OPINIÃO DO CRISCIO: às vezes um charuto é apenas um charuto

Amigos palmeirenses,

Danilo errou! Não há dúvidas sobre isso. Mas convenhamos, as reações estão prá lá de exageradas. Tanto as da imprensa quanto de alguns amigos palestrinos.

Primeiro aos fatos: em uma confusão dentro da área palmeirense o zagueiro atleticano Manoel deu uma cabeçada em Danilo, que empurrou Manoel, que provavelmente ofendeu Danilo, que saiu praticamente de dentro do gol e em direção ao zagueiro atleticano comete a ofensa grave: “macaco do ca$#%#$”. O bate boca continua e Danilo dá uma cusparada. Mais tarde o jogador pisa em Danilo no chão.

Na saída de campo Danilo nega. O jogador Manoel – provavelmente orientado pelos  advogados do clube – vai à delegacia e presta queixa. Prato cheio para sensacionalistas e hipócritas de plantão.

Danilo acertadamente veio no dia seguinte e se desculpou. Tanto pela cusparada quanto pela ofensa. Ponto positivo para ele e para aqueles da Diretoria que o orientaram nesse sentido. Mostrou humildade e resignação.

Advogados afirmam que o jogador não cometeu o crime de racismo mas sim o de injúria racial. Detalhes jurídicos à parte, atire a primeira pedra quem estando sob pressão nunca exagerou em situação semelhante. Não, não se trata defender ou justificar a injúria racial. Mas sim de trazer o tema sem emoções.

Já chamaram meu pai – o Domenico era napolitano – de sub-raça na minha
frente. E era alguém da família. Já vi ofensas raciais com judeu,
japonês, chinês, coreano, italiano, português, espanhol. Todas imperdoáveis. Cansamos de ver
piadas incorretas sobre homossexuais. E como disse o colaborador do 3VV
Geraldo Gualberto, o Manoel já deve ter sido ofendido por coisa pior e
não lhe ocorreu ir até uma delegacia. Ou ainda o Marco Freitas: “o futebol tá ficando chato”.

Claro, os erros do passado não amenizam os do presente. Portanto repito: o jogador errou? Claro que sim. Mas desculpou-se. Não seria o caso do próprio jogador do Atlético PR aceitar publicamente as desculpas e depois deixar os tribunais darem as devidas penas? Infelizmente o futebol perdeu aquela coisa “o que acontece dentro de campo fica dentro de campo”.

Além, óbvio, do oportunismo dos dirigentes atleticanos. Querem transformar Manoel em mais vítima do que ele parece ser – e com isso não ser punido preventivamente – ao mesmo tempo que colocam pilha na torcida para empurrar seu péssimo time na Arena da Baixada. É a tática dos desesperados.

Mas me surpreende a reação de alguns amigos palestrinos. Curioso o palmeirense: nossas reações são sempre superlativas. No amor ou no ódio. Nosso jogador tem uma reação intempestiva e a culpa é da Diretoria, da instabilidade do time, se bobear vamos culpar a Traffic e Belluzzo. Até meu amigo Cunio deve ter deixado o Schmitt vermelho de inveja quando pediu três meses de gancho pro Danilo. Por que não a fogueira em praça pública?

Aí me lembro da famosa frase de Sigmeund Freud: “às vezes um charuto é apenas um charuto”. Ou seja, o jogo estava tenso, naturalmente que o time precisava e queria a vitória, e após uma enorme confusão na área e de ter tomado uma cabeçada Danilo foi prá cima e ofendeu o Manoel. Lamentavelmente ofendeu com a tal injúria racial e cuspiu.
 
O que mais estamos vendo aí? Por isso eu peço: palmeirense, calma. Já temos problemas demais para criarmos outros na nossa cabeça. Vamos colocar água gelada nessa fervura.

Em tempo, venho falando desde a R1 da Copa do Brasil: o Palmeiras tem time para chegar na final dessa competição. E se chegar lá, poderá jogar contra qualquer time em igualdade de condições. Por isso falei que essa partida contra o Atlético é a mais importante desse ano. Tem que passar por essa partida lá na Arena da Baixada. Tem que chegar na final da Copa do Brasil. Tem que ser campeão. O resto é o resto.

Saudações Alviverdes!

Vicente Criscio

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