A história da Arena: como chegamos até aqui parte 2

(Continuação de post de 30 de maio)

Após a assinatura do memorando de entendimentos o palmeirense comemorou, não apenas por conta da Arena mas também por uma onda de boas notícias que davam perspectivas muito favoráveis ao futuro da instituição. Parceria com a Traffic, contrato com a Fiat, e contratação de Vanderlei Luxemburgo eram as boas notícias que se juntavam à parceria com a WTorre e o projeto Arena.

Entre dezembro de 2007 e junho de 2008 a WTorre desenvolveu um intenso trabalho de detalhamento do projeto, mas principalmente de revisão do modelo que seria submetido aos conselheiros do Palmeiras. Em fevereiro, pouca gente lembra, o Projeto Arena era apresentado à CBF. Leia no link http://terceiraviaverdao.blogspot.com/2008/02/palmeiras-na-cbf-e-arena-palestra.html .

Mas os dois temas na época mais controversos eram: 1. o modelo jurídico entre Palmeiras e WTorre, que concedia à empresa o direito de exploração da superfície do Palestra por 30 anos; 2. o modelo de compartilhamento de receitas.

Neste segundo caso, muito se falou na imprensa e na mídia palestrina. Em um dos posts sobre esse tema no 3VV demos alguns detalhes, ainda que superficiais, sobre os benefícios desse modelo ao Palmeiras (link http://terceiraviaverdao.blogspot.com/2008/06/uma-anlise-superficial-das-receitas-e.html de 16/06/2008).

Mas o grande tema precisaria ainda ser discutido. Uma mudança estatutária era necessária para permitir que a WTorre pudesse finalmente assinar o contrato junto ao Palmeiras.

Novamente uma pequena guerra com a oposição foi travada. Os motivos divulgados eram “pouca informação”, “prejuízo ao Palmeiras” ou ainda o absurdo “dar o estádio à WTorre”.

Conforme chegava perto da data histórica da reunião do Conselho em que seria votada a mudança estatutária e o projeto da Arena, João Mansur e José Cyrillo organizavam apresentações no clube chamadas de “reuniões setoriais” detalhando para grupos de conselheiros e sócios o modelo de negócios e o projeto em si.

Em 27 de Junho de 2008, em reunião do COF, com a presença de João Carlos Mansur e Vladimir Rioli como convidados, a minuta do contrato de investimentos foi aprovada pelos COFISTAS. Tal minuta está no anexo da ata daquela reunião. É extremamente importante ressaltar que o ex-Presidente Mustafá Contursi e principal articulador do movimento de oposição à Arena participava do COF como ex-Presidente. E aprovou o modelo apresentado. Leia em post do 3VV : http://terceiraviaverdao.blogspot.com/2008/06/primeira-votao-da-arena-no-cof-14×1.html.

Em 30 de Junho de 2008, o Conselho Deliberativo da SEP aprovou o plano de negócios apresentado. Em 1º de Julho de 2008 foi assinado o Contrato de Investimentos já previamente aprovado pelo COF. (leia post da aprovação da arena em http://terceiraviaverdao.blogspot.com/2008/06/planto-arena-acompanhe-aqui.html).

Entretanto a decisão do Conselho precisava ser ratificada em uma Assembléia Geral de sócios, que seria realizada em agosto de 2008. Mais uma batalha começara. E em 30 de agosto os sócios votaram pelo SIM de goleada: 1958 a 461. 81% para o SIM. Leia em http://terceiraviaverdao.blogspot.com/2008/08/estamos-em-obra-deu-o-sim.html. É esse SIM e os 81% de aprovação que os partidários do ex-Presidente querem mudar nesta segunda-feira.

Do ponto de vista burocrático, após a assinatura do contrato de investimentos em 1º de Julho de 2008, observou-se que diversos pontos do projeto necessitariam de aprovação da Prefeitura de São Paulo, principalmente no que dizia respeito às “áreas permeáveis de solo”, ao potencial construtivo da região e às diretrizes de tráfego a serem exigidas pela CET.

Como o contrato de investimentos original previa que a escritura fosse lavrada até 30 de Setembro, as partes optaram por realizar o 1º aditamento estendendo este prazo até 31 de Outubro.

Durante o mês de outubro, as partes notaram que alguns pontos da aprovação iriam demorar mais que o previsto e resolveram celebrar o 2º aditamento mudando o prazo da escritura para 31 de Dezembro de 2008. Próximo ao vencimento do prazo e já entendendo que seria necessário efetuar algumas mudanças físicas, as partes celebraram em 26 de Dezembro, o 3º aditamento. Este 3º aditamento continha:

i. Alteração do prazo para se efetuar a escritura até 31 de Dezembro de 2009, visando obter o projeto final na Prefeitura e também as diretrizes da CET.

ii. Inicio imediato das obras no clube social, mediante adiantamento de R$ 10 MM da WTorre para a SEP.

Os anexos deste aditamento já continham as localizações, descrições e memorial básico de todas as construções, desde a arena, até os edifícios poliesportivo e administrativo.

Por diversas razoes, ligadas à política interna, a SEP nunca recebeu os R$ 10 MM para início das obras no clube social, o que poderia fazer com que os vestiários, as quadras de tênis e o edifício poliesportivo já estivessem prontos.

Entrou 2009 e a WTorre trabalhou no projeto e principalmente na aprovação junto à Prefeitura. O Presidente Belluzzo foi eleito e com ele foi designado um comitê para acompanhar o projeto da Arena junto à WTorre. Nesse comitê faziam parte inicialmente os Srs. José Cyrillo Jr. (Dir. de Planejamento), Antonio Carlos Corcione (Assessor da Presidência), Marcelo Fonseca (Dir. Adj. de Planejamento) e Vicente Criscio (Dir. Adj. de Planejamento).

Esse comitê teria a obrigação de se reunir a cada 15 dias e acompanhar o andamento de todo o projeto. Essas reuniões aconteceram regularmente, com pequenas exceções, duas vezes por mês, sempre às segundas feiras à noite no escritório da WTorre. Faziam parte da reunião além dos representantes da SE Palmeiras, Diretores e técnicos da WTorre.

Importante ressaltar que um representante do COF foi designado para acompanhar as reuniões. Seu nome é Walter Munhoz, conselheiro e aliado de Mustafá Contursi. É importante também ressaltar que o Sr. Munhoz sempre teve comportamento extremamente construtivo nas reuniões e todas as suas perguntas sobre detalhes do projeto eram sempre respondidas, se não no ato, posteriormente por parte da WTorre.

É de se supor ainda que, sendo o Sr. Walter Munhoz o representante do COF nas reuniões e aliado político de Mustafá Contursi, todas as informações do projeto eram passadas ao ex-Presidente, bem como ao COF.

Pois bem, durante 2009 sentiram-se os efeitos da burocracia da Prefeitura. Diferentes secretarias – Meio Ambiente, Uso do Solo, Obras, etc etc etc – exigiam diversas certidões e adequações de projeto.  

Por conta destes atrasos, no final de 2009, foi novamente alterada a data da escritura para até 30 de Junho de 2010 e atualmente, o que falta é justamente a SEP apresentar as certidões necessárias para se lavrar a escritura.

Com a proximidade da celebração da escritura e por motivos claramente políticos, a oposição está alegando que o projeto aprovado pelo CD em 30 de Junho de 2008 e pela Assembléia de Sócios em 30 de Agosto do mesmo ano foi alterado.

Nos links ao final do texto vocês poderão ter acesso à  apresentação elaborada pelo Sr. Vladimir Antonio Rioli, e que deverá ser apresentada ao Conselho Deliberativo nesta segunda-feira dia 31 de Maio de 2010. A apresentação compara definitivamente o PLANO DE NEGOCIOS aprovado pelo CD e pelos sócios em 2008 e o que está sendo executado agora. Há ainda um link para um parecer que o Sr. Rioli fez, como contratado da SEP, mostrando que o projeto atual é melhor para a Instituição que o projeto que o ex-Presidente Mustafá Contursi defendia.

E ENTÃO?

Sobre as mudanças que a oposição alega que ocorreram no projeto técnico, pode-se afirmar que NADA, absolutamente NADA que foi submetido e aprovado em todos os fóruns citados anteriormente foi alterado.

Quanto à alegação de que o edifício poliesportivo mudou de lugar, este assunto diz respeito SOMENTE às exigências feitas pela Prefeitura Municipal de São Paulo, no que tange à “permeabilidade do solo” e área construída. Aliás, a mudança de local do edifício já está contemplada no 3º aditamento assinado em 26 de Dezembro de 2008, pelo então presidente Affonso Della Monica Netto.

As áreas a serem construídas, conforme a apresentação do Sr. Rioli (relembrando que o Sr. Rioli foi contratado pela SEP ainda na gestão de Mustafá Contursi) estão exatamente iguais e no caso do edifício administrativo, estão pouco superiores aos anteriormente levantados.

As vagas de estacionamento estão acima do apresentado inicialmente (mais 100 vagas àquelas originais).

E detalhes que nem deveriam ser pauta a uma instituição quase centenária com mais de 15 milhões de torcedores e que vivem de futebol – por exemplo a capacidade do ginásio de esportes – prometem ser revistas pela WTorre.

Lembrando ainda que as plantas do projeto estão disponíveis no clube para avaliação de qualquer sócio ou conselheiro.

Ou seja, esta reunião desta segunda-feira, se avaliadas pelos conselheiros apenas do ponto de vista técnico, não trará problemas à Arena e ao Palmeirense. Se for levada pro lado político, aí tudo pode acontecer.

O que é de se lamentar é que um projeto dessa magnitude, com tamanha importância não somente para a coletividade palmeirense mas para a cidade de São Paulo, é questionado de maneira tão primária e muitas vezes usando-se de argumentos pouco fundamentados. Quer um exemplo? Em carta enviada aos sócios um conselheiro da oposição, aliado de Mustafá Contursi, afirma que o ginásio de esportes não comportará jogos de finais de futebol de salão. E assim ele clama que o projeto deve ser todo revisto (questionado sobre isso nas reuniões setoriais os técnicos da WTorre afirmaram que é uma mudança fácil de ser introduzida).

Quer outra? O próprio ex-Presidente Mustafá Contursi, que afirma “estarem dando o estádio”, aprovou o modelo na primeira reunião do COF sobre a arena (conforme relatado na primeira parte deste post). Ou seja, ou sofre de profunda amnésia ou mudou de ideia? Lembrando que seu aliado participou de todas as reuniões quinzenais dentro da WTorre, onde discutia-se questões ligadas à aprovação na prefeitura, questões ligadas ao modelo de negócios e questões ligadas ao projeto.

É uma oposição construtiva ou destrutiva? Julgue você mesmo.

Enfim, esperamos que nesta segunda-feira seja cumprida mais uma etapa dessa história. E que os conselheiros façam a sua parte mais uma vez, deliberando de forma positiva sobre o projeto. Pessoas ligadas à política alviverde acreditam que o tema não irá para votação e finalmente o último obstáculo antes do início da obra será superado.

Assim esperamos…

Saudações Alviverdes!

***

V. CRISCIO

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