OPINIÃO DO CRISCIO: sobre a pesquisa Datafolha

Amigos palestrinos,

Numa semana cheia de eventos pro palmeirense – Fiat x Samsung, vitória sofrida sobre o Atlético GO, affair Diego – vou me atentar sobre o resultado da Pesquisa sobre torcidas do Datafolha.

Segundo a
pesquisa – realizada nos dias 15 e 16 de abril, com 2.600
entrevistas em
144 municípios – Flamengo e Corinthians estariam
empatados tecnicamente em 1º lugar, com 17% e
14% de preferência (respectivamente).

Ainda segundo o Datafolha o
Palmeiras é o 4º na preferência das torcidas. As matérias que cobriram a pesquisa foram tendenciosas pró Corinthians e São Paulo, porque ou você usa o mesmo peso e critério de análise ou você desqualifica a pesquisa. Se 17% x 14% é igual a empate técnico (índices obtidos por Flamengo e Corinthians) o que dizer de 8% x 6% (respectivamente os índices de SPFC e Palmeiras).

Tirando a antipatia e descaso natural de alguns veículos contra o Palmeiras, podemos fazer pelo menos três análises importantes com esse material, ainda que na minha humilde opinião, fraquíssimo do ponto de vista de análise e pouco transparente.

CONCLUSÃO 1: OLHANDO DAQUI DE FORA, NÃO SE CONCLUI PORCARIA ALGUMA

A primeira conclusão é que pouco se pode tirar de conclusão olhando os dados disponíveis. A Pesquisa – por exemplo – apresenta tabelas sem casas decimais. Portanto o Palmeiras (assim como qualquer outro time) pode ter o índice de 5,6% de preferência (e foi arredondado para 6%) ou 6,4%. Nos dois casos o resultado apresentado teria sido arredondado para 6%. E pelos níveis de diferença entre os clubes essa pequena variação causa muito impacto (veja na conclusão 2 o caso Botafogo).

Ainda falando sobre o grau de confiança, pesquisas amostrais são instrumentos relevantes mas não definitivos. Num universo de 190 milhões de pessoas que moram no Brasil, foram entrevistadas 2.600. Os pesos dados aos municípios, só prá ficar nesse exemplo, não são claros.

E só prá por uma pá de cal nessa pesquisa, se você somar os percentuais das respostas apresentadas elas não resultam em 100%. Resultam em 95%. Ou seja, parece que publicaram para que qualquer desocupado num domingo (como eu) analisasse e não chegasse a conclusão alguma.

CONCLUSÃO 2: O GRAU DE INTERESSE IMPORTA

Jornalista não tem tempo (e às vezes, desculpe a aparente arrogância, alguns não têm capacidade) de analisar com mais profundidade certos dados. Vejam a tabela da pesquisa do Datafolha no link do 3VV – Tabelas Pesquisa Datafolha
abril 2010: grau de interesse
.
Da forma como está descrito dificulta o entendimento. Mas vamos a ela.

PERGUNTA DATAFOLHA: QUAL O GRAU DE INTERESSE POR FUTEBOL?

Antes, alguns conceitos. O que faz você torcedor? Seu interesse em acompanhar o time. Vibrar, torcer, e no limite, gastar dinheiro com seu time. Gerar valor.

Quanto mais fanático (ou interesse) você tiver no seu time, maior a propensão a você gerar valor para ele. Lotar estádios, comprar pay per view, ter uma dúzia de camisetas em casa, da verde limão à prateada.

Pois bem, na pergunta do Datafolha sobre grau de interesse, o instituto foi nota 10. O resultado apresentado, nota 1. Por quê?

Primeiro porque disponibilizaram poucas informações. Segundo porque talvez com uma amostra maior poderíamos chegar a conclusões mais importantes. Terceiro porque não fizeram o devido barulho nesta particularidade da pesquisa.

Fazendo uma pequena análise usando uma ferramenta de última
geração,
chamada Excel (apenas uma pequena ironia), você consegue chegar a
algumas conclusões. Veja abaixo o índice de GRANDE INTERESSE por futebol sob outra perspectiva. Analisando-se dentro da torcida. No caso do Palmeirense: 47%!!

Veja abaixo.

GRAU DE INTERESSE PONDERADO POR CLUBE

Apenas Atlético MG (faz sentido, a torcida do Galo é efetivamente
fanática, como a nossa) e do Santos (??) apresentaram este índice. Notem
que a soma do % de grau de interesse por clube deveria dar 100%. Não
dá, exatamente por não termos as casas decimais de cada clube.

Veja outra: 22% dos torcedores que se dizem flamenguistas não têm
interesse por futebol. Como é? quase 1/4 dos torcedores se dizem
flamenguistas mas não acompanham o futebol? Então torcem pela marca
(isso tem algum valor, mas não muito), ou por basquete e ginástica
olímpica?

Quer outra? O SPFC Corinthians! 63% de sua torcida afirma ter interesse GRANDE ou
MÉDIO por futebol. No caso do Palmeiras 76% estão nesta categoria. 13 pontos
percentuais a mais!! Ou seja, na mesma linha do Flamengo, neste caso quantidade não é qualidade.

Como eu havia citado na Conclusão 1, o Botafogo apresenta uma anomalia. Como tem baixo índice de torcida, 0,6% ou 1,4% (arredondando-se para 1%) de torcedores com GRANDE INTERESSE em futebol, implicaria num grau de torcedores fanáticos em 63%. A soma de interesse dos torcedores do Botafogo chega nesta tabela a 153%. Tá errado! Portanto a análise fica frágil nesse caso (mas nos grandes clubes a análise é razoavelmente confiável).

CONCLUSÃO 3: A QUESTÃO DOS JOVENS

O Globoesporte.com fez uma análise bem legal sobre a questão da idade dos torcedores. Isso importa bastante. E importa também a tendência. Veja a análise clicando aqui.

Ali você vê que há uma tendência de aumento de torcedores jovens (dos 16 aos 24 anos) para o SPFC. A pesquisa não foi feita com um público abaixo dos 16 anos, mas seria interessante analisarmos por exemplo na faixa entre 8 e 12 anos e entre 12 e 16. Aí talvez tenhamos uma notícia não tão boa ao palmeirense.

POR QUÊ?

Falamos no drops desta semana: “Nos últimos 10 anos vimos os rivais ganharem títulos e
o Palmeiras estagnar num Campeonato Paulista e uma queda à Série B. Não
conseguimos manter ídolos – exceto Marcos – por um longo período,
seguramente
fazedores de torcida (quem não lembra de garotos esfregando os olhos
como Valdívia?).
Ou seja, a tchurma se esforça em perder “cliente”, mesmo assim nossa torcida é
fiel…
quer dizer, é persistente!”.

É persistente mas não é tola. É difícil torcer sem ídolos. Ainda mais quando não trabalhamos bem a relação ídolo x torcedor (veja casos Love e Diego, para ficarmos só nestes dois exemplos recentes).

Temos ainda as besteiras das vendas de Valdívia e Kléber – ídolos que poderiam fazer torcida, atrair jovens – mas que no caso de um foi vendido para equilibrar o caixa (e hoje estamos piores do que estávamos em 2008) e o outro porque não tínhamos recursos para mantê-lo.

Eventos com garotada é importante, e o Palmeiras e prepara para alguns (visitas mirins, por exemplo). Mas não sairá nada daí se não tivermos ídolos de verdade e títulos. Isso forma torcedor.

AS PRINCIPAIS CONCLUSÕES DESTA PESQUISA?

Nossa torcida tende a ser (relativamente) mais apaixonada que as rivais;
Mesmo assim é difícil concluir-se alguma coisa mais relevante; que tal os dirigentes palmeirenses gastarem dinheiro entendendo o perfil da nossa torcida?
De qualquer forma a tendência de crescimento do SPFC entre os jovens é perceptível e isso é uma ameaça. Se não tivermos ídolos que joguem no clube por alguns anos e ganhe títulos, nossa torcida encolherá.

***

Ufa, é por aí. Tem muito assunto sobre esse tema, mas acho que você pode
falar melhor que eu.

O caminho é esse? Parece que sim, não é mesmo? Então já estamos no caminho certo? Não? O que fazer para mudar essa tendência? Como alavancar valor sobre o torcedor apaixonado?

Bom domingo e boa semana. Saudações Alviverdes!

Vicente Criscio escreve aos domingos no 3VV,
dando sua OPINIÃO sobre os principais fatos
sobre o Palmeiras da semana.

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