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O uso da tecnologia no esporte

POR LUCIANO PASQUALINI

O uso da tecnologia para apoiar decisões esportivas
começou há
mais de um século, com o desenvolvimento das primeiras câmeras
fotográficas.

Quem chegou primeiro ?

As corridas de cavalo foram as primeiras
beneficiadas com o
uso da tecnologia, e acompanharam a evolução das câmeras introduzindo
oficialmente o “photo finish” ou “photo chart” no
início dos anos 30. Não por acaso, o esporte que sempre esteve atrelado a
apostas com muito dinheiro em jogo. Desde então a decisão saiu dos olhos
humanos dos juízes e foi para as lentes das câmeras. Na mesma década de
30 a tecnologia
chegou ao atletismo dos jogos olímpicos de 1932 e de 1936 em Berlim,
justamente
a primeira a ser transmitida ao vivo por televisão.

Qual o tempo ?

Trinta e seis anos depois as olimpíadas voltaram à
Alemanha,
e na Olimpíada de Munique em 1972, viram a introdução do cronômetro
atrelado às
imagens, uma inovação simples mas que revolucionou a apuração de tempos e
recordes.
O argumento para convencer o COI foi simples: resgataram imagens de
recordes
anteriores e introduziram o sistema demonstrando desvios inaceitáveis de
tempos
registrados no passado. Desde então, a junção de imagens e cronometro
permitem
dar com precisão de milésimos de segundo os tempos dos diversos
esportes,
incluindo natação, ciclismo, automobilismo e o próprio atletismo.

A força da TV

Nos anos 80 o esporte invadiu a programação das TVs
em uma
simbiose que fez surgir canais especializados que transmitiam 24h de
esporte.
As ligas se profissionalizaram, o marketing trouxe os recursos e até as
regras
do esporte foram adaptadas aos interesses da TV. O Basquete da liga
norte-americana
passou a ter 4 “quartos” com paradas para os comerciais, além dos
tempos extras de cada treinador, normalmente usados no final das
partidas, com
o tempo necessário para um comercial de 30 segundos. O superbowl de
1982, jogo
decisivo da liga de futebol americano, estabeleceu um recorde jamais
igualado
de 73% de audiência, com um show da Motown no intervalo. Foi neste
contexto de evolução
das câmeras e superexposição de imagens que em 1986 a NFL, liga de
futebol
americano, introduziu a permissão para que os árbitros consultassem um
“árbitro
de replay” sempre que achassem necessário. Este árbitro normalmente fica
em uma sala reservada próximo das cabines de imprensa. O recurso
aumentou a
credibilidade do esporte e das decisões da arbitragem.

A Evolução Definitiva

A evolução definitiva veio em 1999 na mesma liga de
futebol
americano, a NFL, quando os técnicos ganharam o direito de questionar
uma decisão
da arbitragem. Cada equipe passava a contar com um dispositivo
eletrônico,
comandado pelo técnico, que ao ser pressionado avisava os árbitros do
pedido de
revisão, um ato conhecido como “challenge”. Para evitar o mau uso,
ficou estabelecido que cada equipe poderia utilizar 2 vezes o
dispositivo ao
longo da partida, e somente em algumas situações, como dúvidas sobre
posicionamento antes ou após as linhas decisivas. Como poderia haver um
mal
funcionamento do sistema, adotou-se um lenço vermelho que o treinador
deveria
jogar no gramado sinalizando o pedido. Até hoje os técnicos preferem
fazer
desta forma pelo impacto psicológico do desafio imposto à arbitragem. O
“árbitro
de vídeo-tape” tem 60 segundos para analisar e dar o parecer. Se estiver
convencido do equívoco ele manda reverter a decisão. Caso contrário a
decisão é
mantida e o time que fez a solicitação perde um “pedido de tempo
técnico”
a que tinha direito.

As regras se mostraram perfeitas e o jogo não perde
em nada
na sua dinâmica, tanto que a partir de 2004 os técnicos ganham um
terceiro “challenge”,
um prêmio para os casos onde as duas primeiras contestações tenham sido
corretamente solicitadas, ou seja, as imagens mostraram que o técnico
estava
correto. Outro ponto positivo da regra é que como o técnico precisa
contestar
rapidamente, ele se baseia normalmente na reação e percepção dos
próprios
atletas, o que reduziu e praticamente eliminou as reações falsas, na
tentativa
de confundir a arbitragem.

Adoção em Massa

O Basquete também adotou o uso da
tecnologia. Como
muitas decisões são feitas na última cesta, e as equipes deixam para
arremessar
no último segundo – para evitar a reação do adversário, as reclamações
sobre o cronômetro já ter sido zerado ou não eram freqüentes. Em 2002 a
NBA
[liga norte-americana] passou a permitir o uso de imagens para
determinar se o cronômetro
estava zerado ou não no último arremesso. Em 2005 a liga italiana foi
além e passou
a usar as imagens para determinar se um arremesso partiu de antes da
linha dos
3 pontos, tanto para confirmar os pontos quanto para definir em caso de
falta
se seriam dois ou três arremessos, com o diferencial do pedido ser feito
pelo técnico,
como no “challenge” do futebol-americano. Em 2006 a FIBA [Federação
Internacional de Basquete] adotou o uso de imagens tanto para cronômetro
zerado
quanto para o arremesso da linha dos 3 pontos, regra que vale inclusive
para os
Jogos Olimpicos. No ano seguinte a NBA também adotou a regra, mas o
pedido só
pode ser feito pelos próprios árbitros.

O Volei segue a linha do Basquete,  e
somente os
árbitros podem fazer pedido de uso do replay. No ano passado em jogo da
Liga Mundial
entre Brasil e Servia pudemos ver a regra em ação. No quarto set, com 22
a 21
houve um bloqueio dos sérvios e os seis árbitros ficaram em dúvida. Foi
então
acionado o árbitro de replay que reverteu o ponto para o Brasil baseado
no
replay de imagens.

O Tênis teve em John McEnroe um personagem
singular. Jogador
sensacional, um dos melhores da história do esporte, marcou sua carreira
pela
forma e freqüência com que contestava lances e decisões da arbitragem. A
imagem
ficou tão eternizada que quando duas empresas desenvolveram em 2005 uma
tecnologia específica para ser utilizada em partidas de tênis colocou
nela o
nome de MacCAM, em homenagem ao ex-tenista que se tornou consultor e
analista
da solução. Em 2008 as diversas associações de Tênis unificaram as
regras e
hoje cada jogador pode solicitar 3 revisões ao longo de cada set.

O uso mais intenso talvez seja o do Hóquei
sobre o
Gelo
. Tanto nos Jogos Olímpicos de Inverno quanto na NHL, TODOS
os gols
marcados são analisados por uma equipe de video-tape. No caso da NHL
esta
equipe não fica no estádio, mas sim em uma central localizada em
Toronto. Todas
as imagens são enviadas para lá, e a validação e decisões são feitas a
partir
deste war room.

O modelo de war room também foi copiado pela Liga
Nacional
de Baseball dos EUA, uma das últimas a adotar o uso da
tecnologia,
em 2008. A central de arbitragem por vídeo fica localizada em Nova
Iorque. Se
os árbitros decidem usar o recurso, vão até a beira do campo onde há um
telefone e uma tela. Entram em contato com a central e recebem as
imagens no
monitor. A Liga Mundial de Baseball também permite o uso de imagens.

Outros esportes que também adotam a tecnologia para
revisão
de decisões de arbitragem são o Hóquei em Campo, o Rugby, o
Cricket
e até o Snooker [que usa a mesma tecnologia do tênis].

E o Futebol ?

Um dos sistemas utilizado pelo Tênis, o HawkEye,
foi testado
a pedido da Premier League, mas foi rejeitado pelo alto custo e por ser
baseado
em imagens, o que o deixa sujeito a falhas caso hajam muitos jogadores
em torno
da bola encobrindo sua imagem. O modelo correto parece ser o de RFID e
duas
empresas já estão fazendo testes na liga norte-americana, mas ainda se
sabe
muito pouco sobre o assunto. Fato é que a decisão deverá ser tomada pelo
Board
a FIFA, mas o que vem a ser o Board ?

O Board é formado por 8 membros, sendo 4
permanentes da Grã-Bretanha.
Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales possuem cadeira
cativa no
Board que é complementado por 4 representantes indicados pela FIFA.
Anualmente
o Board se reúne entre fevereiro e março e toma decisões sempre com
aprovação
obrigatória de no mínimo 6 votos. Segundo o próprio site da FIFA, o
Board “atua
como o guardião das leis do jogo e é
responsável
por estudar, modificar e acompanhar quaisquer alterações”.

Parece ser um castigo que a Irlanda tenha sido
eliminada da
Copa com um gol de mão da França, e a Inglaterra tenha sido eliminada da
mesma
Copa com a anulação de um gol legítimo que poderia mudar tudo … e
justamente
para o maior rival, a Alemanha. Quem sabe ? Se não quiserem assim, vou
continuar torcendo para estas quatro seleções britânicas serem sempre
prejudicadas por erros de arbitragem, até que um dia, quem sabe, eles se
sensibilizem e permitam algumas mudanças. Há inúmeros cases para mostrar
que o
esporte não perderá em nada, ao contrário, talvez nos livre em parte de
Castrillis, Simons, Arnaldos e outras centenas de gatunos cuja
autoridade acima
de bem e do mal só se justificava em 1888 quando não havia outra opção.
Hoje
abrir mão da tecnologia é burrice, interesse e saudosismo. 

Luciano
Pasqualini

follow me on http://twitter.com/_Pasquali
ni_

 

3 respostas em “O uso da tecnologia no esporte”

Luciano, concondo plenamente.

Não há motivos, a não ser interesses, para não se adotar a tecnologia.

Parabéns, você mostrou que dos esportes mais populares até a sinuca, não admiti-se mais o erro caso seja possível corrigí-lo.

Abraço.

“Hoje abrir mão da tecnologia é burrice, interesse e saudosismo.”
FALOU TUDO!

cara sensacional..

a NBA na verdade para o jogo pra tudo… ate se tiveram duvida sobre a posse de bola em um lateral..

o jogo fica justo..

agora entendi pq a FIFA nao muda as regras…

devem ser 8 velhotes e irlanda, escocia e pais de gales nao sabemnada de futebol…

enqnto nao tiver tecnologia quero tbm q essas selecoes sejam constantemente prejudicadas por falhas grotescas da arqbitragem…

so assim pra esses velhos, retrogrados abrirem os olhos

o CHIP na bola ja foi testando até, e a FIFA (BOARD) resolveu nao implantar… chega a ser ridiculo

talvez os EUA sejam uma força importante para usar tecnologia no futebol, tiveram um interresse monstro nessa Copa, e viram o time ser prejudicado em massa..

ABs

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