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Resenha dos Jogos

Paulistão 2010: análise da arbitragem na R13

POR DANILO CERSOSIMO

Foi no sufoco, mas o Palmeiras venceu o lanterna Sertãozinho
nesta segunda-feira, em jogo adiado do sábado, por conta das fortes chuvas que
caiam em São Paulo.

Tal adiamento trouxe certa polêmica, pois parte de imprensa
– e infelizmente até parte da torcida do Palmeiras – jogou no ar que a
diretoria estaria fugindo de seus torcedores. Oras, pelas regras o clube tem o
direito de solicitar o adiamento da partida em casos como os de sábado, que
chovia ininterruptamente desde as primeiras horas da madrugada e deixava o
gramado sem condições de jogo até aquele momento.

Vale lembrar que o adiamento de uma partida pode ser feito
até 4 horas antes do início da mesma, ou seja, o Palmeiras apenas fez valer um
direito que o estatuto da FPF lhe garante. Por ironia, a chuva cessou no meio
da tarde e o sol apareceu, mas era possível prever que o estado do gramado
estaria em condições, quando a solicitação de adiamento foi feita às 11h?

Penso que o clube agiu corretamente e, deveria ter feito o
mesmo nas partidas contra a Lusa e o Rio Claro – segundo os fisiologistas parte
das contusões sofridas pelos jogadores tem relação com esses gramados pesados
pela chuva, aliados a falta de preparo físico do início de temporada.

A diretoria do Palmeiras deve sempre agir pensando no bem do
time, sem ferir regras ou trapacear seus adversários e foi o que ela fez.
Lamentável ouvir dos próprios palmeirenses que o time estava “fugindo” ou “se
escondendo”. Infelizmente isso causou transtornos aos que já haviam comprado
ingresso ou se deslocado até a região do estádio.

Sempre reclamamos que nossos diretores não lutam por nossos
direitos, penso eu que dessa vez agiram certo. O que pensa o leitor e
comentarista do 3VV sobre esse fato?

***

Quanto ao jogo em si, pouco a dizer no que tange a
arbitragem. Apenas um lance polêmico, justamente o que deu o pênalti convertido
em 2×1 para o Sertãozinho e que em minha opinião foi assinalado
equivocadamente.

As imagens mostram Marcos de fato resvalando no atacante
adversário, porém este já vem “mergulhando” antes do “toque”, tentando cavar a
penalidade. O árbitro Raphael Claus não hesitou e deu a falta. Na Europa ou na
América do Sul esse lance dificilmente seria pênalti. Na minha opinião o
árbitro errou e por isso leva nota 5
.

***

Faltas e cartões

O Paulistão 2010, até a R13, teve atuação de 31 árbitros diferentes. Os
que mais apitaram até aqui foram Marcelo Aparecido de Souza, Cleber
Wellington Abade e Marcelo Rogério, todos com 6 partidas cada um. 

Usando o Footstats fizemos uma análise numérica para identificar se há alguma proporcionalidade entre o número de cartões atribuídos versus o número de faltas que um árbitro apita.

Se considerarmos que na média todos os jogos apresentam faltas leves e faltas mais duras, na mesma proporção, teoricamente os árbitros que mais apitam faltas deveriam atribuir mais cartões amarelos.

De maneira geral é isso que vemos. Mas há exceções. Vejam abaixo.

O gráfico cruza a média de cartões amarelos que cada árbitro atribuiu (eixo vertical) e a média de faltas que cada um apitou (eixo horizontal). Em tese a nuvem de balões deveria seguir uma diagonal do quadro inferior à esquerda ao quadro superior à direita. Ou seja, quem apitou menos faltas, deu menos cartões. Quem apitou mais faltas, deu mais cartões.

Os árbitros que fogem á regra são:

– José Henrique de Carvalho: apesar do árbitro estar muito próximo da média de faltas (36 de J. Henrique x 35 da média) de forma proporcional ele atribuiu mais cartões amarelos que os seus colegas (9 contra a média de 6). Pesa contra o árbitro o fato de ter apitado apenas duas partidas, onde uma delas, Santos 2×1 Corinthians, aplicou nada menos que 9 cartões ao time da Marginal sem Número;

– Milton Etsuo Ballerini: o árbitro apitou 4 jogos, de times do interior; Barueri (2x), Ponte Preta (2x), Monte Azul, Rio Branco, Rio Claro e Paulista. É um árbitro que está acima da média de faltas apitadas mas não é daqueles mais rigorosos com o cartão amarelo: 4 amarelos contra a média geral de 6.

O árbitro que mais apita falta é Eduardo Cesar Coronado Coelho, que marcou 95 faltas em duas partidas (média de 48). O que menos apita faltas é Raphael Claus (que apitou Palmeiras 3×2 Sertãozinho) com apenas 28 faltas em média nas cinco partidas que participou e apenas 3 amarelos por partida.

Saudações Alviverdes!

5 respostas em “Paulistão 2010: análise da arbitragem na R13”

Marcio #3 – obrigado pelo esclarecimento!
Lembro apenas que domingo o Corinthians jogou em Barueri contra o São Caetano, então a diretoria do Verdão está absolvida nesse caso!

Sérgio,
O jogo foi para Barueri porque o estádio estava alugado para a promotora do show do Guns’n’Roses (o palco começaria a ser montado na 2a. feira). Pelo menos foi isso que ouvi.

Acho que a diretoria deveria era ter feito pressão na FPF para jogar no domingo, no Palestra (será que a PM não conseguiria “cuidar” de 5 mil santistas e 5 mil palmeirenses?). A ida da partida para Barueri acabou gerando uma polêmica desnecessária.

A única pisada do juiz, no jogo contra o Sertãozinho, foi mesmo no lance do pênalti. Aliás, a partida foi tão ruim que nem trabalho para o trio de arbitragem os jogadores deram. Nota 5 pro árbitro.
Ah, e nota 6 pro árbitro de Palmeiras x Sto. André. Deixou de dar cartão amarelo para o Pierre (falta grotesca na lateral, no 1o. tempo) e para o volante do Sto. André (pôs a sola quase na cara do Pierre, no 1o. tempo). O curioso é que, logo após o lance em que deveria ter tomado o cartão, o jogador do Sto. André fez falta dura, próximo ao banco de reservas do Palmeiras, e tomou o cartão. Ou seja, se o juiz agisse corretamente, o andreense teria sido expulso ainda no 1o. tempo.

Complementando, só não ví explicações aceitáveis para o fato de ter lev ado o jogo para Barueri…

Concordo com você, o adiamento foi em benefício do Palmeiras, para evitar a possibilidade de mais um jogo de polo aquático. É muito fácil para alguns radicais de plantão acusar a diretoria de fugir após ver que o tempo mudou, mas eu mesmo no sábado de manhã estava lamentando pelo fato de mais um possível jogo com gramado encharcado. Quanto ao árbitro do jogo do Palmeiras, apitava fácil para o Sertãozinho (inclusive um pênalti inexistente) e “deixava o jogo correr” quando era pro Palmeiras…

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