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Fair Play Financeiro

Amigos, dando continuidade aos últimos dois artigos, vamos começar a aprofundar o que a UEFA chama de “Fair Play Financeiro”. Já expliquei que “Fair Play”poderia ser simplesmente definido como honestidade.  Obviamente honestidade deve ser uma constante no futebol em todos os seus aspectos. 

A UEFA quer implementar  a “honestidade financeira”, entendendo que os times que gastam mais do que arrecadam estariam sendo desonestos em relação àqueles que gastam apenas o que arrecadam. 

Como dissemos no posto passado, os clubes europeus somados perderam € 1,1 Bilhão nos últimos dois anos! Ou seja, tem muita gente gastando mais do que poderia…

MAS O QUE TEM A VER “HONESTIDADE FINANCEIRA” COM COMPETIÇÕES DE FUTEBOL??

Na prática, segundo a UEFA, um clube que gasta mais do que arrecada está “turbinando” o seu desempenho esportivo.  

Imaginemos que dois clubes possuem o faturamento de R$ 200 milhões.  Um clube teve lucro de R$ 10 milhões e o outro teve prejuízo de R$ 25 milhões. O primeiro clube gastou R$ 190 milhões e o segundo R$ 225 milhões.  Ou seja, o segundo clube teve a “vantagem” de gastar R$ 35 milhões a mais do que o primeiro!  Talvez dinheiro suficiente para influenciar o resultado do campeonato.  E essa “vantagem” pode ser considerada como “desonesta”.

E é essa “vantagem” que a UEFA quer evitar.

NÍVEL DE RECEITA VS DESEMPENHO ESPORTIVO

Já dissemos por aqui desempenho esportivo é MUITO atrelado ao nível de receita.  A UEFA fez um estudo para 47 ligas nacionais sob o seu comando avaliando o desempenho esportivo do clube de maior receita no país. 

O gráfico abaixo aponta qual a posição obtida pelo clube de maior receita no campeonato nacional, nessas 47 ligas:

 

De maneira geral, o time de maior receita no país, será campeão ou vice em 66% dos casos.  Em 77% dos casos estará entre os três primeiros.  Dos cinco campeonatos que realmente importam: o clube de maior receita foi campeão na Inglaterra, França e Alemanha. Foi vice na Espanha e foi terceiro na Itália.

Geralmente essas colocações garantem participação na Champions League, que também impulsionam as receitas dos clubes. Desta maneira, temos a formação de um ciclo virtuoso: o clube de maior receita tem o melhor desempenho esportivo, com isso ele se classifica para a Champions League, que auxilia tremendamente o clube a aumentar a sua receita em relação aos demais clubes, que por sua vez auxilia a ter a melhor colocação no campeonato nacional…

Percebem porque nós aqui do 3VV tanto insistimos para que o Palmeiras aumente suas receitas?

MAS…

Mas as coisas na vida não costumam ser tão simples.  Muita gente está dizendo que essas regras, se implementadas, vão acabar com as chances dos times pequenos!  E é isso que iremos explorar na próxima semana!

Saudações Alvi-Verdes

* Luís Fernando Tredinnick escreve às sextas-feiras no 3VV explicando a quem conhece, e a quem não conhece, os números do futebol

10 respostas em “Fair Play Financeiro”

# 9 – Luís Fernando Tredinnick
Tá certo então. Quero entender…

Marco Túlio, vou explicar o porquê não no próximo post. Não é tão óbvio, mas prejudica muito os times pequenos.

Kadow, muito boa a coluna. Apareça sempre por aqui.

Abs,

Mas essa regra nao seria benefica para os times menores? Porque assim eles nao ficam em desvantagem pois gastam menos, pois os grandes gastam muito, mas gastam mais do que ganham…

acho que trata-se apenas de material para campanha eleitoral do platini, que é presidente da uefa, ele quer mesmo é a Fifa.

Penchiari, lembre que as regras são da UEFA e não da FIFA. A UEFA parece ser uma instituição mais preocupada com as finanças dos que a FIFA.

Sem dúvida ainda existirão fraudes, porém nos países em que realmente isso importa (Inglaterra, Alemanha, França, Espanha e Itália) o pessoal está apertando o cerco e, as fraudes estão mais raras, com exceção da Inglaterra…

Não quero ser chato, mas hoje em dia a enganação em balanços financeiros é tamanha, que as regras da Fifa vão causar risos nos cartolas dos clubes europeus. vejam o caso da grécia que escondeu bilhões de euros de dívidas.

legal, Luis. Eu acompanhei o outro post e estava aguardando este 🙂

É que o gráfico do desempenho receita x performance me surpreendeu, aí pensei no “caminho curto”.

É só pensar no Chelsea para entender o problema. Mas ali é um misto de lavagem de dinheiro e egotrip.

Em outros clubes, é mais paixão somada a uma certa irresponsabilidade financeira.

E Fábio, muito legais os dados que você colocou no ar. A divisão de renda de TV da Liga Espanhola é quase desonesta…

mas é uma questão cultural mesmo, totalmente inversa à dos EUA, com mais equilíbrio nas divisões de receitas de uma fonte só, como TV.

Belo debate

Marcos, no post anterior eu coloquei os dados de lucro/prejuízo consolidado de cada país. Lembre que na Inglaterra o prejuízo médio é de 12% da receita.

Juntando várias fontes de informações, sei que ao menos 9 clubes na Liga da Inglaterra apresentam prejuízo. Na maior parte dos casos, o prejuízo é dos times grandes, principalmente do Chesea.

Não consegui os dados individuais, mas em breve devo conseguir.

Saudações Alvi-Verdes

Luis, acredito que um dado que seria muito interessante é saber o desempenho dos clubes em relação às despesas.

Se o problema atual é o time se endividar demais (despesas maiores que as receitas), fica ainda mais importante se saber este dado.

Se olharmos apenas para as receitas, não teremos noção de quanto o endividamento serve de “anabolizante” esportivo

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