A história da Arena: como chegamos até aqui parte 1

POR  VICENTE CRISCIO

Nesta segunda-feira espera-se mais uma batalha, e talvez longe de ser a última, para a aprovação do projeto Arena – como ficou conhecida a parceria iniciada entre WTorre e Sociedade Esportiva Palmeiras em 2007.

Portanto hoje a coluna OPINIÃO dá lugar para contar esta história. Nesta série de dois posts, publicados hoje (domingo) e amanhã (segunda-feira) vamos contar como o Projeto Arena Palestra nasceu e chegou até aqui e o que está em jogo.

Vamos a ela.

***

Histórico: como a WTorre chegou no Palmeiras?

Em Maio de 2007, o Palmeiras buscava um parceiro para desenvolver seu projeto de Arena. O colaborador da Diretoria de Planejamento, Marcelo Fonseca, procurou um banco de investimentos, especializado em desenvolver planos de negócio no segmento imobiliário e em buscar parceiros investidores, para verificar seu interesse no projeto.

Assim conheceu João Carlos Mansur – sócio do Palmeiras e na época executivo de negócios desse banco de investimentos, e responsável por estruturações de negócios imobiliários. Mansur foi alocado no projeto para analisar areforma e ampliação do Estádio Palestra Itália.

Mansur já tinha conhecimento do projeto mas até então, não conhecia maiores detalhes.

Na mesma época, Mansur foi apresentado para o professor Luiz Gonzaga Belluzzo (na época titular da Diretoria de Planejamento) e algumas pessoas ligadas ao projeto Arena, entre eles Vladimir Rioli (responsável, através de contrato com a SEP desde a época do Presidente Mustafá Contursi pela estruturação financeira e arcabouço jurídico do Projeto Arena), Antonio Augusto Pompeu de Toledo (atualmente exercendo a presidência do Conselho de Orientação e Fiscalização) e José Cyrillo Jr. (atual Diretor de Planejamento e principal responsável pelo projeto junto à WTorre) para que melhor pudesse conhecer os aspectos do projeto.

Na época foi elaborada por esse grupo a concepção da estrutura jurídica do projeto, visando dar maior transparência aos investidores. A referida estrutura jurídica foi aprovada pelo Sr. Vladimir Rioli e pelo Sr. Antonio Augusto Pompeu de Toledo. O plano de negócios seria desenvolvido por um banco de investimentos que faria em seguida a busca de parceiros investidores.

Ou seja, até aquele momento não havia investidor para o projeto. Apenas um banco se propondo a desenvolver o plano de negócios. O projeto pouco avançava.

Em Outubro de 2007, Mansur desligou-se do banco de investimentos em que trabalhava, e após feita a comunicação para o Professor Belluzzo e para José Cyrillo Jr., este colocou-se à disposição para buscar potenciais parceiros do mercado imobiliário.  Nesse período iniciou-se uma apresentação do projeto para a WTorre Empreendimentos Imobiliários,  através de três diretores : Srs. Luis Davantel, Solano Neiva e Antonio Paulo Magalhães.

Estes diretores colocaram-se à disposição para avançar com os estudos preliminares e financeiros do projeto. Entretanto havia um problema: a empresa também deveriam superar um “trauma” interno com um projeto semelhante que, não logrou sucesso com o Sport Club Corinthians Paulista.

Após ficar claro para os executivos da WTorre que o processo tinha o aval na SEP e de pessoas com respeitada imagem no mercado, como o Prof. Belluzzo, o Eng. Cyrillo, o Economista Marcelo Fonseca, e o advogado Antonio Augusto Pompeu de Toledo, entre outros.

Com o desenrolar do projeto, em uma das reuniões, com a presença da alta cúpula da WTorre e também com a presença do Presidente Affonso Della Monica Netto, além do Presidente do Conselho, Sr. Seraphim Carlos Del Grande e os diretores Belluzzo, Cyrillo e Pompeu e também o Sr. Marcelo Solarino, os executivos da WTorre mencionaram a seguinte frase:

“Um clube é feito de pessoas, e as pessoas que estamos tratando possuem o maior gabarito pessoal e profissional, que jamais colocariam suas reputações em risco, por conta de um sonho”.


O processo de aprovação

Aconteceram diversas reuniões de negócios na WTorre, inclusive com discussões exaustivas sobre o modelo de negócios e o modelo de remuneração. Esse era um ponto importante para a SE Palmeiras. A participação financeira seria nas receitas (e não no lucro, garantindo assim uma remuneração e minimizando riscos inerentes a esse tipo de negócio); essa participação seria crescente ao longo dos anos.

Durante esse processo os membros da Comissão de Obras, representadas pelos Srs. Carlos Bernardo Facchina Nunes, Salvador Hugo Palaia e José Cyrillo Jr., além do Presidente Affonso Della Mônica Netto, recebiam informações sobre o processo de andamento da negociação. Reforçado pelo fato de que o então Diretor Administrativo José Cyrillo Jr. fazia parte da Comissão de Obras e encabeçava a negociação com a WTorre, além do próprio Presidente Affonso Della Monica também estar a par dos detalhes da negociação.

Ao final desse processo os membros da Comissão de Obras aprovaram o modelo de negócios, o modelo jurídico e o projeto da Arena.

É importante ressaltar que entre outubro e dezembro de 2007 além de diversas reuniões com os representantes do COF e da Comissão de Obras, o projeto foi submetido a várias pessoas ligadas ao Clube e à Diretoria do então Presidente Della Monica. Inclusive no mês de dezembro, em reunião ocorrida no mês de dezembro de 2007, anterior à assinatura do Memorando de Entendimentos, conselheiros, diretores e colaboradores assistiram e debateram durante horas numa reunião no escritório do atual Vice Presidente Gilberto Cipullo o modelo de contrato, o modelo de remuneração e o projeto da Arena. Entre os presentes, dentre outros, podemos destacar: Antonio Augusto Pompeu; Fabio Raiola (na época diretor adjunto de Planejamento); Gilberto Cipullo; João Mansur; José Cyrillo Jr.; L. G. Belluzzo; Marcelo Fonseca; Marcelo Solarino; Paulo Nobre (na época Vice Presidente eleito); Rogério Dezembro (Diretor de Marketing); Vladimir Rioli; Vicente Criscio; e executivos da WTorre. Citar essas pessoas é importante porque reforça o fato de que o modelo é benéfico para a SEP. A maioria das pessoas envolvidas nessa fase eram pessoas de mercado e que tinham discernimento sobre modelos de negócios dessa natureza. Todos reconheciam que o modelo para ser vencedor tinha que ser “ganha-ganha”, ou seja, o parceiro investiria um montante razoável de recursos e buscava ter seu retorno. Mas principalmente o Palmeiras também queria um retorno condizente com sua grandeza e seu potencial.

 

Leia mais

No 3VV: A repercussão da coletiva de imprensa, de 15/12/2007

Após três meses de negociações, foi assinado em 13 de Dezembro de 2007, pelo Presidente Affonso Della Monica Netto e pelo Diretor Financeiro, Sr. Salvador Hugo Palaia, o Memorando de Entendimento entre a WTORRE e a SEP.


No dia 18 de dezembro de 2007, em evento no Espaço São Paulo, foi comunicada oficialmente a parceria entre WTorre e Sociedade Esportiva Palmeiras. Leia no 3VV sobre esse evento.

A partir daí começaria um trabalho de detalhamento do contrato. Esse detalhamento cobriria não somente as cláusulas contratuais do modelo de cessão de uso da superfície, mas também um pouco mais de do projeto técnico. E também a preparação para o processo de aprovação junto á Prefeitura.

Clique aqui e você poderá ler a comparação dos modelos de negócios entre a Arena Palestra e o modelo de negócios da época de Mustafá Contursi.

(continua nesta 2a feira, falando do que aconteceu entre dezembro de 2007
e hoje e como aliados do ex-Presidente Mustafá tentam confundir a boa fé
de sócios e conselheiros)