Categorias
Entrevistas

Bate papo com Jorginho Putinatti

POR VICENTE CRISCIO

Quem tem mais de 30 anos seguramente se lembra de ter vibrado com um gol de juiz. Relembre abaixo:

***

Um dos protagonistas deste lance foi o atacante Jorginho Putinatti. Nesta sexta-feira almocei com ele além dos amigos Helder Bertazzi e Marcelo Lia. E durante pouco mais de 60 minutos pudemos conversar sobre a década em que o Palmeiras não ganhou títulos mas conseguiu formar bons times. Em todos eles Jorginho esteve presente.

Não chegou a ser uma entrevista. O almoço tinha sido marcado com os amigos Helder e Lia e quando vi estava lá o Jorginho. Então foi mais um bate-papo enquanto comíamos uma picanha. Mas como no 3VV nada se perde, tudo se transforma…

***

Quanto tempo de Palmeiras?

“Foram 8 anos. De 1979 a 1986. Eu vim do Marília. Tinha jogado na seleção olímpica e o Palmeiras me contratou. No Marília eu era número 9 mas não era centroavante. Lá a gente jogava com dois meias abertos mas o seu Telê quando me viu logo percebeu que eu tinha que jogar como quarto homem de meio de campo. Ele me colocou na direita. “

Sobre o melhor time que jogou nesse período.

“O time de 79 [ com Telê Santana ] era muito forte. A gente merecia ser campeão. Aí nossa Diretoria caiu na armadilha do Vicente Matheus [ na época o Presidente corintiano parou o campeonato; os jogadores entraram de férias e voltaram um mês depois; perdemos ].

O time de 85 também era bom. O jogo contra o XV de Jaú foi uma grande infelicidade [ 2×3, se vencesse o XV de Jaú o Palmeiras iria para as finais do Paulistão ]. E o de 86, contra a Inter de Limeira, o jogo final foi muito estranho. O [ Dulcídio Vanderlei ] Boschilla parecia jogar contra a gente. Qualquer coisa era falta contra nós. Os caras fizeram primeiro e a gente tentou tirar a diferença. Mas o juiz travava o jogo. Tudo era falta. Você vê, só aí eram 3 títulos: o de 79, o de 85 e o de 86. [ dizem as boas línguas nos arredores do Palestra que nesse jogo, tivéssemos nos entendido com o árbitro, não teríamos perdido o título ]

Tinha ainda o time de 84, com o Mário Sérgio. Aquele time era prá ter sido campeão”

O que houve lá?

“Nós estávamos vários pontos à frente e era um campeonato paulista de pontos corridos. Jogamos contra o São Paulo e vencemos [ 2×1 ]. O Mário Sérgio jogava muito. Aì a gente estava no vestiário e chamaram ele pro exame anti-doping. Aí ele me falou ‘Jorginho, fo#@$’. Eu falei, ‘ué, o que foi?’. Mas já deu prá entender. Ele foi pego no anti-doping e perdemos não sei quantos pontos e ele foi suspenso. Ainda eu falei prá ele: ‘pô Mário, a gente tava com uma puta vantagem. Como é que você dá uma bobeira dessa?’.”

Jorginho passou uma fase difícil, quando teve uma contusão séria – fratura no pé – o que (de acordo com o ex-jogador) tirou sua chance de jogar pela Seleção Brasileira em 1986. Falou sobre isso e a não assistência do Palmeiras de Nelson Duque.

“Em 1985 eu estava bem. Fui convocado algumas vezes. Eu achava que iria para a Copa de 86. Aí em um treino fui para uma dividida e quebrei o pé. Precisei ficar parado muito tempo. O meu contrato estava acabando e o Presidente Nelson Duque não quis assinar a renovação. Eu falei prá ele que a Seleção Brasileira ia pagar meu salário mesmo parado mas ele não quis saber. Tive que receber pelo INSS nesse período. O pior que o Presidente ainda me disse: ‘você já estava vendido para a Itália’. Foi bem complicado.” [ na época valia a lei do passe ]

Qual o melhor treinador?

“Treinador bom é o que deixa o jogador jogar. Veja o caso do Dorival Jr. Ele mesmo diz que o mérito do time jogar bem é dos jogadores. O treinador só posicionava a gente. Mas o mais exigente era o Telê. Ele me obrigava a treinar bater escanteio. Ele fazia assim: colocava a bola um metro prá trás da linha de fundo e me fazia bater o escanteio. Quando eu começava a acertar ele fazia a bola vir mais prá trás. E assim ia.

Eu e o Baroninho tínhamos uma jogada ensaiada no escanteio. Quando eu batia o Baroninho entrava no primeiro pau e cabeceava para trás. O Jorge Mendonça se posicionava do outro lado, no segundo pau. A gente raspava a cabeça na bola e ela ia prá trás. Matava o goleiro. Se vinha numa altura boa, a gente metia pro gol.

E tinha a jogada com o Baroninho, que batia muito forte na bola. Ele ao invés de bater prá área ele empurrava pro lateral, corria por trás e se posicionava perto do bico da grande área, do lado direito. Ele recebia do lateral e batia de primeira. O escanteio com Telê Santana virou uma jogada tão perigosa quanto um pênalti ou uma falta.

Fui treinado também por outros. O Minelli por exemplo, mas ele não era dos melhores. Eu gostava muito do Carbone [ treinador em 86 ]. Esse era muito bom.”

Teve um lance desse…

[ interrompendo ] “o do pênalti perdido. Não lembro contra qual time mas no Parque Antarctica teve um pênalti prá nós e eu bati. O goleiro defendeu. No ataque seguinte escanteio prá nós. Eu bati e a bola entrou direto.”

Grandes jogos?

“Teve o jogo do gol do Aragão. Mas lembro da goleada contra o Corinthians (5×1) em 86 [ 3 de agosto ]. Naquele jogo eles pediram prá gente parar de fazer gol. A gente atendeu. Teve uma goleada anterior que o Luis Pereira chegou prá eles e pediu a mesma coisa e eles atenderam.  [ a derrota de 1×5 foi em 1o de agosto de 82 e o gol de honra foi do Jorginho; na vitória por 5×1 em 86 o Palmeiras jogou com Martorelli, Diogo, Márcio (Amarildo), Vágner Bacharel e Denys; Lino, Mendonça, Edu Manga (Mirandinha); Jorginho,  Edmar e Éder; os gols foram de Vágner Bacharel, Edú Manga, Edmar (2) e Mirandinha ].

Como foi jogar com Jorge Mendonça?

“Era um baita jogador. Jogava com a cabeça em pé, peito erguido, levava a bola, tocava pro lateral e ia prá área finalizar. Muito bom.”

E claro que a conversa não poderia terminar sem ouvir a história do tal gol do Aragão.

“O Palmeiras vinha de dois empates consecutivos com o Santos por 2×2. O jogo estava acabando. O Serginho [ chulapa ] gritava na área: não vamu tomar gol! Car#@*@, é só esse lance.

Falei pro Borges prá bater o escanteio. Geralmente era eu. ele jogou a bola na área, teve uma rebatida e chegou prá mim. Chutei com ‘efeito permanente’ ou seja, aquele que é prá bater em alguém e entrar [ rsrsrs ] . Bateu no Aragão. No instante deu um silêncio aí nós saímos correndo. A bola entrou é gol.

Os jogadores do Santos foram prá cima do Aragão. O Serginho era o mais nervoso. Ele dava tapa na mesa do representante. Primeiro eles diziam que não podia. Aí o árbitro falou que ele era neutro. Então eles diziam que o Aragão estava fora de campo. – Jorginho, como foi aquele lance do gol do Aragão?

Até hoje eu encontro o Aragão e falo: ‘naquele gol você estava com a camisa do Palmeiras por baixo hein’? [ rsrsrs ] “

***

Jorginho foi revelado pelo Marília e jogou 373 partidas pelo Palmeiras de 1979 a 1986 (160 vitórias, 131 empates, 82 derrotas), marcando 95 gols. Jogou 16 partidas pela Seleção Brasileira e 5 pela Seleção Olímpica.

Após o vice-campeonato em 1986 transferiu-se para o Corinthians (1987).

Jogou ainda no Fluminense, Grêmio, Santos, XV de Piracicaba, encerrando a carreira em 1990 no Nagoya Grampus Eight, do Japão. Na foto abaixo, da esquerda para a direita, Marcelo Lia, Helder Bertazzi e Jorginho Putinatti.

Ele esteve na Academia nesta sexta-feira para gravar um vídeo institucional para o site do Palmeiras.

Vicente Criscio
Especiais agradecimentos ao Helder Bertazzi,
Marcelo Lia e ao próprio Jorginho.

48 respostas em “Bate papo com Jorginho Putinatti”

Tenho quase 40 e na epoca tinhamos idolos que jogavam durante anos em nossa equipe, eu marcava meus golzinhos e dizia sempre que era Jorginho, enchi durante anos o saco do meu pai para comprar uma camisa primeiro a 7 depois a 10 em vão rs a camisa era carissima na epoca para nossas posses, mas isto não impediu que a cada gol que marcasse eu falava que era do jorginho . Meu primeiro idolo alvi verde

Puxa cara. Que saudades! Tenho 48 anos e a 40 anos sou PALMEIRENSE.O jorginho me deu muitas e muitas alegrias e é meu maior idolo ao lado do são Marcos. OUTRA COISA…ELE ESTÁ NO MEU PALMEIRAS DE TODOS OS TEMPOS.
MARCOS, ARCE, LUIZ PEREIRA, WAGNER BACHAREL E JUNIOR. DUDU, C. SAMPAIO,ADEMIR DA GUIA E “JORGINHO”. EVAIR E RIVALDO.
VOU CONTAR UMA HISTORIA RAPIDINHO: Em 1982 A nossa Seleção canarinho foi eliminada pela ITALIA e meus Amigos sabendo que o PALMEIRAS tinha sido fundado por Italianos queriam de qualquer custo fazer Eu mudar de TIME. Mas meu idolo Jorginho “fazia coisas” dentro de campo que nós ficávamos amando, mais e mais o nosso VERDÃO e tendo opinião. Obrigado JORGINHO! DEUS TE ABENÇOE SEMPRE.
UM GRANDE ABRAÇO

Lendo a entrevista, voltei a minha infancia e adolescencia, sofri muito nessa decada, estive em qse todos esses jogos comentados, realmente jorginho, mais o Jorge Mendonça, e o edu Magnga, foram os melhores dessa epoca, e meus grandes idolos, pena q com excessão do Jorge mendonça q ganhou titulos, os outros deram azar de terem jogado em uma pessima fase nossa, eu so fui ver o palmeiras campeão em 1993 com qse 28 anos de idade

VOLTA JORGINHO, pelo amor de Deus. Venha ensinar estes burros a cruzarem uma bola e bater um escanteio. –VOLTE JORGINHO
Deus te abençoe pelo que fez no Verdão, valeu.

Tirando o Marcão, esse foi meu último grande ídolo. Jogava muito. Era da época em que eu ia aos estádios duas vezes por semana. Me lembro dele na foto da Placar com o porquinho no colo. Bons tempos… só faltou o principal, que eram os títulos. Fiquei contente em rever o Jorginho, mesmo pela foto. Não o conheço pessoalmente, mas sei que é “Buena Gente”. Abs á todos.
Marquinhos (Tatá).

Vicente (pessoal do 3vv),

Antes de mais nada obrigado por essa materia.
Muito bom relembrar de nossos idolos, especialmente esses que a midia nunca deu o valor que mereciam.
O Jorginho hoje seria um idolo ainda maior do que foi na epoca. Hoje jogadores com metade do seu talento sao chamados de craque.
Infelizmente ele nao deu sorte com relacao ao tempo, embora como descreveu jogou em otimos times e teve excelentes treinadores.
Um grande abraco ao Jorginho, que tantas alegrias me deu na minha juventude.

Pedro – Massachusetts

Boas
sem querer dar uma de mãe diná, to confiante no Marcos Assunção no verdão…
pelo andar da carruagem vai se dar bem aqui
abr

Os comentários estão desativados.