Categorias
Futebol com Números

Futebol com Poesia

Esta semana tivemos o falecimento do jornalista Armando Nogueira. Se esta coluna fosse dele certamente o título não seria “Futebol com Números”, mas sim “Futebol com Poesia”.

Tenho uma admiração enorme por Armando Nogueira e adorava ler as suas colunas no Estadão. Assim como muitos de nós, Armando foi sempre um apaixonado por futebol, mas como poucos de nós, soube traduzir toda a emoção do futebol em palavras, ou melhor, em prosa e poesia.

Uma das características mais especiais de Armando Nogueira era a de sempre buscar o que existia de positivo.  Isso talvez seja uma das principais falhas dos jornalistas de hoje… tenho a impressão que eles buscam apenas as notícias ruins, os fatos desagradáveis, o que “causa polêmica”, e se esquecem de enaltecer as grandes jogadas, os grandes resultados, as obras de arte feitas de improviso em campo.

Muito já foi dito desse mestre das palavras, de suas frases definitivas, da sua retidão de caráter, etc. Acho que nos resta apenas dizer que alguém como ele fará muita falta para todos os fãs do nobre esporte bretão. 

Confesso que deve ser mais agradável falar de Prosa & Poesia do futebol do que tratar de temas mais áridos e cartesianos como os números de futebol.

Mas, assim como o futebol precisa dos “carregadores de piano” em campo, o futebol também precisa dos “administradores” fora dele (honestos e competentes, que fique bem claro).  No fim, todos nós trabalhamos para que os craques possam brilhar durante os jogos.  Tudo o que eu mais quero é novamente ver o Palmeiras vencedor.

Como apaixonado por futebol e pela leitura, não poderia deixar de utilizar esse espaço para uma singela homenagem a um craque das letras.  Uma homenagem a um homem que antes de tudo, nos lembrava constantemente que o futebol, assim como a vida, é poesia. 

Saudações Alviverdes.

* Excepcionalmente esta semana, a coluna de
Luís Fernando Tredinnick foi publicada na quinta-feira. 

8 respostas em “Futebol com Poesia”

Giba opinião respeitada. Hoje falo de novo de Armando na minha coluna. Convido você a espinafrar novamente (rsrsrs).

A questão da ditadura não discuto. Ele adotou o caminho de aceitar. Também discordo mas é difícil julgar assim em retrospectiva. Outros foram mais combativos e foram parar no pau de arara ou fugiram. Alguns morreram, lamentavelmente. Outros não e “brilham” na política brasileira: José Dirceu, Dilma, e outros tantos. Tema complexo. Talvez só não seja mais difícil do que falar de futebol.

Abraços, e Feliz Páscoa.

Vicente

A morte tem, ao menos, a capacidade de redimir os pecados. Igual ao grande jogador de futebol que, encerra a carreira e depois só aparecem os melhores lances. Ou alguém já viu reprise do Garrincha com a camisa do Corinthians?
Armando Nogueira encontrou um filão. Escrever pieguices em forma poética, porém barata, com frases prontas, repletas de lugares comuns e que nunca viu um jogo do Palmeiras (a quem um dia chamou de time sem-graça) que não fosse contra o Botafogo.
Nossos comentaristas, Vicente, são todos jovens, você inclusive. Não viveram a ditadura e nem sofreram os malefícios de uma imprensa cooptada. Pois justamente nessa época negra do Brasil, que eu tento esquecer, é que a tal “venus platinada” cresceu, ganhou poder e formou uma geração inteira de alienados. Tudo sob o comando firme e adesista de Armando Nogueira, o chefe do jornalismo da Globo durante a ditadura. E depois levou um pé na bunda. Bem feito!
Cronista esportivo é Ugo Giorgetti, é Alberto Helena Jr, (antes do Bem Amigos) e outros tantos que vão além da embalagem mostrada com exclusividade e sentem a essência do futebol. Desse time o Armando não fazia parte. Desculpem ser a voz dissonante, mas terceira via é isso.

As minhas melhores lembranças com o mestre Armando são da década de 90, qdo o Palmeiras dava show e o grande programa dos domingos era o Cartão Verde… em 1994 eu tive a honrar de encontra-lo no aeroporto de Congonhas, chegando para o Cartão verde… o autógrafo eu guardo até hoje.. Fique em paz , mestre Armando !

Perdemos um dos poucos bons jornalistas esportivos. Gostava muito de assistir o Cartão Verde quando eu era mais novo, e dos três que faziam parte do programa na época o Armando era o melhor disparado. Os outros eram Flavio Prado e José Trajano. Nem precisa comentar mais nada né. Nessa época o panaca do Flavio Prado falava que torcia para o Milan (rsrsrs). Acho que era em 1994 na época da copa dos EUA.

Esse bilhete para o Valdivia é sensacional. Tomara que o Mago tenha tomado conhecimento disto.

Zombon, realmente a lembrança foi fantástica!

Sem dúvida o Armando é um desses caras que fará muita falta para todos nós. Principalmente para o futebol!

abs,

Os comentários estão desativados.