Projetos estruturantes ou aumentar a luz

POR VICENTE CRISCIO

A semana do palmeirense (falando sobre as quatro linhas) se caracterizou por uma redenção após a vitória sobre o time do SPFC por 2×0 no domingo e a goleada na Copa do Brasil por 4×0 sobre o Flamengo-PI, com direito a dois gols de Robert e golaço de Edinho, após excelente jogada de Ivo, que se apresentou na 3a e jogou na 5a.

Teve como destaque também a apresentação de Ewerthon.

O Palmeirense mais entusiasta bateu no peito orgulhoso: “agora vai”.
O Palmeirense mais cético bateu na cabeça incrédulo: “ainda não temos time”.

Afinal de contas, temos time? temos elenco? o problema era só o técnico? podemos aliviar nossas pesadas almas? Nem tanto meu caro, nem tanto.

LUZ MAIS ACESA

Há uma antiga parábola em administração que dizia o seguinte: numa fábrica que teimava em perder produtividade, um consultor, depois de minucioso diagnóstico, recomendou: precisa aumentar a luz.

Os donos da fábrica aumentaram a luz e de fato a produtividade aumentou. Mas depois de um tempo estacionou. Chamado novamente o consultor, não teve dúvidas: aumente a luz.

Os resultados melhoraram até que a produtividade, depois de um tempo, voltou a cair.

Chamado novamente o consultor, ele fez um diagnóstico um pouco mais exaustivo e recomendou decisivo: “é hora de diminuir a força da luz”.

TROCA DE TÉCNICO RESOLVE?

A troca de treinador historicamente resolve. Mas nós gravamos na memória apenas as que dão certo. Aquelas que dão errado, procuramos esquecer. O Flamengo de 2009 só resolveu quando colocou Andrade. Depois de Cuca e outros que passaram. E mesmo assim, o Flamengo só foi campeão pelos motivos já conhecidos por todos.

Mas há que se dar o braço a torcer: quando você tem uma estrutura viciada, onde jogadores já não acreditam no técnico, e onde a diretoria também não sente mais confiança, seja pelo estilo diferente de trabalho, seja pelas suas deficiências (todos têm), faz-se duas coisas: ou monta-se uma estrutura que faça com que aquele treinador funcione (assumindo que se ele foi contratado os dirigentes o conheciam adequadamente) ou então troca-se o técnico. Pode ser mais caro no curto prazo mas também é a solução que apresenta maior possibilidade de trazer resultado no curto prazo.

E quem sabe, se assim for, o Palmeiras entra num ciclo positivo. Arena em vias de formalizada no papel, time ganhando (quem sabe?) uma Copa do Brasil, pressão reduzida, as condições ficam propícias para você trabalhar. Fazendo o quê?

Reduzindo a dependência do parceiro Traffic; criando fontes de valor sustentáveis (em português, projetos de marketing integrados); renegociando e alongando a dívida;  eliminando déficits do clube. Se afastar de aliados políticos nefastos.

E nas quatro linhas? parar com essa ideia viciada de que só 2 ou 3 entendem de futebol. Ouvir as cabeças mais jovens. Criar uma equipe de profissionais com autonomia mas que sejam medidos por indicadores tangíveis de desempenho. Quais indicadores?

% de pontos conquistados no ano;
Custo de cada ponto conquistado;
Número de jogadores contratados x desligados;
% da folha de pagamento de comissão/jogadores sobre total do orçamento de receita;

E mais indicadores para as categorias de base, perigosamente deixadas de lado durante tanto tempo e neste momento dando ao palmeirense aquela ideia de que: “agora vai”.

Mas fazer tudo isso de verdade, sem papo, trabalhando no silêncio.

Mas e se não acontecer isso? Bom, há sempre a chance de se aumentar a luz de novo.

Para bom entendedor…

***

DESTAQUE 2: QUANDO TEM PROBLEMA NINGUÉM FALA NADA?

O destaque número dois da semana vem do tema “arena e copa do mundo 2014”. O Morumbi foi rejeitado pela FIFA mais do que três vezes. Nem Jesus na bíblia foi tão achincalhado pelo parceiro “Pedro”. Mas a imprensa não registra isso.

Registra Maureen; registra um contrato com parceiros no estádio que não existe; registra que a “gestão no futebol mais competente do Brasil” continua muito bem obrigado.

Ma a tal imprensa (com raras e honrosas exceções) além de não falar dos problemas crônicos de estádio, também não critica que Cleber Santana, Léo Lima e Cicinho podem ser os grandes fiascos das contratações no Jd. Leonor em 2010.

***

DESTAQUE 3: ANDRES ANDA BATENDO DURO

E mais um: Andres Sanches. O Presidente do Corinthians merece nossos cumprimentos. Quando o Corinthians estava na pior, trabalhou quieto. Não falou sobre o que não tinha.

Agora fechou um patrocínio pela camisa de R$ 45 milhões. E desafiou Juvenal Juvêncio, Presidente do SPFC. Referindo-se sempre ao “time do Jardim Leonor”, Andres comentou na semana que JJ tinha duvidado que o Corinthians conseguisse o tal patrocínio. Andres desafiou JJ a abrir o contrato quando (sim, quando) os representantes de Jardim Leonor ou Vila Sonia conseguirem fechar um. Ele também mostrará o dele.

Aliás taí um bom exemplo: entre 2007-2008 o Corinthians era o cocô do cavalo do bandido. Hoje é referência. Independente se havia ajuda de Kias ou resíduos de dinheiro da MSI, o fato é que os caras foram lá, passaram pelo inferno da série B, se fortaleceram para o Paulista e Copa do Brasil e agora estão aproveitando os frutos deste investimento.

Do inferno ao purgatório em dois anos. Irão para o paraíso se ganharem a Libertadores. Se não ganharem…

Saudações Alviverdes!

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