Semana quente

POR VICENTE CRISCIO

A semana palmeirense foi complicada, na base do calmante, excitante e um bocado de gim.

Dentro de campo por mais um tropeço diante do Santo André no Palestra Itália. E desta vez os insultos das arquibancadas subiram de escala e bateram também no Presidente Belluzzo.

Do lado de fora das quatro linhas, chegou mais uma contratação cirúrgica, Bruno Paulo, que pelos seus motivos não quis renovar com o Flamengo mas veio para a Traffic, a princípio porque seu empresário, Carlos Leite, amigo de Antonio Carlos Zago, queria um valor pela opção do garoto.

Do lado do marketing, um manifesto do Grupo Fanfulla ao Presidente Belluzzo se propôs a salvar o natimorto programa sócio-torcedor da Groove, quer dizer, do Palmeiras.

Mas o tema ficou realmente quente após entrevista do ex-DIretor Financeiro, Fabio Raiola, ao jornalista Paulo Vinícius Coelho, o PVC. Em entrevista curta e objetiva, Raiola explicou que os problemas do Palmeiras devem-se à política de contratações errada que a diretoria de futebol praticou desde 2008. Jogadores caros e que não deram retorno E que Muricy havia pedido jogadores mas o Palmeiras não teve condições de contratá-los, perdendo para clubes como Grêmio, Santos e outros. Raiola disse em certo trecho:

RAIOLA – No final do ano passado, o
Borges foi oferecido para o Palmeiras e não foi contratado por causa do salário
pedido. Mas o clube pagou mais por jogadores de resultado mais questionável. O
Muricy pediu o Douglas, que foi para o Grêmio, pediu o Muriqui. O Marquinhos,
que agora está no Santos e jogou o Brasileirão pelo Avaí, esse o Muricy pediu
também. Nenhum dos jogadores pedidos foi contratado
.”

Cipullo teve o direito de réplica. PVC abriu espaço ao Vice-Presidente. Veja uma parte da entrevista abaixo e completa no site do PVC, clicando aqui:

PVC – E quanto aos jogadores contratados que não deram retorno?
CIPULLO –
Ele fala sobre alguns jogadores que não deram certo, casos de Fabinho
Capixaba e Jumar. É importante ver o outro lado. Jogadores como Caio,
que chegou desconhecido, foi vendido ao Eintracht Frankfurt, da
Alemanha e deu retorno finaceiro ao clube. O mesmo aconteceu com o
Henrique, zagueiro campeão paulista em 2008. Ou com o Valdivia que,
quando chegamos, estava perdido em meio a um time ameaçado de
rebaixamento. Foi recuperado, foi campeão e depois da venda deu retorno
ao Palmeiras.
Ele também me acusa de ter afirmado que o Muricy não indicou jogador nenhum. Eu nunca disse isso.

PVC – Um momento. Isso o senhor disse para mim.
CIPULLO – O
que eu disse foi que nenhum dos jogadores contratados foi indicado por
ele. Houve alguns jogadores em que houve consenso. O Muricy nos pediu
um meia canhoto e conversamos sobre o Douglas. Tentamos conversar com o
Douglas e negociamos com quatro meias. O Andrezinho, o Marquinhos, o
Lincoln e o Douglas. Dos quatro, estivemos muito perto de fechar com o
Andrezinho, mas o negócio que se tornou viável foi com o Lincoln.

também o caso do Muriqui. Esse não veio, porque a Traffic decidiu
vendê-lo para o BMG e o banco o colocou no Atlético Mineiro.

O fato é que nesta guerra quem perde é o palmeirense. Em levantamento publicado no 3VV neste domingo, 7 de março, nada mais nada menos que 84 jogadores diferentes vestiram a camisa do Palmeiras entre 2007 e 2009. Mais: apenas dois jogadores (Pierre e Diego Souza) foram contratados e estiveram no elenco no ano seguinte (Cleiton Xavier, Danilo e M. Ramos não entraram nessa conta porque foram contratados para a temporada 2009 e segue em 2010). Ok, ok, temos Lenny. É verdade.

Mas comparando-se com outros clubes, o Palmeiras perde de longe em competência para montar elencos longevos. Leia matéria clicando no link http://www.3vv.com.br/3vv/post.aspx?p0=1&p1=3796.

O QUE ACONTECE?

A mim parece uma dificuldade em acreditar numa linha de ação, aliada a uma profunda dificuldade em encontrar e contratar bons jogadores e que se identificam com a camisa palmeirense. E quando estes são contratados, os perdemos (caso de Henrique, caso de Valdívia, caso de Kléber). E os perdemos sempre com a justificativa que precisamos do dinheiro.

Valdívia foi o caso mais latente: Luxemburgo não o queria, afinal o jogador irreverente fazia sombra sobre o treinador. O treinador garantiu que o Palmeiras jogaria melhor sem o meia e que ele podia ser vendido. Da mesma forma Henrique, que foi vendido não porque a parceira obrigou, mas porque Luxemburgo garantiu que teria outro zagueiro tão bom quanto. Veio Gladstone! Depois Kléber, que era caro, e foi parar no Cruzeiro por uma permuta do time mineiro com o atacante Guilherme. Depois Kléber foi prometido para voltar em 2010.

Mais além: parece uma incrível INcapacidade de se ter um projeto sólido. Em 2007, com o clube financeiramente em situação difícil (talvez não tanto quanto agora) contratou-se Caio Jr. e livrou-se de jogadores caros e duvidosos: Dininho, P. Baier, dentre outros.

No final do ano, com Traffic na mão, o Palmeiras trouxe Luxemburgo. Dizia-se que um treinador sem experiência não teria condições de administrar a fogueira de vaidades dos jogadores e o chumbo grosso das numeradas. Luxemburgo saiu em história pessimamente contada à torcida e tentou-se Muricy. O treinador disse não e Jorginho chegou a ser efetivado pelo Presidente na TV (apenas na Globo). Depois desmentiu, dizendo que aquilo que estava gravado não era bem aquilo…

Aí trouxeram Muricy prá valer, pelo argumento grifado acima. Em oito meses descobre-se que o treinador não conversava com jogadores, era teimoso, escalava mal e tinha problemas para aceitar qualquer atleta no elenco. Troca-se o treinador e traz-se um novato, Antonio Carlos Zago. Zago, boleiro, tem bom papo com jogadores, mobilizou o grupo contra o São Paulo e fez o time incendiar na vitória de 2×0 em sua estreia. Agora começa a perceber que o desafio é um pouco maior. Além disso começa a sofrer internamente com as críticas sobre o amigo, Carlos Leite, empresário que montou o time do Corinthians de 2009 e trouxe Bruno Paulo para a Traffic.

COMO SAIR DESSA?

Dois cenários: No primeiro, Seraphim, que pegou esse rojão e é um homem sério, honesto e tem uma visão bastante crítica sobre tudo isso terá que pegar o boeing perdendo altitude e tentar dar alguma dignidade para esse ano. E salvar não só 2010, mas principalmente 2011.

Dá prá fazer isso? Dá! Teria que mobilizar palmeirenses (endinheirados ou não, aliás esse é tema para outra OPINIÃO), competentes e bem intencionados, para propor um plano de emergência. Nesse plano teria que:

1. afastar jogadores que efetivamente não servem para o Palmeiras e oneram o clube;
2. promover garotos da base;
3. colocar um gerente de futebol competente e vencedor SOBRE Antonio Carlos, para ajudar na formação do elenco;
4. contratar, com o apoio da parceira e de projetos de marketing sólidos (só Corinthians e Santos conseguem isso?) jogadores bons e que resolvam posições carentes (ataque, defesa, laterais).

Isso só acontecerá se o Presidente e o Vice assumirem que fizeram o que poderiam pelo futebol e darem carta-branca ao novo mandatário, ou seja, Seraphim, que deve montar sua equipe e trabalhar sem interferência dos dois.

Nesse cenário ainda dá prá ganhar a Copa do Brasil (já falamos insistentemente que só temos o Santos ou o Grêmio como adversários numa provável final). Portanto, essa seria nossa redenção!

Cenário 2: nada vai acontecer. O time vai caindo pelas tabelas. Irão prometer Valdívia para o meio do ano, Velázques e Kléber para depois da Copa. Felipão será o projeto do novo Governo e uma nova parceira irá nos tirar do purgatório.

Até lá, perderemos ou Brasileiro, lutaremos para garantir a Sul-Americana, com repentes de G4, e a sonhada final com o Boca no Sul-Americano será, como disse, só um sonho.

No cenário 2 terei que continuar a repor intensivamente meus estoques de calmantes, excitantes e como diria o poeta, um punhado de gim.

Mas somente no cenário 1 irei parar comprar minhas caixas Lexotan e Prozac. No gim, nada muda.

Concorda? Discorda? pessimista? eu acho que não. E você o que acha? Deixe aí seu comentário. Como isso é uma OPINIÃO, tudo pode estar certo, mas tudo pode estar errado.

***

EM TEMPO

Em fevereiro de 2009 o Jornal da Tarde publicou que o Presidente Belluzzo renovava sua diretoria com três jovens diretores: Fabio Raiola, Vicente Criscio e Marcelo Fonseca. Raiola e Vicente, já eram. Fonseca se afastou informalmente. Ou seja, torço e que Deus permita que outras cabeças façam Belluzzo pensar melhor.

Saudações Alviverdes!

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