhou a Copinha”. Tem que ver o trabalho do Palmeiras nessa Copinha. Fez um puta trabalho, não é brincadeira o que essa Copinha foi para o Palmeiras. Perdeu porque é coisa do futebol, pesa o emocional, tem um monte de coisa. E o treinador tem que acompanhar e discutir com o técnico da base. Por exemplo, o Internacional tinha um bom jogador que jogava de volante mas começou como meia. Eu falei com o treinador e coloquei ele como lateral direito. Era o Elder Granja. Depois jogou aqui.

 

3VV: Ele era meia?

 

MR: Ele era meia, a carreira sempre foi meia. Eu não tinha lateral lá então coloquei lateral.

 

3VV: Mas você não parece que faz muitas invenções no jogo…

 

MR: Depende, se precisar mudar a gente muda. Outro dia o nosso time estava perdendo. Então tirei o Figueroa e coloquei um ponta direita que era o Daniel [ Lovinho ]. Pode reparar, ele jogou na ponta direita, que é onde ele se dá bem.

 

Coloquei o Daniel para dar continuidade no jogo, e o Marcio Araujo na direita, porque ele já jogou no Atlético Mineiro de lateral direito. Mas essas mudanças você faz se o jogador tem jeito. Naquele jogo eu não tinha muita opção, apesar de ter o Wendel lá. Mas eu precisava de um cara que fosse mais prá frente. Mas o cara tem que ter tendência para ser lateral, senão é loucura.

 

HB: Mas você falou da Argentina, você acha que a Argentina está jogando um futebol melhor que o nosso?

 

MR: Não, mas eles jogam da maneira que o mundo joga. O único país no mundo que está jogando com três zagueiros e agora está voltando a fazer tudo direito é o nosso. Por quê? Porque não tem zagueiro e porque não tem mais lateral. Não tem mais lateral! O São Paulo? Mudou [ o esquema de jogo quando Muricy saiu ] e se fudeu. Aí voltou a ter dois zagueiros de novo, mas não lateral. É claro, eles só têm alas, então não vão jogar com dois zagueiros porque eles não têm time para jogar assim. Tentaram mudar, eu saí, aí quer fazer bonito para a imprensa e tal,  aí o novo técnico fala, vou mudar porque Muricy saiu ( eu era tricampeão ) jogou sabe quanto? Quatro partidas. Na 5ª partida voltou tudo como era.

 

3VV: Então desmistificando o que a  imprensa fala, você não é apaixonado pelo 3-5-2?

 

MR: Claro que não. O Palmeiras joga com dois zagueiros. Por quê? Porque tem dois laterais. Porque eles são estrangeiros. Por quê? Na Colômbia joga assim, no Chile joga assim, joga-se com dois laterais, não se joga com alas. É diferente nós temos o Wendel também para a lateral agora. Esse é o tradicional, normal, são meias, são números 10. Agora, não adianta nada esse esquema se não tem um 10. O Palmeiras não tem um 10, como um Ademir da Guia… só tem cara que é força, corredor.

 

HB: Mas você jogaria com ponta?

 

MR: O Palmeiras está jogando assim agora: Deyvid Sacconi do lado direito e Cleiton Xavier do lado esquerdo. Só que o Xavier tem um pouco de dificuldade, porque ele é destro, mas o Palmeiras está jogando assim. É o que nós temos. Então eu tive que abrir dois caras para o lado, enfiar o Robert e trazer o Diego um pouco para trás. O Palmeiras está jogando assim agora, como na Europa, com dois caras do lado do campo.

 

JOTA: O Tim, você o conheceu como técnico, falava uma coisa, e te ouvindo agora eu lembrei. Ele dizia – faça o que vocês quiserem que a joga no WM – não mudou nada e você me parece que está defendendo essa tese.

 

Então ele dizia faça o que quiserem, claro, mudou a movimentação, mudou o preparo físico, mas no fundo os jogadores formam um WM, MM, WW, mas enfim, não fugiu disso, que eram os zagueiros, meias, volantes e tudo mais. Mas para a preparação fica do jeito que está indo você não acha que daqui alguns anos nós vamos ter só três posições fixas? O goleiro, o stopper e um centro avante de referência? Os outros vão ser volantes destro, ambidestro, canhoto que ataca que defende e cada técnico vai ter que trabalhar esses oito de acordo com o adversário?

 

Finelli: Stopper?

 

JOTA: É um zagueiro médio… central…

 

MR: é um zagueiro, era chamado assim…

 

JOTA: ele entendeu [ risos ] …

 

MR: Eu acho que a parte física também conta no futebol, não tem como fugir. O atleta hoje é assim. Não é como antigamente. Então eles estão correndo cada vez mais tem que se preparar cada vez mais pode chegar esse dia ainda. A Europa por exemplo, hoje contrata quem quiser, forma o time que quiser. Hoje eles têm jogadores mais técnicos…

 

3VV: É e não dá para comparar…

 

MR: … lá eu chego para o presidente sei lá, do Manchester, e falo – então eu quero contratar aquele lá, aquele e aquele. E eles vão contratar! Aí é fácil também!

 

Aqui [ referindo-se ao futebol brasileiro ] você pede o Paulo eles trazem o Pedro, porque não tem jeito porque o dinheiro não dá para o Paulo, então traz o Pedro que é mais barato. E então você tem que se adaptar, improvisar. Então não é fácil ser treinador aqui, mas pode chegar esse dia porque a correria está tão grande que vai ter cara que vai fazer vários papeis. Hoje já tem jogador que faz isso.

 

JOTA: Diego Souza…

 

HB: O que você acha do Rinus Mitchel? [ técnico da seleção holandesa de 1974, que inventou o carrossel holandês ]

 

MR: Ele fez uma mudança porque era tudo igual. O futebol ainda é o único esporte que não mudou a regra, só coisa pequena (não passar a bola para o goleiro essas coisas). É diferente do basquete, do vôlei, que mudaram. O futebol não mudou. Então quem inventou algo novo foi esse cara, ele surpreendeu pela condição física e botou um monte de cara de laranja numa correria danada… [ risos ].

 

HB: Eles não tinham tradição…

 

MR: Foi uma geração só, mas se você conversa com quem enfrentou esses caras… falei com o Pedro Rocha que jogou contra os caras em 74 e ele disse que era uma loucura. Parecia um caminhão de laranja que caía em cima dele. [ risos ] O cara chutava a bola prá qualquer lugar. Na verdade ele fez isso só com a condição física.

 

JOTA: Não tinham nenhuma tradição, e foi uma geração só.

 

MR: … mas eram jogadores diferentes… esses cara não se repetem, aparecem numa safra só.

 

3VV: E hoje no mundo tem alguém jogando diferente assim? O Barcelona?

 

MR: Não tem um time jogando diferente. O Barcelona é refinado, tem o toque de bola refinado, é diferente pelo jogador que eles têm. Porque os esquemas são iguais. Eles abrem dois pontas, Henri desse lado, Messi do outro lado. Eles colocam o Messi na ponta direita. Aqui se eu coloco o melhor jogador do mundo na ponta vão falar “você está louco?”. Vão me chamar de louco. Aqui nós somos os melhores do mundo, pentacampeões do mundo, mas os caras enxergam o futebol mal prá cacete. [ risos ] Se você fizer isso que faz na Europa, pegar o Messi que lá joga de ponta direita, e o francês – Henry – na ponta esquerda, e o sueco [ Ibrahimovic ], então você é louco. Imagina, colocar um cara canhoto na ponta direita… [ risos ]   

 

Mas é o time que joga melhor no mundo.

 

JOTA: Por que nenhum técnico brasileiro nunca deixou nada escrito? Não tem um livro de técnico brasileiro de táticas? Não livro de memórias, mas livro de táticas.

 

MR: Sabe o que eu acho? Eu acho que no Brasil a gente discute muito pouco futebol, muito pouco.

 

JOTA: Discute paixão só.

 

MR: Sim, a gente discute o básico, mas não discute assim que não tem encontro, não tem congresso. O Parreira tem uma coisa muito interessante que ele não faz futebol ele faz psicologia. Você vai tem  um lugar que tem 10 caras fazendo daí você está com saco cheio de ver o cara fazer, então você vai lá e tem a Regina  Brandão, que é o melhor que tem em psicologia; não quer mais ver sobre psicologia, vai ali que tem um cara que é treinador de goleiro; então num congresso desse você vê o melhor.

 

Mas é um só que se faz no Brasil. Então a gente não cresce. A imprensa não cresce. Porque nesse congresso não é só treinador que tem que participar. Todo mundo do futebol tem que participar, mas não acontece assim. Então não se marca nada no Brasil, não se tem nada, então cada um tem que aprender do jeito que dá.

 

Eu por exemplo, eu vou ao curso do treinador para dar palestra, mas um curso pequeno, pouco tempo, não resolve muito, mas você aprende pouca coisa. Isso é ruim no futebol para nós que somos técnicos e técnico no Brasil não gosta de estudar, ruim para a imprensa nossa que é mal informada, muito mal informada e por quê? Porque não se interessa, porque criou no Brasil uma coisa que é polemica isso é o que mais tem no Brasil.

 

3VV: É o que vende.

 

MR: É o que vende.  Então está uma porcaria, virou “futebol de boca”, mas está chato, não tem uma discussão mais profunda, lá [ referindo-se à imprensa ] eles sabem de tudo, eles ficam lá em cima na cabine, já falei isso, lá em cima ele não perde o jogo.  Está muito chato, chato o futebol de boca, está chato demais. Eu não tô agüentando mais programa de televisão. Eu vou na 2ª feira [ programa do dia 1/fev ] porque o Galvão Bueno me convidou, mas eu não vou mais à televisão porque está muito chato.

 

3VV: A gente percebe que você mexe pouco no time, pelo menos com troca de jogares durante o jogo. É falta de opção no banco ou é um estilo?

 

MR: Não, aqui é mais por falta de opção mesmo.

 


3VV: Dizem também que você é um treinador que não é muito chegado a essa parte motivacional do jogador. Mas você acabou de dar importância à parte psicológica, quando citou o congresso. Qual o valor que você dá efetivamente nessa coisa da motivação do jogador? Como é que você trabalha isso?

 

MR: Sabe o que acontece no futebol brasileiro? É muito marketing que alguns treinadores  gostam de fazer. “Eu faço isso, faço aquilo”, tudo publicamente. Então, por exemplo, aqui [ levanta e pega uma pasta com um relatório ] está aqui o time do Palmeiras todo analisado pela psicóloga. Aqui todos os jogadores do Palmeiras são analisados pela nossa psicóloga.

 

[ sacudindo a pasta ] Então está aqui ó, a característica e o tipo de treinamento que cada jogador tem que ter. Eu tenho o time todinho aqui para lidar com o jogador. Então acontece que no Brasil você pega um cara que fala – eu sou moderno, uso computador – mas engana todos esses bobões aí. Então eu não preciso ficar falando. Eu dou valor a isso, a gente trabalha com a equipe da Regina Brandão.

 

E por quê? Porque o Palmeiras mostrou nos últimos anos que nas rodadas finais o Palmeiras cai. Por quê? Porque o Palmeiras está buscando um título, o Palmeiras é muito grande, porque o lado político também é muito forte.  Então temos aqui todas essas coisas que você sabe que influenciam no futebol. Então esse lado psicológico é super importante, mas nós temos a parte psicológica sendo trabalhada, mas só que a gente não fala, eu não tenho que ficar mostrando as coisas que eu faço.

 

Então o lado motivacional que você falou: a grande imprensa não sabe nada, nem entende o que é isso, o que acontece com um time de futebol, um jogador de futebol. Vou dar outro exemplo: técnico brasileiro, aliás qualquer técnico não é preparado para mexer na cabeça do ser humano, ele não é psicólogo! Ele não sabe onde vai atingir ou o que ele vai atingir. Então tem time que, por exemplo, no campo deles, estádio super lotado eu sabia como o técnico trabalhava, porque os jogadores falam. Então eu sabia e eu falava.

 

“Moçada nós vamos ganhar desse time assim, assim, assado e eles vão se perder logo, só a gente ter paciência no começo. Vão começar a perder a cabeça porque o cara é louco, o cara põe pilha para caramba nos caras.”

 

E o que acontece não tem erro um chutou a cabeça do jogador daí foi expulso. Nós ganhamos assim brincando, por quê? Porque a tal motivacional estava em baixa. Tem que motivar quem é capacitado para motivar.

 

Outra coisa: o treinador para mim não tem que ser motivador do time grande. Eu já motivei jogador de time pequeno, que não pagava salário, que não tinha estrutura. Claro, o cara não tem comida, não tem merda nenhuma [ risos ] aí, eu pagava comida para o cara, daí eu tive que contar história para o cara. “Se você não jogar aqui nós estamos fudidos, você está morto vai estar mais morto ainda, vai morrer de fome.” [ risos ] … esse sim precisa de motivação!

 

3VV: Não tem jeito.

 

MR: Pois é, eu tinha que falar: “ou você melhora e nós ganhamos essa merda ou estamos fudidos”.

 

Agora o que eu não concordo? Joga no Palmeiras, daí o Palmeiras tem um centro aqui, tem um campo para treinar, te paga em dia, o Palmeiras te dá o melhor hotel que tem, ele te dá voo fretado, o Palmeiras te dá tudo e eu ainda vou ter que ser motivador?? Nem fudendo! O jogador do Palmeiras é o cara mais motivado do mundo!! Eu não sou motivador, eu sou só cobrador de coisas. Eu vou cobrar o cara, porque tenho que cobrar o cara que ele é pago para isso. Então essa frescura aí, isso é uma frescura, isso é uma muleta que dão para o jogador. Então também o lado psicológico motivacional… vá se fuder cara! Vai reclamar quem é o motivador! Eu sou cobrador de coisas. Então isso daí é uma grande mentira que tem no futebol, uma grande mentira.

 

3VV: [ risos ] então o time tem que ter alguém com esse perfil?

 

MR: Não, então vou te falar. Como pode um técnico que está em cinco finais de brasileiro seguidas, fui vice chego a todos os campeonatos brasileiros, mas não sou motivador? Onde que está? Eu não entendo essas coisas eu não entendo essa salada, por quê? Porque isso é uma grande mentira. Por quê?  Porque existe um trabalho psicológico… mas ninguém sabe.

 

3VV: Profissional?

 

MR: Profissional, correto. Eu estava com um problema com um jogador aqui.  Eu estava com um jogador aqui bom, mas que não estava jogando porra nenhuma, ia mandar embora, teve uns problemas pessoais e tal. Eu falei: preciso dar um jeito nesse porra aqui, como que faço? Chamo a psicóloga. Ela deu o diagnóstico. Ela falou: você tem que fazer assim, assim e assado. Então pus o cara aí no sofá.

 

Mas assim eu posso agir, aí eu posso agir com uma pessoa profissional que está me orientando para eu agir.  Então o que tem que se fazer? Em um cara talvez tenha que dar uma pancada na cabeça dele porque ele é filho da puta, o gênio dele é esse. E outro? Outro cara você tem que abraçar, beijar. Eu não posso falar o que eu fiz com o atleta, eu não posso falar para eles, porque isso é o lado importante, o lado individual do atleta.  O atleta não gosta disso porque você está expondo o cara.

 

Então tem esse negócio motivacional, e eu faço tudo isso que os caras falam, mas só que eu não falo, eu não exponho as coisas. Eu não gosto de discutir com esses caras [ imprensa ] porque eles criam polêmicas, porque eles acham que futebol é polêmica. Então eles acham que quem perde é uma merda, quem ganha é bom, mas não é bem assim porque às vezes quem ganha é uma merda e quem perde é muito bom.

 

3VV: Eles vão ao que é mais fácil para ver e vender.

 

MR: Claro. Eles vendem o pior! Quanto pior melhor para eles. Por isso que estou brigando com eles, e vou brigar mais ainda. Pegaram o Palmeiras, porque o Palmeiras é aberto para isso, então vou colocar um cara que é bom para isso. Vou bater neles para caramba, porque eu não acho justo. Eu acho uma mentira, eles não veem a melhora do clube. Eu sei por que estou dentro, estou conhecendo o Palmeiras. Os caras vem me falar e não compara o Palmeiras antigo e o que ele é agora. O Palmeiras está crescendo.

 

3VV: O Palmeiras desse ano; você já está seis, oito meses aqui. Como é que você compara esse Palmeiras que você tem agora, que está em formação, com aquele que você encontrou? E o próprio Muricy que diferenças que você vê em 2010? Que perspectiva você pode nos dar para 2010?

 

MR: O grande problema disso é você falar de coisas do passado e coisas do presente. Por quê?  Se você fala do passado às vezes tem que falar em nome de jogadores. Por exemplo, que foi contratado mas não deveria ter sido, então é uma coisa de pessoas e eu não gosto de fazer isso. Às vezes também pode parecer uma desculpa porque a gente não ganhou campeonato, mas também eu não gosto de fazer isso. O que eu acho que nós temos que ter um perfil diferente de atletas que tínhamos.

 

Agora eu já estou conhecendo melhor as pessoas do clube, conhecendo melhor o que a torcida pensa, o que o torcedor do Palmeiras gosta. Então nós estamos mudando o perfil do cara. Então esse negócio do cara estar ali e não dar retorno, aqui não serve.

 

Existem coisas que não podemos falar porque é de outras pessoas, mas está mudando o  perfil. Então a gente quer um cara forte,  jovem, valente que jogue, que goste do lugar. O cara que gosta do Palmeiras, a gente percebe que o cara do Palmeiras é valente, que o cara brigador. É isso que eles querem, mas tem que saber jogar, o cara tem que dar a vida aqui mesmo é assim é um clube que é chato para jogar, difícil de jogar. O cara tem que ter esse perfil de personalidade. A personalidade do cara é super importante, senão não joga.

 

3VV: Você falou das dificuldades de contratações, mas você também falou de jogadores que você indicou para a Traffic, também sem falar nomes, mas a gente percebia que no ano passado ela mandava muito outros jogadores jovens, digamos assim, que eram mais aposta que realidade.

 

MR: Que é mais ou menos isso que eles pensam.

 

3VV: Isso com você mudou alguma coisa? Você está querendo jogador da Traffic que seja menos aposta e mais realidade?

 

MR: Acontece o seguinte que são estilos diferentes da pessoa que estava aqui, é diferente os técnicos daqui,  eu sou bem diferente. Se for bom ou não é bom isso não interessa que cada um tem o seu estilo. Então eu respeito demais parcerias, mas eu já falei a eles que se um dia “micar” um jogador para eles o dinheiro não é meu, é deles, mas eu não quero que um dia ele jogue na minha cara que eu os fiz comprar um jogador que é uma porcaria, essas coisas todas.

 

3VV: Mas esse é o risco deles…

 

MR: Não, mas se o técnico fala eles compram, eu sei como funciona eu estou vendo agora. Então eu não quero fazer isso. Então a minha parceria é essa: se for bom para eles e bom para o Palmeiras, interessa. Se for só bom para eles não me interessa,  porque eu tenho contrato com o Palmeiras não com eles. Isso eu falei com o Hawilla. E a gente conversa isso há muito tempo, então ele sabe como eu sou com relação ao futebol. Eu visto a camisa do clube, não tenho medo de nada.

 

3VV: Ele entendeu bem a sua posição?

 

MR: Tanto é que a gente tirou daqui alguns jogadores deles. Sabe por quê? Porque ele reconheceu que está certo o que eu estou fazendo, não deu certo a contratação, sei lá. Ninguém é bobo no futebol, ninguém é bobo. Então ele é um parceiro importante. E agora eu estou sabendo que jogador é de quem, quem é quem, mas  eu não sabia quem era quem. Estou sabendo, mas para mim não interessa de quem é o jogador, eu não tenho compromisso com ninguém. Eu tenho compromisso com o Palmeiras porque vou ser cobrado pelo torcedor do Palmeiras.

 

Vou te contar uma coisa e eu sou muito agradecido aos torcedores. Por quê? Porque os caras estão me apoiando até hoje, o time não ganhou, mas eles estão me apoiando.  Então ainda mais agora eu vou dar a vida mesmo.

 

Então não tem esse negócio que é de fulano, sicrano não interessa nada. Se for bom para o Palmeiras é bom para o Palmeiras. Se eu puder ajudar eles com uma boa indicação, eu indico. Como eu já indiquei, indiquei um jogador para eles Eu fiquei a tarde toda aqui vendo dois jogos do Paraguai, dois jogos. Não é fácil não. [ risos ]

 

O próprio time do cara, que era do time que o Arce treina, o Velásquez, já saiu no jornal. Mas é um time médio. Aí assisti ao jogo do cara. 90 minutos. Só que a porra da bola não chegou no jogador nos 90 minutos!!! [ risos ] …

 

…mas por quê? Porque é compromisso do treinador e eu não posso dar opinião para o cara sem conhecer. O que acontece? Assisti ao jogo. Depois peguei  o Fernando [ funcionário do clube ], e o Palmeiras mandou ele para o Paraguai ver o treino dele. E o Fernando  deu a opinião dele. O cara é bom! É bom pro Palmeiras? Não sei.  Eles vão comprar daí vamos ver se é bom para o Palmeiras ou não.

Mas olha, eu sou foda, ficar vendo jogo do Paraguai, ainda doi

96 respostas em “3VV Entrevista: Muricy Ramalho (parte 1)”

Simplesmente SENSACIONAL!!
Parabéns pela matéria!
Já era fã do Muricy quando treinava os bambis e agora, então…
Autêntico sucessor do Mestre Telê.
Vamos dar um voto de confiança ao trabalho dele!
FORZA PALESTRA!!!!

Parabéns ao pessoal do 3VV, ótima entrevista.
Acho bom fazer entrevistas desse tipo com o Muricy, muita gente que torce pro nosso VERDÃO tinha um Muricy “arrogante” em mente, eu nunca vi isso. Nem agora que ele nos treina e nem quando treinava outros times, eu via um cara sério. Que trabalha, fala na cara e não tem medo de cara feia. Honesto e trabalhador, o Muricy merece muito ganhar títulos pelo Palmeiras, afinal suas raízes são PALESTRINAS. Contrariando o que muitos diziam dele ter maior ligação com o lado “rosa” do outro muro.

FORZA MURICY!

Ótima matéria!
A gente tem que continuar apoiando o Mucicy como temos feito, pois os resultados virão.
Ele é sério e está fechado com o time.
Abs a todos

Essa entrevista só me leva a crer que o cara é parceiro, leal e tem honra. Além disso tem raizes palestrinas, só perde mesmo para o Big Phil que marcou época no Palestra com seu jeito e titulos, aposto que se o Muricy triunfar no Verdão com certeza entrará para o hall dos grandes técnicos palestrinos. E ele merece vencer. Tomare que ele possa vencer no Palmeiras e não apenas como aconteceu no Inter onde ele montou o time para o Abelão ser campeão.

É impressionante como esse cara conhece e respira futebol. Espero que ele fique uns 30 anos no Palmeiras. Parabéns Muricy. Tenho orgulho de torcer para o Palmeiras e ter um técnico como você.

Se já apoiava Muricy antes da entrevista passei a apoiar muito mais depois dela, mesmo depois depois desse empate contra a lusa. O cara é sério e faz um trabalho sério, é só dar ferramentas pra ele que um título vem ainda esse ano.

Bela entrevista e, de boa, não dá pra não gostar de um cara tão sincero como o Muricy. Valeu equipe do 3VV por nos mostrar um pouco mais do nosso técnico que manja demais de futebol. Para quem extrai coisas positivas do texto, o Muricy também deu uma aula sobre visão de futebol.

Abraços.

Show de entrevista e de sinceridade.
Mostrou que é um cara honesto e trabalhador.
Merece voto de confiança, acho que o time está em boas mãos.

Vicente,
Parabéns pela entrevista. Sincera e muito esclarecedora, pois muita gente não vê o trabalho que é realizado dentro do clube. Preferem acreditar nas fofocas da imprensinha que gosta de atear fogo no Palmeiras.
Espero que ele continue por mais tempo no Palmeiras e que dê este perfil que ele mapeou ao jogadores, pois não esperamos nada além disso. Um time que lute até o final, mesmo perdendo.
Já passei o link para vários Palmeirenses, aliás, Vc precisa colocar um link pra indicar as matérias, teria mto mais divulgação para o proprio site.
abs e novamente parabéns pra vc e para o Jota

Vladimir (#82) você pegou num ponto que acho que poucos notaram. Eu também percebi isso quando ele falou. Será o melhor interlocutor do Palmeiras dos últimos anos.

Abs

Nossa! De longe a mais descontria e melhor entrevista que eu já vi! O Muricy realmente é o cara. Vocês estão todos de parabéns! E tenho certeza que o bom trabalho está sendo feito!

AH! É! MURICY!!!

Vicente, literalmente estou sem palavras para expressar meu sentimento após leitura desta entrevista sensacional, Muricy é o cara! Dedicado, aplicado, me doi muito mais agora saber que ele como treinador queria muito mais que nós palmeiresenses tanto aquele brasileiro, mas… passado é passado, acredito nas suas palavras e nas conquistas que ainda viram, as vezes a derrota nós ensina muito mais do que a vitória, tenho muito orgulho em ser Palestra, frequentar o blog, conhecer a pessoa fantástica que é o Jota e admirar demais o seu trabalho e respeito ao Palmeiras Vicente! Saudações Palestrinas e muito obrigado, de coração, por poder me proporcionar um sentimento tão marcante, onde nenhum canal de comunicação já realizou com tanta competencia e seriedade, um forte abraço Vicente e saudações a todos os palestrinos!

Vicente, a entrevista está sensacional!
Eu, para ser bem sincero, nunca gostei muito do Muricy, muito mais pelo ódio que tenho pelos bambis, do que por outra coisa, porém, ao ler esta entrevista me surpreendi por várias vezes e estou repensando vários pontos sobre minha opinião a respeito do nosso técnico.
Sinceramente?
Fiquei feliz, pois tive a certeza de que Muricy está trabalhando com muita seriedade e empenho e, fiquei mais satisfeito ainda, ao constatar que ele está muito antenado com o extra campo.
E, por falar em extra campo fiquei muito curioso com esta parte da entrevista:

“Claro. Eles vendem o pior! Quanto pior melhor para eles. Por isso que estou brigando com eles, e vou brigar mais ainda. Pegaram o Palmeiras, porque o Palmeiras é aberto para isso, então vou colocar um cara que é bom para isso. Vou bater neles para caramba, porque eu não acho justo. Eu acho uma mentira, eles não veem a melhora do clube.”

Por acaso teremos algum profissional que cuidará exclusivamente da “imprensinha”?
Parabéns Vicente e equipe 3VV

Parabéns ao 3VV.
Sempre achei o Muricy honesto e trabalhador. Essa entrevista só confirmou isso. Pena que técnico não entra em campo…

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