OPINIÃO DO CRISCIO: a entrevista de Belluzzo ao Estadão

Neste domingo o jornal O Estado de São Paulo (e o seu site) apresentam entrevista do Presidente Luiz Gonzaga Belluzzo. Os jornalistas Daniel Akstein Batista e Wagner Vilaron cobriram 13 temas. Vou dar minha opinião sobre estes temas. O que está entre aspas foi tirado da entrevista, e pode em algumas vezes ficar fora do contexto. Então sugiro a leitura da entrevista completa no endereço http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100411/not_imp536790,0.php.

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Torcida: “às vezes eles acham que somos empregados“.

É curiosa a deterioração da relação desta Diretoria com a torcida. Eu imagino que seja difícil lidar com cobranças da torcida e principalmente com ofensas. Mas boa parte da torcida ainda é responsável pelas receitas da bilheteria, pelo Palmeiras receber a melhor parcela dos direitos de TV no clube dos 13 e valoriza a marca, por isso ela pode fazer bons contratos de patrocínio.

A acidez dos comentários revela uma incapacidade de receber feedback e principalmente uma dificuldade enorme em assumir que em alguma coisa a gestão está dando errada.

O time: “não entendo que o Palmeiras vá entrar no Campeonato Brasileiro tendo de se preocupar com o rebaixamento“.

Ah bom. Fico feliz!

Ironias à parte esse trecho da entrevista é o mais confuso. Ele garante que temos um elenco melhor que o do ano passado. Mas quando tenta justificar o desempenho atual fala como técnico de futebol. bem ao seu estilo promete mais três – Marcos Assumpção, um meia e um atacante. Praticamente será um novo time em comparação com 2009. Ou seja, o quarto time desde 2010.

Apenas recordando o elenco do ano passado fez a melhor campanha no Paulista – eliminado nas semifinais -, ficou nas quartas da Libertadores e quase ganhou o Brasileirão. O desse ano é melhor?

Muricy Ramalho
: “Mas é preciso entender que ele não conseguiu encontrar uma formação para o time“.

Muricy chegou falando que o Palmeiras tinha um bom time mas não tinha um elenco para disputar o Brasileirão. Falou isso na primeira entrevista dele. Muricy errou e perdeu o título junto com todos. É notória a sua dificuldade em trabalhar motivação, fazer discursos inflamados na preleção e essas coisas. A justificativa de que você manda embora um técnico do porte do Muricy com 8 meses de trabalho porque ele “não conseguiu encontrar uma formação” era totalmente dispensável. Bastava dizer que Muricy saiu por problemas internos.

Vanderlei Luxemburgo
: “Ao tirá-lo tive de tomar uma atitude para preservar hierarquia“.

Bobagem. Se fosse isso teria tirado o Profexô no dia que ele não foi para a Argentina pela Sulamericana. Mais um caso que poderia dizer que o assunto é encerrado.

Antônio Carlos: “o que mais nos chamou atenção no Antônio Carlos foi o fato de ele ter montado o time do Corinthians“.

Então deveriam ter trazido Zago como Gerente de Futebol, e não como treinador. Mas chamou atenção outra frase: “E eu já troquei muito técnico neste mandato (explicando se Antônio Carlos sairia com uma queda na Copa do Brasil)“.

Sem comentários.

Marcos: tema prá lá de desnecessário.

Mustafá Contursi: “sem dúvida é uma pessoa inteligente“.

O Presidente poderia ter dito o que todo palmeirense de bom coração sabe: Mustafá Contursi foi um dos piores presidentes da história do clube. Mas seu pior legado não foi ter levado o time à 2a divisão. Este senhor afugentou pessoas de bem, calou a boca, na marra, de sócios mais ativos, e durante 10 anos destruiu qualquer possibilidade de renovação.

Se hoje temos os mesmos nomes nos cargos de direção é porque Mustafá afugentou gente boa. E infelizmente deixou um outro legado, muito copiado pela atual direção: Mustafá dizia para os mais jovens que vinham com novas ideias para o marketing, futebol, …: “vocês não entendem de nada”. Isso, infelizmente, parece ser uma prática recorrente nas gestões da SEP.

Atrasos de pagamento: “Nunca atrasamos salário. Tivemos alguns problemas sim com direitos de imagem.

A frase em si é um completo nosense. Ok, ok, o dirigente não pode assumir que direitos de imagem é salário, por várias implicações. Mas ele faz parte da compensação total do atleta. Se você atrasa uma parte dessa compensação, você está em dívida.

Arena: “Nosso cronograma não foi alterado. Tivemos algumas pendências, como a que ocorreu com a CET, mas que estão sendo resolvidas.

No Jornal Lance em alguma edição do terceiro trimestre de 2009, Belluzzo dizia que a obra da Arena começaria em janeiro de 2010, podendo antecipar. Naquele momento o Diretor de Planejamento e responsável pelo projeto Arena da parte do Palmeiras, José Cyrillo Jr. dizia que o prazo dado pelo Presidente era irreal.

O problema não está no cronograma. O problema está na dificuldade em se comunicar adequadamente. A Arena vai bem, com o processo burocrático mais lento do que esperávamos, mas vai sair.

Presidência: “O pessoal foi todo na minha casa, mais de uma vez, depois do Natal, para me convencer a ser Presidente. E ainda comiam da minha comida, bebiam do meu vinho.

Belluzzo está perdendo sua costumeira e tradicional elegância. Mas a frase dura revela um aspecto que ele já deixou claro em outras entrevistas: está de “saco cheio” de ser Presidente nas horas ruins. 

Sucessão: “Entendo que tenhamos dois nomes que poderiam concorrer: Paulo Nobre e Antonio Augusto Pompeu de Toledo. O Paulo Nobre tem um perfil interessante porque é jovem, rico e tem tempo para se dedicar ao clube.

Primeiro lugar cabe um disclosure aqui: eu particularmente acredito que Paulo Nobe é a melhor opção para ser o próximo Presidente do Palmeiras e se ele realmente for candidato vou apoiá-lo.

Mas não pelos motivos apresentados acima. Falando dessa forma parece que precisamos de um mecenas que vai se dedicar ao clube como Marcelo Teixeira fez no Santos. Se for assim, que Deus nos ajude.

Portanto a questão não é se o próximo candidato a Presidente tem dinheiro ou não. O Palmeiras não pode depender de dinheiro da pessoa física de Paulo Nobre. E nem se ele tem disponibilidade de tempo. Um Presidente do Palmeiras deveria trabalhar a profissionalização dos departamentos, separar a gestão do clube e do futebol, transformando-os em centros de resultados (ou unidades de negócios), onde a receita do clube tem que bancar a sua despesa; onde a receita do futebol tem que bancar a sua despesa; e assim por diante.

A profissionalização e a definição de metas claras para cada unidade de negócios permitiria que o clube dependesse menos do expediente do “Presidente político” e mais de cabeças pensantes, profissionais remunerados, com metas e remuneração por desempenho.

Os salários de Edmilson, Mozart e Jumar, por exemplo, pagariam uma estrutura profissional de Marketing, Futebol e Planejamento. O Presidente – aí sim Paulo Nobre – poderia articular as parcerias, aproximar investidores, ajudar na renegociação da dívida, e deixar a operação – e se o time sabe sair jogando ou não – com especialistas remunerados.

Isso não é novidade nem é ciência da NASA. O Internacional de Porto Alegre funciona assim. Outros também.

Ameaça: “A polícia chegou à conclusão de que as cartas que recebi contendo as balas de revólver foram escritas pela mesma pessoa.

As ameaças que Belluzzo e outras pessoas tiveram dentro do clube são fatos lamentáveis que demonstram que nossas mudanças estruturais estão muito mais longe do que pensamos.

E para quem age dessa forma, só tem um caminho: cadeia.

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A entrevista poderia ter abordado outros dois temas importantes para o palmeirense: a avaliação da diretoria de futebol, que está há mais de três anos na gestão do departamento e montou e desmontou 4 times. As categorias de base – parece que finalmente o projeto com a lei de incentivo foi aprovado – e sua estruturação a partir de 2009 com Marcos Biasotto.

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Em tempo: sobre categorias de base, o Barcelona voa em 2010 como voava em 2009. Bateu o Real Madrid dentro do Bernabéu, 2×0. O Barcelona tem 7 jogadores da base em seu time. O Real gastou mais de 250 milhões de euros em contratações. Quem tem a gestão mais eficiente?

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Por falar em gestão: Cesar Sampaio disse não de novo ao Palmeiras. Preferiu salvar o Rio Claro da segundona.

Falta de ambição. O Palmeiras não precisa disso.

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Claro, como sempre digo, esta coluna é apenas uma opinião. Que pode estar errada. Então deixe seus comentários por aqui. E boa semana!

Saudações Alviverdes!

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