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Mancha Verde se mobiliza em torno de garoto palmeirense em Brasília

O leitor do 3VV Renato manda uma reportagem (leia abaixo) publicada no Correio Braziliense sobre a comovente história de um garoto que mora em Brasília, Lucas Pereira, de 13 anos. Lucas tem um sério problema nos pulmões. E Lucas é palmeirense.

A partir de uma reportagem feita com o garoto – e de uma única frase, onde identificava-se que ele era palmeirense – ocorreu uma verdadeira mobilização de torcedores da Mancha Verde. Leia a matéria abaixo.

Parabéns aos palmeirenses que se mobilizaram em torno do Lucas. O título da matéria do jornalista Marcelo Abreu (abaixo) não poderia ser mais correto. 

E o Renato, que mandou a matéria, acertadamente nos lembra que a Mancha é muitas vezes criticada; e muitas vezes não é reconhecida por ações como essas. Taí o reconhecimento, mais que justo.

***

Portador de grave doença é parte de história que faz crer no futuro da humanidadeHá 48 dias, o Correio contou o drama de Lucas, um adolescente de Planaltina que vive com apenas um terço do pulmão direito. Brasília e torcedores do Palmeiras se mobilizaram numa verdadeira corrente de solidariedade. A casa simples onde ele mora virou só esperança


Marcelo Abreu

Publicação: 30/07/2010 07:00 Atualização: 30/07/2010 08:13

Irani (D) e Lucas (C), rodeados pela Mancha Verde de Brasília:
Irani (D) e Lucas (C), rodeados pela Mancha Verde de Brasília: “Sabia que alguma coisa boa ia acontecer”, agradece ele

Sabe essas histórias que ainda fazem acreditar que a humanidade é boa? Esta é uma delas. Como um tsunami, essa gente invadiu uma casa ainda com mofo, piso de cimento cru e pouca luz. Bateu, entrou e transformou. Iluminou todos os espaços, retirou o mofo, levou piso bonito, começou a pintar e fez aquele menino sobrevivente ter a certeza que nem tudo está perdido. A mãe do menino chora de alegria. Belisca-se. Vive um sonho. O menino, embasbacado e de olhos acesos, repete: “Eu sabia que alguma coisa boa ia acontecer”.

E aconteceu. Mas, afinal, que história é essa? Voltemos 48 dias no tempo. No sábado, 12 de junho, o Correio contou a luta de Lucas Neres Pereira, 13 anos, para sobreviver. E a luta que travara, desde que nasceu, para ser mais forte que as previsões médicas. Portador de uma grave enfermidade pulmonar, a bronquiolite obliterante (doença respiratória causada por um vírus que destrói o pulmão e pode afetar outros órgãos, como o coração).

Lucas nasceu no Hospital Regional de Planaltina (HRP). Com um mês de vida, os primeiros sinais da grave doença: muito cansaço para respirar. Numa ida de emergência ao HRP, um médico plantonista pediu um raios X. E foi incapaz de ver que metade do pulmão do bebê estava comprometido. Indicou nebulização. Era, segundo aquele homem e jaleco branco, apenas um resfriado.

No dia seguinte, o cansaço aumentou. Irani Neres Santana, então com 22 anos, a mãe, desesperou-se. Com os filhos nos braços, embarcou para a Rodoviária do Plano Piloto. Chorava e pedia para ele não morrer. Ao desembarcar ali, um carro da Polícia Militar levou mãe e filho para o Hmib. O médico de plantão, o intensivista neonatal Carlos Zacconeta, estava de saída.

O quarto ganhou cor, luz e piso novos. O adolescente Lucas é só emoção - (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)
O quarto ganhou cor, luz e piso novos. O adolescente Lucas é só emoção

Ainda assim, voltou para atender aquela criança que morria. Sorte que nem toda gente de jaleco branco é igual. Um raios X às pressas revelou: Lucas tinha uma lesão severa em dois terços do pulmão esquerdo. Ficou ali por 80 dias, na UTI neonatal. E, nesse período, momentos vários de incerteza, dor e angústia. Houve dias em que até os médicos achavam que chegara ao fim. Irani chorava agarrada aos santos de devoção.

Como milagre, o menino valente surpreendia. Mas seu estado ainda era grave. Do Hmib, foi transferido para o Hospital de Base (HBDF). Lá, ficou aos cuidados da pneumologista Rita Heloísa Mendes, que cuidou de Lucas com dedicação comovente. Nunca escondeu qualquer informação — nem nos momentos delicados.

Com 13 meses de vida, a primeira cirurgia, para retirar parte do pulmão esquerdo. Era só o começo. Aos 7 anos, a segunda e a mais radical: retirada total do órgão. Meses de internação, recaídas, lágrimas e oração da mãe. Idas e vindas ao hospital. Preocupação com o pulmão direito, que já apresenta sinais de falência — dois terços já estão lesados.

Corrente solidária
Há 48 dias, portanto, esta história foi contada. Lucas e a mãe moravam numa casa humilde em Arapoanga, bairro de Planaltina. O banheiro, cheio de mofo, era o pior inimigo para a saúde do menino. Na casa, humilde, faltava muita coisa. E a luta pela sobrevivência, a dificuldade em comprar remédios e o aparelho de que precisava com urgência, o oxímetro, que mede a saturação de oxigênio no sangue.

Matéria do Correio publicada em 12 de junho mudou a vida do garoto - (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)
Matéria do Correio publicada em 12 de junho mudou a vida do garoto

A reportagem comoveu Brasília. O telefone de Irani começou a tocar logo nas primeiras horas daquela manhã de sábado. “Toca até hoje”, agradece a mãe. Gente que não quis se identificar. Mas ajudou. Gente que foi lá, ligou, visitou. Conferiu a história de perto.

A ajuda chegou como milagre. E de todos os lugares. Uma atrás da outra. Veio o oxímetro, que custa R$ 1,6 mil. E uma história que arrancou mais lágrimas de Irani. O aparelho, novinho em folha, foi doação de uma mãe que perdera o filho. O menino também se chamava Lucas. “Mas eu não vou morrer, não”, decreta Lucas, o valente.

Chegou também uma bala de oxigênio portátil, no valor de R$ 600, que lhe dará liberdade até para viajar. Cestas básicas, leite da dieta especial e dinheiro em conta. “Paguei tudo o que devia na farmácia”, diz Irani. E não parou por aí. Dois irmãos, comerciantes de Taguatinga, assumiram a reforma do banheiro cheio de mofo. Um major da PM deu as tintas.

E, no dia seguinte à publicação da reportagem, no domingo 13, uma turma do barulho — gente de todos os cantos do DF, homens, mulheres e até crianças — invadiu a casa do menino. Ele não sabia. Chegaram entoando o hino de guerra. O menino engasgou.

A Mancha Verde de Brasília, torcida organizada do Palmeiras, levou solidariedade e esperança para Lucas. Assumiu a reforma total da cozinha, da área externa e do novo quarto do garoto — com direito até a faixa do time na parede. Levaram também cestas básicas e uniforme completo do Verdão.

Guerra para ajudar

A bala de oxigênio portátil e o oxímetro: sopro de alegria - (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)
A bala de oxigênio portátil e o oxímetro: sopro de alegria


Como a torcida chegou ali? Na matéria de 12 de junho, numa única frase perdida no meio do texto, informou-se que o menino era torcedor do Palmeiras. Não havia outra menção. Foi o suficiente para tamanha mobilização. “Meu pai, palmeirense como eu, me acordou no sábado e disse: ‘Leia essa matéria. Precisamos fazer alguma coisa. Ele é palmeirense…’ Eu tava dormindo, nem escutei direito”, conta o assistente administrativo Bruno Liporoni, de 32 anos.

Ao acordar, Bruno leu o jornal. “O leite até esfriou na xícara. Liguei pra três amigos da Mancha Verde e decidimos que iríamos fazer alguma coisa.” E-mails foram disparados. No dia seguinte, Bruno e seu exército verde estavam lá, naquele lugar muito distante de onde todos vivem. Seguiu-se uma corrida para fazer o bem. “Percebi que quem recebe ajuda ganha menos do que aquele que pode ajudar. Fomos nós quem ganhamos”, emociona-se o rapaz.

Quarenta e oito dias se passaram. Visitas de integrantes da torcida, para acompanhar a obra (feita pelo tio de Lucas, o pizzaiolo Hidevá Neres, 30, que nas horas vagas se torna pedreiro) tornaram-se constantes. Na manhã de ontem, lá estava parte deles. Vieram até dois torcedores de Cuiabá (MT), para conhecer Lucas.

O menino que desafiou a medicina — muitos pacientes morrem antes dos 2 anos de vida — comoveu a torcida mais uma vez. “Essa é uma corrente do amor. Só quero agradecer a todos que me ajudaram”, disse, com sorriso de vida. Evângelo Franco, 45 anos, diretor do Centro de Ensino Especial 2 de Brasília e diretor de imprensa e mobilização da Mancha Verde, ouviu o que aquele menino disse.

Tentando esconder a emoção, ele admitiu: “A gente tinha obrigação de fazer isso. E que possa servir de exemplo para outros torcedores, outras ONGs. A filha de Franco, a adolescente Ana Luíza, 12, acompanhou o pai. Ao se deparar com realidade tão diferente da sua, refletiu: “Se todos fizessem um pouco, o mundo estaria melhor”. Ricardo Leal, 23, estudante de serviço social, resumiu: “É uma atitude cidadã”.

E o povo cantou. Bradou. Carregou-o. Marcou um superchurrasco na casa nova dele, assim que a pintura externa ficar pronta. Ele sorriu como se fosse a pessoa mais feliz do mundo. E é. Quem vive de forma surpreendente com apenas um quarto do pulmão direito (o transplante não lhe é indicado em função da anatomia do tórax) e obrigou uma gente de jaleco branco a rever tudo que pensava saber tem direito à felicidade.

Ele sabe disso. Tanto sabe, que faz planos. “O meu sonho é conhecer o Marcão (goleiro do Palmeiras).” Alguém duvida de que ele vai conseguir? A vida é engraçada. Um detalhe, perdido no meio de um texto, pode mudar a vida de alguém com a mesma velocidade de um gol. Daqueles que arrebentam a rede. Foi um golaço!


18 respostas em “Mancha Verde se mobiliza em torno de garoto palmeirense em Brasília”

PARABÉNS MANCHA,QUE DEUS ABENÇÕE TODOS VOCÊS.POR ISSO É QUE ME ORGULHO EM SER PALMEIRENSE.

Parabéns, à Mancha, torcida da qual fui membro há vários anos, e que deveria sempre seguir este exemplo em todas as suas atitudes.

Emocionante! Estou enxugando as lágrimas, belíssima história. E como já citaram aí em cima, seria importantíssimo o Palmeiras levar o Marcos para conhecer o garoto, não só para realizar o sonho dele como também para fazer essa história ser ainda mais divulgada.

Não gosto da maioria das atitudes fora de campo dessa torcida, mas por essas atitudes, tenho q tirar o chapéu, isso so vem a provar q a torcida do palmeiras é diferente das outras

Muito lindo, emocionante. Parabéns pela ação! 🙂 Belo exemplo!

#9 Vinicius, a Mancha, em sua sede ai em São Paulo tem diversas atividades sociais, pena que só sabe quem procura ou que é.
A torcida, assim como o time tb é perseguida pela imprensa e tudo que ocorre com a mesma tem enormes proporções, veja a festa que a Mancha faz nos estadios plasticos, mosaicos, canta o jogo todo e ninguém mostra, ai as outras t.o. copiam e levam a fama.

Parabens a Mancha-DF e a todos que ajudaram o Lucas.

Parabéns à Mancha de Brasília pelo belo exemplo!

Precisamos mostrar a todos o verdadeiro tamanho da nossa torcida.

Vinícius Terra de Andrade

São ações como essas que me fazem ser otimista em relação a salvação do mundo!

Se a Mancha Verde em sua totalidade (não só os brasilienses mas, principalmente, os paulistanos) daqui pra frente, se pautar por atitudes como essa, o mundo, futebol, etc, será muito melhor.

Muita luta, saúde e, muita vida para o Lucas e para o nostro Palmeiras!!!!!

Emocionante!!!!

Parabéns, Mancha Verde e a todos que abraçaram essa causa.

Foi um golaço mesmo dos torcedores. Sensacional!

Parabéns à Mancha de lá.

Agora,cabe à diretoria do Palmeiras ou alguém que o conheça passar esse desejo do garoto ao Marcos.Quem sabe?Se chegar aos ouvidos do Felipão,tenho certeza que ele leva o time inteiro lá.
O Marcos,do jeito que é,periga ir até lá visitar o garoto sem ninguém saber só pra não aparecer e realizar o sonho do menino.

Incrível!!!
Parabéns a Mancha Verde, que tem que ser marcada por atos como esse, não por aqueles outros que todos nós nos envergonhamos.

Fantástica a história.
Seria maravilhoso fazer o muleque conhecer o Marcão.
Porra, até eu quero conhecer o Marcão!!

Isso é Palmeiras!!!

concordo… o palmeiras podia dar uma força… não custa nd uns minutos

abraços

PQP! Emocionante mesmo!
Vicente, veja se você, o Conrado, o Raul Bianchi ou o Tchiro consegue fazer essa notícia chegar até a diretoria de futebol, já que o Palmeiras vai jogar em Goiânia na semana que vem e poderia dar uma esticadinha até Planaltina. Não custaria nada, não?

Belíssima história e grande atitude da Mancha Verde-DF. Fizeram algo muito bonito e encheram de orgulho e alegria a família do menino e a instituição deles. Parabéns, mandaram muito bem.

Muito bonita a história, emocionante mesmo. Parabéns à Mancha Verde. E o menino diz que o sonho dele é conhecer o Marcos, bem que a Diretoria poderia agitar isso, não? Levar o menino pra São Paulo, no CT, conhecer Marcos, Felipão,Kleber, Valdivia…

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