OPINIÃO DO CRISCIO: ação ou omissão?

Amigos palestrinos! O fato relevante da semana para esta coluna tem pouco a ver com o Palmeiras. Ou muito.

Chamou minha atenção o “barata voa” promovido pela Presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, às vésperas de uma decisão importante do time, frente o Corinthians, pelas oitavas de final da Libertadores da América.

Prá quem não acompanhou, na última sexta-feira, Patrícia demitiu o técnico campeão Brasileiro Andrade. Além dele, Marcos Braz, vice-presidente de futebol, e Eduardo Manhães, Diretor de Futebol, foram convidados a irem para casa.

O motivo principal? A Presidente quer implantar um modelo de gestão profissional do futebol. O atual técnico do Milan, Leonardo (ex-jogador do clube) está cotado para ser o Diretor Executivo remunerado. Outro nome que corre por fora é o de Zico. Mais por fora ainda é o de Bernardinho.

Entre nós: que inveja!

Patrícia sabe que somente com uma estrutura profissional no futebol, que seja cobrada por resultados – entenda aqui RESULTADOS como uma combinação de desempenho esportivo e financeiro – poderá fazer a transformação do chumbo em ouro. É inacreditável como o Flamengo – maior torcida do futebol brasileiro e uma marca conhecida nos mercados internacionais da bola – vem sendo maltratado por seus dirigentes nos últimos anos. Ah, mas alguém pode dizer, foi campeão brasileiro em 2010. Verdade! Coisas dos deuses da bola e da incompetência de Palmeiras e Internacional de Porto Alegre. Com a ajuda de Corinthians e Grêmio.

E O QUE O PALMEIRAS TEM A VER COM ISSO?

… perguntará o palestrino impaciente: de fato, nada. Mas o exemplo de Patrícia é simbólico. 

Patrícia foi atleta de alto desempenho. Seus discursos – agora colocados em prática – demonstram inconformismo com incompetência e “politicália” que reduzam a chance de vitória. Manter um vice-presidente incompetente (na visão dela, não na minha) em detrimento de um projeto de longo prazo seria estupidez. Manter um diretor de futebol que não está ligado ao processo de profissionalização seria um harakiri ao seu projeto para o futebol.

Além disso o Flamengo ganhou a chance de disputar novamente a Libertadores, após a combinação de resultados do meio da semana. Ora, se ela já estava convencida que tudo estava errado no futebol, esperar mais um pouco prá quê? Prá perder de novo com a cabeça de pessoas que não desempenhavam?

Nada disso! A Presidente optou pela mudança já. Com um olho no curto prazo – tentaram trazer Joel Santana – mas outro no longo prazo, com a profissionalização do departamento de futebol.

E independente de gostarem ou não de Joel (que já disse que fica no Botafogo), o que mais me chama a atenção é o longo prazo. Menos a Libertadores de 2010 e mais a busca por 2011, 2012 e adiante. Principalmente pelo processo de profissionalização que Patrícia quer implementar no futebol.

E o que a profissionalização no departamento de futebol (no Flamengo ou em qualquer clube que ainda não partiu prá esse caminho) permite?

i. atribuir metas e cobrar essas metas do profissional contratado, sem tolerância porque ele é amigo, explica bem as contas no Conselho ou tem boa relação com o parceiro;
ii. montar um modelo de remuneração agressivo, baseado em resultados, que inibe as sacanagens e comissões por fora que todos sabem que existem no futebol mas juram que é sempre no quintal do vizinho;
iii. exigir do profissional contratado uma equipe igualmente profissional e competente, sem partidarismo ou apadrinhamentos, visando atingir as metas esportivas e financeiras;
iv. e por último, mas não menos importante, a profissionalização do futebol faz com que seus gestores ajam com a razão e não com a emoção. Não se verá um Leonardo (ou Bernardinho, ou Zico) fazendo média com organizadas ou com conselheiros comedores de coxinha. O profissional contratado só tem um compromisso: dar retorno à instituição que paga seus honorários.

Então pergunto de novo: alguma analogia com nosso futebol? Não, nenhuma! Infelizmente.

Tenho certeza que as decisões da gestora e presidente do Flamengo não são voltadas para o curto prazo – ganhar a Libertadores – porque na prática os cariocas já estavam fora e foram trazidos de volta para o torneio pelas mãos do destino. Mas as mudanças visam o longo prazo. E podem dar certo ou errado, como tudo na vida. Mas de uma coisa a Presidente não poderá ser acusada: de omissão.

Mas claro, como sempre digo, não sou senhor da verdade. Essa é apenas uma opinião, nada mais que uma opinião. Se você concorda, convido a deixar seu comentário. Se você discorda, redobro o convite: estou errado?

Saudações Alviverdes!

Vicente Criscio escreve todos os domingos no 3VV. Suas opiniões não
refletem necessariamente as opiniões dos colunistas do 3VV.
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